sábado, 18 de junho de 2022

Reitores ‘chumbam’ doutoramentos nos politécnicos


Informa a imprensa que os Reitores não querem doutoramentos nos Politécnicos porque alegam que isso "prejudica a valorização do ensino superior". Porém como não apresentam qualquer estudo científico que sustente essa alegação então isso significa que (irreflectidamente por arrogância ou até mesmo por desespero) decidiram embrenhar-se no campo da pura opinião pessoal como o faz qualquer blogger. 

E se assim é, então não é grave que eu também possa opinar sobre esse tema (até porque eu sei por experiência própria, mais sobre aquilo que se faz nos Politécnicos, do que sabem os Reitores todos juntos). Eu pensava que o que realmente prejudicava a sacrossanta "valorização do ensino superior", que agora tanto parece preocupar os Reitores, era a contratação (em concursos viciados de forma sistemática) de professores incompetentes (unicamente por via de ligações familiares, politicas ou maçónicas), de candidatos que se por hipótese concorressem a universidades estrangeiras de topo, não conseguiriam sequer ganhar uma bolsa de doutoramento e muito menos uma de pós-doutoramento. 

Curiosamente o Comunicado do Conselho de Reitores sobre o mesmo assunto tem um título diferente "Transformar politécnicos em universidades criará “universidades de primeira e de segunda” onde se pode ler que a proposta que será discutida na Assembleia da República hierarquizará o sistema em universidades de primeira e universidades de segunda. https://www.crup.pt/comunicado-do-crup-transformar-politecnicos-em-universidades-criara-universidades-de-primeira-e-de-segunda/

Isso parece significar que o Conselho de Reitores ainda não foi informado que já há muito tempo que em Portugal há uma hierarquia de universidades, havendo universidades de primeira, universidades de segunda e até mesmo universidades de terceira (e nem sequer falo daquelas sem um minimo de qualidade, que já foram extintas, como por exemplo aquela onde José Sócrates obteve a sua linda licenciatura). Em termos de hierarquias basta olhar por exemplo para o ranking da Universidade de Shanghai de 2021, onde nas primeiras 500 posições há apenas três universidades públicas, havendo ainda mais três universidades públicas nas duzentas posições seguintes. Embora seja verdade que se análise for feita em em rankings da treta as universidades do nosso país possuem uma classificação bastante mais simpática

Parece que também ninguém informou o Conselho de Reitores que se alguns Politécnicos passarem a Universidades Politécnicas (aqueles que verifiquem os requisitos, em termos de unidades de investigação, necessários para a atribuição do grau de Doutor) então isso também será bastante positivo para as universidades, porque é menos escandaloso dizer que a Universidade de Lisboa mostrou um desempenho inferior ao da Universidade Politécnica de Leiria do que dizer que teve um desempenho inferior ao do Politécnico de Leiria, como se deu conta aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/politecnico-de-leiria-com-desempenho_6.html

PS - Em 2018 a OCDE divulgou um relatório de avaliação do sistema científico, de ensino superior e de inovação em Portugal. Entre as recomendações desse relatório, encontra-se não só a possibilidade dos Politécnicos poderem atribuir o grau de doutoramento (caso cumpram certos requisitos científicos) mas encontra-se também uma pouca falada recomendação critica, no sentido das universidades evitarem ter oferta académica em sobreposição à oferta do ensino Politécnico. Assim sendo pergunto, será que o facto das universidades andarem "viciadas" em investigação aplicada, que não faz parte da sua missão natural (que consiste em investigação "fronteira" envolvendo multidisciplinaridade, transdisciplinaridade ou interdisciplinaridade), não prejudica a missão do ensino superior ?

Presidente Marcelo faz escola__Director Adjunto do Expresso também felicita campeões do escarro

 

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/08/presidente-marcelo-felicita-portugues.html

Depois daquilo que fez o Presidente Marcelo em Agosto de 2020 (post no link acima) não constitui grande admiração que ontem no Expresso, o Director Adjunto do Expresso David Dinis,  tenha elogiado dois Portugueses, que mostraram elevada capacidade para acelerar, indo ao ponto de escrever que eles "deviam tornar-se referências nacionais". 

