domingo, 21 de janeiro de 2024

Suborno de editores de revistas científicas


Um artigo publicado recentemente na prestigiada revista Science, tornou público que os piratas da ciência adoptaram uma nova tática, a de subornarem Editores com valores de mais de 20.000 dólares para facilitarem a publicação de artigos:

O artigo menciona também uma "vulnerabilidade" que já era conhecida, a da utilização fraudulenta de números especiais das revistas científicas para incluir artigos de baixa qualidade, a qual recordo já tinha sido denunciada na revista Nature https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/nature-scammers-impersonate-guest.html

O certo é, que ninguém na comunidade científica, pode alegar que não sabe qual é a solução óbvia e definitva para esse problema e que passa numa primeira fase por separar as revistas do processo de revisão e em seguida por eliminar todas as revistas científicas, cenário esse que a toda poderosa Elsevier já admitiu como inevitável   https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/04/the-first-15-bricks-in-scientific.html

É claro que antes de tudo isso, é necessário que a comunidade científica faça aquilo que há muito deveria ter feito, que como sugeriu o ilustre investigador Vladen Koltun, pare de valorizar o número de publicações e a revista onde foram aceites e em consequência, deixe de homenagear os super-cientistas que possuem muitos milhares de artigos, pois isso não significa nada de louvável muito antes pelo contrário. Acreditar que há super-cientistas com padrões de produtividade de publicação que são 2000, 3000 ou mesmo 4000% superiores à média de publicação do resto dos cientistas, é no mínimo dos mínimos santa ingenuidade. Revisite-se a este respeito, o post anterior sobre os padrões médios de produtividade de publicação em Portugal, em 29 áreas científicas https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/12/fctpublicacoes-medias-anuais-por.html

Recordo ainda que uma directora da Clarivate Analytics, disse preto no branco, há não muito tempo, que conseguir publicar 2 ou 3 artigos por semama era um sinal muito evidente de pouca ética científica https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/11/abriu-caca-aos-investigadores-que-nao.html

Declaração de interesses - Declaro que apesar de nos últimos 10 anos ter participado em mais de 600 decisões editoriais, nunca ninguém me ofereceu um cêntimo (ou qualquer outra vantagem) para facilitar a aceitação de artigos.

PS - A Ciência que este mundo vulnerável necessita, não é certamente aquela que se traduz apenas num dilúvio (prejudicial) de publicações absolutamente irrelevantes (que muito poucos leem e que ninguém perde tempo a citar) mas sim aquela Ciência que causa impacto e que consegue transformar (positivamente) a vida das pessoas. Felizmente porém que agora já se conhece qual é a forma mais eficiente de financiar esse tipo de Ciência  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/the-economist-world-ahead-2024what-is.html

sábado, 20 de janeiro de 2024

96% das Câmaras Municipais ainda não foram capazes de criar um roteiro para a neutralidade carbónica


Um artigo ontem publicado, informa que 96% das Câmaras Municipais ainda não foram capazes de criar um roteiro para a neutralidade carbónica  e também que 60% das Câmaras Municipais ainda não possuem planos municipais de adaptação às ações climáticas. E isto apesar do prazo legal previsto para a conclusão dos mesmos, estar perto do fim, o que significa desde logo que a maioria da Câmaras não sabem o que é cumprir um prazo. Segundo reza o artigo, o atraso no cumprimento dos requisitos legais é consequência da "falta de recursos humanos qualificados”. https://smart-cities.pt/noticias/so-11-municipios-criaram-roteiro-para-a-neutralidade-carbonica-e-mais-de-metade-nao-tem-plano-climatico-19-01/ 

Talvez se as Câmaras Municipais deste país, dedicassem a esse importante tema a mesma atenção que dedicam à compra de viaturas de luxo (como aquelas três descaradas Câmaras Municipais, que acharam boa ideia desperdiçar o dinheiro dos contribuintes na compra de um Porsche) esse problema já estivesse resolvido há muito. 

Talvez se as Câmaras Municipais deste país, contratassem menos advogados (como a CMLisboa que emprega várias centenas de advogados) e mais técnicos com conhecimentos efectivos sobre a neutralidade carbónica no ambiente urbano, talvez esses planos já estivessem prontos há muito tempo. 

