quarta-feira, 8 de abril de 2026

Two Love Letters to a Science Struggling to Remember What Really Matters and the Unexpected Gift of the 2026 Hormuz Crisis


The first letter responds to Park and Suh’s article in Technological Forecasting and Social Change, which overlooks the role of serendipity in scientific discovery. It relies heavily on patent counts as indicators of technological contribution, ignoring their limitations. Of the roughly 50 million patents granted worldwide, most are, as The Economist puts it, an “intellectual junkyard” — ideas that never materialized, failed concepts, or filings with no real intent to succeed. Even high-profile failures illustrate this flaw: Theranos, one of Silicon Valley’s most notorious frauds, held over 100 patents and reached a $10 billion valuation. Empirical evidence reinforces the point: a large-scale study of 4,460 real-world innovations found that most were never patented, with patents capturing only about 15% of actual innovation.  https://zenodo.org/records/18951538

The second letter responds to Haunschild and Bornmann’s article in the Journal of Informetrics, which proposes a bibliometric method to identify “bright young scientists” based largely on publication counts in high-impact journals. This approach is not only flawed but likely to exacerbate existing distortions in science. Journal impact factors are aggregate metrics that cannot capture the quality, originality, or intellectual risk of individual work; using them as proxies for talent is a textbook ecological fallacy. More importantly, institutionalizing such criteria would intensify perverse incentives already at play. This proposal would accelerate hyperauthorship, strategic publishing, and superficial output. Far from identifying genuine talent, the proposed method risks systematically amplifying the very behaviors that undermine it. https://zenodo.org/records/19001905 

PS - The 2026 Strait of Hormuz energy crisis did what years of sustainability advocacy could not: it made Europe's dependence on fossil-based construction materials impossible to ignore. The paradox is almost elegant: it took a fossil fuel crisis to make the case for leaving fossil fuels behind, and in its wake, bio-based construction materials finally emerged from niche experiments to serious contenders, offering a tangible path toward a more resilient and low-carbon built environmenthttps://www.preprints.org/manuscript/202604.0356

terça-feira, 7 de abril de 2026

AI and the Forecasting of Scientific Futures

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/04/can-ai-discover-what-humans-cannot.html

Building on a previous post (linked above) I disclose yet another interesting paper by researchers from the University of Illinois Urbana-Champaign. If the previous post asked whether AI can discover what humans cannot, this paper asks something equally audacious: can AI predict where science is going before it gets there?

The authors make a deceptively simple but radical move: they reframe research proposal generation as a forecasting problem. Given a question and a body of literature available before a fixed cutoff date, the model generates a structured proposal — evaluated not by how sophisticated it sounds, but by how accurately it anticipates research directions that actually materialise in papers published afterwards. Trained on 17,771 papers, the system learns to spot overlooked gaps and draw inspiration across disciplinary boundaries — precisely where the most consequential ideas tend to hide. The implications reach well beyond academia. This could become the instrument through which funding agencies, science policymakers and research evaluators make higher-stakes decisions: not which proposals sound compelling in committee, but which ones the arc of science is already bending towards.  https://arxiv.org/abs/2603.27146

Yet the promise comes with a shadow. If funding decisions and research agendas start leaning on AI forecasts, there is a risk of reinforcing existing patterns rather than fostering genuine innovation. By privileging areas the model predicts will succeed, we could inadvertently narrow the scope of exploration, crowding out high-risk, unconventional ideas that fall outside the AI’s learned trajectories. Over time, this might entrench a “predictable science,” where AI-guided choices favor incremental advances and safe bets, undermining the serendipitous leaps that often drive paradigm shifts.

P.S. — The above-mentioned paper cites a compelling companion work: PreScience: A Benchmark for Forecasting Scientific Contributions, which approaches the same ambition from a different angle — benchmarking how well AI can anticipate the actual future impact of not-yet-published research. Taken together, these two papers signal something significant: a new subfield is quietly assembling itself, one that treats scientific forecasting not as speculation, but as a rigorous and measurable discipline.  https://arxiv.org/abs/2602.20459

domingo, 5 de abril de 2026

Uma "brilhante" estratégia Portuguesa - Empobrecer orgulhosamente ao mesmo tempo que ajuda ricos a ficarem mais ricos


O jornal Público divulga hoje um caso que, não sendo surpreendente para quem acompanha há anos a degradação sistémica da ciência no nosso país, não deixa ainda assim de ser escandaloso. O mesmo diz respeito a três investigadores Portugueses, Cristiana Pires, Fábio Rosa e Filipe Pereira (foto supra), que trocaram Coimbra pela Universidade de Lund na Suécia, onde fundaram uma empresa, Asgard Therapeutics, que desenvolve uma imunoterapia inovadora no combate ao cancro, avaliada em dezenas de milhões de euros.  https://www.publico.pt/2024/04/27/ciencia/noticia/cavalo-troia-cancro-vale-30-milhoes-euros-equipa-portuguesa-2088206

Recordo a propósito, que por uma estranha coincidência, há cinco anos, no meu primeiro blogue, divulguei o caso também escandaloso de uma jovem investigadora doutorada de Coimbra que, apesar de pretender continuar a trabalhar em Portugal e de o merecer, tendo em conta o seu elevado desempenho científico (ao contrário de muitos académicos efectivos, inclusive catedráticos, que possuem métricas vergonhosas), não teve outro remédio senão emigrar para ir contribuir para o enriquecimento da mesma Suécia https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/quando-estar-desempregado-e-uma-medalha.html

Resumindo e concluindo, porque a conclusão é tão óbvia que só a sua repetição cíclica impede que se torne banal, Portugal financiou a formação destes cientistas, e depois entregou-os de mão beijada a um país já de si extraordinariamente rico, que fica assim com a inovação, os empregos de alto valor acrescentado, e toda a riqueza daí resultante. Mas afinal que estratégia miserável é esta, que se repete ciclicamente há décadas, que exporta talento científico Português para países ricos para que aqueles fiquem ainda mais ricos ?

