quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

GPT-4 consegue reduzir custos com advogados em 99% (excepto em Portugal)



Ainda na sequência do post acessível no link supra, sobre os temores de uma catedrática de Direito, post esse em cuja parte final aparece um link para uma apresentação de título "Uma demonstração das diferenças entre o ChatGPT-4 e 3.5 que influenciam a investigação e a redação jurídica" aproveito para divulgar uma publicação muito recente, onde o desempenho de advogados séniores e advogados juniores é comparado com diversos modelos de Inteligência Artificial Generativa-IAG. A comparação de custos é apresentada na tabela 5. https://arxiv.org/abs/2401.16212

É importante ressalvar que as publicações supra mencionadas, referem-se a países onde vigora a Common Law, que como é baseada em precedentes jurídicos, facilita o trabalho de pesquisa da IAG.  Já nos países como o nosso, onde vigora o Direito Romano-Germânico, que ao contrário daquela faz uso de uma "receita" jurídica codificada, em linguagem mais ou menos hermética (o catedrático Coimbrão Orlando de Carvalho, chamou-lhe uma aldrabice), o trabalho da IAG está dificultado, algo que sem dúvida, muito agradará aos catedráticos de Direito Portugueses, que tem por hábito encherem o bolso à custa da rendosa prática dos pareceres jurídicos, de 20.000-30.000 euros cada um https://www.dn.pt/portugal/crise-faz-aumentar-guerra-dos-pareceres-milionarios-1225319.html/ 

Quem não se lembra aliás, daquele lindo parecer catedrático, que garantiu que os 14 milhões de euros, recebidos por Ricardo Salgado de um conhecido construtor, eram afinal e tão somente uma "liberalidade" ? Uma coisa é certa, quem não engoliu a dita "liberalidade" foi porém um magistrado aposentado, que a esse respeito escreveu no seu blogue o seguinte: "estes pareceres desses catedráticos não custaram 35 mil euros ou até o dobro. Provavelmente custaram milhares de milhões..." os tais milhares de milhões de euros que acabaram por sair dos bolsos dos contribuintes deste país !

É importante aproveitar esta oportunidade para lembrar que uma das desgraças de Portugal, é precisamente a de ter um sistema de justiça baseado no tal Direito Romano-Germânico, pois nos países onde se utiliza a Common Law, há menos corrupção, como o afirmam vários académicos, nomeadamente, Pellegrini and Gerlagh, autores do artigo "Causes of corruption: a survey of cross-country analyses and extended results", Treisman, o autor do artigo "The causes of corruption; a cross national study" , ou ainda, Goel e Nelson, autores do artigo "Causes of corruption: History, geography and government", e é também muito mais fácil criminalizar o enriquecimento ilícito. Já nos países, como o nosso, onde se aplica o segundo, é praticamente impossível fazê-lo. Não admira por isso que passados que estão mais de 200 anos desde a primeira Constituição e mais de 100 anos desde que Portugal se tornou uma República, ainda não é possível criminalizar o enriquecimento ilícito, vide post "Magistrados querem enriquecimento ilícito na lei de uma vez por todas"    https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/publicomagistrados-querem.html

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Acórdão de anulação de um concurso para uma vaga de professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa



Retomando um hábito antigo, por conta do qual divulguei vários Acórdãos de concursos da carreira docente do ensino superior, como aquele concurso mencionado no post supra, no qual o júri foi acusado pelos juízes de ter cometido erros grosseiros, aproveito para divulgar um Acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul, que mandou anular um Concurso para uma vaga de catedrático na Universidade Nova de Lisboa. 

Do Acórdão em questão, apreciei particularmente a frase assassina, que abaixo se reproduz e que mostra que felizmente, ainda se pode dizer como disse em tempos um pobre moleiro ao Rei da Prússia "ainda há juízes em Berlim":
"Mal estaria a Administração se sobrepusesse a onerosidade procedimental ao principio da legalidade" https://www.dgsi.pt/jtca.nsf/170589492546a7fb802575c3004c6d7d/247e588b1d805101802589cf003273c2?OpenDocument

A universidade Nova de Lisboa, recorde-se, é uma universidade bastante fértil em casos peculiares. É a mesma universidade, que há poucos anos tinha um Director que mesmo estando em exclusividade recebeu 143 mil euros do Santander e que agora até tem um Reitor, que recebe dois salários, muito embora o especialista em Direito Administrativo, Paulo Veiga e Moura, consultado pelo jornal Público (e que há 20 anos atrás me patrocinou, com sucesso, numa acção de anulação de um concurso docente), afirme que a referida acumulação salarial, é "completamente ilegal", leia-se, viola o tal princípio da legalidade https://www.publico.pt/2024/01/22/sociedade/noticia/reitor-nova-ganha-dois-salarios-universidade-2076766

Neste contexto faz todo o sentido questionar, como é que (algumas) universidade querem viver à altura (leia-se aproveitar) das mudanças verdadeiramente radicais trazidas pela IAG, que vieram reforçar enormemente, o valor da ética e da integridade https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/the-economistai-generated-content-is.html se não conseguem sequer fazer o mínimo dos mínimos, que é respeitar o princípio da legalidade ?

