Recentemente um catedrático da Universidade de Coimbra criticou num artigo no jornal Público, a politica científica deste Governo, por preferir apostar na ciência aplicada em detrimento da ciência fundamental. Vide link supra. Infelizmente logo no inicio do seu artigo, talvez por ingenuidade, aquele deu crédito à ilusão de que as empresas e bancos Portugueses andam viciados em actividades de investigação, na qual alegadamente gastam milhares de milhões de euros, quando na realidade o que acontece, é que esses milhares de milhões foram canalizados para fundos de capital de risco, em troca de benefícios fiscais.
Aliás para se perceber que "a bota não batia com a perdigota", bastava atentar no facto de se ter ficado a saber que as mesmas empresas que alegadamente gastavam milhares de milhões em actividades de investigação, recusavam contratar doutorados, nem sequer mesmo que o Estado chegasse ao ponto de lhes conceder um subsidio fiscal no valor de 120% do valor do seu salário, vide estudo, que me foi enviado por um Colega da universidade de Aveiro e que dei a conhecer a um elevado número de colegas, através de um email que reproduzo no final do presente post.
No respeitante a críticas à política científica deste Governo, esteve porém muito melhor um arguto professor associado do ISCTE, que há poucos dias, escreveu que: "A ideia de orientar a investigação para as empresas assenta numa visão linear da inovação...Mas há décadas que os estudos de inovação mostram como esta imagem é errada. Mesmo quando há transferências, elas raramente são automáticas: exigem competências internas para compreender, interpretar e combinar conhecimento com activos específicos...Ainda mais importante, o maior contributo da ciência para a economia não está, na maioria dos casos, nos resultados imediatos da investigação, mas nas competências que ela forma e difunde"
Mas, pior do que privilegiar a investigação aplicada em detrimento da investigação fundamental, pior do que permitir que milhares de milhões de euros sejam canalizados directamente para fundos de capital de risco e pior do que confundir as fragilidades do tecido económico com um putativo desalinhamento entre ciência e economia, que justificou a fusão entre a FCT e a ANI, é aquilo que há alguns meses se podia ler no semanário Expresso: "a despesa pública em I&D caiu a pique no período da troika e nunca recuperou desde então, estando agora em níveis inferiores aos registados no ínicio dos anos 1990". Mas se a desculpa é uma alegada falta de dinheiro, que não pode ser, porque na década de 90 não havia mais dinheiro do que agora, então trate o Governo de copiar o que fazem na Suécia e na Alemanha, no que respeita a dar caça aos grandes evasores fiscais, que em Portugal são responsáveis por um buraco de astronómico de mais de 40.000 milhões de euros https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/o-que-falta-portugal-para-ser-como.html
PS - Mas, se de facto as empresas Portuguesas não querem contratar doutorados, nem mesmo recebendo subsídios, mais não resta aqueles do que irem trabalhar para empresas em países estrangeiros, que mereçam o seu esforço e o seu talento, ou em alternativa tentarem criar as suas próprias empresas, seguindo o caminho do insigne doutorado da universidade de Aveiro, que fundou uma startup extremamente valiosa e também daqueles cujas startups já recolheram financiamento de vários milhares de milhões de euros https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/11/univ-de-lisboa-uma-noticia-sobre-um-1.html
De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 4 de julho de 2025 14:19
Enviado: 4 de julho de 2025 14:19
Assunto: Estudo mostra que as empresas Portuguesas não querem doutorados nem mesmo que lhes paguem muito para os contratar
Aproveito para reenviar abaixo link de artigo e também texto de email que há pouco recebi de um colega da U.Aveiro. Sobre o SIFIDE lá referido, declaro que critiquei essa aberração mais de uma dezena de vezes. A última vez que o fiz foi no passado mês de Maio https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/05/que-licoes-se-podem-extrair-do-livro.html
PS - Talvez isso ajude a explicar porque há milhares de doutorados desempregados https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/04/sera-que-aumentar-actual-inflaccao-de.html
Anexo link para paper interessante sobre o SIFIDE. Em resumo:
Nem com 120% de bonificação as empresas "pegam" nos PhD holders.
Cumprimentos
Daniel