sábado, 5 de agosto de 2023

Mais um concurso para um lugar de professor catedrático que exige um h-index mínimo igual ou superior a 15

 

A universidade do Minho acaba de anunciar um concurso para um lugar de Catedrático da área científica de engenharia civil (Edital nº 1434/2023 de 2 de Agosto) onde se exige: 
"Evidência da relevância do trabalho na comunidade científica, expressa por um h -index (sem -auto citações) igual ou superior a 15 (nas bases de dados Scopus ou Web of Science)"

Curiosa e coincidentemente, em 19 de Dezembro de 2022, já tinha divulgado um concurso para um lugar de catedrático de engenharia civil, na universidade de Lisboa, onde também era exigido um h-índex mínimo de 15 na base Scopus. Fi-lo num post onde lembrei, que uma análise bibliométrica, que levei a cabo, sobre uma amostra de largas dezenas de professores, associados e catedráticos (124-cento e vinte e quatro), da mesma área científica, apurou um h-index=15, para o subgrupo com o melhor desempenho (Top 5%). 

Errado é porém admitir que de repente, no Ano da Graça de 2023, a Academia, ou pelo menos esta área científica em particular (que apesar de receber muito menos dinheiro do OE do que outras áreas ainda assim consegue ser uma mais competitivas de Portugal) se tornou tão exigente, ao ponto de definir como um requisito mínimo o mesmo valor de h-index dos professores associados e catedráticos, com o melhor desempenho. 

A verdade é que a tal supracitada análise bibliométrica, foi efectuada há quase uma década atrás, https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/30767 pelo que tendo em conta o valor do rácio h-index/ano, que foi uma das métricas apuradas na altura (tanto para associados como para catedráticos), multiplicado pelos anos que decorreram entretanto, significa que o valor actualizado desagregado, resulta num h-index=21 para os melhores associados e num h-index=27 para os melhores catedráticos desta área científica.  O que significa assim que o h-index mínimo=15, exigível neste concurso (e também no outro anterior da universidade de Lisboa) é afinal inferior ao h-index do grupo dos melhores professores associados. 

Questão diferente mas não menos pertinente é a aquela que se relaciona, com a iniquidade (e consequente violação do principio do mérito consagrado na Constituição da República Portuguesa)  de se exigirem mínimos de h-index aos novos catedráticos, ao mesmo tempo que se faz vista grossa ao facto de haver catedráticos que não possuem esses mínimos. Talvez a dita iniquidade permita perceber melhor porque é que no final do tal post sugeri o "despedimento dos Associados e Catedráticos com um h-índex inferior a 10https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/12/h-index-minimo-como-condicao-de-acesso.html

PS - Em Outubro de 2021, comentei o facto da universidade do Porto, ter despedido um professor porque aquele mostrou-se incapaz de produzir artigos com credibilidade. Por certo deve ter sido o primeiro a ser despedido de uma universidade pública Portuguesa por essa razão. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/publico-professor-universitario.html Seja como for fica-se com a noção que se ele tivesse produzido 1 artigo com credibilidade não teria sido despedido. Mas será que produzir 1 artigo com credibilidade é suficiente como patamar mínimo da Academia de um país europeu ? Mesmo a condição de despedimento, por mim sugerida, para aqueles professores associados ou catedráticos, que foram incapazes de produzir 10 artigos com credibilidade, não estava sujeita a qualquer limite temporal, significando isso que mesmo que tivessem levado 30 anos para os produzir já estariam a salvo desse despedimento. Pergunto por isso, será exigir muito que um professor universitário de uma universidade de um país europeu consiga produzir 1 artigo credível a cada 3 anos, quando ainda por cima nesse mesmo país há doutorados que apesar de terem produzido muitíssimo mais do que isso, como esta aqui, mesmo assim foram "despedidos"?

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Cientistas do depart. de Engenharia Civil do MIT conseguem armazenar energia eléctrica em compósitos à base de cimento


A conhecida revista Science acaba de dar destaque aos resultados de uma investigação de cientistas do MIT, que conseguiram armazenar energia elétrica numa mistura à base de cimento e carbono negro. Os referidos investigadores, que afirmam que uma habitação com um volume de 45m3 de betão nas suas fundações poderia armazenar 10kWh (consumo médio diário de uma família), pretendem em seguida aumentar a escala do estudo por forma a conseguir igualar a capacidade de uma bateria de 12 volts, como aquelas que são utilizadas pelos veículos elétricos. https://www.science.org/content/article/electrified-cement-could-turn-houses-and-roads-nearly-limitless-batteries

