No post acessível no link supra, comentei para os meus leitores estrangeiros — em especial os dos EUA e da Alemanha, que nos últimos tempos têm sido os que mais visitam o meu blogue — que a famosa universidade de Harvard, por muitos anos ídolo científico do Ocidente e símbolo máximo da sua autoconfiança académica, acaba de perder o primeiro lugar do Nature Index 2026 para a Zhejiang University. O prestígio acumulado não publica artigos, não cria massa crítica nem garante liderança nenhuma; apenas anestesia quem prefere viver da reputação passada em vez de olhar para os números do presente.
Recordo que não foi certamente por acaso que, desde 2021, venho defendendo a necessidade de uma colaboração estratégica muito mais intensa entre as universidades portuguesas e as universidades chinesas. No texto abaixo, identifiquei frontalmente as instituições nacionais que mais cedo perceberam a importância dessas parcerias — e, por contraste, aquelas que, por crassa ignorância ou grossa incompetência, continuaram presas a colaborações com países irremediavelmente pouco ou mesmo nada competitivos. https://pachecotorgal.com/2023/07/29/colaboracoes-internacionais-das-instituicoes-de-ensino-superior__negligencia-ou-incompetencia/
Há dois anos, a minha percentagem de publicações, na conhecida base de literatura científica indexada Scopus, em coautoria com investigadores chineses era de 17%. Entretanto, subiu para 19%. Não se trata de um mero detalhe estatístico: é um indicador de alinhamento com uma transformação profunda da ciência mundial. E é uma percentagem muito superior à de vários investigadores portugueses altamente citados, que continuam, por conta de uma inexplicável miopia estratégica, a aproveitar de forma manifestamente insuficiente a extraordinária ascensão científica da China. https://pachecotorgal.com/2024/12/08/estarao-os-investigadores-mais-citados-de-portugal-a-aproveitar-devidamente-a-notavel-ascensao-da-ciencia-chinesa/