quinta-feira, 4 de julho de 2024

Pacheco-Torgal sente-se "obrigado" a apresentar desculpas públicas aos Reitores



Alguém, provavelmente incomodado pelas minhas previsões pessimistas (leia-se realistas) sobre uma certa instituição do ensino superior, que está solidamente agarrada à base de um ranking nacional, vide link supra, fez-me chegar uma noticia, sobre a recente visita do super Presidente da Bahaus (foto acima) à dita instituição, pretendendo com essa noticia, eventualmente convencer-me, que muito mais cedo do que eu previ, a referida instituição vai descolar da base desse ranking, para quiçá conseguir atingir posições estratosféricas. 

Sobre essa remota possibilidade (leia-se improbabilidade), pela qual será conveniente que esperem sentados, entendo produzir o seguinte comentário. Há três anos atrás, critiquei os Reitores Portugueses, citando para o efeito dois estudos, publicados em conhecidas revistas científicas, que mostram que as universidades com melhor desempenho são aquelas que são lideradas por investigadores de topo  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/02/sera-que-culpa-do-baixo-impacto.html

Porém depois de agora ter dado uma vista de olhos pela absolutamente irrelevante produção científica do referido super-excelente Presidente da Bauhaus-Weimar, que a comunidade científica mundial da sua área parece ter votado a um profundo desprezo (como o atesta as 14  miseráveis citações (h-index=2) que recebeu na base Scopus) sinto-me por isso, (moralmente) obrigado a apresentar desculpas públicas a todos os nossos Magníficos Reitores, pois todos eles estão a um nível científico superior ao daquela "super-excelência".  

PS - A referida universidade Bauhaus-Weimar, produz cientificamente, muito menos do que a UBI (no ano 2000 tinham ambas poucas dezenas de publicações mas de lá para cá a UBI cresceu 300% face à sua preguiçosa congénere Alemã) e agora com o novo super-excelente presidente, que muito embora tenha a cabeça nas nuvens, está porém muito de longe ser uma águia, não é expectável que se consiga transformar numa potência científica. Em face do exposto, compreende-se agora muito melhor, porque é que na minha área cientifica, a melhor universidade Alemã (!!!), aparece abaixo de três universidades Portuguesas (ULIsboa, UMinho e UPorto) https://pacheco-torgal.blogspot.com/2023/11/academicos-alemaes-em-autentico-estado.html

terça-feira, 2 de julho de 2024

A amarguíssima sorte de um filho e neto de catedráticos da universidade de Lisboa


Há algumas horas atrás, fui informado pelo próprio, um professor associado com agregação na universidade de Lisboa, que a sentença que apreciou a ação, que intentou contra si um filho e neto de catedráticos, exigindo 15.000 euros a título de indemnização, por conta de uma entrevista que aquele professor deu à revista Sábado, não foi (felizmente) favorável ao tal filho e neto de catedráticos. A meu ver essa sentença, constitui uma medalha de honra, de elevado valor, ganha pelo referido professor, como aquelas já ganhas por outros igualmente corajosos Portugueses, como aqueles dois que foram elogiados há um ano atrás, pelo implacável Director-geral Adjunto Eduardo Dâmasohttps://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/06/um-agradecimento-muitissimo-insuficiente.html

Faço porém notar que esta sentença nunca teria acontecido, se tivesse ocorrido há várias décadas atrás, quando então vigorava a tenebrosa "lei" que ditava que "o respeitinho é muito bonito". Para tal foi necessário que Portugal fosse entretanto condenado dezenas de vezes no TEDH, tendo os contribuintes sido obrigados a pagar do seu bolso essa vergonha, para que finalmente em 2017 o Supremo Tribunal de Justiça ditasse que: "as exigências de uma sociedade democrática e aberta não se coadunam com a imposição de restrições, formais e rígidas, ao exercício da actividade de escrutínio e crítica a temas de manifesta relevância e interesse público...não podendo erigir-se, neste âmbito, impedimentos ou discriminações ao modo como é exercida a liberdade de expressão e opinião que poderiam funcionar, em última análise, como formas atípicas ou subliminares de censura...justificando a necessidade de uma particular tolerância...às opiniões adversas...envolvendo  porventura o uso de expressões agressivas...”

