quarta-feira, 20 de maio de 2026

A improvável nova febre Portuguesa que vai dar uma ajuda ao Governo de Montenegro

 

A revista Sábado dedicou um extenso artigo de nada menos do que 11 páginas sobre a “febre das caminhadas e corridas”, um fenómeno verdadeiramente extraordinário num país que, durante demasiado tempo, se habituou a figurar como campeão do sedentarismo entre dezenas de países, como recordava um artigo da revista Visão, em Maio de 2024

Recordo também que há apenas cinco anos, divulguei um artigo da conhecida revista The Economist sobre o saudável passatempo nacional da Coreia do Sul. Na altura, lamentei que o passatempo nacional português continuasse a ser a visualização de jogos de futebol, seguida de intermináveis horas de comentários alienantes sobre esses mesmos jogos.  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/os-passatempos-dos-diferentes-paises.html

Pelos vistos, algo de verdadeiramente invulgar aconteceu, entretanto, neste país. De repente, há milhares de portugueses a romper com a velha tradição do sedentarismo e a aproximarem-se, de forma surpreendente, do modelo coreano. Quem deve estar a esfregar as mãos de contente é o Primeiro-Ministro Luís Montenegro, que talvez já esteja a fazer contas aos 3.000 milhões de euros que o Estado poderá poupar anualmente, segundo o estudo que divulguei aqui https://pachecotorgal.com/2024/05/30/uma-ajuda-ao-pouco-informado-governo-portugues-para-conseguir-poupar-anualmente-milhares-de-milhoes-de-euros/

PS - É claro que uma população fisicamente ativa também tem as suas "desvantagens", pelo menos para quem governa. Quanto maior o nível de atividade física de um povo, maior tende a ser a sua energia cívica, a sua participação comunitária e, inevitavelmente, a sua exigência política. Portugueses que caminham mais, pensam mais. E portugueses que pensam mais, conformam-se muito menos. Talvez o primeiro-ministro deva por isso "fazer bem as contas" antes de se congratular com a referida poupança bilionária. 

sábado, 16 de maio de 2026

Quais as universidades e politécnicos que mais contribuíram para que Portugal esteja agora ao nível da produção da Suécia na área das publicações científicas sobre IA ?



Relativamente ao ranking que divulguei no post acessível no link supra, onde Portugal aparece exactamente com o mesmo rácio da Suécia, reproduzo abaixo a lista com a produção científica actualizada das universidades e politécnicos públicos. A análise das universidades e politécnicos que mais produziram relativamente ao ranking de Maio de 2025 é apresentada abaixo dessa lista. 

Relativamente aos 12 investigadores com mais publicações em IA, os dez primeiro lugares estão ocupados por membros de um grupo de investigadores de medicina da universidade do Porto. O 11º lugar pertence à professora Coordenadora Principal Zita Vale do Politécnico do Porto e o 12º lugar pertence ao catedrático Paulo Novais da universidade do Minho. 

U.Porto..........................317 publicações indexadas na Scopus 
U.Lisboa........................254 
U.Minho........................188 
U.Aveiro........................170 
U.Coimbra.....................151 
U.Nova..........................150 
Polit. do Porto...............120 
ISCTE...........................117 
UTAD............................110 
UBI.................................80 
Polit. de Bragança..........49 
Polit. de Coimbra............43 
Polit. do Cávado e Ave....38 
Polit. de Leiria.................35 
U.Algarve........................33 
Polit. de Viseu.................21 
U.Évora...........................21 
Polit. de Portalegre.........20 
Polit. de Setúbal..............19 
Polit. de Lisboa...............19 
Polit. Viana do Castelo...18 
U.Aberta.........................17 
U.Madeira.......................13 
Polit. da Guarda..............12 
Polit. de Santarém...........11
Polit. de Tomar.................8
Polit. de Castelo Branco...6 
U.Açores..........................2
Polit. de Beja....................2 

Universidade do Porto mantém a liderança nacional e é também quem mais cresce em número absoluto. Entre os politécnicos, o destaque maior vai para o Politécnico do Porto, que quase triplica a sua produção anterior. Uma evolução igualmente impressionante é a da Universidade de Aveiro que cresce 161,5% subindo dois lugares no ranking nacional. Em termos relativos, sobressaem também o Politécnico da Guarda, o Politécnico de Viseu, a Universidade de Évora, a Universidade Aberta e o Politécnico de Coimbra, vide Tabela 3. 

