segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Faleceu hoje o Engenheiro Conselheiro Renato Morgado


Sobre o falecimento do Engenheiro Conselheiro Renato Morgado, que trabalhou como professor catedrático convidado na Universidade do Minho, entendo pertinente relembrar, que quando no passado mês de Junho do corrente ano, num post onde é possível constatar que a história mostra que há três formas de um humano perdurar na memória da humanidade (a Guerra, a Religião e a Ciência), questionei o ChatGPT sobre qual o pior destino que pode suceder a um humano depois de ter falecido, aquele modelo de IA generativa ter "replicado" o seguinte: 

"...one of the worst things that could happen to me after I die would be to be completely forgotten. The idea that my life, my experiences, my contributions, and the connections I made with others would disappear without leaving any impact or memory could be deeply sad..."  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/06/what-is-worst-thing-that-can-happen-to.html

pela parte que me diz respeito, reconheço ao agora falecido Colega Renato Morgado, ter sido o autor de um dos artigos mais interessantes (e por isso dificilmente esquecível) que vi publicado na revista da Ordem dos Engenheiros e quero acreditar que alguns dos milhares de visitantes que leram o post onde divulguei esse artigo se tenham sentido, como eu me senti, inspirado por ele  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/academia-portuguesa-necessita-de.html

sábado, 14 de dezembro de 2024

Nepotismo catedrático: Ministro Fernando Alexandre propõe que os docentes e investigadores não possam ser contratados pelas instituições onde se doutoraram


Hoje o jornal Público revelou que o Governo pretende, talvez para celebrar os 50 anos da democracia Portuguesa, tentar aproximar, de forma muito suave, este país daquilo que há muito se faz noutros países, como por exemplo na Alemanha e nos EUA. É porém evidente que esta suave medida não vai passar, pela simples razão que afronta os catedráticos e catedráticas, donos da Academia, cujo grande sonho de vida, é poderem ser sucedidos nesse cargo pelos seus filhos e filhas. Não sou eu que o digo, foi um feroz magistrado aposentado, que em 2020, no seu blog, criticou essa "tradição" de forma veemente "Eppure...isto não deixa de ser vergonhoso e até indigno" https://portadaloja.blogspot.com/2020/02/a-licao-de-coimbra-e-italiana.html

Sobre a peregrina, mas ainda assim muito suave, proposta do Ministro Fernando Alexandre, entendo como pertinente relembrar, que em 2015 fui o primeiro subscritor de uma petição contra a viciação concursal associada à endogamia académica. De lá para cá e já passaram quase 10 anos, praticamente nada foi feito para tentar resolver o referido problema. Em 2017 foi publicado o primeiro Estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, que confirmou que a Universidade de Coimbra é a campeã nacional da endogamia, estudo esse que na altura suscitou a indignação do Ministro Heitor, a qual porém, qual montanha que pariu um rato, se traduziu apenas na aprovação de uma tímida medida pela FCT, e que somente se aplica aos bolseiros de pós-doutoramento. Pessoalmente e em coerência com aquilo que defendi em 2015, na supracitada petição, entendo que a melhor forma de combater a endogamia académica, passa por alterar os júris dos concursos para que sejam integralmente constituídos por especialistas estrangeiros, como sucedeu nos concursos Investigador-FCT, uma hipótese alternativa, praticada  nas universidades da Suécia, passa por convidar um professor de uma universidade estrangeira de topo, para eliminar os candidatos mais fracos e escolher os 2 ou 3 que passarão à fase final. Vide exemplo https://www.docdroid.net/ONpHyGk/review-by-aalto-university-expert-pdf

PS - Num post anterior de 2023, comentei de forma negativa o programa FCT tenure, nesse post abstive-me porém, porque entendi que era redundante fazê-lo, de criticar como realmente merecia um aspecto crucial do mesmo. Que esse programa, a coberto de alegadas piedosas intenções, conseguiu algo imperdoável, retirar à FCT a realização dos concursos, com recurso a especialistas estrangeiros, que constitui a sua principal mais valia, entregando-os às universidades e aos seus tradicionais júris caseiros, assim favorecendo a selecção dos investigadores mais subservientes, como há muito sucede nos concursos para a carreira docente, como foi confessado por um Reitor de uma universidade pública https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/reitor-diz-que-os-juris-academicos.html e vários anos antes já tinha sido denunciado por vários catedráticos, como por exemplo aqueles dois corajosos catedráticos da Universidade de Lisboa que foram mencionados aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/04/9-euros-e-quanto-custa-o-livro-sobre-os.html Em suma, o programa FCT tenure escancarou as portas ao nepotismo, consubstanciando uma vitória dos mais retrógrados e perniciosos interesses instalados da Academia Portuguesa, que terá como consequência mais evidente a saída de talento científico para outros países, onde a endogamia e o nepotismo catedrático não ditam as regras. 

