sábado, 28 de dezembro de 2024

Contraditar o excelentíssimo hipócrita Presidente da Assembleia da República


No caderno principal do semanário Expresso, o Exmo Sr. Presidente da Assembleia da República, Aguiar-Branco, lamentou-se ontem, do alegadamente, baixo salário dos políticos Portugueses e ainda teve o atrevimento de ir ao extremo da hipocrisia e afirmar que (salarialmente) os políticos nacionais estão a ser discriminados!!!  Sobre essa absolutamente inaudita alarvidade (leia-se descarada insanidade) afigura-se-me urgente replicar o seguinte:

1 - É rotundamente falso que os políticos Portugueses ganhem pouco. Na verdade e comparando o salário dos políticos de países, ricos, face à riqueza produzida por esses países, constata-se que os políticos Portugueses até recebem mais do que deviam receber. Vide email, que há alguns anos enviei a uma jornalista do Expresso e que posteriormente reproduzi num post aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/os-politicos-deveriam-ter-uma.html Faço notar que essa comparação de rácios é até muito generosa para os políticos Portugueses, porque uma comparação realmente rigorosa, teria que lhes descontar do salário, todo o gigantesco prejuízo que eles causam a este país, seja directamente, por políticas altamente danosas, como a tal negociata da "justiça" arbitral, onde os contribuintes pagam centenas de milhões de euros por conta de contratos absolutamente inacreditáveis https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/o-escandalo-milionario-na-justica.html seja indirectamente pela produção da legislação que legalizou a corrupção, a mesma que há muito vai empobrecendo este país, (quem afirmou tal, preto no branco, foi a famosa e corajosa Procuradora, agora Jubilada, Maria José Morgado https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/12/42-anos-no-combate-ao-crime-e.html

2 - Acresce ainda, que ao contrário do que sucede em países civilizados, onde a actividade política não se resume somente a um compasso de espera para cargos mais bem pagos, no nosso país, os políticos depois de abandonarem essa actividade, costumam passar a ganhar bastante mais, como Administradores de empresas públicas (ou do Banco de Portugal onde recebem o triplo do que recebe um catedrático), vide o artigo que a revista Sábado fez a esse respeito https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/05/os-portugueses-ficam-finalmente-saber.html vide também as inacreditáveis escutas, onde a Polícia Judiciária conseguiu ouvir um certo "senhor" a confessar que era uma puta e que nessa qualidade não se importava de ser presidente de uma empresa pública,  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/09/em-defesa-da-honra-das-putas.html  E isto já para nem falar dos percursos de quase 800 políticos (bem pagos) mencionados num estudo de um conhecido catedrático, estudo esse que resume bem o vergonhoso legado, de 50 anos desta coisa, que alguns espertalhaços parasitas e apenas porque lhes dá bastante jeito, apelidam de "democracia". Recordo que um Português, catedrático numa universidade dos EUA, afirmou num artigo no jornal Público, que no nosso país vigora uma cleptocracia, já eu entendo que é mais rigoroso chamar-lhe corruptocracia   https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/10/um-dia-sagrado-para-os-campeoes-da.html

3 - Quem efetivamente tem razões de sobra, para se queixar de perda de poder de compra, na função pública são precisamente os professores e investigadores do ensino superior, vide a este respeito a petição do Snesup https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/04/a-peticao-pela-valorizacao-dos-salarios.html  ou o esclarecedor post de título "Até quando aguentarão os catedráticos este permanente enxovalho público ?"  https://pachecotorgal.com/2024/04/20/ate-quando-aguentarao-os-catedraticos-este-permanente-enxovalho-publico/  E há uma diferença absolutamente abissal entre os políticos Portugueses e os professores e investigadores, é que no estrangeiro não há ninguém minimamente interessado em contratar os primeiros, pois há por lá excesso deles e até de qualidade muito superior, ao contrário do que sucede com muitos professores e investigadores Portugueses, que lá fora conseguirão um salário de valor muito superior aquele que recebem em Portugal e isso mesmo sem irem trabalhar para uma instituição como o Instituto Federal de Tecnologia ETHZ, onde há poucos anos atrás, um professor-auxiliar podia chegar a ganhar quase 15.000 euros/mês https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/os-luxuosos-salarios-de-professores.html

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

A pífia proposta deste Governo, a incluir no RJIES, que na melhor das hipóteses, levará 18 anos a atingir o resultado pretendido