Tabela 1 - Principais subidas no ranking nacional

InstituiçãoRanking 2025 Ranking 2026 Variação
Politécnico de Viseu24.º16.º+8 lugares
Universidade de Évora22.º17.º+5 lugares
Politécnico da Guarda29.º24.º+5 lugares
Politécnico de Coimbra16.º12.º+4 lugares
Universidade de Aveiro6.º4.º+2 lugares
Instituto Politécnico do Porto9.º7.º+2 lugares


Tabela 2 - Maiores subidas em termos absolutos

Instituição2025 2026 Aumento  Crescimento
Universidade do Porto169317+148+87,6%
Universidade de Lisboa126254+128+101,6%
Universidade do Minho82188+106+129,3%
Universidade de Aveiro65170+105+161,5%
Universidade Nova de Lisboa69150+81+117,4%
Instituto Politécnico do Porto41120+79+192,7%
Universidade de Coimbra82151+69+84,1%
ISCTE54117+63+116,7%
UTAD47110+63+134,0%
Universidade da Beira Interior3680+44+122,2%


Tabela 3 - Maiores crescimentos em termos percentuais

Instituição2025 2026 Aumento Crescimento
Politécnico da Guarda212+10+500,0%
Politécnico de Viseu521+16+320,0%
Universidade de Évora621+15+250,0%
Universidade Aberta517+12+240,0%
Politécnico de Coimbra1343+30+230,8%
Instituto Politécnico do Porto41120+79+192,7%
Politécnico do Cávado e do Ave1338+25+192,3%
Universidade de Aveiro65170+105+161,5%
Universidade do Algarve1333+20+153,8%
Politécnico de Portalegre820+12+150,0%

quinta-feira, 14 de maio de 2026

What Is Happening with Germany? AI Research Output Tells a Troubling Story

 


Around six months ago, in the post linked above, Germany’s Continued Underperformance and Portugal’s Escalating AI Obsession, I examined the roots of Portugal’s unusually high academic productivity in artificial intelligence. One result stood out in particular: according to a Scopus-based comparison, Portugal was already producing about 65% more AI-related publications per million inhabitants than Germany.

A similar search carried out today suggests that Germany’s relative position has become even more concerning. Several much smaller countries now show far stronger AI publication intensity than Germany. The gap is particularly striking in the cases of Cyprus and the United Arab Emirates. Compared with Germany’s AI publications per million inhabitants, Cyprus has an advantage of around 237%, and the UAE around 165%, over Germany.

These differences are too large to ignore. They raise an uncomfortable question about Germany’s ability to keep pace in one of the most strategically important scientific fields of this century. The institutional comparison is also revealing. Harvard Medical School alone reports 1,151 Scopus-indexed AI publications, while Germany’s leading university in this search, Technische Universität München, reports 707. The citation gap is also worrying: Germany has only 5 AI-related publications with more than 500 citations, compared with 10 in India, 11 in Canada, 15 in Australia, 18 in the United Kingdom and 33 in the United States.

For a country long associated with engineering excellence, scientific strength, industrial leadership, and technological sophistication, these numbers are difficult to dismiss. So the question must be asked: What is happening with Germany? Is Germany underinvesting in AI research? Is its academic system too slow, too fragmented, or too bureaucratic? Is talent moving elsewhere? Or are smaller and more agile countries simply adapting faster to the AI revolution?

Scopus AI-related publications per million inhabitants
1Singapore388 
2Cyprus 381
3United Arab Emirates299
4Ireland271
5Switzerland268
6Qatar262
7Finland259
8Norway248
9Bahrain244
10Australia209
11Greece208
12Denmark208
13Sweden192
14Portugal192
15Kuwait186
16Austria173
17Netherlands172
18Saudi Arabia169
19United Kingdom168
20Oman167
21Jordan155
22Canada140
23Italy140
24New Zealand126
25Croatia124
26Belgium116
27Germany113

Update after 1 day - Blogger analytics indicate that the majority of views for this post come from the USA (21%), Germany (12%) and Brazil (10%). 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

The Case of a Disease That Never Existed: How Fake Research Entered AI Systems

 

Almira Thunström, a physician at the University of Gothenburg, designed an experiment as elegant as it was unsettling. She invented an entirely fictitious medical conditionbixonimania, supposedly a skin disorder affecting the eyelids and linked to blue-light exposure—and uploaded two fabricated preprints to an academic repository. Within weeks, major large language models were presenting the condition to users as established medical fact. 