Era essa a pergunta que o jornalista Tiago Ramalho autor da peça jornalística em questão deveria ter feito ao ministro da tutela, mas que estranha e infelizmente não fez. Talvez porque se tenha esquecido que a principal missão do jornalismo não é divulgar peças como esta, que quase parece um elogio ao Governo que está, mas pelo contrário confrontá-lo com perguntas incómodas, cuja resposta muito interessa a milhões de portugueses, cujo destino parece ser cada vez mais o de uma escolha forçada entre emigrar ou empobrecer. 

Este estado de coisas obriga-me a reconhecer, o que faço sem qualquer satisfação, que quem teve inteira razão muito antes do tempo foi um conhecido de reputado investigador que aparece no topo desta lista de investigadores, que teve a frontalidade de acusar a existência na academia Portuguesa de uma "burocracia cuidadosamente arquitetada para defender os interesses da mediocridade instalada". Essa acusação, que poderá ter parecido excessiva a alguns espíritos mais sensíveis (leia-se, aos interessados na manutenção do status quo), revela-se, afinal, até bastante comedida. Como estes casos demonstram, a realidade é ainda mais grave do que a descrição que deles foi feita. 

Sobre a Suécia, devo recordar mais uma vez, porque o contraste é demasiado gritante para ser ignorado, e porque ele expõe com uma clareza impiedosa a raiz do problema, a enorme importância que a Suécia país atribui à criação de empresas por académicos, o país onde os direitos económicos das patentes pertencem por direito próprio aos académicos, ao contrário daquilo que se passa na Academia Portuguesa, onde os direitos das patentes pertencem ao Estado e onde essas iniciativas são penalizadas com um corte de 33% no salário https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/universidades-portuguesas-um-modelo-que.html

PS - Ontem o jornal Público noticiou que a FCT voltou a atrasar a contratação de cientistas através do programa FCT tenure. Contudo e ao contrário do que possa parecer, se há más noticias no financiamento da ciência em Portugal esta não é uma delas. Este famigerado programa que já tive oportunidade de criticar no passado, foi criado por uma Ministra que era simultaneamente catedrática da UNova e que, por uma daquelas coincidências que desafiam qualquer teoria probabilística minimamente séria, logo na sua primeira edição entregou à UNova mais vagas do que a soma das vagas atribuídas às universidades de Coimbra, Minho e Aveiro em conjunto. Mas muito pior do que isso, porque depois a atribuição dessas vagas é feita através de concursos com jurados caseiros, que como é tradição favorecem os candidatos da casa, reforçando a endogamia existente, que é exactamente a última coisa de que necessita a Academia Portuguesa. Este programa deveria por isso ser "abatido" o mais depressa possível, sendo as suas verbas redirecionadas para os concursos CEEC, aumentando o número de vagas e também a duração dos contratos para um mínimo de 7 anos, em linha com as melhores práticas mundiais https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/the-economist-world-ahead-2024what-is.html

sábado, 4 de abril de 2026

The Portuguese Researcher, the Chinese Secret Service, and the Hidden Agenda

Despite having praised China on a number of occasions — as illustrated, for example, here, or much earlier in this post here, or more recently in a series of posts that might, perhaps understandably, give some readers the impression that I was actively trying to steer European researchers in the direction of China, such as this one https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/03/open-positions-with-highly-competitive.html

I feel it is important to state clearly and unambiguously that this was never my intention, nor has it ever been. If anything, the reality is quite the opposite. Rather than encouraging researchers from Portugal or elsewhere in Europe to relocate to China, I have consistently made a point of doing the reverse: actively encouraging Chinese researchers to explore and pursue the many professional opportunities that Europe has to offer. This is perhaps best illustrated by the email exchange reproduced below, which took place with a young researcher affiliated with Hong Kong Polytechnic University, whose name has been redacted for privacy reasons.

My conviction on this matter is unshakeable: scientific talent should be free to go wherever it finds the best conditions to flourish, unimpeded by geography, bureaucracy, or the drag of underfunded systems. There is no hidden agenda here — only the straightforward belief that the world functions far better when its brightest minds are empowered rather than constrained. Let us be entirely candid: countless scientists, many of whom labor in near-total obscurity, produce value for society on a scale that dwarfs the achievements of the average professional footballer. Yet, astonishingly, a great many of these same researchers have quietly accepted earning only a fraction of what a mid-tier player commands — as though this glaring disparity were natural, morally acceptable, or somehow inevitable. It is none of those things. It is, instead, a failure of priorities on a civilizational scale — a failure that diminishes not only science but the very societies that rely on it. And it is a failure we can no longer afford to tolerate in silence. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/in-defense-of-high-salaries-paying-for.html



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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 3 de abril de 2026 07:41
Para: AAA
Assunto: RE: Paper comments
 
Dear AAA,
I think your top priority should be to apply for a 5-year ERC Starting Grant with an ambitious, truly out-of-the-box research proposal. Keep in mind that ERC grant winners are "more than four times more likely to be an associate or a full professor" https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/the-european-research-council-and.html
The next ERC grant submissions is expected to open from July to October.  Since you are a Chinese researcher, remember that you must be affiliated with—or planning to move to—a European research institution in order to be eligible


Best regards
Pacheco-Torgal


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De: AAA
Enviado: 2 de abril de 2026 13:53
Para: F. Pacheco Torgal 
Assunto: RE: Paper comments
 

Dear Prof. Torgal,

Thank you very much for the valuable practical suggestions.

I will refine my CV by incorporating your suggestions. More importantly, I will start exploring the job possibilities you recommended.

