Enviado: 23 de Agosto de 2018 21:59
Para: F. Pacheco Torgal
Assunto: Produtividade das Faculdades de Direito
O referido e muito lamentável artigo, evidencia notórias frustrações pessoais da sua autora, com a conhecida base de literatura científica indexada a nível mundial, Scopus, que bem se percebem pelo facto dela só lá possuir uma única solitária publicação. É pena que nenhuma alminha caridosa, lhe tenha explicado a importância crucial daquela base de dados, em especial no contexto do crescimento de revistas "científicas" predadoras, que como informou a revista The Economist em 2020, conseguiram em apenas duas décadas ultrapassar mais de 10.000 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/the-economistin-just-20-years-predatory.html
Ou quem sabe, talvez o desinteresse (e quase desprezo) da referida professora e de muitos outros Colegas dela, da área do Direito, pelo dever de investigar (e publicar) plasmado no Estatuto da Carreira Docente Universitária, tenha afinal muito mais que ver com o facto de eles estarem muitíssimo mais interessados em dedicarem o seu tempo a encher o bolso "à custa da rendosa prática dos pareceres jurídicos, de 20.000-30.000 euros cada um" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/gpt-4-consegue-reduzir-custos-com.html
Declaração de interesses - Declaro que já por diversas vezes critiquei a Universidade Nova, pelo facto daquela, de ano para ano, cada vez mais se afundar no prestigiado ranking Shanghai, ficando abaixo inclusive de universidades de países do terceiro mundo. Recordo também que há apenas dois cursos de Direito em Portugal, que por conta da sua produção científica conseguiram aparecer no último ranking Shanghai por áreas, e como é evidente, entre eles não está o curso da Universidade Nova de Lisboa.
PS - Admito que poderá haver um grupo de pessoas que gostaram bastante do reprovável artigo da professora Associada com Agregação, Helena Pereira de Melo. É um grupo constituído por uma amálgama de três subgrupos, o subgrupo daqueles que nunca foram capazes de publicar em revistas científicas (não predadoras), como aquele professor que foi despedido da universidade do Porto, o danoso subgrupo daqueles que negam evidências científicas (sobre vacinas ou alterações climáticas), e que defendem pseudociências, que não seguem o método científico e finalmente o subgrupo daqueles que defendem que as opiniões pessoais tem o mesmo valor que o conhecimento cientifico. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/phd-thesis-my-ignorance-is-just-as-good.html
No passado mês de Maio, divulguei uma pesquisa efectuada na base Scopus, sobre o posicionamento relativo de Portugal, 29º lugar, no grupo dos países, que desde 2023 produziram mais publicações científicas na área da inteligência artificial. Vide post no link supra. Nessa altura divulguei também quais as instituições de ensino superior públicas que mais contribuiram para esse lugar.
Agora que estão passados 5 meses, faz sentido voltar a reavaliar, a referida produção científica. Os resultados da pesquisa hoje efectuada, mostra que Portugal subiu entretanto duas posições no ranking mundial. Vide lista no final deste post. Já a produção das IES na área da inteligência artificial, apresenta-se na lista imediatamente abaixo, que continua a ser liderada pela Universidade do Porto.
Desde logo é absolutamente lamentável que haja apenas treze instituições de ensino superior públicas, que desde Janeiro de 2023 produziram pelo menos de uma dezena de publicações sobre IA, assim fazendo as restantes incapazes, especialmente aquelas quatro do fundo da lista, prova bastante de um inadmissível e incompetente inconseguimento.
Em termos das áreas científicas mais produtivas no dominio das publicações científicas sobre IA, as ciências da computação, a engenharia e a medicina, seguem a tendência mundial, porém enquanto que a quarta área mais produtiva a nível mundial é a área da matemática, no nosso país esse lugar é ocupado pelas ciências sociais, que assim revelam um dinamismo que incompreensívelmente falta à área da matemática.
PS - No contexto do recente Relatório Draghi, convém recordar que há poucos meses já num artigo do Centre for European Reform, se podia ler que a IA representa uma oportunidade estratégica para aumentar o crescimento económico europeu, particularmente no setor de serviços, onde esse desempenho se tem mostrado letárgico. https://www.cer.eu/publications/archive/policy-brief/2023/how-europe-can-make-most-ai e se esse é o diagnóstico global para o espaço europeu, é fácil de imaginar que para Portugal será mutíssimo pior, o país onde a anterior Governação socialista achou boa ideia contabilizar cafés, cabeleireiros e oficinas de bate-chapa, como sendo "start-ups" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/06/o-inacreditavel-milagre-socialista-ou.html
1.
United
States – 9,769 publicações sobre IA desde 2023
2.
India
– 7,913
3.
China
– 6,556
4.
United
Kingdom – 3,577
5.
Germany
– 3,026
6.
Italy
– 2,504
7.
South
Korea – 1,730
8.
Canada
– 1,721
9.
Australia
– 1,659
10.
Saudi
Arabia – 1,537
11.
Spain
– 1,440
12.
France
– 1,243
13.
Japan
– 1,054
14.
Netherlands
– 1,028
15.
Turkey
– 872
16.
Taiwan
– 820
17.
United
Arab Emirates – 818
18.
Malaysia
– 749
19.
Switzerland
– 743
20.
Pakistan
– 723
21.
Sweden
– 647
22.
Singapore
– 620
23.
Brazil
– 611
24.
Poland
– 604
25.
Greece
– 595
26.
Egypt
– 574
27. Portugal – 554