segunda-feira, 2 de março de 2026

Sobre o negócio imensamente lucrativo das revistas científicas e sobre a perversidade da avaliação de desempenho à Portuguesa

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/the-monopoly-of-scientific-journals-has.html

Há alguns anos atrás saudei, no post acessível no link supra, uma iniciativa da Comissão Europeia, para ajudar a arruinar os lucros imensos das revistas científicas internacionais. Trata-se de uma plataforma de publicação em acesso aberto, destinada principalmente a investigadores financiados por programas-quadro da União Europeia (como o Horizon 2020 e o Horizon Europe). A referida plataforma adota um modelo de revisão por pares aberta pós-publicação e não cobra taxas aos autores.

Para além desse repositório científico, é importante referir que existe um outro, mantido pelo conhecido CERN e o qual já contém quase 3 milhões de registos científicos, (Artigos científicos, preprints, relatórios, teses, dados, software, apresentações etcque é muito mais abrangente e no qual há poucos dias coloquei algumas cartas que foram enviadas a Editores de conhecidas revistas científicas internacionais, criticando artigos que foram publicados nessas revistas https://pachecotorgal.com/2026/02/28/two-letters-and-a-critique-about-a-recent-nature-article-by-scientists-affiliated-with-harvard-university/

Infelizmente, o atual modelo de avaliação de desempenho de professores e investigadores em Portugal acaba por contribuir, de forma perversa, para os lucros dessas revistas, ao privilegiar publicações em revistas com maior fator de impacto. Ao fazê-lo, ignora as críticas amplamente fundamentadas que diversos cientistas têm dirigido a esse indicador, como aquela que destaquei num post que obteve vários milhares de visualizações. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evaluating-researchers-in-fast-and.html

PS - Constitui uma violação grosseira do princípio do mérito, sendo além disso eticamente inaceitável e também intelectualmente desonesto, que se atribua uma avaliação de desempenho superior a um professor ou investigador que publicou artigos em revistas do quartil Q1 em detrimento de quem publicou em revistas Q2, se, na realidade os artigos dos primeiros foram olimpicamente ignorados pela comunidade científica, tendo recebido um número irrisório de citações, ao passo que os dos segundos tiveram um elevado impacto na mesma comunidade tendo recebido milhares de citações, inclusive por parte de cientistas de topo.