terça-feira, 8 de setembro de 2026

Study Reveals That Almost 30 Million Lives Will Be Sacrificed to Protect the Ultra-Rich

 

In a previous post, An Ethical Wealth Limit: Utrecht University's 10-Million-Euro Hypothesis, I recalled that in December 2019 I had proposed limiting individual wealth to $190 million—approximately 10,000 times the annual world GDP per capita. Ingrid Robeyns, Professor of Ethics at Utrecht University, subsequently went much further, proposing a political limit of €10 million and a personal ethical limit of just €1 million because extreme wealth threatens democracy and climate justice. A study newly published in The Lancet now makes the indictment even more serious, while fortunes beyond any conceivable human need remain protected, redistributing a tiny fraction of them could prevent millions of premature deaths.

The researchers analysed data from 59 low- and lower-middle-income countries between 2002 and 2021 and modelled ten redistribution policies capable of compensating for drastic cuts in official development assistance. The authors then estimated what could happen between 2026 and 2030 if taxes on concentrated wealth were used to prevent essential health and development programmes from being dismantled. The most striking result concerns an annual 3% tax on ultra-high-net-worth individuals. According to the model, it could avert approximately 29.5 million deaths by 2030, including almost 3.5 million deaths among children under five; even the lower bound of the uncertainty interval exceeds 20 million lives. 

The study does not propose abolishing billionaires, much less imposing Robeyns’s €10-million ceiling. Someone with €10 billion would retain €9.7 billion after paying a 3% tax, hardly a descent into poverty. A society that protects the last 3% of a billionaire’s fortune while accepting the destruction of programmes on which millions of lives depend is not defending freedom or rewarding merit. It is declaring that the limitless accumulation of the ultra-rich matters more than the survival of the poor. Extreme wealth is therefore not a harmless private achievement, refusing to tax it can carry a potentially enormous and now quantifiable human cost.

PS - In March 2024, in Carbon Manslaughter: Holding Billionaires Accountable for Their Role in Accelerating Climate CatastrophesI argued that the extravagant carbon emissions of billionaires can transform extreme wealth into a form of manslaughter. The new Lancet study now exposes a second potential body count: not from the carbon the ultra-rich emit, but from the millions of people who could be kept alive with a tiny fraction of the fortunes our societies, through political cowardice, institutional complicity and moral bankruptcy, consider untouchable.

Novas evidências desmascaram a notória pseudoexcelência da ciência portuguesa

 

Na sequência de uma bizarra avaliação das unidades de investigação, na qual a proibição do recurso a métricas, que critiquei repetidamente, e que culminou numa extraordinária anormalidade estatística de cerca de 75% das unidades de investigação terem sido classificadas como Muito Bom ou Excelente, Portugal foi oficialmente consagrado como uma "potência" científica mundial. Acredite quem quiser neste milagre científico nacional.

Sucede, porém, que continuam a acumular-se evidências da reduzida competitividade internacional da ciência portuguesa. Primeiro, Portugal ocupa apenas a 33.ª posição num exigente indicador internacional de excelência científica, perigosamente próximo da Bulgária, pela qual, a manter-se a atual trajetória, será ultrapassado nos próximos anos. Segundo, as universidades portuguesas mais bem classificadas ficaram abaixo de uma universidade argentina no Ranking de Shanghai de 2026 e agora, nos resultados das milionárias ERC Starting Grants, anunciados há poucos dias, Portugal surge abaixo da Roménia e da Grécia, como mostra a lista apresentada no final deste post.

Como se explica, então, que tamanha concentração de unidades oficialmente Muito Boas ou Excelentes não tenha conseguido afastar Portugal da proximidade embaraçosa da pobre Bulgária num indicador de excelência científica, não tenha permitido colocar uma única universidade portuguesa à frente de uma universidade da pobre argentina, e agora não tenha conseguido conquistar mais do que uma única bolsa milionária das ERC Starting Grants?

