terça-feira, 29 de setembro de 2026

A Ghent University Study of 3,164 Academic Spin-Offs Exposes a Question Top European Universities Would Rather Avoid Answering

When a university spin-off becomes an international success, the institution wastes precious little time claiming its share of the glory. The founders appear in speeches, promotional videos and annual reports; their company is presented as proof that the university turns research into wealth. Yet the publicity establishes only where the company began. It does not show how much the university actually contributed to what the founders built or whether they succeeded because of its support, despite its limitations, or largely beyond its reach.

A Ghent University-led study published in the Strategic Management Journal examined the performance of 3,164 academic spin-offs founded over a decade, originating from 212 universities in 99 European regions. Regional differences accounted for approximately 27% of the variation in return on assets and 16% of the variation in sales in the authors’ models. The effect attributable to the individual university was negligible. 

That finding raises a question larger than whether universities exaggerate their contribution to individual companies. Are they claiming institutional credit for advantages supplied by an entire region? Investors, skilled workers, prospective customers and other firms all shape the environment in which a spin-off grows. The study does not tell us which of those factors drove any particular company’s success. It does show that performance varied substantially more across regions than across parent universities.  As I argued in Europe’s Humiliating Exodus, Europe too often mistakes regional advantage for institutional excellence. A university that presents a successful spin-off as proof of its own exceptional capacity must therefore explain why the credit belongs chiefly to the institution, rather than to the wider ecosystem in which the company developed.

This does not make universities irrelevant. They may have produced the original research, trained the founders and helped the company get off the ground. But they did not, by virtue of that connection alone, hire every employee, secure every investment, win every customer or conquer every market. The temptation to claim the whole success is hardly mysterious: a study in the Journal of Management Studies found that spin-offs can cast a reputational “halo” over their parent universities and even benefit their research income. The company’s success becomes a university asset, whether or not the university can show how much it contributed to achieving it. Celebrate the founders, by all means. But if an institution wants credit for the company they built, it should provide evidence of its own contribution.

PS - I previously wrote about Sword Health’s acquisition of a German rival. It is the kind of international triumph that universities love to associate with their names. But who built the company, persuaded investors, won customers and made that acquisition possible? What, specifically, did the Portuguese university (U.Aveiro) contribute to those achievements? The European study cannot apportion credit for Sword Health. It does give us a reason to demand evidence before allowing any institution to claim an entrepreneur’s success as its own.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Oportuna petição para colocar o vencimento dos deputados ao mesmo nível da Suíça

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/09/quatro-indicadores-quatro-ultimos.html

Na sequência daquilo que escrevi na parte final do post acessível no link supra, sobre os salários dos professores do ETH Zurich, reproduzo abaixo uma proposta de petição: 

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República,

  1. Considerando que, na Suíça, a remuneração inicial de um professor catedrático da ETH Zürich corresponde a cerca de três vezes a remuneração parlamentar média de um deputado federal;

  2. Considerando que Portugal não dispõe, de dinheiro para triplicar os vencimentos dos professores universitários e investigadores;

  3. Considerando no entanto que existe uma solução muitíssimo mais económica para o Estado e inteiramente dependente apenas da vontade dos deputados;

As cidadãs e os cidadãos abaixo assinados requerem, em coerência com o elevado apreço que Portugal afirma dedicar à ciência, a revisão do estatuto remuneratório dos titulares de cargos políticos, sem que a redução seja neutralizada pela atribuição de outros abonos ou suplementos, fixando o vencimento dos deputados em 1700 euros brutos por mês.

As senhoras e os senhores deputados têm agora uma oportunidade histórica de dar o exemplo, se o país não pode aumentar os salários dos professores universitários e investigadores, podem aquelas e aqueles reduzir os seus até reproduzirem a proporção salarial observada na Suíça entre os deputados federais e os professores da ETH Zürich. Portugal poupará cerca de 8 milhões de euros por ano e ainda poderá proclamar ao mundo que alcançou o padrão suíço de valorização da ciência. Será uma proeza política ímpar, por elevar o estatuto relativo de quem produz ciência sem lhe pagar mais um cêntimo.

domingo, 27 de setembro de 2026

Quatro indicadores, quatro últimos lugares: a putativa excelência científica portuguesa de uma certa área posta à prova

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/09/a-excelencia-cientifica-portuguesa.html

Na sequência do post anterior, dedicado ao desempenho dececionante dos investigadores portugueses mais destacados nas áreas científicas contempladas pelos prémios Nobel, faz todo o sentido avaliar, em cada uma dessas áreas, a distância que separa Portugal de outros países. Comecemos pela área da Economia. Uma pesquisa efectuada hoje na Scopus aos 20 artigos mais citados associados a Portugal e a cada um de dez outros países coloca Portugal em último lugar nos quatro indicadores apresentados na tabela supra.

O contraste com Espanha é particularmente embaraçoso e até mesmo humilhante, dos seus 20 artigos mais citados na área da Economia, 18 ultrapassam as mil citações; em Portugal, apenas seis o conseguem. Significa isso que a investigação das "excelentes" unidades de investigação da economia em Portugal anda a escolher questões com pouca relevância internacional ou haverá outra explicação mais miserável para aquele subdesempenho ?

Na verdade, Portugal nem sequer pode reclamar como seus os tais seis artigos com mais de mil citações, pois dois deles são da autoria de investigadores portugueses que trabalham no estrangeiro, pelo que eles pertencem aos países onde aqueles trabalham. O artigo mais citado, com mais de 4000 citações, tem como primeiro autor João M. C. Santos Silva, catedrático cujo trabalho contribui para o prestígio da ciência britânica. Por que haveria ele de querer permanecer num país onde um catedrático cujos trabalhos receberam milhares de citações recebe exatamente o mesmo que outro cuja produção científica soma umas poucas dezenas de citações? Porque haveria ele de querer permanecer num país que, escandalosamente, paga mais à classe política do que aos seus investigadores de topo?