The experiment was deliberately constructed to be transparently fraudulent. The fictional lead author, Lazljiv Izgubljenovic, was listed as affiliated with the non-existent Asteria Horizon University in the equally imaginary Nova City, California. The acknowledgements thanked “Professor Maria Bohm at The Starfleet Academy” and cited funding from “the University of Fellowship of the Ring.” One paper explicitly stated that it had been entirely fabricated; another described its study population as “fifty made-up individuals.” Yet none of these obvious warning signs prevented the fabricated research from being absorbed into AI-generated medical knowledge. https://www.nature.com/articles/d41586-026-01100-y

Less than three weeks after the fabricated preprints appeared, major AI systems were already presenting bixonimania as a legitimate medical condition. Microsoft’s Copilot described it as “an intriguing and relatively rare condition.” Google’s Gemini advised users to consult an ophthalmologist. Perplexity AI even estimated its prevalence at one case per 90,000 people, while OpenAI’s ChatGPT offered symptom comparisons. The experiment suggests that the very architecture of academic publishing can become a vehicle for misinformation when AI systems are trained to treat these signals as proxies for credibility. More troubling still, the false research did not remain confined to AI-generated outputs. One of the fabricated preprints was later cited in a peer-reviewed article published in Cureus, part of the Springer Nature group, which described bixonimania as “an emerging form of periorbital melanosis linked to blue light exposure.” After inquiries from Nature, the journal retracted the paper on 30 March 2026—demonstrating how quickly fabricated research can move from preprint repositories to AI systems and, ultimately, into the scientific record itself.

PS - Yet the most obvious failure in this case was not the language models. It was the near-total absence of upstream verification. These papers were not sophisticated forgeries. They cited funding from “the University of Fellowship of the Ring,” listed an author affiliated with a university that did not exist, and located that institution in an imaginary city. And still, they passed through the submission process. Preprint repositories such as bioRxiv and medRxiv continue to accept submissions tied to institutions that may not exist, often with less scrutiny than a commercial web form. A basic automated check against established research registries such as the Global Research Identifier Database would have flagged “Asteria Horizon University” and “Nova City, California” in seconds. This is not a technical limitation, nor a question of cost. It is a question of institutional priorities. If platforms feeding the scientific record cannot detect references to fictional universities, imaginary cities, or funding bodies borrowed from fantasy literature, they should not be surprised when fabricated research flows downstream into AI systems, citation networks, and eventually the scientific literature itself.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Putativas elites mediáticas e a humilhação sistemática da ciência portuguesa

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/a-maquina-de-estupidificar-os.html

Depois da indigência intelectual perpetrada pela revista Visão em 2019, que nas suas célebres "100 figuras da década" conseguiu o prodígio de incluir 29 Portugueses "notáveis", entre os quais apenas um único cientista, vide post acessível no link supra. Depois da deplorável lista do semanário Expresso de 2023, que elegeu os 100 Portugueses que "marcaram e vão marcar o país e o mundo", onde apareciam apenas 14 Académicos, quase o mesmo número de desportistas, como se o contributo de quem produz conhecimento, inovação e progresso civilizacional pudesse ser colocado no mesmo plano do de quem se limita a proporcionar espectáculo e distracção das massas. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/08/a-deploravel-lista-do-expresso-que.html Eis que agora a revista Sábado, decidiu assinalar os seus 22 anos de existência com a publicação de uma nova lista, “22 figuras que estão a mudar Portugal”. 

A inclusão de três cientistas, Rui Costa, Fábio Rosa e Gonçalo Castelo-Branco, representa um avanço claro face às vergonhosas listas anteriores. Igualmente positiva é a presença dos fundadores da Tekever, da Sword Health e da Feedzai, três tecnológicas portuguesas com projeção internacional genuína e bastante meritória, cujos líderes, em particular o CEO da Sword Health, elogiei em diversos posts, incluindo num com elevado potencial para envergonhar alemães  https://pachecotorgal.com/2025/11/30/germanys-underperformance-and-the-rising-ai-obsession-among-portuguese-researchers/

Na lista há ainda dois políticos, uma reitora, um médico, dois cantores, um artista visual, um escritor, uma humorista, uma chefe de cozinha, um empresário de restauração e cinco desportistas. O que significa que uma vez mais, a equação do país revela-se a mesma, a ciência que move o mundo continua a valer menos do que o entretenimento que distrai o povo. O único registo positivo é o facto de desta vez haver apenas um único representante modalidade do pontapé e da cabeçada no esférico. Ou melhor dizendo, uma. 

PS - A ironia mais devastadora talvez nem esteja na lista em si, mas no facto de que, dos três cientistas distinguidos, nenhum deles trabalha em Portugal. Um encontra-se nos Estados Unidos e os outros dois na Suécia. Em suma, o nosso país continua a fazer aquilo em que se tornou especialista: financiar talento, formar talento e depois exportá-lo para que outros países colham os dividendos científicos, tecnológicos e económicos desse investimento. Vide post anterior onde abordei essa tragicomédia de título, Uma "brilhante" estratégia Portuguesa - Empobrecer orgulhosamente ao mesmo tempo que ajuda ricos a ficarem mais ricos  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/04/uma-brilhante-estrategia-portuguesa.html

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Problems with a well-intentioned but naive manifesto about sustainable scientific research in the era of big science and AI