Thank you again and I will come back to you when I have a new publications that would be of interest to you.

Best regards,

AAA

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Cracking the AI Mirror: Discovering the Unimaginable Boundaries of Science

What if the next major scientific breakthrough comes not from a human researcher pushing the limits of their field, but from a machine that doesn’t even know where those limits are supposed to be?

That is the provocative question at the heart of the recent publication.  The researchers behind "Alien Science" started from a simple but powerful observation. When you ask a language model like ChatGPT to brainstorm research ideas, it tends to give you things that already feel familiar — polished-sounding variations on what everyone is already working on. They are trained on human-produced text, so they reflect human patterns of thinking back at us. They are, in a sense, a very expensive mirror. https://arxiv.org/abs/2603.01092

The team decided to break that mirror deliberately. They fed around 7,500 recent machine learning papers into their system and broke each one down into small conceptual building blocks they call idea atoms — things like a specific technique, a training trick, or a particular way of evaluating a model. Then they trained two separate models: one that learns which combinations of these atoms actually make sense together, and one that learns which combinations a typical researcher would think of. The trick is in what comes next. The system searches specifically for combinations that are coherent but that no one would naturally propose. Ideas that work on paper but live in the gap between research communities. Ideas, in other words, that are alien to the current scientific conversation. When they tested it, the system produced research directions that were significantly more varied and unexpected than anything a standard AI assistant would suggest — while still being technically sound. 

P.S - Before getting too carried away with what AI might one day discover, it is worth pausing on a warning from two Google researchers, including Turing Award winner David Patterson. The real crisis in AI right now is not about building smarter models it is about running them. Every time someone uses one of these systems, the computational cost is determined by inference, the moment-to-moment work of generating a response in real time, and that process is straining under the weight of everything we are asking it to do. The AI infrastructure is being asked to perform beyond its capacity, risking catastrophic slowdowns, skyrocketing energy costs, and a technological bottleneck that could stall progress itself. The urgent question is: how much can we really make AI do before the system collapses under its own weight? https://arxiv.org/abs/2601.05047

segunda-feira, 30 de março de 2026

Directora para a área da inteligência artificial na UCatólica apela ao uso de caneta e papel



Na sequência dos emails reproduzidos abaixo aproveito para divulgar um interessante artigo, que foi publicado hoje, de uma catedrática da Univ. Católica, acessível no link supra.  Infelizmente esse artigo não aborda uma previsão muito preocupante recentemente divulgada pela União Europeia, a qual divulguei no post acessível através do link infra. A inclusão dessa previsão poderia, na minha opinião, reforçar bastante o seu argumento. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/12/the-ai-web-rising-human-writing-faces.html

PS - Para tentar superar o problema das alucinações constantes de que padecem os actuais modelos de IA, o prestigiado cientista Francês Yann LeCun, cujas publicações indexadas já receberam mais de 200.000 citações e é titular de um Scopus h-index de 100, que defende serem essas limitações intrínsecas ao paradigma atual fundou recentemente a AMI Labs. Essa empresa conseguiu angariar um investimento recorde superior a mil milhões de dólares, para desenvolver modelos de IA baseados uma abordagem inovadora: os “world models”, capazes de compreender o mundo físico, prever eventos e raciocinar causalmente. A nova arquitetura faz um corte radical com os modelos actuais pois inspira-se na forma como humanos constroem modelos internos da realidade. Ainda assim, por se tratar de investigação fundamental, é muito provável que leve vários anos até se traduzir em produtos comerciais. Resta assim até que esses novos modelos de IA se tornem realidade continuar a utilizar os modelos atuais compreendendo as suas limitações e tentando mitigá-las ao máximo.


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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 16 de março de 2026 10:27
Assunto: A importância do RAG para reduzir os riscos da Inteligência Artificial poder prejudicar os alunos
 
Tendo em conta que um dos calcanhares de Aquiles da IA são as chamadas alucinações, isto é, a produção de respostas incorretas ou inventadas, é fundamental, tal como foi feito na experiência pedagógica referida no email infra, que o modelo de IA seja alimentado com informação relevante através de Retrieval-Augmented Generation (RAG). Só assim se garante que as respostas não dependem exclusivamente dos dados com que o modelo foi treinado, mas também de fontes específicas, atualizadas e fiáveis, reduzindo significativamente o risco de alucinações. 

Cumprimentos
Pacheco Torgal

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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 13 de março de 2026 15:33
Assunto: O prof. catedrático da Univ. Nova e as aulas invertidas com Inteligência Artificial
 
Ainda na sequência do email infra aproveito para partilhar um estudo em anexo que me foi enviado pelo catedrático Marco Painho da Universidade Nova, o qual analisou a utilização combinada de IA generativa e do modelo de sala de aula invertida numa unidade curricular de mestrado.

Nesse modelo pedagógico, os estudantes assumiram um papel ativo, preparando e apresentando conteúdos aos colegas com o apoio de IA generativa ChatGPT que foi previamente treinada com materiais académicos selecionados. Para cada subtema, foram indicados dois artigos ou capítulos de livros considerados fundamentais, sendo exigido que os estudantes ampliassem a pesquisa com literatura adicional. Paralelamente, durante o período semanal de sala de aula invertida, foi desenvolvida uma aplicação de IA generativa personalizada, alimentada exclusivamente pela bibliografia selecionada pelos docentes e pelos artigos escolhidos pelos estudantes.

