quinta-feira, 28 de maio de 2026

Depois das humilhações públicas chegam agora as ameaças de Israel contra Portugal


Primeiro, tivemos o ministro israelita Ben-Gvir, que publicou um vídeo a humilhar ativistas, incluindo dois médicos portugueses. Ver notícia no link supra. E ontem, tivemos o embaixador de Israel que, furioso, veio ameaçar politicamente o nosso país, insinuando que Portugal passará a ser considerado “extremista” se defender a suspensão do Acordo entre a União Europeia e Israel. https://www.rtp.pt/noticias/mundo/embaixador-israelita-diz-que-portugal-passara-a-ser-considerado-extremista-se-defender-suspensao-de-acordo-ue-com-israel_n1743765

A inversão moral é evidente e obscena. Extremista não é quem exige o cumprimento do direito internacional. Extremista não é quem defende que a União Europeia deixe de conceder privilégios políticos e económicos a um Estado acusado de crimes gravíssimos contra civis. Extremista é tentar pressionar Portugal um país soberano para que se mantenha quietinho e caladinho, como se fosse obrigado a aceitar o papel de país capacho.

Mas, se a suspensão do Acordo UE-Israel irrita tanto o Governo israelita, é porque esse acordo importa muito. Importa politicamente, importa economicamente e importa simbolicamente. E é precisamente por isso que deve ser suspenso de imediato. Importa, por isso, divulgar e apoiar a petição europeia que já reuniu mais de 1 milhão de subscritores por toda a Europa, entre os quais me incluo porque não sou nem nunca fui capacho de ninguém, e que defende a suspensão imediata do acordo de comércio entre a União Europeia e Israel.   https://citizens-initiative.europa.eu/initiatives/details/2025/000005_en

A petição europeia está acesssível aqui https://eci.ec.europa.eu/055/public/#/screen/home

PS - O Acordo UE–Israel movimenta dezenas de milhares de milhões de euros, injetando ano após ano recursos financeiros que sustentam, direta ou indiretamente, a máquina de guerra israelita. A suspensão deste acordo é uma importante alavanca económica e política, destinada a cortar o financiamento que permite a Israel continuar a matar civis com a cobertura de uma impunidade que dura há demasiado tempo e que a União Europeia, enquanto parceira comercial privilegiada, tem a responsabilidade de não ajudar a perpetuar.