Felizmente porém que há na Academia Portuguesa investigadores, que certamente podem ajudar as Câmaras Municipais nessa tarefa, como por exemplo aqueles da universidade de Coimbra e do Politécnico de Coimbra, que muito recentemente, no dia 14 de Janeiro, foram autores de um artigo, onde se pode ler que pode "ajudar os decisores municipais a planear suas cidades para um futuro sustentável" https://www.mdpi.com/1996-1073/17/2/409

No contexto supra é pertinente divulgar quais são as universidades Portuguesas mais activas no tema das cidades sustentáveis. Assim apresenta-se abaixo o resultado de uma pesquisa, hoje efectuada, na conhecida base de dados Scopus, sobre as universidades com mais publicações científicas relacionadas com cidades sustentáveis. As publicações referidas foram obtidas pela pesquisa das seguintes palavras: (sustainable AND cities), (green AND cities), (resilient AND cities), (green AND infrastructure), (low AND carbon AND cities ), (smart AND cities),  (urban AND sustainability), (urban AND ecology), (urban AND resilience ),(climate-resilient AND cities).

A lista corresponde ao rácio publicações por cada 100 docentes ETI, para aquelas que possuem mais de  200 publicações indexadas sobre cidades sustentáveis-CS, onde se percebe desde logo, que sozinha,  a Universidade de Aveiro fez mais do que as duas universidades de Lisboa juntas:

Universidade de Aveiro...........62 publicações CS por centena de docentes
Universidade do Minho...........40
Universidade do Porto.............30
Universidade de Lisboa...........29
Universidade Nova..................27
Universidade de Coimbra........23

Curiosamente, a universidade do Minho e a universidade de Aveiro, são as duas universidades Portuguesas mais sustentáveis (leia-se com melhor desempenho ambiental)

PS - A pertinência do presente tema está bem patente no artigo que foi publicado na revista The Economist (edição The World Ahead 2024) sobre a urgência da adaptação das cidades às ondas de calor https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/12/the-economist-qual-o-numero-de-mortos.html

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

O elo comum entre o judeu Elad Kaspin, o palestiniano Khalid Mansour e o português Pacheco Torgal


Hoje o jornal Público contém um interessante artigo sobre uma empresa que produz materiais de construção, à base de fibras vegetais. Nesse artigo fica-se a saber que a referida empresa opera no Baixo Alentejo, dedicando-se à produção de blocos para paredes de edifícios, à base de cal e cânhamo (Cannabis sativa), sendo propriedade de um israelita de nome Elad Kaspin e a um palestiniano Khalid Mansour, que assim contribuem para ajudar Portugal a atingir a conhecida e urgente meta europeia da descarbonização do parque edificado https://www.publico.pt/2024/01/17/local/noticia/partir-alentejo-canhamor-quer-ajudar-descarbonizar-casas-2076860

O meu interesse sobre os materiais de construção, à base de fibras vegetais, iniciou-se há quase 15 anos atrás, com um artigo que se tornou um dos mais citados de sempre da engenharia civil Portuguesa https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/05/engenharia-civilartigos-mais-citados-de.html e que passados todos estes anos, ainda surpreendentemente, continua a receber todos os anos, dezenas de citações de investigadores estrangeiros, aliás só em 2023 e 2024 recebeu sete dezenas de citações. 

Recordo que no passado mês de Novembro, divulguei a minha intenção de submeter à editora Elsevier, duas propostas para duas edições de dois livros. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/amazon-livros-mais-vendidos.html  Na altura escrevi que esperava que as mesmas fossem aprovadas em Janeiro de 2024 e foi exactamente isso que sucedeu há vários dias atrás, o que significa em primeiro lugar, que mais uma vez, irei contribuir para ajudar o nosso país, numa área (a dos livros selecionados para indexação) onde aquele apresenta um deplorável desempenho internacional (note-se que  nessa área o Reino Unido leva uma vantagem de 240% sobre Portugal mesmo depois de corrigida a diferença populacional) https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/12/como-e-que-universidade-de-lisboa.html  Sucede que não certamente por acaso, o primeiro desses livros, é dedicado precisamente às últimas investigações, realizadas a nível mundial, na área dos materiais de construção à base de espécies vegetais, uma tendência imparável, cada vez com mais futuro, no sentido de se conseguir reduzir a elevadíssima pegada carbónica dos edifícios.  

PS - Embora haja muitos que não sabem ou que simplesmente se recusam a acreditar nisso, o parque edificado possui uma pegada carbónica que é superior à do sector rodoviário e mais importante ainda, um artigo publicado na prestigiada revista The Economist, mostrou que é (economicamente) muitíssimo mais eficiente, reduzir a pegada carbónica dos edificios do que substituir veículos de combustíveis fósseis por veículos elétricos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/the-economistwhats-cheapest-way-to-cut_8.html