 

In a manifesto published this week in Nature Communications, 21 scientists from universities across the United States, United Kingdom, Ireland, Italy, Germany, and Switzerland argue that science is losing valuable knowledge through unpublished negative results, inadequate documentation, and fragmented preservation practices. The concern is plausible—and in many ways overdue. Yet the paper’s central weakness appears immediately: it treats the scale of the problem as self-evident rather than demonstrated. How often are failed experiments unknowingly repeated? What proportion of irreproducibility is actually caused by missing documentation, rather than underpowered studies, unstable reagents, or flawed experimental design? What are the financial, scientific, or human costs of such losses? The paper offers no empirical answers. Instead, it relies largely on other perspective pieces to justify major cultural and infrastructural reforms. Without quantification, it is difficult to judge whether the proposed solutions are proportionate to the problem being described. https://www.nature.com/articles/s41467-026-72667-3?utm_source 

The paper is equally reluctant to confront the political economy of scientific publishing—or its own place within it. Commercial publishers benefit from scarcity of access, novelty bias, and the prestige economy of high-impact journals. The authors acknowledge that publishers have “a role to play,” but avoid naming the structural conflict: many of the reforms they advocate run directly against the financial incentives of the institutions through which scientific prestige is currently distributed. This creates an uncomfortable tension. The paper is written by active researchers whose careers depend on the existing system, published in one of the journals that helps sustain that system, while calling for reforms that would require parts of it to be fundamentally restructured. Yet there is no acknowledgment of this positionality, and no reflection on what it means for the credibility—or political feasibility—of the recommendations. The most honest version of this manifesto would have confronted a harder question: are we, as authors, actually willing to do what we are asking others to do?

The paper is also surprisingly optimistic about AI. Large language models are trained on the published scientific literature—the same positivity-biased and methodologically incomplete record the authors criticize. They cannot recover failed experiments that were never documented, nor reconstruct tacit laboratory knowledge that was never written down. What they can do is reorganize an already distorted archive and return it with extraordinary fluency. But there is an additional danger the paper never addresses: as AI-generated content increasingly enters the scientific and online knowledge ecosystem, future models may be trained not only on incomplete human records, but on synthetic outputs generated by previous models. As recent research on “model collapse” has shown, systems trained recursively on AI-generated data can progressively lose diversity, accuracy, and fidelity to the original human knowledge base. In that scenario, AI would not merely reproduce the biases of the scientific record—it could amplify and recursively entrench them. Trustworthy AI in science therefore depends not only on better data curation, but on preserving human authorship, human judgment, and human-generated knowledge as the foundation of scientific communication.

PS - Unfortunately, the paper never acknowledges that American science — still one of the institutional pillars of the global research enterprise it claims to protect — is facing an existential threat. The Trump administration has cancelled thousands of grants, gutted federal science agencies, subjected peer-reviewed journals to Department of Justice scrutiny, and defunded research areas on ideological grounds. These are not background conditions; they are direct attacks on the very infrastructure of knowledge production this paper is trying to reform and, in many cases, defend. A manifesto about the fragility of scientific knowledge that finds no space for that reality is not apolitical — it is politically evasive. It reads like a document preoccupied with ventilation standards while the building is already on fire.

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segunda-feira, 27 de abril de 2026

O erro crasso do Presidente da DST


A determinada altura da sua extensa entrevista publicada no último número da revista Visão, o conhecido Presidente da DST afirma pretender trabalhadores livres, criticando os do género obediente que na sua opinião significam o caos numa empresa. Tal afirmação assenta, porém, num erro evidente. Com efeito, e ao contrário do que ele afirma são precisamente os trabalhadores livres que podem gerar o tal “caos” que, como observou o já falecido Engenheiro Conselheiro Renato Morgado, também catedrático da Universidade do Minho, no artigo Prevendo o futuro, publicado na revista da Ordem dos Engenheiros, que se revela indispensável ao sucesso das organizações. Esse artigo, aliás, reproduzi-o num post que curiosa e inesperadamente viria a tornar-se o sexto mais visto de sempre do meu primeiro blogue. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/academia-portuguesa-necessita-de.html

Há porém uma área em Portugal onde a obediência é um requisito absolutamente fundamental, pelo menos a acreditar nas palavras de um catedrático da universidade de Lisboa que escreveu "é a obediência, quando não a mediocridade, que são recompensadas" na progressão na carreira académica". https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/04/9-euros-e-quanto-custa-o-livro-sobre-os.html 

As duas perguntas que nesse contexto particular se impõem são, por isso, tão incómodas quanto inevitáveis: que probabilidade têm professores promovidos pela obediência de conseguir formar alunos livres, críticos e intelectualmente independentes? E quanto é que custa a Portugal, em inovação adiada e atraso estrutural, essa cultura de submissão?