Sobre esta vergonha faço notar que há vários anos critico o facto dos vencimentos dos cargos políticos e também dos muitos cargos que aqueles distribuem de forma generosa por familiares e amigos, ser superior aquilo que as universidades pagam a investigadores de topo, exatamente ao contrário do que acontece nos países do Norte da Europa. A comparação com a Suíça é bastante elucidativa, um deputado federal recebe cerca de 78 mil euros anuais, enquanto a ETH Zürich paga salários anuais entre 206 mil e 282 mil euros aos prof. associados e entre 241 mil e 317 mil euros aos catedráticos. Ou seja, mesmo no início da escala, um catedrático daquela universidade recebe mais do triplo de um deputado. Assim se Portugal quiser respeitar a mesma proporção e assim deixar de desvalorizar os seus professores universitários e investigadores, tem duas opções, ou triplica o seu vencimento ou corta o vencimento dos deputados para cerca de 1700 euros por mês. 

PS - Recordo que em dezembro de 2023, divulguei neste blogue um estudo de um prestigiado catedrático holandês de Economia, publicado no Journal of Informetrics, que dava algumas pistas sobre os fatores associados a uma maior probabilidade de ganhar o Nobel da Economia.

sábado, 26 de setembro de 2026

A excelência científica Portuguesa pelas ruas da amargura à excepção da Engenharia

A conhecida firma bilionária Clarivate Analytics acaba de anunciar o nome dos 22 investigadores nas áreas da Física, da Química, da Medicina e da Economia que, em 2026, entram no Hall of Citation Laureates. Vide lista no final do post. A seleção resulta de um escrutínio exigente, os analistas daquela firma identificam os autores de artigos científicos de influência excepcional que tenham recebido milhares de citações. E o histórico da métrica dá peso ao método utilizado, pois dos 487 investigadores que até ao momento já foram selecionados para integrar aquele "clube", 89 receberam posteriormente um prémio Nobel. 

Desgraçadamente, Portugal continua sem conseguir colocar um único investigador no restrito e prestigiado grupo supracitado. É uma ausência bastante incómoda num país onde uma teia de interesses instalados que sequestrou o sistema universitário ajudou a multiplicar as classificações de Excelente atribuídas a um número anormalmente elevado de unidades de investigação. Mas que excelência científica é esta, afinal, que nem sequer consegue colocar um único cientista entre os quase 500 que integram o Hall of Citation Laureates?

A realidade é que, como escrevi em abril de 2025, numa crítica a um artigo de uma investigadora de uma instituição de ensino superior da Rússia, na qual citei um estudo publicado em 2021 na revista Higher Education Quarterly, as grandes descobertas exigem coragem para correr riscos intelectuais e desafiar ideias estabelecidas, coragem essa que os investigadores endogâmicos não possuem. E, sendo Portugal um campeão europeu da endogamia académica, havendo até reitores que a defendem ferozmente, não será, afinal, assim tão surpreendente que não haja um único cientista português no Hall of Citation Laureates. O que é surpreendente é haver tanta alegada "excelência" logo num país que, em vários indicadores científicos, fica abaixo da Grécia, da Roménia e da pobre Argentina.

Mas, como escrevi num post de 7 de agosto no qual listei cinco conselhos para jovens investigadores, é precisamente na era da IA que mais precisamos de cientistas verdadeiramente corajosos. A IA pode, fazer muitas coisas; não pode, porém, mostrar pelo próprio exemplo o que significa pagar o preço de desafiar uma autoridade, defender uma verdade inconveniente ou persistir numa linha de investigação que todos aconselham a abandonar. A coragem científica aprende-se com quem efectivamente correu esses riscos e suportou as suas consequências, algo que a IA não é capaz de fazer. E uma universidade endogâmica, onde cobardes formam outros cobardes, também não. Quando uma universidade premeia a subserviência e castiga a coragem, a sua excelência existe apenas no papel. As descobertas que mudarão o mundo nascerão onde investigadores corajosos formam outros igualmente corajosos, tudo o resto é administração da mediocridade.

PS - Infelizmente não há nenhum prémio Nobel para a área da Engenharia que é precisamente aquela que em Portugal consegue fazer aquilo que muitas outras não conseguem https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/07/porque-e-que-em-portugal-so-engenharia.html


Hall of Citattion Laureates 2026

Canadá

Daniel J. Drucker…………Medicina

China

     Qikun Xue…………..……..Física

Dinamarca

Jens Juul Holst…………..Medicina

Israel

Jacob Sagiv………………Química

Japão

Chihaya Adachi…………..Física

Suíça

Nicola A. Spaldin…………Física

 

Estados Unidos

Svetlana Mojsov………….Medicina

James G. Fujimoto……….Medicina

David Huang………………Medicina

Eric A. Swanson………….Medicina

Timothy A. Springer………Medicina

Stephen R. Forrest……….Física

Mark E. Thompson……….Física

David L. Allara…………….Química

Ralph G. Nuzzo…………..Química

Harry B. Gray……………..Química

Jay R. Winkler…………….Química

David R. Liu……………….Química

Susan C. Athey……………Economia

Hal R. Varian………………Economia

Michael D. Woodford……..Economia

Sidney G. Winter………….Economia

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Uma nova e inspiradora ambição para a investigação na área da engenharia civil que confronta os limites biofísicos do Planeta

 


O CEBE - Civil Engineering and the Green Transition in the Built Environment,  é um programa de investigação, dirigido pelo professor Per Heiselberg (Scopus h-index=50), com uma duração de dez anos e financiado pela Villum Foundation com mil milhões de coroas dinamarquesas. Vide ficheiro com 16 páginas.  

