terça-feira, 2 de julho de 2024

A amarguíssima sorte de um filho e neto de catedráticos da universidade de Lisboa


Há algumas horas atrás, fui informado pelo próprio, um professor associado com agregação na universidade de Lisboa, que a sentença que apreciou a ação, que intentou contra si um filho e neto de catedráticos, exigindo 15.000 euros a título de indemnização, por conta de uma entrevista que aquele professor deu à revista Sábado, não foi (felizmente) favorável ao tal filho e neto de catedráticos. A meu ver essa sentença, constitui uma medalha de honra, de elevado valor, ganha pelo referido professor, como aquelas já ganhas por outros igualmente corajosos Portugueses, como aqueles dois que foram elogiados há um ano atrás, pelo implacável Director-geral Adjunto Eduardo Dâmasohttps://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/06/um-agradecimento-muitissimo-insuficiente.html

Faço porém notar que esta sentença nunca teria acontecido, se tivesse ocorrido há várias décadas atrás, quando então vigorava a tenebrosa "lei" que ditava que "o respeitinho é muito bonito". Para tal foi necessário que Portugal fosse entretanto condenado dezenas de vezes no TEDH, tendo os contribuintes sido obrigados a pagar do seu bolso essa vergonha, para que finalmente em 2017 o Supremo Tribunal de Justiça ditasse que: "as exigências de uma sociedade democrática e aberta não se coadunam com a imposição de restrições, formais e rígidas, ao exercício da actividade de escrutínio e crítica a temas de manifesta relevância e interesse público...não podendo erigir-se, neste âmbito, impedimentos ou discriminações ao modo como é exercida a liberdade de expressão e opinião que poderiam funcionar, em última análise, como formas atípicas ou subliminares de censura...justificando a necessidade de uma particular tolerância...às opiniões adversas...envolvendo  porventura o uso de expressões agressivas...”

O referido professor associado com agregação, mereceu inclusive um inacreditável processo disciplinar na sua Faculdade, a mesma Faculdade, que recorde-se, não levantou qualquer processo disciplinar a um docente daquela casa, que o MP acusou pelos crimes de "abuso de poder, falsificação de documentos e burla qualificada".   https://sol.sapo.pt/2020/02/04/ministerio-publico-acusa-professor-suspeito-de-escrever-tese-de-jose-socrates-de-varios-crimes/

PS - Recordo que em 2021 sugeri na parte final de um post sobre concursos que os candidatos familiares de catedráticos deviam ter preferência sobre todos os outros https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/07/ensino-superior-balanco-final-dos.html

domingo, 30 de junho de 2024

A revista universitária que vem novamente defender o Santo catedrático Boaventura


A foto supra diz respeito a João Nunes Serra de Almeida, um dos três Directores da revista universitária Minerva. Revista essa que eu critiquei em Abril do ano passado, pelo facto de no rescaldo do caso envolvendo o conhecido catedrático Coimbrão Boaventura Sousa Santos, ter entendido como oportuno vir defender relações sentimentais (sexuais) entre docentes universitários e alunos. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/04/revista-universitaria-portuguesa.html

E agora que foram feitas novas denúncias públicas sobre o referido catedrático, eis que os três directores dessa revista acharam que o melhor mesmo é atacar as denunciantes:
"...se no meio de todas estas alegações podemos encontrar fundamentos para a existência de um ambiente de insinuações sexuais pontuais entre chefias do centro e subordinados, entre orientadores e estudantes, entre estudantes e colegas, nenhuma destas situações configura necessariamente violação do código do trabalho, do regulamento interno do centro, e muito menos crime... Não é de descartar, mais uma vez, a hipótese de todas estas pessoas estarem simplesmente a imaginar, de modo revanchista, ou a efabular, sob um estatuto de presa num cenário de caça, cenários de transação sexual onde eles não existiam... Concluímos definitivamente pela reiteração daquela que é a nossa posição editorial em geral sobre esta matéria: não existe nenhum problema relevante de assédio sexual na academia portuguesa nem, provavelmente, na academia de qualquer parte do mundo ocidental"
 