Declaração de interesses - Faço notar que esta não é a primeira vez que critico o Presidente da DST, já o tinha feito aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/12/uma-critica-suave-ao-presidente-da-dst.html

sábado, 25 de abril de 2026

Serão os Portugueses um povo inferior ?


A imprensa revelou que, nas instituições de ensino superior de Coimbra, há estudantes que não se coíbem de fazer apologia do nazismo, algo que é particularmente grave por ocorrer num espaço que se pretende associado à tolerância, ao debate e ao pensamento crítico.

A parte irónica é o que esse episódio revela em termos de ignorância histórica pois o nazismo assenta na ideia de supremacia da raça Alemã e na hierarquização dos povos, relegando a maioria incluindo os do sul da Europa, como os portugueses para posições de inferioridade. Ou seja, alguns estudantes portugueses acabam assim, paradoxalmente, por defender uma ideologia que os coloca num estatuto inferior face a outros povos.

Perante isto, faz sentido questionar, será que o acesso e a permanência no ensino superior público não deveria pressupor um patamar mínimo de conhecimentos históricos? Ou, em alternativa, deveriam as universidades ser obrigadas a colmatar essa lacuna, integrando desde o primeiro ano, em todos os cursos, unidades curriculares obrigatórias sobre história ?

No mínimo dos mínimos, alguém deveria fazer a caridade de explicar a esses estudantes de Coimbra com pretensões de superioridade que, nos EUA, ao longo do século passado, os emigrantes latinos, portugueses incluídos, eram oficialmente classificados como sendo inferiores. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/12/science-and-supremacy-of-white-race.html 

Ainda assim e sendo óbvio que não existem povos inferiores a outros, a dura e inegável realidade é que há países como Portugal cujas instituições e leis são manifestamente inferiores às de outros países. Se Portugal necessita de 50 anos para julgar o caso BES, como garantiu um reputado advogado especialista em Direito Penal; se já passaram 12 anos e o julgamento do caso Marquês apenas agora teve início, com José Sócrates a acumular tantos advogados que, a esse ritmo, é mais provável que todos os crimes de que está acusado prescrevam antes de o julgamento chegar ao fim; se Portugal não consegue meter na cadeia os políticos que distribuem empregos a familiares e amigos, como faz a justiça francesa; se Portugal não conseguiu identificar os envolvidos na corrupção do caso dos submarinos, quando a justiça alemã foi capaz de descobrir os corruptores, se em Portugal há quem tenha sido acusado de mais de centena de crimes de corrupção e depois todos eles acabaram por prescrever, e se a justiça portuguesa praticamente necessita de pedir autorização aos próprios criminosos para poder confiscar os produtos dos seus crimes então é evidente que, nesta área, Portugal é, lamentavelmente, inferior a muitos outros países.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Um feito invulgar que revela, acima de tudo, a mediocridade estrutural de Portugal

 

O caderno principal do semanário Expresso divulga uma entrevista a uma estudante de medicina da universidade do Porto, que se tornou na primeira Portuguesa a atingir o nível de Grande Mestre feminina. O feito que merece parabéns mostra porém o nosso grande atraso, pois a vizinha Espanha teve a primeira GM feminina há mais de 30 anos, o mesmo também tendo sucedido com a Islândia, esse colosso geográfico, sobre o qual há poucos anos produzi um post cujo conteúdo continua a ser humilhante para o orgulho nacional. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/04/o-misterio-dos-306-evaporados-grandes.html

Na referida entrevista o Presidente da Federação Portuguesa de Xadrez queixa-se da falta de apoios, pois segundo ele esta modalidade, não é levada tão a sério pelo Governo, como outras modalidades. Nada de surpreendente, já que o xadrez, ao contrário da indigente modalidade do pontapé e da cabeçada num esférico (desprezada por um escritor famoso), para onde os Governos canalizam avultados recursos públicos, não se limita ao esforço físico nem à catarse coletiva. Exige, isso sim, disciplina mental e pensamento crítico, qualidades que, neste país, infelizmente são vistas com desconforto e até com bastante desconfiança.

