sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Cientista vai receber 1 milhão por difamação


A prestigiada revista Science, acaba de divulgar que um professor de ciências atmosféricas (Michael Mann,  a quem a plataforma Scopus credita quase 30.000 citações e um impressionante h-index=76, pertencendo ao restrito grupo dos Scopus Highly Cited Scientists-SHCS) vai receber um milhão de dólares, a título de indemnização, pelo facto de dois blogers conservadores, terem produzido afirmações falsas e difamatórias sobre o seu trabalho  https://www.science.org/content/article/jury-rules-climate-scientist-michael-mann-long-running-defamation-case

Sobre a noticia supracitada, apraz-me registar que um país muito violento (com uma "cultura" psicopata) que ainda mantém em vigor (em vários estados) a pena de morte, condenou os referidos difamadores a pagarem uma indemnização, ao invés de os condenar a uma pena de cadeia, que foi o que os tribunais de um país como Portugal, que se diz muito benevolente e humanista, fizeram, quando condenaram a uma pena de prisão efectiva de três anos, uma investigadora de noma Maria de Lurdes Rodrigues, baseados para o efeito em leis perversas, que permitem prender pessoas por difamação, mas que ao mesmo tempo, atribuem penas suspensas (leia-se mandam em paz) mais de 60% dos condenados por crimes de pedofilia e mais de 90% dos condenados por crimes de corrupção. E nem é bom falar da absoluta (e nojenta) impunidade, com que há muito vivem neste país os clubes de futebol, que muito dificilmente se pode dissociar do facto de haver juízes, que acham que receberem regularmente bilhetes de borlaé compatível com o seu estatuto de órgãos de soberania,  e com o facto de haver juízes que possuem um amor tão assolapado pelo seu clube, que até se dão ao luxo de se recusarem a participar em buscas judiciais ao mesmo https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/juizes-recusam-fazer-buscas-ao-universo-do-fc-porto

Sobre a referida ignominia, já fiz profusa publicidade, através de mais de uma dezena de posts, tanto para visitantes nacionais, vide por exemplo o post "O cadastrado cheio de sorte e a bolseira injustiçada no país das leis corrompidas" como também para visitantes estrangeiros, como por exemplo no post do dia 19-11-2023 https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/audacious-academics-fearlessly-putting.html

PS - A referida investigadora Maria de Lurdes Rodrigues, é muito mais merecedora de um doutoramento honoris causa, porque teve a coragem e a integridade, de preferir a prisão á hipótese que lhe foi proposta, de se autodeclarar como desequilibrada mental, para evitar essa mesma prisão, do que aqueles que foram atribuídos a gente da bola, e muitíssimo mais do que aquele que a universidade de Lisboa, em má hora, atribuiu a um individuo deplorável e que até hoje infelizmente ainda não teve a coragem de anular https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/01/o-que-e-que-universidade-de-lisboa.html

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

GPT-4 consegue reduzir custos com advogados em 99% (excepto em Portugal)



Ainda na sequência do post acessível no link supra, sobre os temores de uma catedrática de Direito, post esse em cuja parte final aparece um link para uma apresentação de título "Uma demonstração das diferenças entre o ChatGPT-4 e 3.5 que influenciam a investigação e a redação jurídica" aproveito para divulgar uma publicação muito recente, onde o desempenho de advogados séniores e advogados juniores é comparado com diversos modelos de Inteligência Artificial Generativa-IAG. A comparação de custos é apresentada na tabela 5. https://arxiv.org/abs/2401.16212

É importante ressalvar que as publicações supra mencionadas, referem-se a países onde vigora a Common Law, que como é baseada em precedentes jurídicos, facilita o trabalho de pesquisa da IAG.  Já nos países como o nosso, onde vigora o Direito Romano-Germânico, que ao contrário daquela faz uso de uma "receita" jurídica codificada, em linguagem mais ou menos hermética (o catedrático Coimbrão Orlando de Carvalho, chamou-lhe uma aldrabice), o trabalho da IAG está dificultado, algo que sem dúvida, muito agradará aos catedráticos de Direito Portugueses, que tem por hábito encherem o bolso à custa da rendosa prática dos pareceres jurídicos, de 20.000-30.000 euros cada um https://www.dn.pt/portugal/crise-faz-aumentar-guerra-dos-pareceres-milionarios-1225319.html/ 

