sábado, 30 de novembro de 2024

INVENTHEI - Capacitar os alunos de doutoramento para os desafios do século 21



Não foi certamente por acaso, que num artigo publicado na revista da Ordem dos Engenheiros, no inicio do corrente ano, o extraordinário catedrático Adélio Mendes, da Universidade do Porto, afirmou que no grupo dele já nasceram 10 (dez) start-ups e que esse número cresce à razão de duas novas a cada ano, o que constitui uma dinâmica criativa invulgar, vide post no link supra, que compara de forma favorável com a produção da maior unidade de investigação na área da ciência e engenharia dos materiais-CICECO, onde há centenas de investigadores, mas que até hoje produziu apenas 8 (oito) start-ups. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/10/uma-metrica-pouco-excelente-por-parte.html

No final do passado mês de Março, a revista The Economist, previu um futuro péssimo para a economia Europeia, https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/03/the-economist-impending-economic.html a juntar à invasão da Ucrânia, que levou à subida de preços de energia e à subida da inflação, e à invasão dos veículos elétricos Chineses, que ameaçam milhões de empregos, de que é reflexo o recente anúncio da Volkswagen de encerrar fábricas na Alemanha, juntar-se-ia também a possibilidade futura, de Donald Trump se tornar o próximo presidente dos EUA, que entretanto deixou de ser apenas uma possibilidade, para levar a uma inevitável uma guerra de tarifas, que contribuirá para tornar ainda mais negras as perspectivas futuras da economia europeia, o que por sua vez torna ainda mais importante e urgente programas, que facilitem a criação de empresas tecnológicas.

No presente contexto aproveito para divulgar uma recente publicação, onde se descreve um programa educativo, financiado pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia no âmbito da Iniciativa: Capacitação em Inovação para o Ensino Superior, https://ieeexplore.ieee.org/stamp/stamp.jsp?tp=&arnumber=10767758 e que foi especialmente projetado para ajudar os alunos de doutoramento na exploração e valorização dos resultados económicos das suas investigações e bem assim na sua capacitação para os desafios de uma economia europeia sujeita a uma competição brutal por parte dos  EUA e também da China (país cujo crescimento fulgurante até já lhe permite a audácia de roubar prémios Nobel à Europa), vide o relato dramático feito no relatório Draghi, onde não por acaso, na página 214, é explicitada a critica que na Europa (ainda) não existem incentivos suficientes para que os investigadores se tornem empresáriosembora neste aspecto particular seja importante frisar que ao contrário de incentivos, paradoxalmente, o que tem havido são desincentivos, que a ciência mostrou que são autênticos tiros nos pés https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/new-evidence-shows-that-abolishment-of.html

Pessoalmente, acho que o referido programa apresenta uma séria limitação. A palavra "failure" não aparece referida uma única vez no mesmo e porém como recordei anteriormente a capacidade de ultrapassar insucessos é determinante nesta área e não se consegue sequer perceber porque é que as universidades lhe dedicam tão pouca atenção: "A critical concern deserving increased emphasis within universities — the nuanced skill of overcoming failures and the profound lessons that inevitably unfold from these experiences underscore the importance for educational institutions to acknowledge the inherent value of such lessons in shaping individuals. It is crucial to note that the ability to overcome failure and continue taking risks is particularly vital in the knowledge economy and the realm of startup creation" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/a-venture-capitalist-revered-by.html

PS - Em 2017 critiquei pela sua ligeireza e notória ausência de sustentação científica, um descarado exercício de propaganda, que contou com a participação da FCT, que dava conta que numa única década teriam alegadamente sido criadas no nosso país 300.000 start-ups, o que a ser verdade, faria de Portugal o campeão do universo, embora na verdade nesse campeonato, nem sequer conseguimos ter metade do rácio da Estónia https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/06/o-inacreditavel-milagre-socialista-ou.html 

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

O trio de inimigos declarados da Ciência: PSD, CDS e Chega

 

https://www.publico.pt/2024/11/27/ciencia/noticia/proposta-aumento-orcamento-fct-chumbada-parlamento-2113573

É bastante esclarecedor o facto de ontem os deputados do PSD, CDS e Chega se terem unido, para chumbar uma proposta que visava compensar o corte de quase 70 milhões de euros que o Governo de Luís Montenegro inscreveu no Orçamento de Estado para 2025, relativamente ao financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Vide artigo acessível no link supra. 

