sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Abriu a época de caça aos investigadores que não têm tempo para dormir ou fazer sexo

 

O tal ranking de cientistas da Clarivate Analytics, que que como critiquei no passado, padece de várias "limitações" nomeadamente a muito paradoxal de não incluir largas dezenas de prémios Nobel, decidiu tentar melhorar a sua qualidade, removendo do mesmo, nada menos do que 550 cientistas, devido a artigos "despublicados" por conta de infracções éticas graves ou fraudes e também cientistas narcisistas que apresentam percentagens de auto-citações consideradas absurdamente excessivas. 

Muito mais interessante ainda, no tal grupo dos 550 cientistas que foram removidos do ranking de 2022, incluem-se também cientistas, que não têm tempo para dormir, nem para fazer sexo, pois dedicam quase 24 horas por dia à nobre arte da publicação e por conta de toda essa "dedicação" conseguem a proeza de publicar vários artigos por semana, todas as semanas, o que no entender da Clarivate, vide recente citação abaixo, é porém actividade de ética muito duvidosa:

"Any author publishing two or three papers per week strains our understanding of the normative standards of authorship and credit"

Espantosamente, Portugal têm o dobro dos investigadores, que não têm tempo para dormir (nem muito menos para cumprir o importante dever conjugal de fazer sexo, dever cujo incumprimento pode levar ao pagamento de pesadas indemnizações, vide as condenações em tribunal, tanto no estrangeiro como também em Portugal) do que a Finlândia, o triplo da Alemanha e cinco vezes mais do que a França https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/portugal-com-excesso-de-publicacoes.html

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Os lamentáveis "esquecimentos" da Ordem dos Engenheiros e o ranking de 2ª classe


A última edição (nº 178) da revista da Ordem dos Engenheiros, (dedicada ao contributo da engenharia para o desenvolvimento regional), que foi ontem divulgada, parabenizou alguns membros daquela associação, e até mesmo alguns não membros, mas curiosa e infelizmente esqueceram-se de parabenizar um altamente meritório membro da mesma associação, pertencente ao colégio de Engenharia Mecânica e catedrático na Universidade de Aveiro, de nome João Paulo Davim, que se ficou a saber recentemente é o cientista Português (que continua a fazer o favor de trabalhar numa universidade Portuguesa, onde se paga a um catedrático pouco mais do que lá fora se paga a um aluno de doutoramento)melhor classificado no ranking da Universidade de Stanford  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/10/os-100-investigadores-portugueses-mais.html

Na mesma edição da referida revista, é apresentada uma longa entrevista à investigadora e actualmente Secretária de Estado, Isabel Ferreira, que logo a abrir se apresenta como uma das investigadoras mais citadas do mundo. O problema é que ela se refere a um ranking, da Clarivate, que é cientificamente muito pouco rigoroso, pois padece do grave problema de favorecer certas áreas científicas e de prejudicar outras, como revelei aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/why-is-clarivate-analytics-favouring.html  e principalmente do facto, que é bastante elucidativo, da maior parte dos prémios Nobel, nem sequer lá aparecerem, o que mostra bem o pouco que vale esse ranking. Já no supracitado ranking da universidade de Stanford (onde aparece uma centena de prémios Nobel), a referida investigadora Isabel Ferreira, aparece na posição 79, entre os investigadores Portugueses. 

PS - Nada me move contra a Secretária de Estado Isabel Ferreira e a prova disso mesmo é que já depois dela ter ascendido a essa posição política, mereceu um post elogioso no meu blogue, no qual reconheci o seu empenho na importante actividade de revisão de artigos científicos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/cientistas-virgens.html

domingo, 13 de novembro de 2022

A serendipidade na ciência e a paralisação do progresso científico


"...academics are now, even at the start of research projects, asked to describe the ways in which their research will be impactful. This is not aligned with the notion of serendipity in science or the fact that many innovations leading to products used today were conceived without foreseen applications (Gillies, 2015). This misalignment indicates that academic research is to a large extent no longer governed by academics and that the idea of science that is dominant today overemphasises application and impact because of its focus on users and on lay university governors (often from or linked to the business sector). These conditions, along with incentives that promote the mass production of papers, are not conducive to scientific breakthroughs (Rzhetsky et al., 2015), and scientific progress and technological advancements seemed to be diminishing or stalled (e.g., Modis, 2022..."

O extracto acima diz respeito a um trecho de um artigo publicado ontem na revista científica Higher Education editada pela Springer. Nele o autor do artigo afirma (com uma estranha certeza quase científica) que os projectos de investigação, com impacto definido à partida, estão a dar cabo da serendipidade, trata-se contudo de uma pessimista opinião que não é partilhada por outros autores como a Samantha Copeland ou o Alistair McCulloch. 

Coisa diferente seria, se o autor do artigo supracitado, tivesse escrito que a probabilidade da ocorrência da serendipidade na ciência, não acontece com semelhante probabilidade para todos os cientistas, nem sequer totalmente por acaso, como reza a definição supra, vide artigo de investigadores da Noruega e da Finlândia "The ability to recognise the value of serendipitously encountered information relies on a previous understanding or interest in the topic...Serendipity prone people tend to have a more invitational and elastic attention span".https://trepo.tuni.fi/bitstream/handle/10024/137176/Serendipity_as_chaos_or_discovery.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Muito mais discutível é porém o facto do referido autor depois ainda ter ido ao ponto de ligar essa argumentação a uma alegada diminuição e até paralisia do progresso científico, apoiando-se para isso em artigos como aquele do Theodore Modis, publicado na revista Technological Forecasting and Social Change, colocado online em 2 de Janeiro e que recordo eu mencionei num post do final de Janeiro deste ano https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/01/entropia-complexidade-singularidade-e.html

PS - Em termos de contributo para o fomento da serendipidade na academia recordo um post anterior  com o título "As interacções como princípio existencial" e também um outro anterior aquele com o ainda mais interessante título de "A anarquia como estratégia de organização da ciência no século XXI"  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/05/a-anarquia-como-estrategia-de_31.html