quinta-feira, 30 de julho de 2026

Porque é que em Portugal Só a Engenharia Consegue Converter Talento Individual Em Competitividade Institucional ?

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/07/o-improvavel-investigador-que-vai.html

Sobre os investigadores mais influentes a nível mundial (Top 0.5% do ranking Elsevier Stanford), mencionados no post acessível no link supra, uma análise da sua distribuição por grandes áreas científicas, cor azul na imagem supra, mostra que ao nível individual, o perfil é relativamente equilibrado, as Ciências Naturais e Exatas representam 31%, as Engenharias 30% e as Ciências Médicas e da Saúde 22%. Porém, quando a análise se desloca dos indivíduos para os departamentos cientificamente mais competitivos, segundo os resultados do Top 100 do ranking de Shanghai, assinalados a cor vermelha, esse equilíbrio desmorona-se de forma inequívoca. As Engenharias absorvem 71% das posições, enquanto cada uma das restantes quatro grandes áreas se reduz a uns modestos 7%.

O contraste revela uma fragilidade estrutural que nenhuma contagem de investigadores de topo consegue disfarçar, Portugal possui, nas Ciências Naturais e Exatas e também na Saúde, numerosos cientistas de elevado impacto internacional, mas esse talento permanece demasiado disperso para gerar departamentos capazes de competir entre os cem melhores do mundo. Existem é certo algumas ilhas de excelência, mas não a massa crítica necessária para construir poder científico institucional. Nas Engenharias, pelo contrário, a concentração de talento individual, sobretudo nas universidades de Lisboa, Porto e Minho, permite converter mérito individual em capacidade coletiva, reputação departamental e reconhecimento internacional. Quando porém se deixa de contabilizar os cientistas mais influentes e se avalia a força das instituições, o referido equilíbrio desaparece, apenas a Engenharia consegue transformar excelência pessoal em potencial científico institucional. 

PS - É justo que se diga, que embora isso não seja percetível na imagem supra, que a área das ciências naturais e exactas é a segunda mais capaz de converter talento individual em competitividade institucional, algo que porém só se consegue perceber utilizando os resultados do Top200 do ranking Shanghai, onde aparece com 21%, bastante atrás dos 51% das engenharias, mas muito à frente dos 10% das ciências sociais e humanidades, e dos 9% da medicina e das ciências agrárias e veterinárias que disputam entre si o 5º lugar.