quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Será que o ChatGPT é capaz de gerar hipóteses científicas ?

 


Na sequência do post acessível no link supra, sobre um artigo onde se afirma que a  inteligência artificial vai mudar a forma de fazer investigação e acelerar radicalmente o ritmo das descobertas científicas, é pertinente divulgar um outro artigo, bastante mais recente, de investigadores dos EUA (MIT), da Coreia e de Israel com o título "Será que o ChatGPT é capaz de gerar hipóteses científicas ?" de que abaixo reproduzo um pequeno extracto traduzido para língua Portuguesa: 

A investigação baseada em hipóteses está no cerne do empreendimento científico. Os cientistas propõem declarações inequívocas sobre o mundo que podem ser testadas experimentalmente. Uma boa hipótese pode ter um “retorno do investimento” muito elevado. O investimento inclui o tempo gasto na articulação da hipótese e nas experimentações necessárias para infirmar ou provar a afirmação. O “retorno” é a gama de aplicações que tal afirmação, se verdadeira, pode ser capaz de auxiliar nas previsões da dinâmica, no projeto de dispositivos, etc. A mecânica newtoniana foi uma ótima hipótese porque sua aplicabilidade abrange desde corpos celestes até moléculas, e o investimento foi em grande parte observacional e de baixo custo. Neste momento, não esperamos que o GPT-4 seja capaz de gerar hipóteses tão amplas e de elevado retorno. Mas será que ele será capaz de gerar hipóteses novas e interessantes como os cientistas fazem no seu dia-a-dia? Executamos uma série de testes...Os resultados são variados e intrigantes...” https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2352847823001557#appsec1

PS - Uma pesquisa realizada hoje na base Scopus, sobre os países que possuem mais publicações sobre o ChatGTP, mostra que Portugal produziu entretanto mais duas, totalizando agora sete, o que faz com que tenha evoluído da anterior posição 57ª (abaixo de países do terceiro mundo como o Bangladesh) para a posição 51ª. Contudo como os outros países não tem estado parados, Portugal ainda continua abaixo de países como o Paquistão e o Camboja, países cujo PIB/capita é inferior a 7% do PIB/capita de Portugal.  

terça-feira, 19 de setembro de 2023

O mui ilustre Catedrático de Economia titular de um portentoso h-index=0 (zero)


Pior do que ter um h-index=0 (zero) como sucede com o doutorado António Covas, que desde o ano 2000, passou a ser remunerado como professor catedrático na universidade do Algarve, é que a sua primeira publicação indexada na Scopus, só viu a luz, 18 anos depois de ele se ter tornado catedrático, o que significa que é mais um daqueles que recebeu o título de Agregado, sem possuir um único artigo publicado numa revista científica internacional, como também sucedeu com outros que receberam esse título https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/agregacao-prova-de-subserviencia-e-de.html

E isto acontece logo no mesmo país, que tem centenas de jovens investigadores de elevado potencial, muitos com dezenas de publicações indexadas, que receberam milhares de citações, que são obrigados a emigrar, https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/quando-estar-desempregado-e-uma-medalha.html pois os "quadros" académicos estão ocupados por muitos catedráticos como aquele supra mencionado. É abundantemente evidente que esta absoluta falta de vergonha, só pode ser resolvida através de uma medida radical, como aquela que passou a existir em Itália a partir de 2010, exigindo uma qualificação científica mínima aos candidatos a lugares de professor associado e catedrático  https://pachecotorgal.com/2022/09/09/portugal-necessita-urgentemente-de-uma-qualificacao-cientifica-minima/

A singela razão porque nunca antes tinha comentado as publicações científicas do catedrático A.Covas, é porque nem sabia que aquele existia. Só muito recentemente tomei conhecimento da sua genialidade, porque o jornal Público, achou que ele era o académico mais indicado para escrever sobre o futuro da universidade https://www.publico.pt/2023/09/18/opiniao/opiniao/reforma-estrutural-instituicao-universidade-2063617 e logo um catedrático cujas suas duas publicações indexadas na Scopus não mereceram até hoje uma única citação de quem quer que fosse, entre os vários milhões de investigadores que existem no Planeta ! É preciso ter muito azar. Logo ele que domina tão bem palavras magnificentes (leia-se mágicas), como "Crowdsourcing, Crowdlearning, Crowdfunding, Big Data, Start-up, Networking organizacional,   Intrapeneurs e Smartificação"que são precisamente aquelas palavras que tão bem traduzem o que será a universidade do futuro. Ou talvez não, porque essa não é seguramente a especialidade científica do catedrático A.Covas.

