terça-feira, 19 de dezembro de 2023

The Economist - Qual o número de mortos na sua cidade em caso de interrupção de fornecimento de electricidade ?


A página 38 da recente edição (The World Ahead 2024) da prestigiada revista The Economist, contém um artigo com o esclarecedor título interrogatório "Is your city heatproof?", onde se comenta os efeitos dramáticos, que uma onda calor poderá um dia vir a ter na quente cidade de Phoenix (Arizona) caso ocorra uma interrupção do fornecimento de energia elétrica e os aparelhos de ar condicionado deixassem de funcionar. 

O estudo mencionado nesse artigo, aponta para a ocorrência de mais de 13.000 mortos e para a necessidade de hospitalização de aproximadamente 2 milhões de pessoas. Recorde-se no entanto que em todo o Estado do Arizona, o número de camas hospitalares é de apenas 14.000, valor que não chegaria sequer para cobrir 1% das necessidades da referida ocorrência. Na verdade as camas de todos os hospitais dos EUA chegariam somente para cobrir 50% dessas necessidades. 

Mas a parte realmente dramática, e que nem foi mencionada no artigo da revista The Economist, é que como revela um outro estudo publicado há alguns meses atrás, mais de 80% das interrupções no fornecimento de energia elétrica, tiveram origem em eventos climáticos extremos, como furacões, ondas de calor, tempestades de vento, incêndios florestais e ao longo da última década essas interrupções aumentaram quase 70% face à década anterior https://www.nature.com/articles/s41467-023-38084-6 o que significa que o futuro trará um número muito maior de interrupções no fornecimento de energia elétrica, por conta desses eventos climáticos. 

Ainda sobre o tema supra é pertinente revisitar o post anterior, de título "O fim de uma ingénua (hipócrita) ilusão" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/11/o-fim-de-uma-ingenua-hipocrita-ilusao.html

PS - É claro que é preciso não esquecer, especialmente hoje, o dia em que os termómetros de alguns sítios do nosso país, registam temperaturas negativas, que muitas das interrupções no fornecimento de energia elétrica, por conta de eventos climáticos extremos, também ocorrem no Inverno. Pior do que isso, há quem adoeça ou morra de frio no Inverno, não por conta de eventos climáticos extremos, mas por conta de uma situação financeira extrema, isto é, não podem pagar a energia necessária para terem a sua casa aquecida. Vide resultados do recente relatório "Pobreza Energética em Portugal: Uma análise municipal". Onde se ficou a saber, por exemplo, que percentagem de pessoas que no nosso país, não conseguem manter a casa aquecida em Portugal (o valor médio nacional é de 16% - mas sobe para quase 30% quando se analisa apenas a população pobre) ambas muitíssimo maiores do que a percentagem que ocorre na fria Finlândia (1%https://www.publico.pt/2023/12/14/sociedade/noticia/casas-ma-qualidade-pobreza-ate-algarve-familias-sofrem-frio-2073547

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

ChatGPT - List of 35 countries with the highest ratio of publications to population


On November 11th, a Scopus search yielded 5880 publications related to ChatGPT (refer to the post in the link above). Upon repeating the search recently, I discovered 7634 publications. The following list (below) showcases countries with the highest ratio of publications to population, considering those with at least 60 publications. Notably, the United Arab Emirates-UAE, absent from the November 11 ranking, has now entered the top of that list with the same ratio as Sweden and Finland.

Kindly note that as of July 22nd, there were 1017 publications associated with ChatGPT in the Scopus database. By September 25th, this figure had surged to 3746 publications, https://pachecotorgal.com/2023/09/25/tu-delft-feeding-chatgpt-with-more-than-2000-abstracts-to-predict-scientific-impact/ and now has reached almost 8000, indicating an astonishing increase of nearly 800% from the end of July to December. 

