quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Projecto da universidade de Berna paga até 1000 euros por erros em artigos científicos e 2650 euros no caso de erros muito graves



Na sequência de posts anteriores sobre artigos "despublicados", nomeadamente aquele último do passado mês de Março de titulo "Catedrático da Universidade de Lisboa consegue reforçar ainda mais a sua maioria absoluta de artigos "despublicados", acessível no link supra, faz todo o sentido divulgar o interessante artigo do jornal Público, sobre um projecto liderado pela Universidade de Berna, que paga a quem consiga descobrir erros em artigos científicos:
“Por cada artigo verificado, os revisores recebem até mil euros, e um bónus consoante o tipo de erros encontrados – erros maiores dão bónus maiores. Se for um erro fraudulento que origina, por exemplo, a retirada de publicação do artigo, este valor pode chegar aos 2650 euroshttps://www.publico.pt/2024/09/10/ciencia/noticia/apanhar-erros-ciencia-nao-precisa-parttime-ha-pague-2102378

No contexto supra, percebem-se agora muito melhor as premonitórias palavras do catedrático Terry Young, que eu já tinha comentado neste post aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/universities-should-stop-producing.html

PS - A questão da integridade e da curadoria ganhou recentemente importância acrescida por conta da facilidade de desinformação e manipulação geradas pela Inteligência Artificial, vide artigo publicado na conhecida revista The Economist https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/the-economistai-generated-content-is.html

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Recalling my past clash with German MP Hans Olaf-Henkel


"...if Europe was able to cut tax evasion by half that would mean an annual revenue of around 500 billion which is more than the annual total net income of 15 Google champions...."

The excerpt above is from an email I sent in 2019 to several thousand colleagues, including dozens of Members of the European Parliament-MPs. One of the recipients, Hans Olaf Henkel, was displeased with its content and expressed his frustration in a reply. 

Nonetheless, that email is only mentioned here as an introduction to the European Commission's important legal victory in a €13 billion tax dispute with Apple. Now, EU officials must continue their pursuit of the rest of the tax evaders, who cost the EU budget €1 trillion annually. This revenue is urgently needed, especially following the recent Draghi report, published yesterday, which calls for an €800 billion annual boost in European investment https://commission.europa.eu/document/97e481fd-2dc3-412d-be4c-f152a8232961_en

In Part B, "In-depth analysis and recommendations" on pages 240 and 241, it is stated that while Europe struggles to attract and retain top research talent, partly due to bureaucratic hurdles. In contrast, US universities, with concentrated financial resources and a clear focus on leading global rankings, consistently produce high-impact research. Of course, this depiction does not fully capture the broader scientific landscape in Europe. While it's true that many institutions are burdened by bureaucracy, others have significantly reduced it. A prime example is Germany’s SPRIND innovation agency, where minimizing red tape is a priority. Successful teams, for instance, are not required to provide detailed proof of how they spend their funds. https://sciencebusiness.net/news/r-d-funding/inside-germanys-sprind-innovation-agency-anti-horizon-europe

On page 214, it is also stated that in Europe 'researchers have few incentives to become entrepreneurs.' This reminds me of something I wrote several months ago when I argued that, to foster innovation in European universities, the most effective strategy is to emulate Sweden's model and reinstate the professor's privilege. The evidence clearly shows that abolishing this so-called 'privilege' was not only harmful but also counterproductive. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/new-evidence-shows-that-abolishment-of.html

Furthermore, a crucial solution lies in the European Union introducing strict and transparent minimum standards for appointing full professors at public universities. Such measures would safeguard the integrity of academic appointments by eradicating nepotism and preventing promotions based on political influence or personal connections. It is evident that professors who have ascended the academic ladder through corrupt practices are unlikely to maintain high ethical standards.  For the European academic community to achieve global competitiveness, it must first ensure the integrity of its research. This is essential because, without a steadfast and unwavering commitment to ethical principles, genuine academic excellence will remain perpetually out of reach.

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Relatório Draghi: A Europa não terá futuro se seguir a idiota "estratégia" Portuguesa


Na sequência do relatório que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitou ao antigo primeiro-ministro, Enrico Letta, que entretanto passou a dirigir o Instituto Jacques Delors, no sentido de fazer um diagnóstico sobre o estado do mercado único europeu, incluindo a elaboração de recomendações para recuperar a competitividade da economia europeia, o qual divulguei em 19 de Maio,  faz todo o sentido agora comentar telegráficamente o Relatório Draghi, hoje divulgado, que também incide sobre a competitividade da economia europeia, Vide artigo no jornal Públicoonde se fica saber que a Europa terá de investir um valor adicional de mais de 800.000 milhões de euros por ano, com destaque para três áreas de intervenção prioritárias. . 

1ª - inovação. 

2ª  - “todas as políticas têm de estar sintonizadas com os objectivos climáticos”. 

3ª - redução das dependências, sejam económicas...de segurança e geopolíticas

Sobre a primeira, que não por acaso, também foi bastante mencionada no supracitado relatório do Enrico Letta, já sabemos como está a situação de Portugal, o desgraçado país que há poucos anos sofreu um violento trambolhão no ranking europeu da inovação, o mesmo país cujo o anterior Governo preferiu meter mais de 3000 milhões de euros na TAP, deixando um buraco de 100 milhões de euros na FCT. 

Aquilo porém a que o artigo do jornal Público não fez qualquer referência, foi ao facto do relatório Draghi mencionar várias vezes as palavras "red tape", o que significa que o referido relatório apela a um corte bastante substancial na burocracia. Mas também aqui a situação de Portugal é péssima, pelo menos na área da ciência, como se pode perceber através de vários posts que publiquei, como por exemplo os dois abaixo:

24 de Abril - Os truques e subterfúgios da FCT que infernizam a vida aos investigadores

26 de Julho - Sobre Ciência_A estupidez Portuguesa, a inteligência Alemã, o bom senso Francês e o princípio da confiança

Curiosamente na página 241 do Relatório Draghi (Parte B-Politicas Sectoriais) é afirmado que na Europa os investigadores não tem incentivos para criarem empresas geradoras de riqueza. É uma afirmação genericamente verdadeira, porém muito mais nuns países do que noutros, é desde logo especialmente verdadeira em Portugal, vide post de 8 de Agosto de 2021, com o sugestivo título "Quanto é que Portugal perde com um sistema (comunista a todos os títulos) que premeia a inércia e incentiva a preguiça ?"

PS - Sobre a criação de empresas, revisite-se o post de 26 de Fevereiro, onde foi divulgado um estudo que concluiu que os diplomados saídos das melhores universidades, mostram uma predisposição muito maior para criarem empresas. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/estudo-recente-sobre-qualidade-dos.html