Trata-se de uma experiência pedagógica interessante mas que tem riscos porque um estudo recente de investigadores da universidade de Cornell mostra que a IA generativa apresenta dificuldades significativas na interpretaçáo de dados apresentados através de figuras, vide artigo no link  https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2533676123 o que reforça as preocupações mencionadas na parte final do meu email ddo passado dia 7 de Março, onde mencionei um estudo importante de investigadores de vários países 

Cumprimentos
Pacheco Torgal

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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 7 de março de 2026 12:47
Assunto: João Ribeiro Mendes e um esclarecimento
 
Tendo em conta o interesse demonstrado por Colegas da área das Humanidades sobre uma proposta de um Colega da UAveiro, novamente em anexo, sobre o futuro das universidades de investigação em 2030, que partilhei há dois dias, aproveito para divulgar, email infra, um esclarecimento que enviei a um Colega da área de Filosofia que hoje me contactou a propósito dessa partilha.

Cumprimentos
Pacheco Torgal

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De: F. Pacheco Torgal 
Enviado: 7 de março de 2026 10:11
Para: João Carlos Ribeiro Cardoso Mendes
Assunto: RE: A universidade de investigação em 2030
 
Caro Professor João Ribeiro Mendes,

obrigado pelo seu email. Aproveito para esclarecer que no meu email evitei pronunciar-me sobre a proposta da "Verified University" porque achei que isso poderia não direi condicionar, porque as minhas opiniões não são capazes de tal feito mas de contaminar negativamente a discussão que o assunto merece.

Ainda assim e a título particular devo adiantar o seguinte. A proposta do Colega da universidade Aveiro parece-me que assenta numa premissa fundamental, que em 2030 o estado tecnológico da IA, seja bastante mais avançado do que o actual. Porque o problema é que hoje mesmo no jornal público, um famoso advogado denuncia casos de advogados que andaram a entregar nos tribunais acções preparadas com a ajuda da IA, onde constam Acordãos que não existem https://www.publico.pt/2026/03/07/opiniao/opiniao/cenas-advogados-2167067

E também no mesmo jornal Público um matemático Português que trabalha na Sorbonne esclarece que o ChatGPT ainda tem muito caminho a fazer para poder realmente ajudar os investigadores ao nível da matemática avançada. https://www.publico.pt/2026/03/07/ciencia/opiniao/nova-ode-triunfal-eia-eia-eia-2166925

Acresce que se a proposta de uma "Verified University" poderá ter alguma "validade" para áreas "técnicas" como as engenharias terá porém menos para outras áreas . Faço notar que no meu email de 2024, nunca disse que a universidade como a conhecemos se devia tornar uma universidade cuja missão principal seria auditoria de processos (como aparece referido na proposta do Colega da UAveiro), disse apenas que essa era uma nova missão que iria surgir por conta do avanço galopante da IA.

Aliás sobre o tema acho que faz todo o sentido recordar o que escrevi num post mais recente sobre a adopção da IA no ensino superior: "....Tendo em conta a sólida reputação da Finlândia na área educativa, onde a carreira de professor tem um elevado prestigio social e o modelo educativo não muda sempre que muda o Governo, como infelizmente acontece em Portugal, pesquisei na plataforma Scopus a publicação científica mais citada, dos últimos 12 meses, com autoria de investigadores daquele país, na área da inteligência artificial e educação, tendo descoberto um estudo, que também envolve investigadores de outros países, onde se alerta para o perigo da adoção prematura de ferramentas de IA generativa em contextos educativos, quando esta ocorre sem uma ponderação aprofundada da eficácia, das implicações sistémicas, das dimensões éticas e da robustez pedagógica dessas práticas" https://pachecotorgal.com/2026/01/24/o-contra-ataque-algo-coxo-de-tres-valentes-e-previsiveis-mosqueteiros-catedraticos/

Com as melhores saudações académicas
Pacheco Torgal

domingo, 29 de março de 2026

O que os japoneses sabem há muito tempo, mas que Portugal insiste em ignorar, assim perdendo milhares de milhões de euros

Este blogue tem vindo a construir, ao longo dos últimos anos, um argumento consistente sobre a relação extremamente positiva entre natureza, saúde e políticas públicas, argumento esse que na verdade já tinha sido iniciado num outro blogue em 2020, quando divulguei um artigo de investigadores ingleses sobre um conceito que tem quase 2400 anos. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/relationship-between-nature.html

Em Fevereiro de 2022, divulguei um estudo que apontava para a existência de uma componente genética na ligação à natureza e em Abril desse mesmo ano recordei o conceito de transtorno do défice de ligação à natureza. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/04/uma-vida-com-significado-e-uma-nova.html

Em Dezembro de 2023, divulguei um estudo com quase 8.000 participantes que demonstrou que viver perto da natureza está associado a telómeros mais longos, ou seja, a um envelhecimento biológico mais lento, esse post tornou-se um dos 10 mais vistos de sempre deste blogue https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/12/telomeros-estudo-recente-mostra-como.html

No inicio de 2025, escrevi sobre as limitações do ChatGPT na pesquisa de literatura científica indexada sobre a prática Japonesa Shinrin-Yoku, os chamados banhos de floresta, cuja evidência científica documenta a redução do cortisol e o reforço do sistema imunitário e que faz parte das politicas públicas de saúde do Japão há mais de 40 anos  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/02/shinrin-yoku-limitacoes-cientificas-do.html

E também no inicio de 2025, num post onde critiquei um conhecido catedrático, propus a receita tripla TNN, defendendo que o teletrabalho possui vantagens várias para o nosso país, já que contribui para aumentar a natalidade, ajuda a inverter a desertificação do Interior e aproxima as pessoas da natureza, aliviando simultaneamente a pressão sobre o sistema de saúde. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/01/alcancar-um-circulo-virtuoso-para.html

Por uma feliz coincidência, o jornal Público de hoje traz nas páginas 14 e 15, uma notícia e uma entrevista que vêm confirmar, com o peso da academia, aquilo que este blogue tem vindo a defender. O Laboratório Associado Terra, estruturado em cinco unidades de investigação, que reúne mais de 400 investigadores das Universidades de Lisboa e de Coimbra, apresentou esta semana o Programa Nacional de Prescrição de Natureza até 2030. O objetivo é claro: integrar atividades em ambientes naturais no quotidiano clínico.

