segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Quem é, afinal, a invisível investigadora Ana Marta Gonçalves que o jornal Público não foi manifestamente capaz de descobrir ?

 

https://www.publico.pt/2026/08/16/sociedade/noticia/ranking-xangai-universidades-minho-lisboa-porto-descem-coimbra-sobe-2185193

A edição impressa do jornal Público noticia hoje o desempenho das universidades portuguesas no prestigiado ranking Shanghai, sob o título Ranking de Xangai: universidades do Minho, Lisboa e Porto descem, Coimbra sobe”. Vide artigo acessível no link supra. A análise agora oferecida aos leitores daquele jornal é, porém, de uma inacreditável pobreza franciscana, sobretudo quando comparada com a análise muito pouco suave, mas incomparavelmente mais exaustiva e substancialmente mais esclarecedora, que foi divulgada ontem aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/08/o-ranking-shanghai-de-2026-mostra-o.html

O jornal Público poderia, pelo menos, ter procurado saber quem foi afinal a investigadora que permitiu à Universidade de Coimbra subir no ranking apesar de irónicamente ter piorado vários indicadores relativamente a 2025. O comunicado enviado pela própria Universidade de Coimbra à imprensa também não revelou esse nome, silêncio que diz bastante sobre a forma como algumas instituições gostam de celebrar resultados colectivos, enquanto tornam convenientemente invisíveis aqueles que mais contribuíram para os produzir. Mas a omissão do jornal é ainda menos desculpável, pois bastaria apenas algum trabalho de investigação, em vez da mera reprodução da enviesada narrativa institucional, para chegar a essa resposta.

A investigadora chama-se Ana Marta dos Santos Mendes Gonçalves e é investigadora auxiliar. Foi a sua entrada no indicador dos investigadores altamente citados que evitou que a Universidade de Coimbra sofresse uma queda superior a uma centena de lugares. E daqui nasce uma segunda pergunta, talvez ainda mais incómoda, como se explica que uma investigadora com um currículo científico superior ao de numerosos professores associados e mesmo de não poucos professores catedráticos, continue ainda hoje apenas na categoria de investigadora auxiliar? 

Será que a resposta se encontra, nos próprios critérios de contratação e promoção da academia portuguesa, onde demasiadas vezes a deferência, a obediência e o proverbial lambe-botismo parecem valer mais do que a excelência científica, a autonomia intelectual e o reconhecimento internacional? Uma realidade que um conhecido investigador português, vencedor do Prémio Pessoa (que ocupa a segunda posição nesta lista de cientistas) e que além disso integra o júri do importante e prestigiado Prémio Gulbenkian para a Humanidade, sintetizou de forma particularmente lúcida e devastadora como uma “burocracia cuidadosamente arquitetada para defender os interesses da mediocridade instalada”.

PS - Esperemos que a supracitada investigadora Ana Marta Gonçalves não se canse de receber tão pouco reconhecimento, académico, institucional e também material (porque no nosso país um investigador no inicio de carreira ganha o mesmo que os motoristas do primeiro-ministro), e não decida seguir o caminho de outra investigadora da mesma universidade, Inês Trindade, que trocou Portugal pela academia sueca, caso que recordei num post de 25 de Abril de 2025 https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/04/sera-que-aumentar-actual-inflaccao-de.html ou aqueles investigadores, também da universidade de Coimbra, que comentei num post mais recente com o interessante e bastante revelador título: "Uma "brilhante" estratégia Portuguesa - Empobrecer orgulhosamente ao mesmo tempo que ajuda ricos a ficarem mais ricos" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/04/uma-brilhante-estrategia-portuguesa.html