A solução para a falta de competitividade internacional da ciência portuguesa é conhecida e, no essencial, simples. Implementá-la, porém, é extraordinariamente difícil, porque obrigaria a arrancar pela raiz a teia de interesses instalados que sequestrou o sistema universitário, protege a mediocridade e transforma demasiados concursos públicos em instrumentos de distribuição de carreiras, poder e privilégios. Passa por combater a endogamia académica e tornar muito mais difícil a viciação dos concursos, seja exigindo uma qualificação científica mínima para o acesso às categorias de professor associado e catedrático, como há muitos anos sucede em Itália, seja permitindo que apenas cheguem à fase final dos concursos  somente os candidatos que tenham sido previamente seleccionados por especialistas internacionais de reconhecido nível mundial, como acontece nas universidades da Suécia. 

PS - A propósito da supracitada proibição do uso de métricas na avaliação das unidades, recordo a pertinência do artigo subscrito por três professores catedráticos, incluindo um antigo reitor, em defesa da sua utilização, que divulguei no passado dia 10 de Agosto sob o título: As métricas não substituem a avaliação científica, mas tornam a mediocridade muito mais difícil de esconder. 

País

Bolsas ERC por milhão de habitantes

Suíça

3,997

Dinamarca

3,154

Finlândia

2,135

Suécia

2,056

Áustria

1,976

Países Baixos

1,789

Bélgica

1,783

Luxemburgo

1,455

Chipre

1,447

Noruega

1,238

Israel

1,140

Alemanha

1,064

Irlanda

0,933

Reino Unido

0,672

Chéquia

0,570

França

0,569

Eslovénia

0,473

Espanha

0,397

Itália

0,373

Lituânia

0,357

Polónia

0,159

Roménia

0,106

Grécia

0,101

Portugal

0,096


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Os importantes limites científicos da nova ferramenta de inteligência artificial da Elsevier para a investigação - LeapSpace

  

A Elsevier lançou recentemente uma versão substancialmente melhorada do LeapSpace, uma ferramenta de inteligência artificial que, recorrendo a mais de 100 milhões de registos indexados no Scopus, transforma perguntas científicas complexas em relatórios extensos, estruturados e sustentados por referências, procurando identificar tendências, contradições e possíveis lacunas de investigação

A amplitude destes números pode, contudo, criar uma impressão enganadora de exaustividade. Mais de 100 milhões de registos bibliográficos não significam mais de 100 milhões de documentos integralmente analisáveis. Para a maioria das publicações, o LeapSpace dispõe apenas do título, do resumo e dos metadados, estando o acesso ao texto integral limitado às publicações da Elsevier e ao conteúdo seleccionado de um conjunto de parceiros. Uma análise publicada pela Science estimou que a Elsevier e os seus parceiros representavam apenas cerca de 22% dos artigos de investigação e revisão publicados. 

Existe ainda uma limitação metodológica fundamental, as pesquisas do LeapSpace são probabilísticas. A própria Elsevier reconhece que uma mesma pergunta pode, em momentos diferentes, produzir respostas e conjuntos de referências ligeiramente distintos. Por essa razão, recomenda que os termos identificados pela ferramenta sejam posteriormente convertidos numa pesquisa booleana no Scopus, de modo a gerar resultados determinísticos e reprodutíveis. Um relatório produzido pelo LeapSpace não constitui, portanto, uma estratégia de pesquisa que outro investigador possa repetir exactamente e obter necessariamente os mesmos resultados.

Esta limitação torna-se particularmente problemática quando se pretende demonstrar a novidade de uma investigação. O facto de o LeapSpace não encontrar determinado estudo não significa que esse estudo não exista; significa apenas que não foi recuperado no universo documental a que a plataforma teve acesso nem através da estratégia de pesquisa automaticamente seleccionada. O silêncio da ferramenta não constitui portanto uma prova cabal de inexistência. Por conseguinte, não é cientificamente legítimo afirmar que “não existem estudos publicados” apenas porque a ferramenta LeapSpace não os identificou.

As reservas supracitadas não anulam de todo a utilidade do LeapSpace; apenas delimitam o alcance científico das conclusões que dele podem ser retiradas. É sobretudo nas fases preliminares de uma investigação que esta ferramenta revela o seu maior valor, oferecendo uma primeira cartografia de áreas ainda pouco familiares, ajudando a reconhecer a terminologia especializada e os autores mais relevantes e permitindo formular questões mais rigorosas antes de se avançar para uma pesquisa bibliográfica formal e reprodutível.