O programa CEBE reúne quatro universidades dinamarquesas, Aalborg, Aarhus, Technical University of Denmark e University of Southern Denmark e também a prestigiada ETH Zürich. O objetivo é transformar a construção, criando um ambiente edificado circular, com capacidade de sequestro de carbono, resiliente e compatível com os limites planetários.

O programa organiza-se em sete áreas interligadas, a avaliação absoluta da sustentabilidade; a conceção regenerativa, circular e durável; materiais de construção robustos e de baixo carbono; digitalização e automação; infraestruturas resilientes às alterações climáticas; suficiência, bem-estar e eficiência energética; e prolongamento da vida útil de edifícios e infraestruturas.

A sua maior inovação não reside, contudo, na mera justaposição de materiais avançados, IA, robótica, gémeos digitais, monitorização estrutural, reutilização e soluções baseadas na natureza, mas na arquitetura intelectual que subordina todas essas ferramentas a um mesmo imperativo biofísico. Enquanto muitos programas se limitam a celebrar melhorias incrementais, menos 20% de emissões ou menos 30% de energia, o CEBE transcende o paradigma convencional da mitigação relativa. A questão deixa de ser quanto se conseguiu reduzir em relação ao presente e passa a ser incomparavelmente mais exigente: podem os edifícios e as infraestruturas existir sem ultrapassar os limites biofísicos do planeta?

Declaração de interesses - Declaro que faço parte do comité do CEBE, responsável pela avaliação das candidaturas a financiamento de projetos de investigação de doutoramento e pós-doutoramento, cujo prazo de submissão termina a 30 de setembro.

PS - Em 2019, um reputado cientista, diplomado por Harvard e doutorado pelo conhecido MIT, que há bastante tempo trabalha na universidade Oxford, afirmou de forma nada ambígua que "no que diz respeito à crise climática, sim, é tempo de entrar em pânico", Pierrehumbert,R.(2019) There is no Plan B for dealing with the climate crisis, Bulletin of theAtomic Scientists, 75:5, 215-221. É certo e sabido que o pânico, por si só, não resolve problemas de engenharia. Mas pode obrigar-nos a fazer perguntas à altura da emergência climática. É essa exigência que reconheço na ambição científica do CEBE.

Como a ganância do Estado Português fabricou vulnerabilidades que o mundo do crime converteu em avultados lucros

 

Há poucos anos, publiquei no meu primeiro blogue três textos sobre uma das mais vergonhosas formas de parasitismo do Estado português, financiar-se à custa da pobreza, do desespero e da ilusão daqueles que menos têm. No primeiro texto, comentei um artigo contundente do catedrático Aguiar-Conraria sobre a criação de um novo imposto sobre os portugueses mais pobres. Duas semanas depois, escrevi sobre o facto de se ter ficado a saber que havia luxos políticos que eram pagos pelos portugueses mais desesperados. E num outro post, posterior, comentei o facto do vício das raspadinhas andar a ser utilizado para pagar generosos salários a familiares de políticos. Na altura, o conteúdo desses posts poderá ter parecido excessivo aos defensores do Governo de então; hoje, porém, revela-se quase benevolente. Cinco anos depois, os números expõem a verdade, o Estado não se limitou a falhar no combate a esta exploração, escolheu alimentá-la, legitimá-la e transformá-la numa fonte permanente de receita, à custa da ruína de milhares de portugueses.

Os quase 100 milhões de euros movimentados diariamente no jogo não correspondem integralmente a dinheiro perdido, porque incluem prémios que voltam a ser apostados. Mas esta distinção não pode servir para anestesiar o verdadeiro escândalo, a cada ano os jogadores portugueses perdem cerca de 2,6 mil milhões de euros, um valor equivalente a aproximadamente 1% do PIB nacional. A comparação europeia destrói, sem margem para dúvidas, qualquer tentativa de normalização. Estas perdas representam cerca de 0,49% do PIB em França e apenas 0,34% na Alemanha. Proporcionalmente à riqueza produzida, Portugal sacrifica o dobro de França e quase três vezes mais do que a Alemanha.

Perante estes números, o Estado já não pode continuar a representar o papel hipócrita de regulador imparcial. Não está do lado de fora deste sistema pois é um dos seus beneficiários. Financia despesas públicas com o dinheiro retirado aos jogadores e procura conferir respeitabilidade moral ao processo invocando as chamadas “boas causas”. Mas nenhuma causa se torna boa por ser financiada através da dependência, do endividamento e da destruição de famílias. A expressão funciona apenas como lavagem moral de um sistema que transforma a fragilidade humana em receita pública e lucro privado. Também o discurso do “jogo responsável” constitui uma extraordinária operação de desresponsabilização política. A culpa é cuidadosamente colocada sobre o indivíduo, acusado de não saber controlar-se, enquanto o Estado autoriza a publicidade, tolera os estímulos permanentes, arrecada os impostos e assiste ao crescimento das perdas. 

Um país que permite que quase 1% de toda a riqueza produzida num ano seja absorvida desta forma não enfrenta apenas um problema económico, social e de saúde pública, enfrenta uma falência moral do próprio poder político. Portugal precisa de limites obrigatórios às perdas e aos depósitos, restrições severas à publicidade, autoexclusão centralizada e divulgação das perdas por idade, rendimento e jogador. Cada dia de adiamento deixa de ser negligência e passa a constituir uma decisão consciente de proteger as receitas em vez dos cidadãos mais vulneráveis e indefesos. Continuar a esconder esta devastação atrás de jackpots, patrocínios e “boas causas” é uma escolha política deliberada e moralmente indefensável.  Um Estado que arrecada milhões de euros com a ruína que tinha o dever de prevenir já não é regulador nem simples cúmplice, tornou-se sócio do negócio da desgraça.

