quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Os cientistas que receberam 70.000 euros por ano pelo aluguer da sua afiliação


O jornal El País acaba de voltar a publicar um artigo sobre os cientistas que andaram a "alugar" a sua afiliação a universidades Sauditas. Desta vez porém o propósito do artigo não é para falar dos cientistas Espanhóis nessa situação, mas para mostrar que afinal os Espanhóis nem sequer foram aqueles que mais "alugaram" a sua afiliação e para dar conta da inevitável queda das universidades da Arábia Saudita, agora que se tornou público que esses cientistas não trabalhavam naquele país. 

Sobre este tema recordo que em 27 de Abril comentei as primeiras noticias sobre os cientistas Espanhóis que andaram a "alugar" a sua afiliação a universidades Sauditas. Nesse post escrevi que nessa história nem tudo é preto e branco, pois há cientistas na Espanha, sem contrato de exclusividade, que até se vem obrigados a ter um part-time no ensino secundário para conseguirem melhorar o vencimento, pelo que é assim difícil aceitar exercícios hipócritas de apedrejamento público, por aqueles não terem resistido ao dinheiro Saudita. 

E se não houve nenhum caso em Portugal de aluguer de afiliação (logo o país onde até há uma universidade pública cujo Reitor recebe simultaneamente dois salários, o que no futuro levará outros a copiar essa esperteza saloia) muito provavelmente, foi apenas porque os cientistas Portugueses HCR estão todos eles em exclusividade de funções. Verdadeiramente inaceitável em Portugal, é que um investigador no inicio de carreira, ganhe apenas o mesmo que ganha qualquer um dos muitos motoristas do Primeiro-Ministro https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/04/os-cientistas-que-alugam-sua-afiliacao.html

PS - Apesar de tudo, há porém uma dimensão positiva nesta história, o facto de mostrar que existe uma competição mundial pelo talento científico e que se a Arábia Saudita quer de facto ter nas suas Universidades cientistas reputados, vai ter de lhes pagar muito mais do que 70.000 euros por ano (que representa apenas 0,035% do salário pago pelos Sauditas ao hipócrita artista do pontapé e da cabeçada Ronaldo), pois há muitas universidades europeias e Americanas que pagam mais do que isso por cientistas de topo. E agora até a própria China já lhes leva a palma nesse campeonato https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/10/a-humilhacao-do-orgulho-frances-e.html

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Governo corta o financiamento na área das humanidades e das ciências sociais para privilegiar somente as ciências "douradas"


Não foi uma decisão do Donald Trump, nem do anarcocapitalista Presidente da Argentina, o "Presidente favorito de Trump", nem sequer de nenhum ditador de um país do terceiro mundo, mas logo do Governo da Nova Zelândia, vide noticia no link supra, onde se pode ler que a Ministra da Ciência, Inovação e Tecnologia daquele país (que certamente não por acaso até é um dos mais civilizados do Planeta, de acordo com o índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas) afirmou que doravante o financiamento de investigação, será dirigido somente a áreas que tenham impacto económico, incluindo nesse grupo, as áreas da física, da química, da matemática, das engenharias e das ciências biomédicas. 

Um dos maiores, senão mesmo o maior inconveniente desta abordagem passa pelo seu impacto previsível a nível mundial, porque levará à germinação de ideias similares na cabeça de dirigentes de países pobres, que logo correrão a copiar essa receita, com a argumentação, que se um país que está no grupo dos 25 mais ricos e com um PIB/capita similar ao da França e da Itália achou necessário financiar somente as áreas científicas com impacto económico, então mais razões tem países pobres para lhe seguirem o exemplo. 

E quando se começa a cortar nas despesas de investigação de algumas áreas, alegando que é preciso guardar o dinheiro, para as áreas que tenham mais impacto económico, então já se sabe que a seguir virá a exigência, no sentido dos projectos a financiar, dever ser feita favorecendo os projectos do tipo MIDAS, que prometam o maior retorno económico o mais rapidamente possível, o que levará ao financiamento de projectos, que muito embora prometam elevado retorno económico, no final ficarão apenas pelas promessas. 

PS - Sobre a questão supra vale a pena revisitar o post anterior de título "A serendipidade na ciência e a paralisação do progresso científico" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/11/a-serendipidade-na-ciencia-e.html

domingo, 8 de dezembro de 2024

A Tale of Two ERC Presidents: M.Leptin’s Silence versus. J.P. Bourguignon’s Courage


In a comprehensive interview published today in one of Portugal's leading daily newspapers (accessible via the link above), the septuagenarian scientist Maria Leptin, President of the European Research Council, highlights a stark reality: China invests 50% more in research annually than Europe. When asked by the journalist, "Is the lag in European science solely a matter of investment?" her response is reproduced below:

"You’re asking about innovation. It’s not just my opinion—the reports I cited have highlighted these issues. Additionally, economists like Jean Tirole, a Nobel laureate, have also commented on similar challenges. A common criticism is that scientists lack entrepreneurial spirit. However, that’s not what I observe among our researchers. Instead, the issue often lies elsewhere. One significant challenge is that universities don’t do enough to support the transfer of knowledge from academia to society or to bridge the gap between science and the market. This might be an important factor, but what’s abundantly clear from the voices I’ve mentioned is the issue of fragmentation within Europe. Consider this scenario: someone in Barcelona develops an innovation—a proof of concept, for instance—bringing it to market and securing all the necessary licenses. Now, they seek an investor to help launch a company to commercialize the product. Unfortunately, they’re at a disadvantage because their primary market is limited to Spain. Meanwhile, a colleague in the United States might undertake a similar endeavor, but their market encompasses the entire country. This difference in market scale creates a significant imbalance in opportunities..."

It is, however, deeply regrettable that she failed to point out to the journalist that the root cause of this issue lies squarely with the politicians. This oversight is particularly glaring given the clear evidence outlined in the Draghi report, specifically on page 214, which unequivocally states: “Europe’s researchers have few incentives to become entrepreneurs.”The reality is far grimmer—those incentives are not merely lacking; they are non-existent, leaving Europe’s researchers shackled by a system that seems designed to stifle entrepreneurial ambition. This isn’t just neglect; it’s systemic self-sabotage

A glaring example of this failure is the obstinate refusal to embrace proven strategies that have the potential to revolutionize innovation within European universities. One such strategy is Sweden’s model: reinstating the “professor’s privilege,”. The evidence is irrefutable—eliminating this so-called privilege, which once granted professors ownership of the intellectual property stemming from their inventions, was not merely a grave misstep but an act of breathtaking short-sightedness. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/new-evidence-shows-that-abolishment-of.html

European universities should follow ETH Zurich's lead by implementing flexible employment policies that allow researchers to take entrepreneurial leave while pursuing business ventures. The Entrepreneurial Sabbatical model enables faculty and researchers to step away for up to a year to work on startups, without risking their academic position. This approach effectively bridges the gap between research and business, offering a secure safety net.

PS - Personally, I would advocate for adopting a more assertive and uncompromising stance against the evident cowardice of European politicians—a stance akin to that taken by the esteemed former President of the European Research Council (ERC), the French mathematician Jean-Pierre Bourguignon. Bourguignon did not mince words when he issued a powerful and inspiring call to action, urging researchers to demonstrate their “fighting spirit.” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/there-are-times-when-scientists-must.html