Como explica nesse artigo Ana Abreu, cardiologista e investigadora ligada ao referido projecto, não se trata simplesmente de recomendar ao doente que vá passear. Trata-se, sim, de uma prescrição estruturada, com dose, frequência, intensidade e tipo de ambiente ajustados à condição clínica de cada pessoa, tão rigorosa quanto a prescrição de um medicamento. Os banhos de floresta que referi há um ano atrás, a propósito da prática Japonesa Shinrin-Yoku, surgem aqui como uma das modalidades prioritárias de intervenção.

O que fica porém a faltar e que o artigo do Público não aborda, mas que os meus posts têm sublinhado de forma consistente é reconhecer que nenhum programa de prescrição de natureza terá um impacto verdadeiramente transformador enquanto a esmagadora maioria da população deste país continuar concentrada no Litoral. E é aqui que o teletrabalho assume um papel decisivo, pois continua a ser o instrumento mais poderoso e simultaneamente mais subaproveitado que poderá permitir a milhões de portugueses uma vida mais próxima da natureza. E se é um facto que a potenciação da inteligência artificial, no âmbito da recentemente aprovada Agenda Nacional de Inteligência Artificial, pode efectivamente contribuir muito mais para inverter a desertificação do Interior de Portugal do que muitas estratégias autárquicas isoladas ou programas governamentais existentes, não é menos factual que a atual e grave crise energética originada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz vem reforçar ainda mais a centralidade do teletrabalho, como sublinha aliás o professor catedrático da Universidade do Minho, Luís Aguiar-Conraria, no seu artigo publicado no último numero do caderno principal do semanário Expresso. https://expresso.pt/opiniao/2026-03-26-a-maior-crise-energetica-de-sempre-5d880f0f

sexta-feira, 27 de março de 2026

Novos requisitos de mestrado e de doutoramento - Duas medidas positivas e uma medida ignorante e ilegal

 

Há seis anos atrás denunciei uma falha grave, o facto de não ser obrigatório que os docentes de cursos de mestrado integrassem unidades de investigação com uma classificação mínima de Bom, vide texto disponível no link acima. 
Durante todo esse tempo, milhares de estudantes pagaram o preço dessa omissão, sendo formados por muitos docentes que nunca investigaram, nunca publicaram um único artigo científico e que, em termos académicos, possuíam apenas a licenciatura. Levou seis anos, mas o Ministro da tutela reconheceu finalmente o erro, como se pode ler hoje num artigo no jornal Público onde é anunciado que essa exigência passará a ser regra. 
O Sr. Ministro anunciou também que nenhum orientador poderá supervisionar mais de três alunos de doutoramento em simultâneo, para "garantir condições adequadas de acompanhamento pedagógico". 
Infelizmente, seria pedir demasiado que, após duas medidas positivas, não surgisse uma extremamente negativa. Decidiu o Sr.Ministro que no futuro só haverá doutoramentos com 100% do corpo docente pertencente a unidades classificadas com Muito Bom ou Excelente. Ou seja, os investigadores integrados em unidades classificadas com Bom passam a ficar impedidos de orientar teses de doutoramento.
Esta decisão é não apenas injusta é também cientificamente ignorante pois parece significar que o Sr Ministro desconhece, ou convenientemente ignora, que muitas dessas unidades receberam a classificação de Bom não porque a sua produção científica fosse "apenas Boa", mas simplesmente porque não tinham mais de 50 investigadores.
Tenha-se presente que a última avaliação das unidades de investigação, leia-se pseudo-avaliaçãoque critiquei na altura, pois nem sequer cumpriu um requisito essencial, (já que não foi baseada num estudo bibliométrico robusto, vide denúncia do catedrático jubilado Ferreira Gomes, que permitisse detectar as muitas ineficiências existentes nas unidades de investigação gigantes, como por exemplo aquela ineficiência que eu revelei aqui ou aquelas outras muitas ineficiências de uma conhecida unidade criada por um importante investigador entretanto caído em desgraça e que eu revelei na parte final de um post aqui), penalizou assim em muitos casos a dimensão das unidades e não a sua competitividade científica. Recordo aliás que uma análise que fiz na altura permitiu concluir que mais de 80% das unidades classificadas apenas com Bom tinham curiosamente menos de 50 investigadores. https://pachecotorgal.com/2025/05/09/as-fragilissimas-explicacoes-politicas-do-do-mui-inteligente-ministro-catedratico/
Faço notar que existem muitos investigadores em unidades classificadas com Bom cujo currículo científico supera de longe o de investigadores de unidades classificadas com Muito Bom e até com Excelente. Excluí-los da orientação de doutoramentos não é uma medida de qualidade é uma medida arbitrária sem sentido, que sacrifica o mérito em nome de um critério burocrático, cientificamente indefensável pois a própria ciência já demonstrou que são precisamente as pequenas unidades de investigação que conseguem produzir resultados disruptivos, que são aqueles que a ciência Portuguesa mais se tem revelado incapaz de alcançar  https://www.nature.com/articles/s41586-019-0941-9
Pior do que isso: não se trata apenas de má política científica, trata-se sim de uma clara violação flagrante do princípio constitucional do mérito, pois nenhum investigador pode ser discriminado por trabalhar numa unidade que a FCT considere pequena demais sobretudo quando a sua competência científica é inegável. A menos que o verdadeiro objetivo do Senhor Ministro seja outro: o de extinguir por via administrativa as unidades classificadas com Bom, forçando os seus melhores investigadores a abandoná-las e a integrar unidades de maior dimensão.
Seria aliás profundamente irónico e simultaneamente revelador do falhanço desta política ignorante e ilegal que a referida medida produzisse o efeito oposto ao desejado: em vez de forçar os melhores investigadores que estão nas pequenas unidades de investigação a irem engrossar as fileiras das gigantes unidades nacionais, acabasse por os empurrar diretamente para instituições estrangeiras (pois o talento não retido é talento oferecido à concorrência), onde o talento científico é tratado com muito maior respeito e remunerado com valores e condições substancialmente superiores, como recentemente mostrei aqui. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/03/um-pais-que-ensina-portugal-como-e-que.html
PS - Se o Sr. Ministro efectivamente pretende aumentar a qualidade dos doutoramentos nacionais, ao invés de andar a descriminar de forma ilegal os investigadores das unidades que foram erradamente classificadas com Bom, unicamente por conta da sua dimensão, então mais vale que copie a exigência existente nos regulamentos dos doutoramentos das universidades públicas da Espanha, que obrigam a que o depósito das teses só possa ser feito depois da sua qualidade científica ter sido avaliada por um especialista internacional da mesma área do doutoramento. 