Já se sabia há que este país andava há muito pelas ruas da amargura, inclusive ao nível da sua hierarquia de valores e agora ao invés das "referências nacionais" serem aqueles Portugueses e Portuguesas, que se notabilizaram em actos envolvendo elevado risco pessoal (como acontece por exemplo com aqueles que morrem a tentar apagar fogos) ou de mérito excepcional (ao serviço da Humanidade) basta afinal mostrar elevada aptidão para acelerar, que é algo que obviamente faz muita falta a este Planeta e a este país. 

Será que o Director Adjunto do Expresso David Dinis é ignorante (ou muito pior do que isso, é um fanático do "desporto" automóvel) e não sabe que a exaltação da velocidade no nosso país, contribui para o aparecimento de novos psicopatas do volante e inclusive para que os próprios Ministros também se tentem tornar "referências nacionais" da aceleração?

E que tal só para variar o Expresso se lembrasse de elogiar algum investigador, como aqueles da Universidade do Porto, que este mês descobriram uma proteína que pode reduzir as infecções, ou aqueles cinco cientistas que conseguiram ganhar mais de 8 milhões de euros, tendo de competir directamente contra cientistas das melhores universidades da Europa ou será que para o Director Adjunto do Expresso David Dinis isso vale menos do que ganhar uma corrida de automóveis ?

PS - Como é que é possível reduzir o consumo de combustíveis fósseis, ainda por cima numa altura em que se fazem apelos públicos, para reduzir esse consumo, para dessa forma também reduzir as receitas que alimentam o exército (de violadores) da Rússia, se ao mesmo tempo os jornais "mainstream" fazem a apologia da aceleração automóvel ?


sexta-feira, 17 de junho de 2022

Uma estátua da vergonha para relembrar o nome de alguns médicos canalhas

 

O assunto quente do momento é a falta de médicos obstetras em vários hospitais. Pelo menos aparenta ser esse, muito embora e quase sempre em tudo aquilo que meta médicos o problema é quase sempre o de tentarem sacar mais algum ao Estado Português, o que faz prova que há algo de errado com a formação médica em Portugal (como também muito errado está há vários anos o acesso ao curso de medicina).   

Relembre-se a este propósito um post anterior, onde comentei infelizes declarações do Bastonário da Ordem dos Médicos (um senhor que não larga a farda de sindicalista) que afirmou que os (pobres) médicos ganhavam "péssimamente mal", não conseguindo porém explicar porque é que nesse caso há médicos que emigram de país mais ricos do que Portugal (de Espanha e de Itália) para virem trabalhar para o nosso país. Será que estão desesperados para virem ganhar pessimamente mal ? https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/bastonario-da-ordem-dos-medicos.html

Em 2019 o então Director do Expresso sugeriu que se fizesse uma estátua dedicada aos contribuintes a quem os banqueiros conseguiram fazer desaparecer 20 mil milhões de euros. Na mesma altura, sugeri em alternativa que que a referida estátua, devia consistir apenas numa lista de nomes, de todos os referidos banqueiros e também de todos os Portugueses que foram condenados, com sentença transitada em julgado, por evasão fiscal (ou branqueamento de capitais) de valor superior a 1 milhão de euros https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/condenado-morte-banqueiro-que-nao.html

Nessa sequência acho que também devia haver uma lista a colocar em lugar público, onde fosse bem visível o nome daqueles médicos canalhas, que ao longo de décadas (e com o único objectivo de maximizarem a sua conta bancária) tudo fizeram para que não houvesse formação médica no nosso país a não ser em Lisboa, Porto e Coimbra e por conta dos quais Portugal se viu obrigado a importar médicos, até mesmo de países do terceiro mundo como Cuba (e também por conta dos quais muitos jovens Portugueses não tiveram outro remédio senão o de irem frequentar um curso de medicina no estrangeiro). 

Declaração de interesses - Declaro que em post anterior critiquei os médicos que mais parece que frequentaram um curso do gamanço e declaro também que em posts anteriores manifestei a minha satisfação pelo facto da ciência estar a trabalhar de forma muito activa para mandar médicos radiologistas para o desemprego. Nomeadamente num post de Fevereiro de 2020 e num outro bastante mais recente de Fevereiro deste ano, onde até escrevi que o desemprego médico tem a grande vantagem de permitir afastar os médicos incompetentes e dessa forma evitar que eles possam prejudicar (ou até matar) pacientes.