sábado, 29 de julho de 2023

Colaborações internacionais das Instituições de Ensino Superior__Negligência ou incompetência ?

 


Na sequência do post supra, onde analisei a evolução das colaborações científicas dos investigadores Portugueses com investigadores estrangeiros ao longo dos últimos 60 anos, (onde se constata que Portugal diminuiu as colaborações científicas com países mais avançados, como a Alemanha, optando por aumentar as colaborações com o Brasil !!!) mas principalmente na sequência do post infra, onde analisei a evolução entre 2016 e 2020, das colaborações entre investigadores nacionais e investigadores da China https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/desempenho-de-16-instituicoes-de-ensino.html sou por este meio a divulgar uma actualização, dessas colaborações, relativamente à produção científica indexada nos anos 2021 e 2022. Vide lista no final deste post.

Atenta a notória exiguidade das percentagens ali apresentadas (excepto para as 6 primeiras instituições que conseguem ultrapassar 4%) reproduzo novamente a questão colocada no final desse post de 2021, estas baixas percentagens de colaborações, com o pais que a nível mundial mais cresceu em termos científicos e que não por acaso até já lidera em termos do número de artigos altamente citados, tendo relegado os EUA para o 2º lugar,  são o resultado de negligência ou de incompetência ?

Ao contrário de alguns países europeus (como Portugal) que ignorantemente sempre investiram pouco dinheiro em ciência e tecnologia, a China, apesar de nos últimos anos ter investido muitíssimo nessa área, pretende nos próximos anos passar a gastar ainda mais, já que naquele país a importância da ciência e tecnologia foi recentemente confirmada https://www.nature.com/articles/d41586-023-00744-4

Em 2017, num relatório do Instituto Bruegel sobre o crescimento da China na área da ciência e tecnologia podia ler-se que a Europa deveria tentar aumentar as suas ligações aquele país asiático para dessa forma acautelar o seu futuro. Nesse relatório há aliás uma curiosa frase que merece ser reproduzida: "When Freeman (2005) asked a top Harvard physicist, who had published important work in cooperation with overseas scientists and engineers, “So, you are helping them catch up with us?” the scientist replied, “No, they are helping us keep ahead of them” https://www.bruegel.org/sites/default/files/wp_attachments/PC-19-2017.pdf 

Recordo também que em Novembro de 2022, um conhecido Instituto Holandês (Rathnau), reconhecia a importância do fomento das publicações conjuntas entre investigadores da Holanda e investigadores da China, que entre 2010 e 2020 cresceram 400% https://www.rathenau.nl/en/science-figures/process/collaboration/china-scientific-superpower-making

Sem surpresa, a Alemanha e o Reino Unido não deixaram de lhe seguir o exemplo, porque uma pesquisa na plataforma Scopus, mostra que entre 2010 e 2020, as colaborações científicas da Alemanha com a China aumentaram mais de 300% e as colaborações científicas do Reino Unido com a mesma China aumentaram mais de 400%. 

Se as razões para essas colaborações já eram evidentes há uma década atrás, muito mais evidentes se tornaram perante o conteúdo do relatorio de 2022 da Clarivate Analytics sobre as empresas mais inovadoras do Planeta, onde existe uma figura "chocante" na pág.12, que analisa a evolução de patentes desde 1974 e que mostra que se em 2010, a Europa e os EUA produziam cada uma, quase 2 milhões de patentes por ano, e a China apenas metade desse valor, em 2014 a China atingiu a paridade com aqueles blocos geográficos e a projecção para 2025, mostra que a China sozinha irá conseguir produzir mais patentes do que a Europa e os EUA juntos. https://clarivate.com/wp-content/uploads/dlm_uploads/2022/02/Top-100-Global-innovators-2022-report-v9-RGB-SIN_AC.pdf

Desgraçada e muito ironicamente, as colaborações entre investigadores Portugueses e investigadores Brasileiros, são quase 300% superiores às colaborações nacionais com os investigadores Chineses, o que é prova bastante da incompetência (ou pelo menos negligência) estratégica que tem norteado as colaborações internacionais da maioria das Instituições de Ensino Superior Portuguesas, pois em termos de inovação mundial o Brasil aparece não só abaixo de Portugal, mas infelizmente até mesmo abaixo de países como o Vietname e o Irão https://www.theglobaleconomy.com/rankings/gii_index/ 

E se mais provas fossem ainda necessárias para comprovar a referia incompetência (ou no mínimo negligência) então bastaria ter presente que as colaborações entre investigadores Portugueses e investigadores Brasileiros, também são quase 300% superiores às colaborações nacionais com os investigadores da Suíça, que é não só o país mais inovador do Planeta, mas também aquele com o maior rácio prémios Nobel por milhão de habitantes. 

