sábado, 15 de agosto de 2026

Jovens investigadores com um desempenho superior ao da investigadora "estrela"

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/07/uma-estrela-que-brilhou-pouco-e-as-duas.html

Ainda a propósito da tal investigadora "estrela", professora associada no IST da universidade de Lisboa, que tinha sido mencionada no post acessível através do link supra, que recorde-se é doutorada há quase duas décadas, é muito esclarecedor comparar a evolução passada e previsível do seu índice h na Scopus com a de investigadores muito mais jovens, doutorados há poucos anos e já incluídos no ranking de cientistas Elsevier–Stanford.

Particularmente impressionante é o caso de João Cotas, prolifico investigador da Universidade de Coimbra. Doutorado apenas em 2025, mas que produziu dezenas de publicações indexadas durante o seu doutoramento, já integra o ranking supracitado e até já apresenta um índice h que a investigadora "estrela" não conseguiu alcançar em vinte anos. A este exemplo juntam-se ainda Gonçalo Marques, doutorado em 2020 e professor adjunto na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital, e Matheus Koengkan, igualmente doutorado em 2020 e investigador do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária.

Nenhum destes três investigadores foi alguma vez publicamente consagrado como "estrela". E, no entanto, todos eles conseguiram alcançar, em poucos anos, no caso de João Cotas, praticamente à saída do doutoramento, um impacto internacional, superior ao da célebre investigadora. A comparação mostra, assim, quão frágil pode ser a distância entre o impacto científico efetivamente demonstrado e o "estrelato" científico politicamente proclamado. 

PS - Vale também a pena comparar o desempenho dos supracitados jovens investigadores com o de muitos professores catedráticos como por exemplo aquele que foi mencionado aqui https://pachecotorgal.com/2023/09/19/o-mui-ilustre-catedratico-de-economia-titular-de-um-portentoso-h-index0-zero/ Casos como este constituem uma ilustração particularmente eloquente de como a academia portuguesa continua assente "numa cultura de obediência, vassalagem e proteção das hierarquias instaladas" uma cultura profundamente nociva que ajuda também a explicar por que razão Portugal corre, desgraçadamente, o sério risco de, muito em breve, ficar abaixo da pobre Bulgária em matéria de excelência científica https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/08/qual-universidade-que-impede-que.html