Acho especialmente bizarra a afirmação final, onde os senhores directores, garantem sem qualquer base factual, não haver nas universidades dos países Ocidentais problemas de assédio sexual. Uma afirmação que só pode ser fruto da mais pura ignorância. Desde logo porque é possível criar um ambiente de medo absoluto que inibe qualquer denúncia, similar aquele que foi criado por dois catedráticos canalhas (marido e mulher), que recentemente viram a sua impunidade chegar ao fim de forma estrondosa https://pachecotorgal.com/2024/05/21/um-par-de-catedraticos-canalhas/

Devem ignorar que nalguns países europeus, houve catedráticos que foram despedidos e condenados judicialmente, vide a pena de prisão efectiva que foi aplicada por um tribunal da Bélgica, a um importante catedrático da conhecida universidade de Lovaina, pelo crime de violação de uma estudante, que o tinha acompanhado a uma conferência e a quem ele terá dito, que há vários anos que naquela universidade, as suas alunas lhe faziam sexo oral para conseguirem ter elevadas classificações. https://p-magazine.com/nl/articles/professor-filip-dochy-is-een-manipulator-en-een-seksueel-roofdier

Também devem ignorar a condenação a uma pena de prisão efectiva, de um conhecido catedrático de ciências de educação da universidade de Sevilha, que abusou sexualmente de duas professoras-auxiliares e de uma bolseira https://www.diariodesevilla.es/sevilla/Condenan-catedratico-US-sexuales-profesoras_0_1098190876.html restando porém saber quantas houve, antes delas, que foram igualmente abusadas sexualmente e que preferiram calar-se, para não prejudicar a progressão na carreira? 

Declaração de interesses - Declaro que em 2007, quando exerci funções docentes numa instituição de ensino superior da zona centro, enviei uma queixa à Inspecção Geral da Ciência e do Ensino Superior, em cuja parte final se podia ler o seguinte: “...situações bastante mais graves terem sido descritas em Relatório interno daquela Escola (cfr. Doc. 7) “..relacionamentos entre professores e alunas em troca de notas….”, https://pachecotorgal.com/2022/04/08/o-terror-com-os-processos-disciplinares-na-academia-e-a-professora-universitaria-que-nao-sabe-o-que-e-o-assedio/

PS - Os infelizes directores supracitados devem conhecer muito pouco sobre a academia Portuguesa, onde a prepotência e a impunidade são de tal ordem, que basta que um candidato tenha a ousadia de contestar um concurso para ser perseguido, pelos catedráticos, jurados desse concurso. Quem o garante é um artigo publicado na revista do Sindicato do Ensino Superior https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/10/a-vinganca-cobarde-dos-catedraticos.html

sábado, 29 de junho de 2024

Mais uma injúria pública aos catedráticos


Já era público, há vários anos, que os catedráticos ganhavam menos do que aquilo que é o salário médio, que se pratica no Banco de Portugal, entretanto no passado mês de Maio ficou também a saber-se que dezenas de dirigentes da Santa Casa ganham mais do que um catedrático no último escalão e agora, através da secção de economia do semanário Expresso, fica-se a saber que o salário médio, da tecnicamente falida TAP, é superior ao que ganha um catedrático no penúltimo escalão.    

Mas qual será o jovem investigador, de elevado potencial, que pretenderá ficar em Portugal, se sabe de antemão, que mesmo que seja o melhor da sua geração, o máximo que algum dia poderá auferir, se conseguir chegar ao topo da carreira, ao fim de muitos anos, é menos do que recebe um trabalhador médio do BP, menos do que recebem muitos dirigentes da Santa Casa e até menos do que recebe um  trabalhador médio da TAP ? Como é que é possível entender que durante o Salazarismo um catedrático estava no topo dos vencimentos da função pública e que desde o 25 de Abril foi sempre a andar para baixo ? Faz algum sentido que a democracia tenha menos respeito remuneratório pela Academia do que o antigo “regime” ?  

E porque não permitir, como defendi há vários anos atrás, que os investigadores possam copiar o que fazem certos magistrados, para assim poderem poupar ao longo da sua carreira mais de meio milhão de euros em impostos ? https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/porque-e-que-os-investigadores-tambem.html

PS - E nem é bom falar do valor das pensões de reforma dos catedráticos, que ficam muitíssimo abaixo do valor da pensão de reforma do cadastrado Armando Vara https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/07/catedraticos-pela-rua-da-amargura.html