O livro mais citado de Portugal, a tese de doutoramento defendida na Universidade de Coimbra e a indisfarçada mas impotente, ambição da Universidade de Lisboa

 


Sobre o tal livro, publicado em 2014, vide link supra, que entretanto se tornou o mais citado em Portugal, entre todos os livros indexados na Scopus, quase 1500 (mil e quinhentos), de todas as áreas científicas, que foram produzidos nos últimos dez anos, livro esse do qual fui primeiro editor e o qual aborda os materiais activados alcalinamente (geopoliméricos)​, que são especialmente relevantes em face da elevada procura anual de 14.000 milhões de metros cúbicos,​ aproveito para divulgar uma recente tese de doutoramento, na qual participei, que foi defendida no passado dia 11 de Outubro, na Universidade de Coimbra https://estudogeral.uc.pt/handle/10316/117179

Há poucos anos atrás analisei a produção científica sobre estes materiais, entre 2007 e 2021, nos diferentes departamentos de engenharia civil de Portugal, essa análise mostrou que Lisboa e Coimbra tinham sido os últimos departamentos a interessar-se pelo seu estudo,  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/07/departamentos-de-engenharia-civil-das.html​ porém quando agora se faz uma pesquisa na Scopus descobre-se que o departamento de engenharia civil da ULisboa foi quem de longe mais cresceu nesta área, nos últimos 4 anos, tendo mais do que triplicado a sua produção científica, o que mostra indisfarçada vontade de pretender liderar a produção científica nacional nesta área emergente. Apesar disso, a crua realidade é que que quando se analisa a produção científica Portuguesa indexada na Scopus destes materiais, mais de 300 publicações, constata-se que a Universidade de Lisboa não possui absolutamente nenhuma, entre as mais citadas, pois as 18 publicações mais citadas, pertencem à U.Minho e à U.Aveiro. 

PS - Sobre os materiais supracitados, há alguns meses atrás enviei um email a um investigador Alemão, Christoph Völker, alertando-o para alguns aspectos importantes que me pareceu que tinha esquecido no seu artigo, abaixo: 

Dear Christoph Völker,

Firstly, congratulations on your thought-provoking paper. I am reaching out to provide a minor comment regarding a statement in the introduction of your recent work:  “The development of new cementitious binders low in calcium offers a promising solution, potentially reducing carbon dioxide emissions by 40- 80 percent while retaining structural properties comparable to conventional cement [2] “


I'd like to draw your attention to the Reference 2 you cited, which may include publications asserting that AAC is linked to substantial carbon emission reductions, up to 80%. However, it is crucial to note that such claims lack concrete evidence and are essentially tantamount to non-existence. Ouellet-Plamondon and Habert (2014) demonstrated that only a specific type of AAC, those without sodium silicate, exhibit significantly lower carbon footprints than Portland cement-based mixtures. Ouellet-Plamondon, C. ; Habert, G. (2014) Life cycle analysis (LCA) of alkali-activated cements and concretes. In Handbook of Alkali-Activated Cements, Mortars and Concretes, 663-686 (Eds) WoodHead Publishing-Elsevier, Cambridge


However, it is crucial to acknowledge that achieving high-strength AAC is contingent upon the use of sodium silicate. Consequently, realizing high-strength AAC with substantial carbon emissions reductions necessitates the utilization of waste-derived activators, an area still in its early stages of development. In this context, it is crucial to consider the insights provided by Van Deventer et al. (2012), who underscore the pivotal role of calcium in attaining elevated strength and durability in AAC. Paradoxically, Fernandez-Jimenez and Palomo (2009) have highlighted that the absence of expansive products resulting from alkali-silica reaction (ASR) is directly associated with low calcium content, implying that AAC with high calcium levels may be more susceptible to ASR.

Van Deventer, J.S.J.; Provis, J.; Duxson, P. (2012) Technical and commercial progress in the adoption of geopolymer cement”, Minerals Engineering Vol. 29, pp.89-104.

Fernandez-Jimenez, A.; Palomo, A., Chemical durability of geopolymers, In Geopolymers, Structure, Processing, Properties and Applications, Ed. J. Provis & J. Van Deventer, pp.167-193, 2009, Woodhead Publishing Limited Abington Hall, Cambridge, UK


PS – In reference to the three distinct families of AAC, namely A) high calcium, B) low calcium, and C) hybrid cements, which comprise various combinations of A) and B), please check the comprehensive study authored by Palomo et al. (2021):"Portland Versus Alkaline Cement: Continuity or Clean Break: “A Key Decision for Global Sustainability” https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fchem.2021.705475/full