No post acessível através do link supra, divulguei em Março de 2025, uma imagem impressionante que ilustrava a renhida disputa entre a Universidade de Coimbra e a Universidade de Lisboa pelo pouco invejável título da universidade portuguesa com maior número de artigos despublicados. Curiosamente, uma análise efectuada hoje relativamente às publicações indexadas na Scopus, que foram despublicadas em 2025 e 2026 altera significativamente esse panorama, a Universidade de Aveiro surge agora na liderança, com sete casos, seguida pela Universidade de Coimbra, com cinco, enquanto a Universidade de Lisboa regista "apenas" três.
A análise das causas de despublicação revela uma realidade bastante heterogénea. Cerca de 42% das despublicações estão relacionadas com inexatidões, duplicações ou insuficiente sustentação dos dados e das imagens apresentados. Outros 25% resultam da utilização de dados ou imagens anteriormente publicados, sem a devida identificação ou justificação. Os problemas de autoria representam aproximadamente 20% dos casos, incluindo situações em que foram acrescentados autores durante o processo editorial sem fundamentação adequada, bem como edições especiais nas quais os revisores mantinham ligações ao editor convidado, suscitando evidentes conflitos de interesse. As falhas metodológicas correspondem a 8% dos casos, enquanto os restantes 4% decorrem do incumprimento de requisitos relacionados com o consentimento dos participantes.
Independentemente da natureza das irregularidades e da enorme disparidade da sua gravidade, todos estes artigos e, por extensão, os respetivos autores passam agora a carregar o mesmo estigma indiferenciado da despublicação. Recordo, a este propósito, que já no post scriptum de um post publicado em 2021 defendi a necessidade de diferenciar as despublicações em função das causas que lhes deram origem. Retomei a questão em dezembro do ano passado, num post sobre um artigo publicado no Journal of Informetrics, propondo um sistema de classificação mais proporcional e mais transparente, pois o modelo atual produz consequências profundamente desiguais, penalizando de forma particularmente severa os investigadores em início de carreira, que dispõem de menor capital reputacional para absorver o dano de uma despublicação. Esta proposta foi posteriormente aprofundada num preprint disponibilizado no Zenodo, a plataforma europeia de acesso aberto desenvolvida no âmbito da iniciativa OpenAIRE. https://zenodo.org/records/18800449
Alguns meses mais tarde, submeti uma versão melhorada desse preprint à revista Accountability in Research: Ethics, Integrity and Policy. Há dois dias, a editora dessa revista contactou-me, indicando as alterações necessárias para que o artigo possa vir a ser aceite. Veja-se a esse respeito o email reproduzido abaixo.
___________________________________________________________________
Enviado: 30 de julho de 2026 07:14
Para: F. Pacheco Torgal
Dear Dr F. Pacheco-Torgal:
Please contact the Editorial Office if you are unable to resubmit within this time.
Sincerely,
Dr. Lisa Rasmussen
Accountability in Research: Ethics, Integrity and Policy Editorial Office