PS - A publicidade ao tabaco foi proibida porque o poder político acabou por reconhecer que um produto viciante e destrutivo não pode ser promovido publicamente. Com o jogo, o Estado escolheu fazer exatamente o contrário: permite que a dependência seja vendida como diversão, sucesso e enriquecimento fácil, deixa a publicidade invadir televisões, transmissões desportivas, redes sociais e telemóveis e, no final, arrecada a sua parte das perdas. Um recente programa da CMTV denunciou mesmo um esquema de influenciadores com encenação de ganhos, destinado a atrair seguidores através da imagem fraudulenta de dinheiro fácil. É verdade que o Estado não arrecada impostos sobre estas plataformas ilegais, mas a normalização do jogo legal ofereceu-lhes a camuflagem perfeita: quando apostar se torna banal, o ilegal só precisa de imitar o autorizado. O Estado não lhes deu licença, mas criou-lhes o mercado e entregou-lhes, de bandeja, as vítimas mais vulneráveis.

domingo, 20 de setembro de 2026

Existir ou não existir? Eis o veredicto da IA !

Como já não sabia se, durante o passado mês de agosto, tinha verdadeiramente existido, isto é, se tinha feito algo útil, pois "só existimos nos dias em que fazemos", pedi a um modelo de IA que vasculhasse a minha caixa de correio eletrónico em busca de provas de vida científica. O veredicto dessa pequena "investigação forense" apresenta-se abaixo.

PS - Se tivesse, porém, adotado a conceção de existência proposta pelo físico Carlo Rovelli, a dita investigação forense teria que ser muito mais exigente. Não bastaria apurar o que fiz em agosto; seria necessário descobrir se esse trabalho gerou, de facto, novas interações, influenciou alguém ou alterou, ainda que minimamente, alguma coisa no mundo.

03/08/2026  Submissão do relatório de avaliação de tese de doutoramento (Sujitha A).
03/08/2026  Projeto — MSCA-PF 2026 (A. Gaddafi): preparação de submissão.
04/08/2026  Journal of Informetrics: decisão de rejeição da Letter submetida.
04/08/2026  Revisão submetida — Sustainability — sustainability-4495768
05/08/2026  eProofs dos capítulos 15, 16 e 17, ISBN 9780443509926.
05/08/2026  Convite de cap, “Advances in Materials for Mitigating Building Cooling Needs”.
05/08/2026  Editorial — CivilEng — civileng-4506242: pedido de Pre Peer-Review Approval.
06/08/2026  Revisão submetida — Scientific Reports — “Raw Pyrite Tailings as....”
06/08/2026  Introdução de “Advances in Alkali-Activated Concrete” (ISBN 9780443542077).
06/08/2026  Tese — Aceitação de avaliação de tese de doutoramento.
06/08/2026  Revisão submetida — TECE-2026-1031.
08/08/2026  Tese — convite para Foreign Examiner da tese de S. Omran.
09/08/2026  Decisão editorial — Eng — eng-4441176 (2.ª).
10/08/2026  Comentários ao cap15, “Advances in Materials for Mitigating Building Cooling Needs”.
11/08/2026  Decisão editorial — Materials — materials-4500126.
11/08/2026  1.º lote de provas e queries CH015/MC, ISBN 9780443509926.
11/08/2026  Tese — aceitação da avaliação da tese de Mr. Joni M (Civil Engineering).
12/08/2026  Convite aceite — Journal of the American Ceramic Society — 1651216.
12/08/2026  Convite aceite — Sustainability — sustainability-4520513.
12/08/2026  Revisão submetida — Journal of the American Ceramic Society — 1651216 
12/08/2026  2.º lote de provas, ISBN 9780443509926.
12/08/2026  Revisão submetida — Sustainability — sustainability-4495768 (versão revista).
13/08/2026  Pedido para examinador externo de tese de doutoramento.
13/08/2026  Projeto — GEOSHIELD: acesso à proposta como participante e registo
14/08/2026  Contagem e validação de figuras a cor, ISBN 9780443509926.
16/08/2026  Revisão submetida — Sustainability — sustainability-4520513 (1.ª ronda).
17/08/2026  Seguimento dos ficheiros de autorização, ISBN 9780443509926.
18/08/2026  Conferência — CIVIL2027 (Florença): convite para participação.
19/08/2026  Artigo próprio — Resubmissão R2 a Accountability in Research (269682025).
19/08/2026  Convite aceite — Technologies — technologies-4514423.
19/08/2026  Editorial — JBDE (Journal of Building Design and Environment)
20/08/2026  Convite aceite — Construction Materials (Proceedings of the ICE) —2026-107.
20/08/2026  Decisão editorial — Materials — materials-4500126 (2.ª).
23/08/2026  Decisão editorial — Materials — materials-4524017.
23/08/2026  Revisão submetida — Technologies — technologies-4514423 (1.ª ronda).
24/08/2026  constrmater-4429318 aceite para publicação.
24/08/2026  Convite aceite — Sustainability — sustainability-4544698.
24/08/2026  Projeto — MSCA-PF 2026: revisão da parte B1 da proposta.
25/08/2026  Leitura final de provas, constrmater-4429318.
26/08/2026  Pedido de autorização de reprodução (Luisa F. Cabeza)
26/08/2026  Segunda leitura de provas, constrmater-4429318.
26/08/2026  Livro — envio do capítulo 10 para apreciação.
27/08/2026  Inserção na ELSA de “Advances in Materials for Mitigating Building Cooling Needs”.
27/08/2026  constrmater-4429318 publicado (doi 10.3390/constrmater6050056).
27/08/2026  Revisão submetida — Sustainability — sustainability-4544698.
28/08/2026  Orientação — plano de trabalho do Bahador
29/08/2026  Submissão da proposta GEOSHIELD ao portal Funding & Tenders.
29/08/2026  submissão de JCLEPRO-D-26-30070
31/08/2026  Decisão editorial — Materials — materials-4484132.
31/08/2026  JCLEPRO-D-26-30070: editor atribuído.
31/08/2026  Editorial — JBDE: convite para submissão.

sábado, 19 de setembro de 2026

Daniel Susskind - AI Will Not Make Expertise Obsolete It Will Make It Indispensable

 

Still following on from the previous post, The Cognitive Surrender and The Wilfrid Laurier Test That Universities Should Fear, it is worth considering a warning recently issued by Daniel Susskind, a professor at King’s College London. In an interview published in the latest edition of the Portuguese weekly Expresso, Susskind argues that using artificial intelligence imposes an important responsibility: we must constantly question, criticise and test its answers rather than become passive recipients of what it tells us. These systems make mistakes, hallucinate and reproduce biases often while sounding entirely convincing.