Tendo em conta que os investigadores Chineses, são aqueles que não por acaso, possuem em todo o Planeta, o maior número de artigos, sobre o desempenho de compósitos à base de cimento e carbono negro, na vertente da auto-sensibilidade para fins de auto-monitorização (400% a mais do que os EUA, o segundo país desse ranking) não constituirá grande surpresa que utilizem essa massa critica para tentarem ultrapassar os EUA, agora também na parte da capacidade de armazenamento de energia elétrica, em materiais de baixo custo. Quem sabe talvez nessa altura haja em Portugal quem finalmente consiga perceber a extensão da inominável estupidez que se criticou aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/07/colaboracoes-internacionais-das.html

segunda-feira, 31 de julho de 2023

O futuro de uma certa área científica e a imprudente ingenuidade de muitos cientistas

 

Ainda na sequência do post anterior, acessível no link supra, que deu conta de alguns dos artigos científicos que contribuem para o meu índice-K, é pertinente divulgar, que uma pesquisa pela palavra bio entre os referidos 158 artigos, consegue já detectar 24 (abaixo os 10 mais citados), que fazem prova de uma tendência que antecipei há alguns anos atrás (que não é a dos materiais para construção de bases lunares), e que posteriormente confirmei, quando alguns anos depois sugeri numa certa publicação uma alteração da estrutura currricular do curso de engenharia civil. 

No presente contexto faz todo o sentido recordar um post anterior onde se divulgou o facto de um estudo (ReNaturalNZEB) ter concluído que o uso de materiais e produtos naturais (e reciclados) está associado a um aumento de custos significativos. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/04/as-pessimas-noticias-do-projecto.html E faz também todo o sentido, criticar os (ingénuos) autores desse estudo, que se esqueceram do prudente conselho "Os cientistas nunca devem dizer a verdade nua e crua aos políticos" https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/a-receita-simples-para-ganhar-mais.html 

No máximo dos máximos, esses investigadores, poderiam ter concluído que, os materiais correntemente utilizados pela indústria da construção, à base de matériais-primas não renováveis e alguns deles com uma elevada pegada carbónica, beneficiam de uma vantagem imoral (face aos materiais naturais e reciclados), cuja génese é uma evidente cobardia politica, porque ao contrário do que seria expectável, aqueles não são obrigados a internalizar no seu custo, a poluição associada à sua produção. E se estivessem efectivamente interessados em valorizar os materiais naturais (e reciclados), no minimo deveriam ter calculado o custo do carbono, a partir do qual os mesmos se tornariam baratos, face aos materiais de construção actualmente existentes no mercado. 

Cálculo esse que seria facilitado por estudos onde são referidos valores muito elevados do custo do carbono, como condição necessária para limitar o aquecimento global do Planeta, como aquele estudo a que fiz referência num post anterior de Outubro de 2021: "há estudos anteriores, por parte do catedrático jubilado James K. Boyce, da universidade Massachusetts Amherst) onde se analisa um trabalho do Nobel Nordhaus, que apontam para a necessidade de valores do custo do dióxido de carbono muitíssimo superiores, num cenário de uma subida de temperatura de 2.5 ºC relativamente a níveis pré-industriais: "The price required to achieve the 2.5 °C maximum starts more than six times higher at about $230/mt CO2 in 2020, rising to about $1000 in 2050" https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S092180091731580X#bb0275

Título

Revista

Citações

Flax fibre and its composites - A review

Composites Part B: Engineering

899

Progress report on natural fiber reinforced composites

Macromolecular Materials and Engineering

659

A review of recent research on the use of cellulosic fibres, their fibre fabric reinforced cementitious, geo-polymer and polymer composites in civil engineering

Composites Part B: Engineering

379

Natural fiber reinforced polylactic acid composites: A review

Polymer Composites

252

Industrial and crop wastes: A new source for nanocellulose biorefinery

Industrial Crops and Products

242

Bioconcrete: next generation of self-healing concrete

Applied Microbiology and Biotechnology

233

Plant aggregates and fibers in earth construction materials: A review

Construction and Building Materials

218

Characterization of new natural cellulosic fiber from Cissus quadrangularis stem

Carbohydrate Polymers

218

Environmental applications of chitosan and cellulosic biopolymers: A comprehensive outlook

Bioresource Technology

206

Overview of Cellulose Nanomaterials, Their Capabilities and Applications

JOM

163