PS - O facto de a pequena Islândia apresentar um rácio de investigadores no Top 0,5% do ranking de Stanford por milhão de habitantes que é 300% superior ao de Portugal, ter um PIB per capita quase 300% superior ao rácio português e conseguir pagar salários médios superiores a 5000 euros mostra bem e até com alguma brutalidade, o elevadíssimo preço de no nosso país se ter andado durante tantos anos a promover a indigência e a mediocridade e a descriminar a disciplina mental e o pensamento crítico. 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Annus Horribilis - Examining productivity gaps in American research universities

A recent large-scale study by three scholars from Hebrew University of Jerusalem, published in the journal Higher Education, analyzes fifteen years of longitudinal publication data for more than 310,000 faculty members across American research universities nationwide. One of its central findings is that between 32% and 47% of all career years include no recorded publications as they themselves define it, which the authors somewhat dramatically describe as an annus horribilis.”  https://link.springer.com/article/10.1007/s10734-026-01665-7

This conclusion, however, depends on a relatively narrow definition of research productivity. The study equates productivity with outputs indexed in specific bibliometric databases—namely journal articles listed in CrossRef and books catalogued by Baker & Taylor. Such a definition excludes a wide range of legitimate scholarly contributions. These include conference proceedings (which are often the primary dissemination channel in fields such as computer science and engineering), as well as working papers, preprints, policy reports, datasets, software, technical reports, book reviews, and other forms of scholarly and public engagement.

A similar limitation appears in the study’s treatment of research funding. Funding is measured exclusively through federal grants in which a faculty member is identified as Principal Investigator. This approach excludes other significant sources of research funding, including internal university funding, private foundation grants, industry-sponsored research, international funding agencies, and sub-awards in which a scholar participates as a co-investigator. Smaller-scale funding mechanisms, such as fellowships and travel grants, are also not considered, despite their importance in sustaining research activity.

Finally, the study does not adequately address differences in publication practices across disciplines. Patterns of scholarly production vary considerably between fields. In the humanities, for instance, the monograph often serves as the primary form of scholarly output and may require several years of sustained work. By contrast, fields such as the biomedical sciences typically involve large collaborative teams that produce multiple articles annually. 

Taken seriously, these limitations collapse the central claim. The “productivity crisis” reads less as a discovery than as a byproduct of poorly specified metrics. Before advancing any further conclusions, the three Israeli scholars need to show that their measurement strategy is not fundamentally miscalibrated. In this context, it may be worth revisiting my earlier letter, “The Illusion of Scientific Talent Identification Through Publication Counts.” 

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domingo, 19 de abril de 2026

A perigosíssima criatura que a engenharia criou mas que o público não pode ver


Há poucos dias, a firma de IA Anthropic, famosa por ter enfrentado as exigências de Trump, anunciou ao mundo o modelo Mythos, mas revelou que por conta da sua elevada perigosidade não iria disponibilizá-lo ao público, já que testes internos evidenciaram uma capacidade inédita do referido modelo conseguir identificar e explorar vulnerabilidades críticas em sistemas operativos e navegadores web, incluindo falhas antigas que os peritos humanos não tinham sido capazes de detectar. A Anthropic revelou ainda que o modelo Mythos conseguiu escapar do próprio ambiente criado para o conter, o que agrava a sua perigosidade. Ou seja, pela primeira vez na história da inteligência artificial, uma empresa de IA olhou para a sua "criatura" e decidiu que o mundo não estava preparado para a ver.

O perigoso modelo de IA Mythos levanta desde logo uma questão incontornável, com implicações diretas no mercado de trabalho, que utilidade existirá agora na contratação de especialistas humanos em vulnerabilidades cibernéticas, se milhares desses profissionais, ao longo de décadas, não conseguiram detetar o que este modelo foi capaz de detectar em tão pouco tempo?

E muito embora a decisão da Anthropic possa ser interpretada como bastante prudente, já que um sistema capaz de transformar fragilidades técnicas em formas de ataque acessíveis a qualquer pessoa representa um risco sistémico real ela levanta uma questão mais profunda, a normalização de um padrão em que empresas privadas de inteligência artificial decidem, em silêncio, o que a sociedade pode ou não utilizar e também aquilo que pode ou não conhecer. Acresce que o episódio de fuga do ambiente de contenção não aponta apenas para uma falha de segurança  aponta para algo bastante mais grave, a emergência de comportamentos não previstos pelos próprios criadores. Como reconheceu a própria Anthropic, ela, não treinou o modelo Mythos para vir a ter essas capacidades, sendo aquelas antes um efeito inesperado das melhorias globais em código, raciocínio e autonomia.

Ainda assim, a postura prudente da Anthropic é, no fundo, apenas um paliativo, pois é excessivamente optimista acreditar que nunca no futuro nenhum modelo de IA com as mesmas capacidades ou até com capacidades superiores às do modelo Mythos chegue às mãos erradas. Seja por fuga de informação, seja por simples inevitabilidade tecnológica, trata-se, muito provavelmente, apenas de uma questão de tempo. E quando isso acontecer, o risco não será abstracto. Poderá incluir ataques a bancos, a redes eléctricas, a hospitais, a sistemas de controlo aéreo, etc etc etc, infra-estruturas cujo colapso não se medirá somente em prejuízos financeiros, mas potencialmente em milhares de vidas. 