This may be the defining intellectual danger of the AI age. The threat is not merely that machines can fabricate facts, but that their speed, fluency and confidence can make verification appear unnecessary. By rewarding intellectual passivity, they risk progressively eroding the habits of doubt, investigation and independent reasoning on which genuine knowledge depends. Once societies begin accepting plausibility as truth, error no longer needs to deceive us; we voluntarily stop searching for it. At that point, AI ceases to be a tool for extending human thought and becomes an infrastructure for its abandonment.

This is also why Susskind believes that possessing deep knowledge in a specific field will become increasingly important. The distinction was already visible in The Failure of Autonomous AI Scientists and the Nobel Laureate Who Wants a Different AI: AI agents could operate the machinery of research, but lacked the scientific judgement required to determine which questions were worth pursuing, which evidence mattered and which conclusions were justified. A university graduate, however, is not yet an expert, a degree merely begins the long apprenticeship through which expert judgement is formed. This creates a devastating paradox: AI allows novices to simulate expertise before they possess it, while its effortless production of convincing answers enables them to evade the intellectual struggle through which expertise is formed. The danger is not merely that they will fail to detect AI’s omissions, contradictions and false assumptions, but that they may never develop the capacity to do so. AI may democratise the production of plausible answers; it does not democratise expert judgement. Worse, by allowing ignorance to masquerade as genuine intellectual competence, it may destroy the very process that transforms novices into experts.

But the most dangerous paradox begins after graduation. If employers continue to replace young graduates with AI, they will not merely eliminate jobs; they destroy the apprenticeship through which knowledge becomes judgement and novices become experts. What appears rational to each company, cutting costs by dispensing with junior employees—becomes collective intellectual self-destruction. Once today’s experts retire, who will possess the experience to supervise machines, expose their failures or challenge their conclusions? AI may therefore make expertise indispensable while eradicating the human pathway that produces it: by replacing today’s beginners, we may also be abolishing tomorrow’s experts.

PS - There is, however, a far more disturbing challenge to the argument for expertise. In recent experiments involving societies of autonomous AI agents, the agents did not merely exchange information, they spontaneously created their own vocabulary, shared meanings and communication conventions, while their exchanges became progressively more opaque to the humans supposed to monitor them. To observe a conversation one cannot understand is not oversight; it is spectatorship. If human experts cannot decipher the language in which AI systems coordinate, how can they evaluate, correct or control what those systems are doing? And if AI begins inventing not only answers but entirely new concepts, methods and tasks whose logic lies beyond human comprehension, the question is no longer whether human expertise can keep pace. It is whether humanity can retain intellectual sovereignty over forms of intelligence that have escaped the boundaries of human understanding.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

O erro conceptual do Reitor da U.Minho e a dupla falácia da catedrática Elvira Fortunato



A revista da Ordem dos Engenheiros divulgada esta semana contém um artigo do reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes, sobre o valor das competências transversais numa era tecnológica. O texto sustenta, com razão, que o conhecimento técnico continua a ser indispensável, mas deixou de ser suficiente, enquanto a criatividade, o pensamento crítico, a adaptabilidade e a responsabilidade ética adquirem uma importância crescente. Perto do final, porém, Pedro Arezes deixa uma interrogação pertinente, mas formula-a pelo lado errado: pergunta se as universidades conseguirão avaliar estas competências "com o mesmo rigor e precisão com que avaliam conhecimentos técnicos". https://www.ordemdosengenheiros.pt/pt/revista-ingenium/formacao/

A questão urgente é precisamente a inversa, será que as universidades ainda avaliam verdadeiramente os conhecimentos técnicos dos estudantes? Até há pouco tempo, presumia-se que a qualidade de um trabalho reflectia, mesmo que imperfeitamente, a competência de quem o apresentava. A IA generativa rompeu essa ligação. Um estudante pode agora entregar um relatório tecnicamente irrepreensível sem compreender, saber explicar ou conseguir reproduzir o raciocínio nele contido. Mesmo aplicados com todo o rigor, os critérios de avaliação podem estar a medir a qualidade da resposta produzida pela máquina, e não o conhecimento do estudante. Um estudo recente da Wilfrid Laurier University, que mencionei esta semana no final deste post aqui, confirmou este risco. As universidades terão, por isso, de tornar novamente visível o processo intelectual, a formulação do problema, a justificação das escolhas, a identificação dos erros, a reformulação das hipóteses e a defesa oral das conclusões. 

Na mesma revista, merece também destaque, desta vez pela negativa, a seguinte afirmação da catedrática Elvira Fortunato: "O século XXI será cada vez menos determinado pela disponibilidade de recursos naturais e cada vez mais pela capacidade de gerar conhecimento, protegê-lo, transformá-lo em tecnologia e colocá-lo ao serviço da sociedade. Portugal já demonstrou que consegue formar talento e produzir ciência de excelência.»

