sexta-feira, 20 de maio de 2022

Um ex-Ministro do PSD que não sabe o que diz ou que padece da mesma "doença" da ex-Ministra Manuela Ferreira Leite ?

 

Na secção de economia do Expresso de hoje, o conhecido ex-Ministro do PSD, Luís Mira Amaral, escreve coisas estranhas e (até absurdamente insensíveis), como quando escreve que não há nenhuma emergência climática e que o melhor cenário, seria uma subida suave do custo das emissões de dióxido de carbono, que atingisse 100 euros/tonelada somente em 2050, mesmo que isso implique um aumento de temperatura de 3.5 ºC.

Mas se agora, que vivemos num Planeta onde a temperatura média aumentou ainda apenas 1.2 ºC acima da temperatura pré-industrial, já temos de conviver com incêndios de proporções avassaladoras inclusive em zonas tão improváveis (e tão problemáticas) como o Alasca, com inundações-relâmpago, como aquelas que no passado atingiram a Alemanha, e ainda com aumentos de temperatura de 40 ºC na Antártica imagine-se então quais seriam as consequências de uma subida da temperatura média de 3.5 ºC

A própria revista The Economist, que não é propriamente uma revista dirigida por ambientalistas fanáticos avisou há poucos meses que uma subida de 3 ºC na temperatura média será um desastre, havendo cidades, que nessa altura, irão sofrer um aumento de temperatura de 4 ºC, inclusive na Europa, que em Agosto de 2021 já tinha batido um recorde de temperatura com um valor assombroso de quase 50 ºC que teve lugar na Itália. 

Especialmente grotesco é que o Ex-Ministro Mira Amaral defenda um cenário climático cujas gravosas consequências ele não terá que suportar (pois é altamente improvável que esteja vivo em 2050) e mais ainda quando aqueles que terão que suportar a parte pior dessas consequências são precisamente aqueles que vivem em países pobres e logo com menos capacidade para as suportar https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/pessimo-futuro-para-os-140-milhoes-de.html Se não é sadismo é no mínimo grave insensibilidade !

O que ele poderia ter feito era ter defendido a proposta do Catedrático Luís Cabral da Universidade de Nova Iorque, com vista a substituir a contribuição para a segurança social por um imposto sobre o dióxido de carbonoum aumento do IVA e principalmente uma melhoria da cobrança dos impostos ao nível dos contribuintes mais ricos. 

E já agora também podia ter criticado, como eu já o tinha feito aqui, que numa altura em que se querem reduzir as emissões de dióxido de carbono, que se gaste dinheiro dos contribuintes, a promover actividades desportivas que são responsáveis pela emissão de milhões de toneladas de carbonoFaz por isso sentido perguntar, será que o ex-Ministro do PSD também foi atacado por aquela "doença" que também parece ter atacado a ex-Ministra Manuela Ferreira Leite ?

Cientistas que suscitam ódio da sociedade: Parte 4

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/cientistas-que-suscitam-odio-da.html

Ainda na sequência do post acima, é lamentável constatar que, dois anos volvidos desde a publicação do mesmo, ainda é possível ler num artigo publicado ontem, dia 19 de Maio de 2022, que num país civilizado ocorrem coisas como as descritas no artigo acessível no link https://www.nationalgeographic.com/animals/article/hundreds-of-beagles-have-died-at-a-major-research-animal-breeding-facility 

Ou quem sabe talvez afinal os valores ditos civilizacionais sejam manifestamente incapazes de obstar à barbárie, como aliás bem o lembrou o conhecido George Steiner, "o último herói intelectual do Ocidente", falecido professor em várias conhecidas universidades, de Cambridge, Harvard e Oxford  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/12/a-cultura-da-tortura_16.html

Embora sem ligação ao tema supra do "bem estar" de animais utilizados em experiências científicas, entendo ainda assim como bastante pertinente recordar um post de 19 de Maio de 2020 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/05/assar-e-comer-um-ser-humano-com-tres.html 

PS - E será apenas mera coincidência que haja importantes eventos que ocorram na data 19 ou que este blogue tenha o nome que tem?

quinta-feira, 19 de maio de 2022

O metal de que Portugal é um dos maiores produtores mundiais e o "desprezo" que recebe da comunidade científica Portuguesa

 


O artigo ontem publicado, acessível no link acima, informa que investigadores Norte-Americanos, que usaram simulações computacionais (depois confirmadas em contexto laboratorial) para entender como é que o óxido de tungsténio interage com o hidrogénio ao nível molecular, descobriram que o mesmo se pode integrar na sua estrutura tridimensional. Os referidos investigadores afirmam que estes resultados permitirão desenvolver uma nova família de catalisadores baseados no óxido de tungsténio, muito mais sustentáveis.

Portugal é um dos maiores produtores mundiais de tungsténio e a imagem acima mostra uma vista bastante esclarecedora dos impactos ambientais da exploração daquele metal nas Minas da Panasqueira, onde o Governo não precisa (nem nunca precisou) de se preocupar com manifestações de ambientalistas contra a sua exploração.

O mais estranho porém, é que uma pesquisa na base Scopus, sobre publicações relacionadas com tungsténio (nas áreas da engenharia quimica e da engenharia dos materiais), revela que a comunidade cientifica Portuguesa daquelas áreas, tem dedicado uma atenção reduzida ao estudo daquele metal, quase ao nível do "desprezo", atento o facto do nosso país ser um grande produtor mundial, quando comparada com a produção científica superior, de países onde esse metal nem sequer é explorado.  Não sendo possivel comparar directamente a produção cientifica de Portugal, com a de países onde existe um número muito superior de investigadores, apresenta-se por isso abaixo, o rácio do desempenho de diferentes países normalizado pela sua população:

Áustria...................37 publicações indexadas, sobre tungsténio, por milhão de habitantes
Suécia....................34
Suiça......................32
Finlândia................32
Portugal.................20

Admitindo no entanto que possa haver falta de verbas para contratar investigadores (vide post sobre investigadores e cães) que possam estudar aplicações de elevado valor acrescentado baseadas no tungsténio (e outras), entendo como pertinente recordar a receita infalível, para aumentar de forma radical essas verbas, que há pouco tempo mencionei aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/03/as-100-empresas-mais-inovadoras-do.html

PS - Não certamente por acaso, conheço o catedrático jubilado Sueco, que tem o nome em dois dos artigos mais citados de sempre, a nível mundial, sobre materiais electrocrómicos baseados em tungsténio. E actualmente até somos ambos editores de um livro a publicar pela Elsevier, onde participam investigadores de conhecidas universidades, como o MIT, o Imperial College, e outras da Suécia e da Bélgica, livro esse que anteriormente até já tinha mencionado aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/the-economist-emergencia-climatica.html