O referido professor associado com agregação, mereceu inclusive um inacreditável processo disciplinar na sua Faculdade, a mesma Faculdade, que recorde-se, não levantou qualquer processo disciplinar a um docente daquela casa, que o MP acusou pelos crimes de "abuso de poder, falsificação de documentos e burla qualificada".   https://sol.sapo.pt/2020/02/04/ministerio-publico-acusa-professor-suspeito-de-escrever-tese-de-jose-socrates-de-varios-crimes/

PS - Recordo que em 2021 sugeri na parte final de um post sobre concursos que os candidatos familiares de catedráticos deviam ter preferência sobre todos os outros https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/07/ensino-superior-balanco-final-dos.html

domingo, 30 de junho de 2024

A revista universitária que vem novamente defender o Santo catedrático Boaventura


A foto supra diz respeito a João Nunes Serra de Almeida, um dos três Directores da revista universitária Minerva. Revista essa que eu critiquei em Abril do ano passado, pelo facto de no rescaldo do caso envolvendo o conhecido catedrático Coimbrão Boaventura Sousa Santos, ter entendido como oportuno vir defender relações sentimentais (sexuais) entre docentes universitários e alunos. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/04/revista-universitaria-portuguesa.html

E agora que foram feitas novas denúncias públicas sobre o referido catedrático, eis que os três directores dessa revista acharam que o melhor mesmo é atacar as denunciantes:
"...se no meio de todas estas alegações podemos encontrar fundamentos para a existência de um ambiente de insinuações sexuais pontuais entre chefias do centro e subordinados, entre orientadores e estudantes, entre estudantes e colegas, nenhuma destas situações configura necessariamente violação do código do trabalho, do regulamento interno do centro, e muito menos crime... Não é de descartar, mais uma vez, a hipótese de todas estas pessoas estarem simplesmente a imaginar, de modo revanchista, ou a efabular, sob um estatuto de presa num cenário de caça, cenários de transação sexual onde eles não existiam... Concluímos definitivamente pela reiteração daquela que é a nossa posição editorial em geral sobre esta matéria: não existe nenhum problema relevante de assédio sexual na academia portuguesa nem, provavelmente, na academia de qualquer parte do mundo ocidental"
 
Acho especialmente bizarra a afirmação final, onde os senhores directores, garantem sem qualquer base factual, não haver nas universidades dos países Ocidentais problemas de assédio sexual. Uma afirmação que só pode ser fruto da mais pura ignorância. Desde logo porque é possível criar um ambiente de medo absoluto que inibe qualquer denúncia, similar aquele que foi criado por dois catedráticos canalhas (marido e mulher), que recentemente viram a sua impunidade chegar ao fim de forma estrondosa https://pachecotorgal.com/2024/05/21/um-par-de-catedraticos-canalhas/

Devem ignorar que nalguns países europeus, houve catedráticos que foram despedidos e condenados judicialmente, vide a pena de prisão efectiva que foi aplicada por um tribunal da Bélgica, a um importante catedrático da conhecida universidade de Lovaina, pelo crime de violação de uma estudante, que o tinha acompanhado a uma conferência e a quem ele terá dito, que há vários anos que naquela universidade, as suas alunas lhe faziam sexo oral para conseguirem ter elevadas classificações. https://p-magazine.com/nl/articles/professor-filip-dochy-is-een-manipulator-en-een-seksueel-roofdier

Também devem ignorar a condenação a uma pena de prisão efectiva, de um conhecido catedrático de ciências de educação da universidade de Sevilha, que abusou sexualmente de duas professoras-auxiliares e de uma bolseira https://www.diariodesevilla.es/sevilla/Condenan-catedratico-US-sexuales-profesoras_0_1098190876.html restando porém saber quantas houve, antes delas, que foram igualmente abusadas sexualmente e que preferiram calar-se, para não prejudicar a progressão na carreira? 

Declaração de interesses - Declaro que em 2007, quando exerci funções docentes numa instituição de ensino superior da zona centro, enviei uma queixa à Inspecção Geral da Ciência e do Ensino Superior, em cuja parte final se podia ler o seguinte: “...situações bastante mais graves terem sido descritas em Relatório interno daquela Escola (cfr. Doc. 7) “..relacionamentos entre professores e alunas em troca de notas….”, https://pachecotorgal.com/2022/04/08/o-terror-com-os-processos-disciplinares-na-academia-e-a-professora-universitaria-que-nao-sabe-o-que-e-o-assedio/

PS - Os infelizes directores supracitados devem conhecer muito pouco sobre a academia Portuguesa, onde a prepotência e a impunidade são de tal ordem, que basta que um candidato tenha a ousadia de contestar um concurso para ser perseguido, pelos catedráticos, jurados desse concurso. Quem o garante é um artigo publicado na revista do Sindicato do Ensino Superior https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/10/a-vinganca-cobarde-dos-catedraticos.html