É uma afirmação confortável, mas duplamente falaciosa. A primeira asneira consiste em afirmar que o conhecimento está a substituir os recursos naturais. O século XXI não será menos determinado por esses recursos; será provavelmente palco de uma competição ainda mais feroz pelo seu controlo. A IA exige enormes quantidades de energia, água, semicondutores e infra-estruturas. A transição energética depende de lítio, cobre, níquel, cobalto e terras raras. E nenhuma sociedade, por mais tecnologicamente avançada que seja, sobreviverá sem água potável, alimentos, solo fértil e ecossistemas funcionais. Ao contrário do que escreveu a referida catedrática, o conhecimento não aboliu, de modo algum, a materialidade da economia, na verdade, tornou determinados recursos ainda mais estratégicos. 

A segunda asneira está na invocação da alegada “ciência de excelência” portuguesa. Evidentemente, Portugal consegue formar talento e produzir casos de verdadeira excelência. A Sword Health é um deles, fundada por um jovem doutorado português, tornou-se uma empresa de enorme sucesso, que emprega mais de mil pessoas a quem paga salários médios de 3400 euros. Outro exemplo é o dos investigadores formados em Portugal que o país não conseguiu reter e que acabaram por criar, na Suécia, a Asgard Therapeutics, hoje avaliada em dezenas de milhões de euros. O êxito destes investigadores prova a qualidade do talento que Portugal forma, mas particularmente no segundo caso, é também uma acusação devastadora a um sistema que o expulsa, desperdiça e depois se apropria dos seus triunfos, uma hipocrisia que a catedrática Elvira Fortunato convenientemente silencia enquanto proclama a alegada "excelência" da ciência portuguesa. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/04/uma-brilhante-estrategia-portuguesa.html

Seja como for, a existência de algumas ilhas de excelência não transforma automaticamente o oceano que as rodeia num sistema científico excelente. A verdadeira pergunta não é se Portugal já produziu algum talento excepcional, mas se possui instituições capazes de o identificar, selecionar, reter, recompensar e transformar sistematicamente em conhecimento, inovação e prosperidade. E os indicadores internacionais estão muito longe de autorizar a autocomplacência, um país onde cerca de 75% das unidades de investigação são oficialmente classificadas como Muito Boas ou Excelentes continua na 33.ª posição num indicador internacional de excelência científica, muito próximo da Bulgária, viu as suas universidades mais bem classificadas ficarem atrás de uma universidade argentina no Ranking de Shanghai de 2026 e conquistou apenas uma ERC Starting Grant em 2026, ficando nesse indicador abaixo da Roménia e da Grécia. E como se tudo isto não bastasse, o ranking Shanghai por áreas científicas, divulgado ontem, acrescentou mais um resultado impossível de disfarçar: a U.Coimbra, a U.Nova e a U.Aveiro não conseguiram colocar uma única área científica entre as 50 melhores do mundo, nem sequer entre as 100 melhores. A distância colossal entre a excelência generosamente distribuída pelas avaliações nacionais e a mediocridade revelada pelos indicadores internacionais não é uma coincidência, é a prova de um sistema complacente, que não se consegue avaliar a si próprio com rigor, inventando uma excelência de fachada que o resto do mundo simplesmente não reconhece.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

The Cognitive Surrender and The Wilfrid Laurier Test That Universities Should Fear

In a deeply unsettling interview published today by the Portuguese newspaper Público, Arnold Pears, Professor at the KTH Royal Institute of Technology, identifies one of the defining paradoxes of our time: a machine that knows almost everything may help create a generation that understands almost nothing. Generative AI gives children what Pears calls “a false sense of competence”, the illusion that obtaining an answer is equivalent to understanding the problem. A calculator assists with an operation that the student must still identify; a large language model can erase the entire intellectual journey between question and answer. 

The deeper indictment, however, is directed at an educational system that has spent decades rewarding the final product while pretending that it faithfully represents the process that created it. Generative AI has now shattered that convenient fiction: the answer can be flawless even when the intellectual journey has disappeared entirely. Prohibiting AI would be futile, but normalising intellectual surrender would be catastrophic. As I have argued on 18 August here, AI should serve as intellectual scaffolding, elevating human thought while cultivating stronger and more independent minds. Pears’s warning reveals how easily that promise can be inverted, the technology intended to liberate intelligence may instead liberate us from the effort of becoming intelligent. As i have argued, every cognitive technology should therefore face one unforgiving test: after years of using it, are people more capable without it—or less? If the answer is less, we have not democratised intelligence. We have automated intellectual dependence.

Universities are already approaching the same precipice. Pears describes journal submissions doubling or tripling while peer-review and grant-evaluation systems struggle towards collapse. Academia risks becoming a vast factory in which machines write papers that their nominal authors barely understand, for reviewers who have no time to read them, merely to satisfy indicators in which almost nobody still believes. The great cognitive surrender will not arrive through machines violently seizing control of human thought; it will arrive quietly, welcomed as convenience, productivity and progress. If we use AI to think further, it may become one of history’s greatest instruments of intellectual liberation. If we use it so that we no longer need to think, it will become the machinery of our intellectual abdication. We may ultimately succeed in creating machines of astonishing competence while calmly accepting the progressive dismantling of our own.