Como infelizmente não tenho ideias tão brilhantes (leia-se bright), sobre o futuro da universidade, como parece ter em evidente abundância o catedrático A.Covas (e que é pena que ainda não lhe tenham merecido uma condecoração do Presidente Marcelo), limito-me a reproduzir abaixo a modesta proposta que fiz em 2019, pois a mesma poderia fazer muito mais pelo futuro da universidade Portuguesa, do que todas as ideias do catedrático A.Covas:  "se o Estado Português cortasse o subsidio de exclusividade, a todos os catedráticos com menos de 5 publicações indexadas, poderia com esse dinheiro financiar contratos de investigação de muitos jovens investigadores (desempregados) de elevado potencial"

PS - A parte mais triste é ver um jornal como o Público, a divulgar as ideias brilhantes (leia-se desprovidas de um mínimo de substância) de um Catedrático Português cuja obra científica indexada nunca mereceu uma única citação de quem quer que fosse, quando o mesmo jornal podia e deveria ter aproveitado para divulgar as ideias de académicos consagrados e altamente citados, que já escreveram sobre esse assunto. A este respeito vejam-se por exemplo as 44 proposições constantes no white paper "Universities in an Age of Uncertainty" (22 páginas e 147 referências), que foi apresentado num evento recente que teve lugar na universidade Suiça de St.Gallen. https://www.unisg.ch/fileadmin/user_upload/HSG_ROOT/_Kernauftritt_HSG/News/Newsroom/Bilder/2023/Universities_in_an_Age_of_Uncertainty_long.pdf

domingo, 17 de setembro de 2023

The Economist - Artificial intelligence will revolutionize science and radically accelerate the pace of scientific discovery

 

"...A promising approach is “literature-based discovery” (LBD) which, as its name suggests, aims to make new discoveries by analyzing scientific literature...such language-based inference methods can become an entirely new field of research at the intersection between natural-language processing and science...A paper...published this year in Nature Human Behaviour, extends this approach in a novel way. It starts with the observation that LBD systems tend to focus on concepts within papers and ignore their authors. So they trained an LBD system to take account of both. The resulting system was twice as good at forecasting new discoveries in materials science...and could also predict the actual discoverers with more than 40% accuracy....In future, researchers might come to rely on such systems to monitor the deluge of new scientific papers, highlight relevant results, suggest novel hypotheses for research—and even link them up with potential research partners, like a scientific matchmaking service. AI tools could thus extend and transform the existing, centuries-old infrastructure of scientific publishing... If LBD promises to supercharge the journal with AI, “robot scientists”, or “self-driving labs”, promise to do the same for the laboratory. These machines go beyond existing forms of laboratory automation, such as drug-screening platforms. Instead, they are given background knowledge about a particular area of research, in the form of data, research papers, and patents. They then use AI to form hypotheses, carry out experiments using robots, assess the results, modify their hypotheses, and repeat the cycle..." https://www.economist.com/science-and-technology/2023/09/13/how-scientists-are-using-artificial-intelligence

The article recently published in The Economist (excerpt above), presents an optimistic perspective on AI's potential to significantly augment and potentially revolutionize the field of science. However, it is crucial to contemplate the potential unintended consequences of these advancements, which may exacerbate the high economic inequalities between rich countries and poor countries (the 10th goal of the UN SDGs). Ultimately worsening the escalating issue of illegal emigration from the latter to the former, which today motivated EU Chief Ursula von der Leyen's trip to the island of Lampedusa, where an impressive number of 199 boats carrying around 8,500 migrants arrived between September 11th and 13th. https://www.dw.com/en/eu-and-italian-leaders-visit-lampedusa-amid-migrant-spike/a-66837104