quarta-feira, 25 de março de 2026

The Hidden Risk of AI Platforms Uncovered by U.Oxford, U.Cambridge, UCL, and LSE


Researchers from the U.Oxford, the U.Cambridge, UCL, and the LSE have conducted a study that, for the first time, maps the contours of a rapidly expanding global market for emotionally engaging, personalized AI interactions. Their systematic scan of 110 AI companion platforms reveals that in the UK alone, these platforms generate 46 to 91 million monthly visits, while globally, the numbers soar to 1.1–2.2 billion. https://arxiv.org/abs/2507.14226

The paper’s central argument is unsettling: while parasocial use of general-purpose AI tools like ChatGPT, Gemini, and Claude currently dominates, a growing subset of platforms is deliberately engineered for care, transactional, and mating-oriented companionship — designed not to assist, but to bond with users. A tool that accidentally becomes emotionally significant is a design oversight; a platform intentionally built for emotional dependency is a business model. The demographic portrait is striking. Young adults aged 18–24 account for nearly 39% of users, and males make up 63–77%, concentrated in platforms engineered for emotional attachment. The risks are mounting. As emotionally tailored AI companions improve, engagement is set to rise, raising serious child safety concerns in a sector with minimal age verification and even less accountability. Meanwhile, major AI labs are pushing further into personalization, quietly dissolving the boundary between "assistant" and "companion."

Ultimately, the study maps more than a market; it exposes a tension at the very heart of AI development that few are willing to name. The very capabilities that make these systems genuinely useful — empathy, responsiveness, memory, personalization — are the same ones that enable attachment, dependency, and manipulation with surgical precision.

What the study leaves unexamined are the broader societal and democratic implications of the troubling trend it documents. When significant portions of young adults turn to AI for companionship in place of genuine human interaction, their exposure to diverse perspectives narrows — and with it, their resilience to manipulation and social pressure. This demographic profile — socially isolated, emotionally dependent, and overwhelmingly male — corresponds closely to populations that radicalization researchers have long identified as vulnerable to movements that exploit grievance, fractured identity, and the deep need for belonging, including far-right currents that have historically been adept at filling precisely these voids.

PS - The epidemic of socially isolated young men predates the smartphone. Which is, ironically, the point: we cannot fix with technology what technology did not cause. It was produced, slowly and structurally, by economies that measure the creation of things with extraordinary precision and treat the reproduction of human connection as though it were a hobby. Care generates no GDP. Friendship moves no index. The work of raising children, sitting with the elderly, maintaining community, showing up consistently for another person — none of it earns a wage, attracts investment, or registers as productive in any framework any government uses to make decisions. We drew down that resource for decades without accounting for it, until the deficit became a crisis. The crisis became a demographic. And the demographic became a market. AI companion platforms did not create lonely young men. But they will deliver them to the Trumps, Farages, and Le Pens of the world, who have always known that male loneliness, left untreated, is not a social problem. It is a recruitment pipeline.

Update after 1 day - Blogger analytics indicate that the majority of views for this post come from Germany (34%), the USA (26%), and Portugal (22%). 

domingo, 22 de março de 2026

Boas intenções catedráticas que sonham com amanhãs que cantam ao invés de concederem que a repressão de hoje é mais efectiva e mais capaz de esvaziar o Chega


Na sequência de vários post anteriores contra o IRS, como por exemplo aquele longínquo sobre o facto das miseráveis famílias super-ricas deste país pagarem menos IRS do que professores e investigadores ou aquele outro bastante mais recente com o esclarecedor título "Os engenheiros inúteis e o catedrático que insiste na eliminação do IRS e do IRC", é gratificante ver que o último artigo do conhecido catedrático Luís Cabral, na secção de economia do último número do semanário Expresso é novamente dedicado a esse magno tema.  

Os problemas, se é que lhe podemos chamar assim, é que a sua proposta não é isenta de riscos, nem ser verosímil a sua concretização no curto prazo. Mas a verdadeira falha da mesma é outra bem mais grave: não consegue resolver uma bomba relógio que é o privilégio infame das grandes fortunas que escapam ao pagamento de impostos, alimentando uma sensação generalizada de injustiça que empurra centenas de milhares de cidadãos fartos dessa impunidade para os braços de partidos extremistas como o Chega.