PS - Mas se nem os próprios governos conseguem hoje saber, em tempo real, que perigosas criaturas estão silenciosamente a ser geradas por empresas privadas de inteligência artificial, como poderão sequer alguma vez conseguir regular aquilo que não conhecem para assim tentar proteger os seus cidadãos de riscos graves e potencialmente catastróficos que, quando forem públicos, já podem ser absolutamente irreversíveis?

quinta-feira, 16 de abril de 2026

The serious case of papers that remained unassigned to editors for more than a year


Building on the earlier post The highly profitable disgusting business of scientific journals has finally begun to crumble with a little help by the European Commission, it is worth revisiting a striking case that illustrates the systemic dysfunction in academic publishing.

n one documented and recent example, an early-career infectious diseases researcher from Italy, Noemi Felisi, experienced an extraordinary delay in the editorial process. After submitting a manuscript based on months of fieldwork on cervical cancer, her paper remained unassigned to an editor for 380 days before peer review had even begun. This case was reported in a paper published in the journal  Frontiers in Research Metrics and Analytics. https://doi.org/10.3389/frma.2026.1740381

This is not an isolated incident but rather a symptom of a strained system. Submission volumes have increased sharply while the pool of available and willing reviewers has not kept pace. Editors frequently struggle to secure reviewers, with a majority reporting that reviewer recruitment is the most difficult part of their role.  As underscored in the recent study by Horta and Jung (2024) titled 'The Crisis of Peer Review: A Component of Scientific Evolution,' this predicament often forces editors to turn to early-career researchers, who may lack extensive publishing experience, leaving them with few alternatives.

The impact of these delays is uneven but significant. Early-career researchers are particularly vulnerable: prolonged publication timelines can jeopardize grant applications, delay fellowship opportunities, and extend time to graduation. Beyond career implications, the uncertainty itself adds psychological strain in an already competitive and precarious academic environment. Taken together, these issues highlight a peer-review ecosystem under considerable pressure—one where structural bottlenecks increasingly shape who gets published, and when — distorting knowledge production itself.

A more immediate and transformative response to these systemic delays has been the rise of preprints as a parallel, far more agile layer of scientific communication. By allowing researchers to make their findings publicly available before peer review, preprints break the exclusive dependence on a slow and often unpredictable editorial system. This not only accelerates the circulation of knowledge but also restores a degree of control to authors over when their discoveries enter the scientific discourse. Instead of months or even years of institutional invisibility, research becomes immediately accessible, open to scrutiny, citation, and global collaboration. For early-career researchers in particular, this shift can be decisive: it reduces structural power asymmetries, strengthens the protection of discovery priority, and turns what was once a passive waiting period into an active, open, and iterative ecosystem for feedback, validation, and collective refinement of scientific work and collaboration.

PS - A more detailed examination of the serious issue of manuscripts remaining unassigned to editors for more than one year was published on Zenodohttps://zenodo.org/records/19630688

Update after 1 day - Blogger analytics indicate that the majority of views for this post come from the USA (26%), Germany (22%), France (14%), and Finland (7%). 

domingo, 12 de abril de 2026

Um feroz magistrado aposentado e uns cabrões e filhos da puta esfomeados


“Não se admite que um cabrão de um secretário de Estado, ministro ou um filho da puta qualquer que seja governante e receba do erário público,  gaste uma média de 295 euros por refeição paga por todos nós, através do Orçamento de Estado. Não se admite, ponto final.” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/01/as-cabras-e-os-cabroes.html

No post acessível no link supra, reproduzi as palavras indignadas de um feroz magistrado aposentado que criticou os políticos que gastam verbas públicas em refeições de luxo, assim traduzindo aquilo que é o sentimento de muitos Portugueses. Volto agora a citá-lo a propósito de um artigo publicado na última edição da revista Sábado, no qual se divulga o facto da Presidente da Câmara de Matosinhos obrigar a contabilidade dessa Câmara a pagar almoços com "consumo massivo de marisco", que nalguns casos chegam a 2 mil eurosNum dos muitos almoços descritos em pormenor pela revista, apenas quatro pessoas gastaram mais de 400 euros em mariscos vários, abundantemente regados com três garrafas de Quinta do Crasto, o que adquire uma ironia particular numa altura em que o Governo fala da necessidade de agravar as coimas pela condução sob o efeito do álcool.