PS - The warning is no longer theoretical. In a preprint published on 20 August 2026, Kaltchenko and Tiwana, from the Department of Computer Science and Physics at Wilfrid Laurier University in Canada, tested three personalised Qiskit homework assignments across 150 separate ChatGPT sessions. All final submissions executed successfully and passed their graders. Personalised tasks, hidden references, compulsory reflections and executable notebooks, all intended to demand genuine student engagement failed to protect the intellectual core of the exercise. ChatGPT reproduced every outward sign of competence without establishing that the student possessed it. If universities continue to assess polished products rather than observable reasoning, cognitive surrender will not announce itself through failure. It will arrive as impeccable submissions, excellent grades and hollow degrees.


sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Trump e o mistério da desaparecida coluna vertebral do submisso semanário Expresso

 

No passado dia 4 de setembro, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou, por 164 votos contra um voto velhaco, uma resolução que recomenda a adoção da projeção Equal Earth, muito mais fiel à verdadeira dimensão dos continentes. Essa medida pretende corrigir a distorção associada à projecção Mercator que não só diminuiu como humilhou África e outras regiões do Sul no imaginário de biliões de pessoas durante centenas de anos. O único voto contra veio dos EUA pois para Trump e para a sua matilha, até o simples acto de devolver a África à sua verdadeira dimensão constitui uma perigosa "agenda ideológica".

Os números retiram qualquer disfarce à velhaca objecção dos EUA, na projecção Equal Earth, a África é, cerca de 3,1 vezes maior do que os EUA, enquanto na velha e deformadora projecção Mercator parecia apenas 1,5 vezes maior. Mas a fúria de Trump tem uma segunda e ainda mais sórdida explicação, a sua demente obsessão em apoderar-se da Gronelândia. A projecção Mercator oferecia-lhe a mentira reconfortante de uma ilha quase tão grande como África, transformando uma cobiça colonial no sonho de uma conquista continental. A agora aprovada projecção Equal Earth destrói-lhe a farsa, o grandioso troféu imperial cobiçado por Trump possui, afinal, apenas um catorze avos da área de África.

Porém, o semanário Expresso, que nunca perde uma oportunidade para proclamar solenemente a sua independência, parece ter concluído que os votos de 164 países continuam a não ser suficientes para alterar um mapa sem a indispensável autorização do referido criminoso. Assim, logo no primeiro caderno de hoje, serviu obedientemente aos seus leitores a velha representação deformada do mundo que a Administração Trump prefere, não vá sua excelência o senhor embaixador norte-americano em Lisboa interpretar a mudança cartográfica como um perigosíssimo ato de insubordinação, apresentar uma queixa e fazer com que os jornalistas do Expresso acabem proibidos de viajar para os States. 

PS - Na verdade o mapa mais revelador do primeiro caderno do semanário Expresso não é o do planeta Terra, mas o da coluna vertebral do referido semanário, tão mirrada por reverência ao nojento Trump que nem a deformadora projecção Mercator conseguiria inchá-la.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

The Greatest Appropriation of Unpublished Scientific Knowledge in Human History

For nearly a century, one of mathematics’ most formidable questions defied the world’s greatest minds. An army of AI agents may have solved it in less than four days. OpenAI deployed around 10,000 autonomous agents, powered by an internal model not yet available to the public, which produced a solution to the Navier–Stokes Millennium Prize Problem in just 88 hours. They exchanged 2.7 million messages and generated approximately 130 billion output tokens; formalising and verifying the proof in Lean required only another 17 hours. Although Lean can certify every step of the formal proof, mathematicians must still confirm that the statement encoded in the system corresponds exactly to the original problem. If they do, this will not merely be the most important proof ever produced by AI: it will mark the moment when machines entered the highest realm of mathematical discovery. https://www.quantamagazine.org/ai-has-solved-one-of-maths-1-million-millennium-prize-problems-20260908/

The achievement is, however, surrounded by a profoundly disturbing dispute. OpenAI acknowledges that it launched the operation after hearing rumours that two Millennium Prize Problems had been solved, rumours subsequently linked to the still-unpublished work of Tristan Buckmaster and Levent Alpöge. According to Buckmaster, they had used OpenAI models and placed all their project drafts in Codex sessions. OpenAI states that neither its researchers nor its agents specifically accessed this work, but admits that it cannot rule out the possibility that de-identified data derived from their use of its products helped improve the models. Both groups also relied heavily on the mathematical programme previously developed by Diego Córdoba and Luis Martínez-Zoroa, further complicating the attribution of priority and scientific credit.

This episode extends far beyond mathematics. The same company that provides scientists with research tools also owns the models, computing infrastructure and financial resources required to transform itself almost instantly into their competitor. Once it becomes aware of a promising opportunity, it can mobilise thousands of agents and spend several million dollars, resources beyond the reach of any academic research team. Even if no improper access occurred, the asymmetry of power has become impossible to ignore.

This episode gives disturbing concrete form to the civilizational choice at the heart of my manifesto, Civilizational Futures. AI can serve as “intellectual scaffolding”, liberating intelligence and accelerating discovery; but when a handful of corporations controls the models, computing infrastructure and armies of autonomous agents—while receiving scientists’ unpublished work—it acquires the power not merely to assist science, but to appropriate it. The Navier–Stokes episode may therefore be both a triumph of machine-augmented reason and a warning that humanity’s greatest instrument for distributing intellectual power could become its most formidable mechanism for concentrating it.

In this emerging order, the scientist supplies the question, the drafts, the corrections and perhaps even the decisive insight; the platform absorbs the value, unleashes an army of agents and emerges claiming the breakthrough. The question is therefore no longer whether AI can conduct science. It is whether scientists are paying to train the very machines and enrich the very corporations, that may strip them of priority, authorship and control over their own discoveries. Until enforceable safeguards exist, entering unpublished research into a commercial AI system should be treated for what it may become, a transfer of scientific power from its creator to a vastly more powerful corporate rival.