Percentagem de publicações indexadas, com afiliação Chinesa, no biénio 2021 e 2022
1 - UMadeira............ 82/631..........13.0%
2 - UMinho...............310/6852.........4.5 
3 - ISCTE................. 96/2126..........4.5
4 - UAçores............... 30/667...........4.5
5 - ULisboa...............697/16170......4.3
6 - UCoimbra...........325/7842.........4.1
7 - IPol.Porto............ 67/1737.........3.9
8 - UNova.................209/5747........3.6
9 - UALG...................67/1858.........3.6
10 - IPol.C.Branco.......11/310.........3.6
11 - UAveiro...............237/7036.......3.4
12 - UPorto.................454/14660.....3.1
13 - IPol.Santarém.......6/194...........3.1 
14 - UAberta.............. 7/272............2.6  
15 - IPol.Coimbra.........21 /931........2.3
16 - UÉvora.................33 /1721.......2.0
17 - UBI........................46 /2247......2.0
18 - IPol.Tomar............3/163...........1.8  
19 - IPol.Lisboa............ 17/979.......1.7
20 - IPol.Setubal..........6/437...........1.4
21 - UTAD..................26 /2050........1.3
22 - IPol.Viseu............ 5/473...........1.1
23 - IPol.Viana C.........8 /777..........1.0
24 - IPCA.....................4/452...........0.9
25 - IPolPortalegre.......2/249..........0.8
26 - IPol.Bragança..... 10/1316........0.8
27 - IPGuarda................2/204...........0.7
28 - IPol.Beja...............1/204...........0.5
29 - IPol.Leiria.............5 /1018........0.5

quinta-feira, 27 de julho de 2023

ChatGPT, psychological profiling, and the $2 Billion Question

 

Yesterday I realized that my data on ChatGPT usage (email below) shows that so far I have made more than 600 requests to this generative AI model, whose output exceeds more than 500 pages (11-point Arial). In this context, it will be interesting if future versions of ChatGPT can use this "request history" to create a psychological profile of users. 

First of all, because academics (and its relatives) are prone to schizophrenia and bipolar illness https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/schizophrenia-and-bipolar-illness-in.html 
And "secondly", because there is a worldwide epidemic of mental illness (nearly 1 billion people according to the UN) and many humans would rather interact with a machine than with a (expensive) psychotherapist https://www.ageing.ox.ac.uk/blog/ChatGPT-A-Game-changer-for-Personalized-Mental-Health-Care-for-Older-Adults

No doubt the corporate world (that had become addicted to personality tests of candidates) would be interested to know about that (cost-free) AI-based psychological profile. On this issue check the article " The $2 Billion Question of Who You Are at Work" published in the New York Times  https://www.nytimes.com/2023/03/05/business/remote-work-personality-tests.html




De: OpenAI 
Enviado: 26 de julho de 2023 16:29
Para: F. Pacheco Torgal 
Assunto: ChatGPT - Your data export is ready
 




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Best,
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terça-feira, 25 de julho de 2023

O admirável impacto científico de uma gota nas áreas da física, da química, da engenharia, da biologia e da medicina


Ainda sobre o post do passado dia 16 de junho, acessível no link acima, sobre citações (e prémios indevidos), é pertinente divulgar que o tal indíce-K, que permite dintinguir aquelas publicações citadas nas obras científicamemte mais relevantes daquelas outras citadas nas menos relevantes ou mesmo nas absolutamente irrelevantes, não se consubstancia somente num número (que permite hierarquizar cientistas incluindo prémios Nobel), mas que permite também, através de uma análise na conhecida plataforma Scopus, das publicações que dele fazem parte, perceber não só em que universidades, mas também em que áreas científicas, é que o trabalho de qualquer investigador está a conseguir causar impacto. 

No referido contexto, aproveito o presente post, para reproduzir abaixo uma lista do Top10 de artigos científicos recentes (publicados nos últimos 4 anos) que contribuem para o meu índice-K=158, que actualmente, ainda continua a ser o índice mais elevado na área da Engenharia Civil em Portugal, lista essa da qual destaco a interessante e importante publicação que aparece no 10º lugar, com 201 citações, sobre o complexo fenómeno de evaporação de uma gota, publicação de 56 páginas, que é baseada numa revisão de mais de 400 referências bibliográficas, envolvendo as áreas da física, da química, da engenharia, da biologia e da medicina, acessível no link abaixo, mas de conteúdo integral não público: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0370157319300468


Título

Revista

Citações

1

Targets for a circular economy

Resources, Conservation and Recycling

395

2

Recent progress in low-carbon binders

Cement and Concrete Research

282

3

Natural fiber reinforced polylactic acid composites: A review

Polymer Composites

249

4

Geopolymers as an alternative to Portland cement: An overview

Construction and Building Materials

241

5

A review of performance of zero energy buildings and energy efficiency solutions

Journal of Building Engineering

233

6

A Comprehensive Review on Recycled Aggregate and Recycled Aggregate Concrete

Resources, Conservation and Recycling

206

7

Properties of fresh and hardened fly ash/slag based geopolymer concrete: A review

Journal of Cleaner Production

205

8

Urban green space cooling effect in cities

Heliyon

204

9

Silica fume and waste glass in cement concrete production: A review

Journal of Building Engineering

202

10

Evaporation of a Droplet: From physics to applications

Physics Reports

201