sábado, 17 de agosto de 2024

Qual será a razão porque as universidades da Itália tem um desempenho muito superior ao das universidades de Portugal ?


Continuando o tema do post anterior, onde ainda antes da imprensa nacional, que tem obrigações explicitas nessa área, divulguei os resultados do prestigiado ranking Shanghai, no qual Portugal desgraçadamente já só tem 3 universidades no Top 500, enquanto a Itália tem 18 universidades, faz todo o sentido questionar, será que o desempenho de Portugal seria radicalmente diferente, para melhor, se o nosso país tivesse copiado a legislação Italiana, que obriga a uma qualificação cientifica mínima dos professores universitários, assim impedindo por via legislativa a existência de catedráticos de h-index=0, que chegaram a esse lugar por conta de "amizades" familiares, políticas ou maçónicas ? https://pachecotorgal.com/2022/09/09/portugal-necessita-urgentemente-de-uma-qualificacao-cientifica-minima/

Não só é lamentável que a imprensa nacional, que é paga para isso, tenha sido mais lenta do que um cidadão comum, a divulgar o desempenho das universidades Portuguesas no ranking Shanghai, mas muito pior do que isso, que não tenham tido a coragem de questionar os responsáveis da Universidade Nova sobre as razões da sua lamentável classificação nesse ranking. O que significa que uma vez mais se confirma a incompetência do jornalismo nacional, vide post de 17 de Agosto de 2022 de título "Jornalismo incompetente que trata os maus resultados de algumas universidades como se fossem boas notícias"  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/08/rankings-de-universidades-e-o.html

Declaração de interesses - Declaro que em 2020 divulguei uma tese de doutoramento sobre aquilo que infelizmente realmente interessa a muitos jornalistas deste país https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/04/unovatese-de-doutoramento-sobre.html E declaro também que em 2018 apresentei uma queixa na ERC contra um jornalista do Expresso (ERC/2018/154 (CONT JOR-I)), entidade que me deu razão, confirmando a ocorrência de uma situação de violação do dever de rigor informativo.

PS - É claro que conseguir ter universidades no Top 100 do prestigiado ranking Shanghai, como tem a Finlândia, a Noruega, a Dinamarca, a Bélgica, a Holanda (etc etc etc) e tem muitos outros países fora da Europa, como por exemplo Singapura e a Coreia, não se consegue apenas com a definição de mínimos científicos, mas sim através de uma vontade institucional muito clara, e de um forte apoio à Academia, que infelizmente inexiste em Portugal, por conta da grossa incompetência e ignorância da classe politica. 

Warning to Young Researchers: The Hidden Dangers of Choosing the Wrong Mentor

 

In 2020, I published on my first blog the results of a significant study featured in Nature Communications, which revealed that collaborating with a renowned scientist offers a crucial advantage that can extend throughout the careers of young researchers. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/junior-researchers-who-coauthor-work.html

Now, in 2024, I feel compelled to revisit this issue in light of a recently published article in the prestigious journal Nature. This article presents a study that analyzed 245,500 mentor-mentee pairs worldwide, who collectively published nearly 10 million papers across 22 academic disciplines. The findings demonstrate that having a well-cited mentor significantly boosts a junior researcher’s chances of success, while lacking such mentorship can result in a career spent on the margins of the academic community.https://royalsocietypublishing.org/doi/full/10.1098/rsif.2024.0173

The article goes on to suggest that future researchers must be warned about the risks of accepting mentorship from those with limited academic impact. This raises a crucial question: if a future researcher is not adequately informed of this risk, could they legally hold those responsible for this harmful omission accountable, especially if it results in irreversible damage to their career?

P.S. In this context, it’s worth revisiting the post where the ethics of those who attained full professorship without merit were called into question. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/07/how-scientific-community-can-identify.html

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

O melhor conselho que se pode dar a um aspirante a investigador: Fuja como o diabo da cruz dos catedráticos de obra irrelevante

Em 2020 divulguei no meu primeiro blogue, resultados de uma importante investigação na Nature Communications, que mostrou que publicar em conjunto com um cientista reputado constituía uma vantagem crucial, que perdurará até ao fim das carreiras de jovens investigadores. Vide post acessível no link acima. Mais tarde em 2022, voltei a insistir nesse assunto apontando o dedo a alguns catedráticos nacionais (que nunca deveriam ter chegado à cátedra) que face a essas investigações deveriam por uma questão de prudência ser evitados por jovens investigadores para assim não prejudicarem a sua carreira  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/01/os-catedraticos-que-andam-prejudicar.html

E agora novamente em 2024, tenho de voltar a fazê-lo, por conta de um artigo muito recente que acaba de ser publicado na conhecida revista Nature https://www.science.org/content/article/budding-scientists-inherit-career-success-or-lack-it-their-mentors o qual divulga resultados de uma investigação recente baseada na análise de 245.000 colaborações em 22 áreas científicas, que mostra que os orientadores que possuem uma obra irrelevante prejudicam a carreira dos jovens investigadores  https://royalsocietypublishing.org/doi/full/10.1098/rsif.2024.0173

O supracitado artigo publicado na revista Nature, termina sugerindo que os alunos, futuros investigadores, devem ser avisados, sobre a importância de não aceitarem ser Orientados por investigadores de obra irrelevante, o que suscita a seguinte questão, se um aluno, futuro investigador, não for previamente avisado desse facto, poderá demandar legalmente os responsáveis por essa danosa omissão, que prejudicou a sua carreira de forma irreversível ?

Não sendo possível, pelo menos em Portugal (o país onde nem sequer constituem crime as mentiras nos currículos académicos), responsabilizar juridicamente os responsáveis de universidades públicas (que por acção ou omissão permitiram a chegada a catedráticos de professores de obra científica irrelevante e não me refiro somente aqueles dignos de pena titulares de um h-index=0)  será que não é possível exigir-lhes, que no mínimo, peçam desculpas pelo facto de terem prejudicado seriamente a carreira de centenas de jovens investigadores e por arrasto a competitividade científica de Portugal ? 

PS - No contexto supra revisite-se o post onde se questionou a ética daqueles que chegaram a catedráticos sem o merecerem.