PS - A universidade Nova de Lisboa é também a mesma universidade, onde um catedrático escreveu publicamente que havia docentes com medo de falar https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/07/ha-professores-da-unova-com-medo-de-se.html

Declaração de interesses - Declaro que já anteriormente defendi a fusão da Universidade Nova com a Universidade de Lisboa, vide post de Fevereiro do ano passado, de título "Presidente da comissão de avaliação do ensino superior vaticina a fusão e até mesmo o fecho de instituições" 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

O "banho de sangue" social antecipado por um milionário Português


Na página 72 da interessante edição do passado mês de Dezembro da revista Economist "The Word Ahead 2024" (a tal edição que me permitiu fazer 5 (cinco) posts) estava escrito que "durante o ano de 2024 a China ultrapassará a Alemanha e o Japão para se tornar o primeiro exportador de carros, por conta da procura pelos carros eléctricos"E de facto não foi preciso esperar muitos meses, pois logo em Janeiro, foi isso mesmo que aconteceu. 

No contexto supra, é pertinente divulgar uma longa entrevista, ao milionário Presidente executivo da monstruosa transnacional Stelantis, (que gere 14 marcas automóveis, 1/4 de milhão de trabalhadores e possui um volume de negócios anual de 190.000 milhões de dólares, superior ao de muitos países, e representado quase 80%  de toda a actividade económica Portuguesa, se dividirmos o PIB Português pelos 5 milhoes que trabalham neste país, temos um valor que é 15 vezes inferior ao do valor médio dos trabalhadores da Stelantis) o Português Carlos Tavares, incluída no caderno de economia do semanário Expresso, onde aquele diz que os Chineses já conseguem produzir veículos elétricos, com o mesmo custo dos carros com motor a combustão, e disse também que se os veículos eléctricos que eles exportam para a Europa, ainda tem preços elevados, similares aos veículos electricos europeus, é apenas porque os Chineses "não querem ser acusados de um banho de sangue social" pois o sector de produção de automóveis na Europa dá trabalho a quase 14 milhões de pessoas. 

Felizmente que o jornalista do Expresso fez o trabalho de casa e não se esqueceu inclusive de mencionar o artigo da revista The Economist, dedicado à invasão de veiculos elétricos Chineses, tema esse que até fez capa dessa edição, e cuja imagem eu copiei para o inicio deste post, https://www.economist.com/leaders/2024/01/11/an-influx-of-chinese-cars-is-terrifying-the-west

Seja como for, viver na ilusão que a China irá manter indefinidamente a sua posição misericordiosa, de não querer levar à falência a industria automobilista europeia, é no mínimo pouco prudente e irrealista,  até porque a China atravessa actualmente um período de evidentes dificuldades (colapso do mercado imobiliário e elevado endividamento de empresas Chinesas), que já obrigaram aquele país  a vender participações em empresas estrangeiras, para assim conseguir entre 300.000 a 500.000 milhões de dólares, de que necessita urgentemente, para financiar um fundo de estabilização:
"China should promptly establish a stock stabilization fund to boost market confidence, aiming for 10 trillion yuan ($1.4 trillion) or more, according to Liu Yuhui from the Chinese Academy of Social Sciences.  Initially set between $300 billion and $500 billion, the fund’s size should be adjusted based on the country’s capital market value. In response to a slumping stock market, Chinese authorities are reportedly considering measures, including mobilizing around 2 trillion yuan from offshore accounts of state-owned enterprises"  https://finbold.com/whats-going-on-in-china-is-the-stock-market-about-to-collapse/

PS - Quem garantidamente, não vai ajudar a preparar o nosso país, para se tornar economicamente mais competitivo (e aguentar a concorrência Chinesa) é o Partido Indignado Grunhidor (PIG), cujas propostas alucinantes levariam mais depressa Portugal à falência do que levou o Governo de José Sócrates https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/o-novo-fenomeno-do-entroncamento-o.html Seja como for neste contexto, tenho a obrigação de repetir a declaração de interesses que já tinha feito anteriormente: "...até hoje ainda só não critiquei o PAN (por razões mais do que óbvias) e o Partido Livre (porque é liderado por uma pessoa decente e corajosa, por quem tenho respeito e consideração, e com o qual tenho algo importante em comum (e também com o complexo escritor Jorge Luís Borges), a rejeição e a repulsa pelas macacadas do chuto e da cabeçada num objecto esférico". E nessa declaração até me esqueci, do facto do deputado Rui Tavares, ter sido o único deputado da Assembleia da República que confrontou a Ministra Elvira Fortunato com a sua falta de memória https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/a-oportuna-falta-de-memoria-da-ministra.html