Mais eficaz será por isso adotar rapidamente práticas que vários países já utilizam para perseguir os grandes evasores fiscais (a expressão mais adequada talvez seja a de erradicar a persistente praga da parasitose). Como fez a Espanha com o Sr. Ronaldo, que não teve outro remédio senão pagar 19 milhões de euros para evitar a cadeia, como faz a Alemanha, o país onde se aplica uma pena de prisão efetiva sempre que a fuga fiscal ultrapassa um milhão de euros. Ou como faz a Suécia que em apenas cinco anos, condenou mais de mil pessoas a penas de prisão efectiva por elevada evasão fiscal, enquanto a justiça portuguesa no mesmo período condenou apenas 83 pessoas, uma percentagem 1200% inferior

Aliás sobre a autêntica desgraça que é Portugal nessa área particular basta atentar no caso do famoso Manuel Serrão que deixou o Estado Português a arder em 44 milhões de euros e que recentemente foi declarado insolvente, muito embora receba uma pensão superior a 3000 euros ou ainda no caso do tal empresário que conseguiu lesar o fisco em 60 milhões de euros, mas que depois não teve de devolver um único cêntimo, os quais expõem de forma dramática a impunidade endêmica do sistema fiscal português e bem assim a total incapacidade da justiça Portuguesa em conseguir condenar como realmente merecem os grandes evasores fiscais. https://eco.sapo.pt/2019/12/09/empresario-lesou-fisco-em-60-milhoes-mas-nao-tem-de-devolver-um-centimo/

PS - No presente contexto é pertinente recordar que as famílias super-ricas deste país gostam tanto mas tanto de enviar o seu dinheiro em off-shores que por conta desse fenómeno o nosso país até consegue o espantoso milagre de aparecer à frente da Rússia https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/pilhagem-evasao-fiscal-bombas-bosta-e.html

quinta-feira, 19 de março de 2026

Um país que ensina a Portugal como se valoriza de forma decente o talento científico

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/03/open-positions-with-highly-competitive.html

Ainda na sequência do post supra, onde reproduzi um email que no passado dia 7 de Março recebi de um professor de uma universidade Chinesa, solicitando a indicação de jovens doutorados de topo (ou quase a terminar o doutoramento), aproveito para revelar que ontem recebi um outro email de um outro professor de outra universidade Chinesa (Nanjing), desta vez para participar num inquérito, que visa compreender as preferências dos investigadores não Chineses no sentido de avaliar oportunidades de uma carreira académica na China. Os participantes do inquérito são convidados a comparar perfís hipotéticos de condições remuneratórias e indicar quais aqueles consideram mais atrativos, permitindo à equipa de investigação Chinesa identificar quais são os atributos que mais influenciam a escolha de oportunidades de uma carreira internacional naquele país. Reproduzo abaixo dois desses perfis, que ajudam a perceber a importância que a China atribui à ciência e à contratação de cientistas de topo. 

quarta-feira, 18 de março de 2026

What Happens When Entrepreneurs Think Like Scientists: Insights from 132 Startups


Building on the previous post titled "Evidence from over 700 European startups demonstrates how science can boost startup revenue," it is worth highlighting a new insight from recent research. A paper just published in the journal Research Policy shows that entrepreneurs who adopt a scientific mindset build their startup teams differently. Based on a randomized controlled trial involving 132 early-stage startups, researchers found that founders trained in the Entrepreneurs-as-Scientists framework rethink who belongs on their teams. Instead of relying mainly on technical co-founders or personal connections, these entrepreneurs increasingly recruit individuals with managerial and industry experience to fill critical capability gaps. Over a 64-week period, teams exposed to the framework became more strategically balanced. The implications are clear: accelerators, investors, and founders may benefit from treating entrepreneurship more like an experiment—where team composition evolves to match the resources a startup truly needs. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048733326000521

The two studies complement each other: the analysis of 700 startups shows that scientific thinking boosts revenue, while the experiment with 132 ventures reveals the mechanism—founders rethink team composition to better support experimentation and learning.

PS - Startup success also depends on people "shaped by risk and sharpened by adversity, and thus capable of turning uncertainty into possibilities" like those highlighted here https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/nuno-loureiro-in-praise-of-failure.html

segunda-feira, 16 de março de 2026

Open positions with highly competitive salaries for graduated or soon-to-graduate outstanding Ph.D. students in Energy Science and Engineering

 

I reproduce below an email I received from a professor at a university in that country, which has recently been hiring many top scientists in Europe and the United States, as well as the reply I sent him. Regarding the Outstanding-level qualification, it is very likely that it corresponds to the one used at top universities in the United States and Europe, which I mentioned here. https://zenodo.org/records/19001905

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De: F. Pacheco Torgal <torgal@civil.uminho.pt>
Enviado: 7 de março de 2026 15:52
Para: w.han@yangtzeu.edu.cn <w.han@yangtzeu.edu.cn>
Assunto: RE: Yangtze University New Energy Science and Engineering Faculty Recruitment/长江大学新能源科学与工程专业人才招聘-2026
 
Dear Professor Weiwei Han,
Thank you for your email. I also take this opportunity to share a broader reflection. It is somewhat regrettable that my country—and Europe more generally—does not seem to pursue a strategy comparable to China’s when it comes to valuing, attracting, and supporting top scientists. In recent years I have been increasingly impressed by the long-term vision China appears to be implementing in science and technology, particularly its determination to position itself among the world’s leading scientific powers. This is a topic I have reflected on several times on my blog. For instance, I wrote about China’s strategic mobilization of science in contrast with Europe’s current priorities in:

More broadly, I have long advocated the idea of a scientific society and in some ways, the trajectory China is following seems to be contributing to making parts of that vision closer to reality. Check my recent post "Harvard Is Wrong: Underpaying Talent Hurts Science Far More Than High Salaries"

Best regards
Pacheco Torgal


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De: w.han@yangtzeu.edu.cn <w.han@yangtzeu.edu.cn>
Enviado: 7 de março de 2026 15:18
Para: F. Pacheco Torgal <torgal@civil.uminho.pt>
Assunto: Yangtze University New Energy Science and Engineering Faculty Recruitment/长江大学新能源科学与工程专业人才招聘-2026
 

Dear Professor F. Pacheco-Torgal,

Greetings!