Ou seja já não bastavam os vários cortes que o Governo do António Costa efectuou nos orçamentos da Ciência e agora o actual Governo ainda pretende efectuar cortes muitíssimo superiores. É inacreditável que este Governo, com o apoio do Chega, pretenda fazer, aquilo que nem o Governo do Passos Coelho se atreveu a fazer, durante o resgate da Troika, pois em 2015, o Orçamento da FCT correspondeu a 0,23% do PIB, enquanto que agora essa percentagem vai baixar para o valor terceiro-mundista de 0.19%. Mas se a justificação deste Primeiro-Ministro, é que não tem dinheiro para a Ciência, porque alegadamente precisa do "pouco" que tem para fins mais nobres, então eu aproveito para lhe dar o mesmíssimo conselho que há alguns anos atrás publicamente dei ao Primeiro-Ministro António Costa. Trate de o ir buscar onde ele anda a ser desbaratado por uma classe politica parasita https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/primeiro-ministro-defende-reducao-de.html

Mas se por absurdo, o Governo de Luís Montenegro, mesmo assim continuar a achar que é preferível retirar dinheiro à Ciência, porque não tem coragem para cortar nas dezenas de milhões de euros que todos os anos o Estado gasta com sociedades de advogados, ou nos milhões de euros que custam as subvenções vitalícias dos políticos, ou nos milhões de euros que se gastam na compra de viaturas de políticos, mesmo assim, ainda lhe resta uma outra hipótese, para conseguir arranjar dinheiro para a Ciência (e para outras áreas), basta que tenha a coragem de copiar a legislação do Reino Unido, que permite declarar perdida a favor do Estado o produto de actividades criminosas (Unexplained Wealth Order), pois convém lembrar a este respeito que em Portugal "...o nosso Ministério Público só conseguiu apreender (leia-se congelar) nos últimos 5 anos um valor miserável que representa menos de 1% do valor roubado (o valor efectivamente declarado perdido a favor do Estado no final do julgamento é apenas 0.01%)" .

PS - E quanto mais depressa o Governo Português começar a copiar o que fazem na Suécia e também na Alemanha, condenando a penas de cadeia efectivas, os grandes evasores fiscais, mais depressa conseguirá arranjar dinheiro para a Ciência, para a Sáude e para as restantes áreas: "...a Suécia condenou mais de mil pessoas a penas de cadeia efectiva enquanto que no mesmo período a justiça Portuguesa aplicou penas de prisão, por fuga aos impostos, a apenas 83 pessoas, o que é 12 (doze) vezes menos....na Alemanha há penas de cadeia efectivas para a fuga ao fisco superior a 1 milhão de euros, atenta porém a diferença salarial entre os dois países, então para Portugal o valor de fuga ao fisco que daria automaticamente pena de prisão deveria ser de 350.000 euros" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/o-que-falta-portugal-para-ser-como.html

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

The Mathematician Unmasking the Myth of Fraudulent "Super-Publication Powers"

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/how-many-papers-can-superscientist.html

For far too long, academia and publishers have turned a blind eye to the absurd phenomenon of so-called "super-publication powers," as highlighted in the post above. A glaring example is the Danish Full Professor who, in 2020, churned out an astonishing average of six (6) Scopus-indexed papers per week—yes, per week!. Such output defies not just credibility but also the basic limits of human intellectual and physical capacity. When individuals produce at rates that strain the boundaries of reason, the entire academic system risks collapsing under the weight of its own hypocrisy.

A few months ago, a mathematician (pictured at the start of this post) authored a paper that identified, quantified, and illustrated the typical signs of scientists exhibiting papermilling behavior. The paper presents clear examples, including a comparison of two researchers who have previously appeared on the Highly Cited Researchers list having similar career lengths. These profiles are depicted in Figure 1 and Figure 2, reproduced below https://arxiv.org/html/2405.19872v2 He suggests that to quantify the observed patterns, the following indicators can be used when analyzing papermilling behavior:

  • High correlation (above 0.7–0.8) between publication and citation counts.
  • Minimal delay between citations and publications with high correlation.
  • Unusually high annual publication count, especially with an increasing trend.
  • Low integrity index
  • Figure 1:Typical performance of a conscientious mathematician.

    Figure 2:Typical visual signs of possible papermilling in mathematics