O Ministro Fernando Alexandre foi ontem autor de um longo artigo, no jornal Público, sobre uma proposta de revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior-RJIES, vide link supra, onde entre muitas outras coisas se pode ler:  "propõem-se regras para combater a endogamia no Ensino Superior. Em particular, as IES não poderão contratar um doutorado da sua instituição durante os três anos após o doutoramento"

Trata-se de uma iniciativa meritória, que ambiciona retirar Portugal do pódio internacional da endogamia académica, onde o nosso país tem a pouca honrosa companhia de países do terceiro mundo​, mas que eu recentemente critiquei por ser de muito fraco alcance​, num post contundente, ácido e irónico, mas muito realista, e que entretanto, sabe-se lá porquê, tornou-se o 2º post mais visualizado entre aqueles que foram produzidos dos últimos 30 dias   https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/12/endogamia-academica-ministro-propoe-que.html

​Devo recordar aqueles esquecidos e principalmente aqueles que não o sabem, que o primeiro estudo nacional sobre endogamia académica, que foi levado a cabo em 2016 (por coincidência, apenas alguns meses depois de eu ter sido o primeiro subscritor de uma petição sobre esse grave problema) apurou uma percentagem nacional de 70% e o último estudo feito em 2022, confirmou que ao longo desses seis anos teve lugar uma redução miserável de apenas 2% (0.33%/ano), https://wwwcdn.dges.gov.pt/sites/default/files/endogamiaacademica_20212022.pdf  significa isso, que mesmo que a fraca medida agora proposta por este Governo, conseguisse o improvável milagre, de decuplicar essa percentagem de redução para 3,3% ao ano, então Portugal necessitaria ainda assim de 18 anos, para conseguir atingir percentagens de endogamia académica idênticas às de países como a Alemanha e o Reino Unido, que são inferiores a 10%.

domingo, 22 de dezembro de 2024

A minha previsão de 2021 sobre um professor da Universidade de Coimbra que não se confirmou e a previsão acertada sobre um jovem investigador Italiano



Em Agosto de 2021 (link supra) revelei o nome dos únicos três investigadores, da área da engenharia civil a nível mundial, que tinham mais de 1000 (mil) revisões de artigos confirmadas, dois Portugueses e um Australiano.  Nessa sequência reproduzo abaixo o total de revisões dos referidos investigadores no dia de hoje. É claro que como esses investigadores se doutoraram em alturas muito diferentes, a única comparação que faz sentido fazer é a do rácio revisões/ano, desde a data do seu doutoramento, valor esse que aparece entre parênteses curvo.

Jorge de Brito........................2258 (72) revisões confirmadas

Dong Sheng Jeng.................1691 (62)

Pacheco-Torgal.....................1596 (93)

No referido post de 2021, previ que um professor da universidade de Coimbra, Antunes do Carmo, seria o próximo a atingir as 1000 revisões, na área da engenharia civil, porém como na presente data, ele possui 671 revisões confirmadas, ainda está longe de conseguir alcançar essa meta. Nesse post previ também que o jovem investigador Italiano Umberto Berardi, se tornaria a nível mundial, o 4º membro com mais de mil revisões, o que entretanto veio de facto a acontecer. 

E como ainda por cima ele se doutorou apenas há pouco mais de uma década, isso significa que ele possui um rácio médio de revisões anuais de 84, o que o coloca acima do rácio do catedrático Dong Sheng Jeng e do catedrático Jorge de Brito, e significa também que daqui a poucos anos ele se poderá tornar o titular do maior rácio de revisões anuais na área da engenharia civil, entre os membros do Clube Mil. 

Aquilo que eu de facto não previ, foi que o investigador Umberto Berardi, chegaria tão depressa a catedrático, mas que afinal e bem vistas as coisas não é de estranhar, num investigador que em pouco mais de uma década conseguiu ter mais de 50 publicações com mais de 50 citações cada (Scopus h-index=54), que a maioria dos investigadores da área da engenharia civil não consegue, nem sequer 30 ou 40 anos depois de se terem doutorado e que está associado a um rácio h-index/ano superior ao rácio médio até mesmo dos catedráticos de engenharia civil do Imperial College e também do MIT.  https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/30767

PS - Sobre o tema supra convém recordar que alguns Editores de revistas científicas referem que a importante actividade de revisão de artigos se encontra em crise a nível mundial, pois há cada vez mais artigos que necessitam de revisão e esse aumento da procura não foi acompanhado de um aumento da oferta do número de revisores com elevada experiência nessa actividade, vide por exemplo o artigo que há poucos meses foi publicado na revista Higher Education Quarterly"The crisis of peer review: Part of the evolution of science" https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/hequ.12511