Yangtze University, a key university in Hubei Province, China, is sincerely recruiting full-time faculty in the field of New Energy Science and Engineering, based in Wuhan. The university offers highly competitive salaries and benefits, and outstanding candidates may have spouse job placement opportunities. We sincerely invite you to recommend graduated or soon-to-graduate outstanding Ph.D. students from your team to join Yangtze University for teaching and research, and greatly appreciate your assistance in forwarding and promoting this recruitment notice.


For more details, please visit the Faculty Recruitment Announcement of the School of Petroleum Engineering, Yangtze University (2026): https://pec.yangtzeu.edu.cn/zpqs.htm


Many thanks for your support and recommendations.

Weiwei Han


Department of New Energy Science and Engineering, Yangtze University
Tel: 17353765821 (WeChat)

domingo, 15 de março de 2026

Um ano depois, a minha hipótese não se confirma e o mistério russo adensa-se

 

No início de 2025 apresentei uma hipótese, de natureza genética, para tentar explicar o facto de o meu primeiro blogue, que recordo, deixei de alimentar há já vários anos, continuar a receber visitas de forma regular, na ordem de dezenas de milhares e com tendência crescente. Essa hipótese partia da premissa de que a esmagadora maioria dos visitantes seria portuguesa, motivada por um certo sentimento de nostalgia pelo passado. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/02/ressuscitacao-por-via-fadogenetica.html

Contudo, uma análise da distribuição geográfica das visitas ao longo dos últimos doze meses revela um quadro diferente: os visitantes portugueses representaram apenas cerca de 11% do total. A imagem acima apresenta os países com maior peso nas visitas regulares ao referido blogue. O facto de Singapura e dos Estados Unidos surgirem no topo da lista não me surpreende particularmente, já que como tive oportunidade de constatar, são países de onde também provêm muitos leitores dos meus blogues actuais. Muito mais difícil de explicar é a presença cimeira do Vietname e, ainda mais intrigante, o inusitado interesse demonstrado por visitantes russos por textos publicados há vários anos nesse "falecido" blogue. 

PS -Na sequência do falecimento do famoso filósofo alemão Jürgen Habermas, aproveito para recordar aqui a altura em que ele foi mencionado num post colocado no tal "falecido" blogue https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/university-mission-in-jobless-future.html

sábado, 14 de março de 2026

Uma professora feroz, catedráticos inférteis e catedráticos da tipologia Cheats (vigaristas, charlatães e trapaceiros)

O jornal Público congratulou-se pelo facto de um recente Acórdão do Tribunal da Relação não ter dado razão à conhecida Professora Raquel Varela, que exige 45.000 euros por dados morais, devido a uma noticia daquele jornal sobre o número de publicações do seu currículo académico. https://www.publico.pt/2026/03/13/sociedade/noticia/raquel-varela-volta-perder-accao-publico-erros-curriculo-academico-2167847

Mas ainda que o jornal Público tenha agora obtido uma nova vitória judicial (leia-se uma vitória de Pirro) isso não significa necessariamente que tenha conseguido vencer pelo mérito da sua actuação jornalística. É acredito muito mais provável que essa sentença resulte antes das muitas dificuldades, infelizmente bastante recorrentes, que os tribunais revelam em compreender minimamente bem ou sequer razoavelmente como realmente funcionam os mecanismos, muito sui generis, de avaliação da produção científica na academia portuguesa.

Seja como for e antes de comentar a "noticia", tenho de confessar, novamente, que já por inúmeras vezes critiquei as opiniões da professora Raquel Varela. Exactamente como o fiz quando o jornal Público publicou pela primeira vez a referida noticia. E que eu na altura lamentei, alegando que era irrelevante que o currículo da referida professora tivesse publicações académicas duplicadas por conta de conhecidos problemas de sincronismo entre as plataforma Ciência Vitae e ORCID, porque as únicas publicações que interessam são aquelas que constam nas plataformas indexadas, Web of Science e Scopus, onde a referida professora até tinha mais publicações do que vários professores catedráticos da sua área.  Fi-lo no mesmo post,  onde então critiquei o jornal Público, por estar tão preocupado com um tema secundário ao mesmo tempo que hipocritamente preferia não noticiar casos de professores que ganharam concursos apesar de terem sido acusados de terem mentiras no seu currículo  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/o-curriculo-da-investigadora-raquel.html

Aliás já que o jornal Público acha que o tema é noticia que interesse aos Portugueses então eu repito a sugestão que na altura verti num post com o título "Ainda a polémica à volta do currículo da investigadora Raquel Varela e os Cheats (vigaristas, charlatães, trapaceiros)", quando aconselhei o jornal Público a fazer um artigo sobre catedráticos que possuem muitos milhares de publicações académicas quase como se possuissem super-poderes de publicação, ou que dedicam 24 horas por dia e 7 dias por semana à produção de artigos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/ainda-grossa-polemica-volta-curriculo.html

No presente contexto, recordo que, há dois anos atrás, publiquei um post no qual divulguei um estudo de um matemático que analisou o perfil de publicações (e também de citações) de cientistas com uma vida conjugal considerada normal (Fig. 1) e também o perfil daqueles outros cientistas, coitados, que não tem tempo algum para poderem fazer sexo (Fig. 2). https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/11/um-padrao-grafico-que-permite.html

PS - Ainda sobre a evidente e profundamente preguiçosa idiotice que é tentar avaliar o currículo de um académico contando o seu número de publicações sugiro a leitura de uma carta que enviei ao Editor-Chefe de uma conhecida revista científica, a qual se inicia com um ataque a uma proposta falaciosa de dois pouco inspirados investigadores Alemães https://zenodo.org/records/19001905