sábado, 26 de setembro de 2026

A excelência científica Portuguesa pelas ruas da amargura à excepção da Engenharia

A conhecida firma bilionária Clarivate Analytics acaba de anunciar o nome dos 22 investigadores nas áreas da Física, da Química, da Medicina e da Economia que, em 2026, entram no Hall of Citation Laureates. Vide lista no final do post. A seleção resulta de um escrutínio exigente, os analistas daquela firma identificam os autores de artigos científicos de influência excepcional que tenham recebido milhares de citações. E o histórico da métrica dá peso ao método utilizado, pois dos 487 investigadores que até ao momento já foram selecionados para integrar aquele "clube", 89 receberam posteriormente um prémio Nobel. 

Desgraçadamente, Portugal continua sem conseguir colocar um único investigador no restrito e prestigiado grupo supracitado. É uma ausência bastante incómoda num país onde uma teia de interesses instalados que sequestrou o sistema universitário ajudou a multiplicar as classificações de Excelente atribuídas a um número anormalmente elevado de unidades de investigação. Mas que excelência científica é esta, afinal, que nem sequer consegue colocar um único cientista entre os quase 500 que integram o Hall of Citation Laureates?

A realidade é que, como escrevi em abril de 2025, numa crítica a um artigo de uma investigadora de uma instituição de ensino superior da Rússia, na qual citei um estudo publicado em 2021 na revista Higher Education Quarterly, as grandes descobertas exigem coragem para correr riscos intelectuais e desafiar ideias estabelecidas, coragem essa que os investigadores endogâmicos não possuem. E, sendo Portugal um campeão europeu da endogamia académica, havendo até reitores que a defendem ferozmente, não será, afinal, assim tão surpreendente que não haja um único cientista português no Hall of Citation Laureates. O que é surpreendente é haver tanta alegada "excelência" logo num país que, em vários indicadores científicos, fica abaixo da Grécia, da Roménia e da pobre Argentina.

Mas, como escrevi num post de 7 de agosto no qual listei cinco conselhos para jovens investigadores, é precisamente na era da IA que mais precisamos de cientistas verdadeiramente corajosos. A IA pode, fazer muitas coisas; não pode, porém, mostrar pelo próprio exemplo o que significa pagar o preço de desafiar uma autoridade, defender uma verdade inconveniente ou persistir numa linha de investigação que todos aconselham a abandonar. A coragem científica aprende-se com quem efectivamente correu esses riscos e suportou as suas consequências, algo que a IA não é capaz de fazer. E uma universidade endogâmica, onde cobardes formam outros cobardes, também não. Quando uma universidade premeia a subserviência e castiga a coragem, a sua excelência existe apenas no papel. As descobertas que mudarão o mundo nascerão onde investigadores corajosos formam outros igualmente corajosos, tudo o resto é administração da mediocridade.

PS - Infelizmente não há nenhum prémio Nobel para a área da Engenharia que é precisamente aquela que em Portugal consegue fazer aquilo que muitas outras não conseguem https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/07/porque-e-que-em-portugal-so-engenharia.html


Hall of Citattion Laureates 2026

Canadá

Daniel J. Drucker…………Medicina

China

     Qikun Xue…………..……..Física

Dinamarca

Jens Juul Holst…………..Medicina

Israel

Jacob Sagiv………………Química

Japão

Chihaya Adachi…………..Física

Suíça

Nicola A. Spaldin…………Física

 

Estados Unidos

Svetlana Mojsov………….Medicina

James G. Fujimoto……….Medicina

David Huang………………Medicina

Eric A. Swanson………….Medicina

Timothy A. Springer………Medicina

Stephen R. Forrest……….Física

Mark E. Thompson……….Física

David L. Allara…………….Química

Ralph G. Nuzzo…………..Química

Harry B. Gray……………..Química

Jay R. Winkler…………….Química

David R. Liu……………….Química

Susan C. Athey……………Economia

Hal R. Varian………………Economia

Michael D. Woodford……..Economia

Sidney G. Winter………….Economia