PS - Breaking new ground, ChatGPT becomes the first non-human to achieve a historic milestone by securing a spot on Nature’s list of the year’s ten most influential researchers https://www.brusselstimes.com/837980/chatgpt-becomes-first-non-human-on-natures-top-ten-list-of-researchers 
  1. Singapore……………27 publications/million people

  2. Ireland………………...20

  3. Switzerland…………...20

  4. Australia……………...15

  5. New Zealand………..14

  6. Denmark……………..11

  7. UK…………………….11

  8. Netherlands…..……..11

  9. Austria………….……11

  10. Finland………….…...10

  11. Sweden………….….10

  12. UAE……………..…..10

  13. Canada……….……...8

  14. USA…………..……...7

  15. Belgium……..……….6

  16. Germany………..…...6

  17. Portugal………...…...6

  18. Italy……………...…..5

  19. Spain……...………...5

  20. Greece………..…….6

  21. South Korea……......4

  22. France…....………...3

  23. Saudi Arabia…...….3

  24. Poland…...………...2

  25. Malaysia…...……...2

  26. Turkey……..……….2

  27. Japan………..……..1

  28. South Africa…..…...1

  29. Thailand……....….0.9

  30. China…….…....….0.6

  31. Brasil…...…….…..0.6

  32. Mexico…...……….0.5

  33. Russia…...………..0.5

  34. Nigeria...…………..0.5

  35. India……....…..…..0.4

domingo, 17 de dezembro de 2023

Porque é que o nosso código penal, ao contrário do da França, não manda para a cadeia os políticos que "arranjam" empregos para familiares e amigos ?



Depois de há precisamente 7 dias atrás ter comentado, no post acima, um importante artigo que foi publicado na revista Sábado da semana passada, de um Procurador Geral Adjunto Jubilado, que ajuda a perceber as causas do empobrecimento (e apodrecimento) de Portugal, é igualmente importante que agora divulgue um outro artigo, publicado na revista Sábado desta semana. O autor desse artigo, é o conhecido Eduardo Dâmaso, Director-geral editorial adjunto, cujos corajosos artigos (que muito irritam os políticos e os seus amigos) já divulguei muitas vezes no passado, como por exemplo este aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/a-insuportavel-impunidade-de-uma-casta.html

No artigo desta semana, Eduardo Dâmaso, escreve sobre o tal antigo Ministro socialista, que veio admitir publicamente, sem qualquer vergonha na cara, que tinha um assessor, pago pelos contribuintes, só para dar seguimento às cunhas, escreveu ele que:
".não há República que resista a certas personalidades, como a do antigo Ministro...em rota de colisão com uma ideia mínima de igualdade entre Portugueses perante o Estado...casta que gere a cultura de favores...com a distribuição de empregos nas grandes empresas do sector empresarial do Estado, privilégios em concessões e concursos...ou ajustes directos..É esta casta...que está a cavar a sepultura do regime democrático...É esta casta, não o Chega...que está a rebentar com as instituições, a desacreditá-las, e a escancarar a porta a homens providenciais, como André Ventura...."

Eduardo Dâmaso sabe muito sobre aquilo que escreve, pois a revista Sábado, tem denunciado de forma sistemática, ao longo dos anos, os referidos abusos, e na parte da distribuição de empregos nas empresas públicas, a mesma revista publicou há poucos meses, um artigo de 15 páginas sobre os elevados salários dos "boys do PS que controlam 100 empresas públicas" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/05/os-portugueses-ficam-finalmente-saber.html

Ele podia e devia, no entanto, ter aproveitado para referir duas coisas fundamentais, a primeira, que Portugal nunca sairá da cepa torta, enquanto não copiar aquilo que se faz na França, o país, onde aplicaram uma pena de prisão efectiva ao ex-Primeiro-Ministro François Fillon, e ainda uma multa de 375.000 euros, por aquele ter arranjado um emprego para a sua mulher, ou como explicou o tribunal Francês, que o condenou, por ter colocado o seu interesse pessoal à frente dos interesses do povo que foi eleito para servir https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/07/catedraticos-franceses-dao-uma-licao.html

E a segunda, que constitui uma vergonha inqualificável, o facto da entidade que vai controlar o património dos políticos (entidade que foi proposta em 2015 pelo BE e somente aprovada em 2019) ainda não esteja a funcionar. Há pouco tempo nem sequer tinha cadeiras, internet ou sequer luz e agora o Expresso até diz que (muito oportunamente) não estará em condições de fiscalizar os rendimentos dos membros do próximo Governo!!!