Revela ainda a mesma revista que a referida autarca "tem colocado inúmeros obstáculos à revista Sábado para mostrar as suas despesas", recusando inclusive divulgar a identidade dos participantes nos tais "almoços de trabalho" realizados nas marisqueiras de Matosinhos. Fica assim estabelecido um princípio absolutamente perverso: os contribuintes têm a obrigação de pagar a conta das generosas mariscadas, mas não têm o direito de saber quem são as ilustres figuras que comeram à conta dos seus impostos. É só fazer as contas, se cada uma das 308 câmaras municipais fizer uma "reunião de trabalho" de 400 euros por semana, são mais de 5 milhões de euros por ano em mariscadas regadas, o que na verdade até é uma estimativa muito por baixo porque não há apenas uma "reunião de trabalho" por semana, pois a regra é que haja várias, até no mesmo dia. Basta recordar por exemplo as 545 "reuniões de trabalho" do senhor vice-presidente da Câmara de Cascais, também em boa hora divulgadas pela mesma revista Sábado. E isto acontece no mesmo país onde, há quem sobreviva com pensões inferiores a 400 euros por mês e onde ainda hoje, há milhares de portugueses que vivem com as casas completamente destruídas pelo famoso comboio de tempestades que há poucos meses assolou o território nacional. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/engenharia-civil-em-portugal-azar-dos.html

Há 50 anos que este país é parasitado por uma classe política manhosa e ignóbil, mas é garantido que, a bem ou a mal, com ou sem revisão da Constituição, irão aprender que, como escreveu um juiz, os luxos pagos com o dinheiro dos contribuintes são coisa muito pouco ética e até imoral. Acresce que, se em Portugal a lei já concede aos senhores presidentes de câmara um subsídio mensal de mais de mil euros, a título de despesas de representação, então é precisamente através dessa verba que devem pagar algumas das referidas extravagâncias. Aqueles que, como a senhora presidente da Câmara de Matosinhos, de forma desavergonhada, cínica e velhaca optaram por transferir esse ónus para os contribuintes, devem ser acusados e demandados judicialmente até que paguem, do seu próprio bolso, até ao último cêntimo, todo o dinheiro que gastaram em mariscadas bem regadas.

PS - Irónica ou tragicamente, a revista Sábado conseguiu pelo menos saber que um dos festins devidamente regado com Alvarinho, Bons Aires e Quinta do Crasto, foi uma "reunião de trabalho" com párocos do concelho de Matosinhos, que custou quase 500 euros. E uma semana depois desse voltou a haver uma nova e bem regada "reunião de trabalho" com os párocos do mesmo concelho, cuja factura de marisco ultrapassou 600 euros. Pelos vistos naquele concelho a Srª Presidente da Câmara gosta de ter a padralhada bem alimentada. 

sábado, 11 de abril de 2026

The Paradox of Humility: Europe's Proudest Values May Be Its Deepest Startup Failure



Building on my previous post (linked above), it is worth disclosing the results of a French study published in the Strategic Entrepreneurship Journal showing that expressed humility plays a decisive role in early-stage investors' funding decisions. The study shows that humility increases perceived likeability, trustworthiness, and the belief that founders can build strong teams. In pitch contexts, it functions as a relational signal under uncertainty. However, humility is not unambiguously rewarded. It is a double-edged signal: while it strengthens perceptions of relational capacity, it can also raise doubts about decisiveness and agency, as investors rely on simplified heuristics when evaluating entrepreneurs. https://sms.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/sej.70016

There is, however, a fact the study does not advertise: France is not Silicon Valley. It is a market where startup exits are rarer, unicorns thinner on the ground, and venture capital a fraction of what flows through the American ecosystem. Which raises an uncomfortable question: what if the investor behaviour this study measures is itself part of the problem? If French investors reward humility and American investors reward audacity — and American startups consistently and dramatically outperform European ones — then Europe may not simply be playing the game differently. It may be losing it, partly by design, rewarding precisely the founder signals least associated with breakout success.

This connects to a broader mechanism: entrepreneurial evaluation operates through competing prototypes of what a "successful founder" looks like, and those prototypes are not culturally neutral. Against the backdrop of my earlier post on immigrant and minority entrepreneurship — where evidence from The Economist and MIT studies shows that immigrants and ethnic minorities disproportionately drive startup creation — the pattern sharpens further. People shaped by adversity, displacement, and systemic exclusion appear to develop precisely the adaptive capacity that conventional evaluation systems struggle to recognise, and often penalise. The startup paradox, then, is not merely that the traits most useful under uncertainty are undervalued. It is that the evaluation systems themselves may be selecting for comfort over capability, for legibility over potential.

P.S. — If the signals that feel socially virtuous within European pitch rooms are systematically disadvantaging European founders in global competition, then the question I raised in October 2024 — should Europe emulate America's cutthroat, psychopathic "culture"? — is no longer rhetorical. Europe has spent decades congratulating itself on its social sophistication. The startup gap suggests that sophistication may have a price, and that entrepreneurs, not investors, are the ones paying it. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/10/align-act-accelerate-can-europes-risk.html

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