domingo, 5 de julho de 2026

Meaning Begins Where Permanence Ends

Milky Way over La Palma, Canary Islands, the world’s first Starlight Reserve.

"And I'm broken apart, and all the littlest pieces of me are just recycled, and I'm billions of other places. And my atoms are in plants and bugs and animals, and I am like the stars that are in the sky. There one moment and then just scattered across the cosmos."

This phrase, from Mike Flanagan’s Midnight Mass, spoken by Riley Flynn, gives poetic form to one of cosmology’s most brutal truths: we are temporary arrangements of matter, briefly gathered, inevitably scattered, and never entirely ours. In my previous post of June 3, 2025, I referred to an essay in which five respected senior scientists reflected on how modern cosmology shapes meaning, ethics, and human identity. Riley’s words enter the same territory, but with less academic distance and more raw, deeply unsettling existential force.

If we are not permanent selves, then existence cannot be about preservation. Nothing in the universe promises us permanence, purpose, or cosmic importance. Meaning, if it exists at all, is not written into the stars. It is made locally, inside this fragile, brief, trembling, conscious accident of matter, against the vast indifferent silence, where we feel, love, grieve, imagine, build, and create. That is not a failure of existence. It may be the only form meaning can take.

This also changes how we think about compassion. A skeptic may rightly object that shared material origins do not automatically create moral duties. But that misses the force of the insight. Once the self is seen as provisional, the boundary between my fate and yours becomes less absolute. Compassion stops looking like a noble decoration added to life and starts looking like a clearer, less frightened way of seeing it. Connection matters more than legacy because legacy is often only the ego asking to survive under another name.

Consciousness is matter briefly witnessing itself. No rock does this. No star does this. Yet here, for a moment, the universe opens its eyes, fears its own disappearance, and asks why it exists. Perhaps that is the closest thing we have to a point: not to solve the mystery, but to be the fragile, achingly brief, luminous place where the mystery becomes aware of itself.

There is, however, a darker counterweight to this consolation. In a post from July 2, 2022, I reflected on the uncomfortable idea that suffering may bind us to something higher than ourselves. The two thoughts sit in tension: does impermanence console us, or wound us? Perhaps it does both, and perhaps that is precisely why it matters. It exposes our vulnerability, breaks the illusion of self-sufficiency, and forces meaning to stop being something merely understood and become something tested by suffering, expressed through action, sustained by connection, and redeemed by shared human compassion. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/07/porque-e-que-uma-vida-com-significado-e.html

sábado, 4 de julho de 2026

The illusion of scientific talent identification through publication counts: a critical commentary on Haunschild and Bornmann

Abstract: This letter responds to the article by Haunschild and Bornmann, published in the Journal of Informetrics, which proposes a bibliometric framework for identifying promising early-career scientists based on three specific indicators: the number of publications in top-quartile journals (Q1), total publication output (O), and corresponding authorship (C). Using the combined OxQ1 indicator, the authors compile a dataset of 46,200 individuals classified as “potentially talented,” intended to support informed peer review and hiring decisions... 

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1751157726000805?dgcid=author

quarta-feira, 1 de julho de 2026

U.Minho: A segunda e mais grave omissão reitoral que deve preocupar a academia

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/06/uminho-5-duvidas-e-uma-omissao-reitoral.html

Na sequência do post anterior, acessível no link supra, onde critiquei um artigo do Reitor da Universidade do Minho sobre o problema das universidades europeias terem cada vez menos estudantes, e sobre o facto de não ser solução pôr os mesmos jovens a circular entre universidades, pois tal não resolve o problema, apenas o redistribui, importa agora sublinhar uma segunda omissão, provavelmente mais séria, a possibilidade de a IA destruir parte relevante do mercado formativo tradicional.