PS -  That warning has now been corroborated from inside the AI industry itself. Jacob Coxon, who has just resigned from Anthropic after a stint at OpenAI, explicitly cited the Navier–Stokes breakthrough while accusing both companies of racing towards self-improving superintelligence and “gambling with our lives.” Evan Hubinger, a current lead in Anthropic’s alignment division, said Coxon was right—and conceded that the company still has no plan for aligning superintelligence. When the builders themselves speak this way, leaving such power in private corporate hands can no longer be defended as innovation policy. It becomes the civilizational gamble at the heart of Civilizational Futures: whether AI liberates human intelligence or concentrates unprecedented power in a handful of corporations answerable to no one.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Study Reveals That Almost 30 Million Lives Will Be Sacrificed to Protect the Ultra-Rich

 

In a previous post, An Ethical Wealth Limit: Utrecht University's 10-Million-Euro Hypothesis, I recalled that in December 2019 I had proposed limiting individual wealth to $190 million—approximately 10,000 times the annual world GDP per capita. Ingrid Robeyns, Professor of Ethics at Utrecht University, subsequently went much further, proposing a political limit of €10 million and a personal ethical limit of just €1 million because extreme wealth threatens democracy and climate justice. A study newly published in The Lancet now makes the indictment even more serious, while fortunes beyond any conceivable human need remain protected, redistributing a tiny fraction of them could prevent millions of premature deaths.

The researchers analysed data from 59 low- and lower-middle-income countries between 2002 and 2021 and modelled ten redistribution policies capable of compensating for drastic cuts in official development assistance. The authors then estimated what could happen between 2026 and 2030 if taxes on concentrated wealth were used to prevent essential health and development programmes from being dismantled. The most striking result concerns an annual 3% tax on ultra-high-net-worth individuals. According to the model, it could avert approximately 29.5 million deaths by 2030, including almost 3.5 million deaths among children under five; even the lower bound of the uncertainty interval exceeds 20 million lives. 

The study does not propose abolishing billionaires, much less imposing Robeyns’s €10-million ceiling. Someone with €10 billion would retain €9.7 billion after paying a 3% tax, hardly a descent into poverty. A society that protects the last 3% of a billionaire’s fortune while accepting the destruction of programmes on which millions of lives depend is not defending freedom or rewarding merit. It is declaring that the limitless accumulation of the ultra-rich matters more than the survival of the poor. Extreme wealth is therefore not a harmless private achievement, refusing to tax it can carry a potentially enormous and now quantifiable human cost.

PS - In March 2024, in Carbon Manslaughter: Holding Billionaires Accountable for Their Role in Accelerating Climate Catastrophes, I argued that the extravagant carbon emissions of billionaires can transform extreme wealth into a form of manslaughter. The new Lancet study now exposes a second potential body count: not from the carbon the ultra-rich emit, but from the millions of people who could be kept alive with a tiny fraction of the fortunes our societies, through political cowardice, institutional complicity and moral bankruptcy, consider untouchable.

Novas evidências desmascaram a notória pseudoexcelência da ciência portuguesa

 

Na sequência de uma bizarra avaliação das unidades de investigação, na qual a proibição do recurso a métricas, que critiquei repetidamente, e que culminou numa extraordinária anormalidade estatística de cerca de 75% das unidades de investigação terem sido classificadas como Muito Bom ou Excelente, Portugal foi oficialmente consagrado como uma "potência" científica mundial. Acredite quem quiser neste milagre científico nacional.

Sucede, porém, que continuam a acumular-se evidências da reduzida competitividade internacional da ciência portuguesa. Primeiro, Portugal ocupa apenas a 33.ª posição num exigente indicador internacional de excelência científica, perigosamente próximo da Bulgária, pela qual, a manter-se a atual trajetória, será ultrapassado nos próximos anos. Segundo, as universidades portuguesas mais bem classificadas ficaram abaixo de uma universidade argentina no Ranking de Shanghai de 2026 e agora, nos resultados das milionárias ERC Starting Grants, anunciados há poucos dias, Portugal surge abaixo da Roménia e da Grécia, como mostra a lista apresentada no final deste post.

Como se explica, então, que tamanha concentração de unidades oficialmente Muito Boas ou Excelentes não tenha conseguido afastar Portugal da proximidade embaraçosa da pobre Bulgária num indicador de excelência científica, não tenha permitido colocar uma única universidade portuguesa à frente de uma universidade da pobre argentina, e agora não tenha conseguido conquistar mais do que uma única bolsa milionária das ERC Starting Grants?

A solução para a falta de competitividade internacional da ciência portuguesa é conhecida e, no essencial, simples. Implementá-la, porém, é extraordinariamente difícil, porque obrigaria a arrancar pela raiz a teia de interesses instalados que sequestrou o sistema universitário, protege a mediocridade e transforma demasiados concursos públicos em instrumentos de distribuição de carreiras, poder e privilégios. Passa por combater a endogamia académica e tornar muito mais difícil a viciação dos concursos, seja exigindo uma qualificação científica mínima para o acesso às categorias de professor associado e catedrático, como há muitos anos sucede em Itália, seja permitindo que apenas cheguem à fase final dos concursos  somente os candidatos que tenham sido previamente seleccionados por especialistas internacionais de reconhecido nível mundial, como acontece nas universidades da Suécia. 

PS - A propósito da supracitada proibição do uso de métricas na avaliação das unidades, recordo a pertinência do artigo subscrito por três professores catedráticos, incluindo um antigo reitor, em defesa da sua utilização, que divulguei no passado dia 10 de Agosto sob o título: As métricas não substituem a avaliação científica, mas tornam a mediocridade muito mais difícil de esconder. 

País

Bolsas ERC por milhão de habitantes

Suíça

3,997

Dinamarca

3,154

Finlândia

2,135

Suécia

2,056

Áustria

1,976

Países Baixos

1,789

Bélgica

1,783

Luxemburgo

1,455

Chipre

1,447

Noruega

1,238

Israel

1,140

Alemanha

1,064

Irlanda

0,933

Reino Unido

0,672

Chéquia

0,570

França

0,569

Eslovénia

0,473

Espanha

0,397

Itália

0,373

Lituânia

0,357

Polónia

0,159

Roménia

0,106

Grécia

0,101

Portugal

0,096