Quem não se lembra aliás, daquele lindo parecer catedrático, que garantiu que os 14 milhões de euros, recebidos por Ricardo Salgado de um conhecido construtor, eram afinal e tão somente uma "liberalidade" ? Uma coisa é certa, quem não engoliu a dita "liberalidade" foi porém um magistrado aposentado, que a esse respeito escreveu no seu blogue o seguinte: "estes pareceres desses catedráticos não custaram 35 mil euros ou até o dobro. Provavelmente custaram milhares de milhões..." os tais milhares de milhões de euros que acabaram por sair dos bolsos dos contribuintes deste país !

É importante aproveitar esta oportunidade para lembrar que uma das desgraças de Portugal, é precisamente a de ter um sistema de justiça baseado no tal Direito Romano-Germânico, pois nos países onde se utiliza a Common Law, há menos corrupção, como o afirmam vários académicos, nomeadamente, Pellegrini and Gerlagh, autores do artigo "Causes of corruption: a survey of cross-country analyses and extended results", Treisman, o autor do artigo "The causes of corruption; a cross national study" , ou ainda, Goel e Nelson, autores do artigo "Causes of corruption: History, geography and government", e é também muito mais fácil criminalizar o enriquecimento ilícito. Já nos países, como o nosso, onde se aplica o segundo, é praticamente impossível fazê-lo. Não admira por isso que passados que estão mais de 200 anos desde a primeira Constituição e mais de 100 anos desde que Portugal se tornou uma República, ainda não é possível criminalizar o enriquecimento ilícito, vide post "Magistrados querem enriquecimento ilícito na lei de uma vez por todas"    https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/publicomagistrados-querem.html

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Acórdão de anulação de um concurso para uma vaga de professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa



Retomando um hábito antigo, por conta do qual divulguei vários Acórdãos de concursos da carreira docente do ensino superior, como aquele concurso mencionado no post supra, no qual o júri foi acusado pelos juízes de ter cometido erros grosseiros, aproveito para divulgar um Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul, que mandou anular um Concurso para uma vaga de catedrático na Universidade Nova de Lisboa. 

Do Acórdão em questão, apreciei particularmente a frase assassina, que abaixo se reproduz e que mostra que felizmente, ainda se pode dizer como disse em tempos um pobre moleiro ao Rei da Prússia "ainda há juízes em Berlim":
"Mal estaria a Administração se sobrepusesse a onerosidade procedimental ao principio da legalidade" https://www.dgsi.pt/jtca.nsf/170589492546a7fb802575c3004c6d7d/247e588b1d805101802589cf003273c2?OpenDocument

A universidade Nova de Lisboa, recorde-se, é uma universidade bastante fértil em casos peculiares. É a mesma universidade, que há poucos anos tinha um Director que mesmo estando em exclusividade recebeu 143 mil euros do Santander e que agora até tem um Reitor, que recebe dois salários, muito embora o especialista em Direito Administrativo, Paulo Veiga e Moura, consultado pelo jornal Público (e que há 20 anos atrás me patrocinou, com sucesso, numa acção de anulação de um concurso docente), afirme que a referida acumulação salarial, é "completamente ilegal", leia-se, viola o tal princípio da legalidade https://www.publico.pt/2024/01/22/sociedade/noticia/reitor-nova-ganha-dois-salarios-universidade-2076766

Neste contexto faz todo o sentido questionar, como é que (algumas) universidade querem viver à altura (leia-se aproveitar) das mudanças verdadeiramente radicais trazidas pela IAG, que vieram reforçar enormemente, o valor da ética e da integridade https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/the-economistai-generated-content-is.html se não conseguem sequer fazer o mínimo dos mínimos, que é respeitar o princípio da legalidade ?

PS - A universidade Nova de Lisboa é também a mesma universidade, onde um catedrático escreveu publicamente que havia docentes com medo de falar https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/07/ha-professores-da-unova-com-medo-de-se.html

Declaração de interesses - Declaro que já anteriormente defendi a fusão da Universidade Nova com a Universidade de Lisboa, vide post de Fevereiro do ano passado, de título "Presidente da comissão de avaliação do ensino superior vaticina a fusão e até mesmo o fecho de instituições"