O problema já não é apenas saber quantos jovens existem. É saber que formação ainda estarão dispostos a comprar, que diploma continuará a ter valor e que competências justificarão anos de propinas, deslocações e alojamento. Durante décadas, a universidade vendeu uma promessa estável, estudar vários anos, obter um diploma e entrar num mercado que reconhecia esse diploma como sinal de competência profissional. Essa cadeia começou agora a ser corroída a um ritmo bastante acelerado.

Muitas tarefas cognitivas que sustentavam a promessa económica de tantos cursos estão a ser automatizadas. As empresas percebem que nem sempre precisam de diplomados com formações longas quando conseguem formar utilizadores operacionais em ciclos mais curtos. E o próprio estudante pergunta se vale a pena pagar caro por uma formação lenta, quando parte do conhecimento instrumental se obtém de forma rápida, personalizada e barata. Isto não significa que as universidades deixem de ser necessárias. Significa algo pior para quem vive da inércia, deixarão de ser automaticamente necessárias, vide a declaração do catedrático jubilado Robert Reich, "A four-year college degree isn’t necessary for many of tomorrow’s good jobs" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/05/pessimas-noticias-para-recem-diplomados.html

E é aqui que a tal linguagem das alianças, da mobilidade e dos consórcios se revela bastante pequena. Uma universidade pode assinar dezenas de memorandos mas se continuar a vender a mesma formação abstrata, burocrática e desligada das mutações reais do trabalho, estará apenas a decorar uma estrutura em perda de relevância.

E é também aqui que regressa o importante dilema do Presidente do Técnico sobre  Como conseguir transformar docentes naquilo que eles não querem ou não conseguem ser" Se os professores deixaram de ser os únicos mediadores entre o saber e os estudantes, então o professor deixa de poder limitar-se a expor informação. Passa a ter de orientar pensamento crítico, treinar julgamento autónomo rigoroso e a inspirar exigência intelectual.

Porém durante décadas as universidades contrataram e promoveram docentes sobretudo com base na antiguidade e também como confessou um conhecido catedrático, hoje Reitor de uma universidade no Norte do país, no facto dos candidatos terem feito favores aos colegas mais velhos. Não os escolheram certamente por serem mentores inspiracionais ou apóstolos da pedagogia. E agora descobrem, demasiado tarde, que não se fabricam professores transformadores e inspiradores com os critérios endogâmicos, clientelares, corporativos e conformistas que durante décadas premiaram "...a obediência, quando não a mediocridade", catedrático Jorge Calado dixit.

PS - Inesperada e até algo ironicamente é precisamente o curso de engenharia civil cuja procura académica sofreu uma hecatombe há uma década atrás que se assume como uma das áreas menos vulneráveis à substituição pela IA porque está diretamente ligada à proteção da vida (vide a recente tragédia Venezuelana), à segurança coletiva e ao funcionamento diário da sociedade. Edifícios, pontes, estradas, barragens, redes de água, saneamento e energia não são abstrações digitais, são sistemas físicos onde os erros podem matar. Projetar, construir e reabilitar infraestruturas exige presença em obra, conhecimento de solos, de materiais, de clima, de normas nacionais e em muitos casos de regulamentos locais. Acresce que as obras de engenharia civil são concebidas para durar décadas, o que implica garantias legais, exigências de desempenho ao longo do tempo e responsabilidade técnica continuada por parte dos engenheiros civis. A inteligência artificial pode apoiar cálculos e modelos, mas não substitui os engenheiros civis que interpretam incertezas e tomam decisões perante riscos estruturais, sísmicos, hidráulicos ou ambientais e que assumem responsabilidades legais permanentes. E num planeta cada vez mais quente, a importância da engenharia civil irá tornar-se incontornável. Um parque habitacional envelhecido e projectado para outro clima terá de resistir ao calor extremo, muito pior do que aquele que agora atinge a Europa, a secas, a cheias, a incêndios e à degradação acelerada. A habitação deixará assim de significar apenas construção ou eficiência energética para se tornar o lugar onde a engenharia civil actua como o garante da dignidade humana perante a emergência climática.