terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Harvard Is Wrong: Underpaying Talent Hurts Science Far More Than High Salaries

 

In a recent Nature article titled “Why Sky-High Pay for AI Researchers Is Bad for the Future of Science,” N.E. Sanders and B.Schneier, affiliated with Harvard University, argue that soaring salaries for elite AI researchers threaten the long-term health of scientific research. They contend that massive industry compensation packages—sometimes reaching hundreds of millions of dollars—are accelerating a brain drain from academia and reinforcing a misleading “lone genius” narrative. According to the authors, transformative breakthroughs arise primarily from large, collaborative teams embedded within strong institutions, not from isolated star performers. 

However, this critique rests on several questionable assumptions and adopts an overly moralistic tone toward market dynamics. It treats high pay as inherently corrosive, without seriously engaging the possibility that compensation reflects scarcity, leverage, and the enormous economic stakes of frontier AI. In industries where a single breakthrough can redirect multibillion-dollar infrastructure investments, outsized salaries may therefore be rational rather than pathological. Ulrich A.K.Betz (2018) contends that there is no defensible reason to celebrate star scientists any less than superstar football players. If societies fill stadiums, mobilize media empires, and justify extraordinary salaries to honor athletic excellence, then intellectual achievements that expand the frontiers of knowledge, transform industries, and shape humanity’s future deserve no lesser admiration or material recognition.

Seen in a longer historical perspective, moreover, the present controversy over AI salaries reflects structural trends that predate the current technological moment. More fundamentally, the argument overlooks the long-term structural erosion of academic compensation. McDonald and Sorensen (2017) show that academic salary compression has intensified across disciplines over time, with faculty pay systematically failing to keep pace with external labor markets. The relative earnings position of professors has weakened for decades, well before the recent escalation of AI salaries. Current industry migration thus represents not an unprecedented distortion, but an acceleration of a long-standing divergence between academic and private-sector pay, exposing structural weaknesses in compensation.

This line of reasoning also underestimates the historical and structural role of exceptional individuals in scientific progress. Collaboration is indispensable in modern research, but it does not eliminate the catalytic influence of intellectual leadership. Even within large teams, transformative advances are frequently initiated by individuals who articulate new frameworks, redefine problems, or synthesize disparate insights in ways that redirect entire disciplines. The modern scientific ecosystem itself acknowledges this tension through its highest honor: the Nobel Prize. Although research is increasingly collaborative, Nobel Prizes are awarded to no more than three individuals per category, implicitly affirming that paradigm shifts often hinge on distinctive contributions from intellectually adventurous minds.  

Paradoxically, concerns about allegedly excessive salaries seem misplaced in a geopolitical environment where scientific talent has become a strategic asset. As the administration of Donald Trump pursued policies widely condemned as hostile to science, it destabilized research, alienated talent, and drove some researchers to consider leaving the country. At the same time, China has escalated an assertive, state-orchestrated campaign to secure global scientific leadership, deploying vast public resources to recruit elite researchers—including Nobel Prize laureates and senior scholars from premier Western universities. Through lavish funding packages, preferential regulatory treatment, rapid laboratory build-outs, and long-term guarantees, these programs aim not merely to attract talent but to concentrate it within a tightly coordinated national strategy. https://pachecotorgal.com/2025/05/25/science-the-persistent-disruption-metric-nobel-minds-and-chinas-long-game/

Finally, the article romanticizes academia as uniquely collaborative, disinterested, and ethically elevated—a sanctuary insulated from the distortions of the market. Yet universities are not monasteries of pure inquiry. They are arenas of intense status competition, grant-dependent survival, entrenched hierarchies, and structural inequalities that shape careers and research agendas as powerfully as shareholder expectations shape corporate strategy, all sustained by deeply entrenched patronage networks and pervasive institutional self-interest, reinforced through chronic resource scarcity. As Professor Diamandis observed in a 2017 Clinical Biochemistry paper, there are no saints in competitive science. The incentive structures differ in form, but not in force. Once this reality is fully acknowledged, the article’s moral dichotomy between virtuous universities and profit-driven firms dissolves, revealing not a battle between purity and profit, but two institutions navigating distinct versions of the same enduring constraints shaped by incentives, ambition, power, and prestige dynamics.

Declaration of Competing Interests - In 2019, I publicly expressed views similar to those of Ulrich A.K. Betz (pictured above) Senior Vice President of Innovation at Merck, who asserted that there exists no justifiable reason for celebrating superstar scientists any less than their counterparts in the realm of football. I reiterated a related perspective in a 2024 email titled “In the Society of Tomorrow, Researchers Will Stand Atop the Food Chain,” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/compulsory-psychological-assessments.html

PS - Ulrich A.K. Betz is also noteworthy for articulating a broader inspirational vision, namely, "to combine science/technology and innovation with the eternal principles of truth, love, courage, liberty and spirituality to solve the challenges of today and to enable the dreams of a better tomorrow." https://ulrichbetz.de/

Update after three days - Blogger analytics indicate that the three countries contributing the most viewers to this post are the United States (28%), Germany (26%), and Finland (15%).

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Mais uma prova do evidente desrespeito do Governo pela ciência e pelos cientistas

 

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/11/os-inimigos-declarados-da-ciencia.html

No texto acessível no link supra, intitulado O trio de inimigos declarados da Ciência: PSD, CDS e Chega, expressei a minha opinião pessoal sobre o muito pouco ou quase nenhum respeito público que o atual Governo tem demonstrado pela ciência e pelos cientistas.

Posteriormente, quando se esperava que o Governo aumentasse a duração dos contratos dos investigadores, pois um artigo publicado há poucos anos, no final de 2023, na prestigiada revista The Economist, informou que uma das formas mais eficazes de financiar a ciência, com vista à maximização do seu impacto, consiste muito menos no financiamento de projectos mas muito mais na atribuição de contratos de longa duração aos investigadores, com a duração de pelo menos 7 (sete) anos, eis que o Governo, de forma incompreensível, decidiu fazer exactamente o contrário, reduzindo a duração dos contratos CEEC, o único concurso de investigadores verdadeiramente competitivo da Academia, onde a endogamia e o nepotismo mandam zeroonde 90% dos candidatos são rejeitados.  

E como se isso já não fosse suficiente, ainda assim, bastava o facto do Governo ter criado, há poucos dias, um pequeno grupo de trabalho (onde se inclui o CEO da bilionária Feedzai) para “proceder à análise do ecossistema nacional de investigação e inovação”, com o objetivo de produzir um retrato “fiel e atualizado” da realidade nacional, contemplando capacidades instaladas, dinâmicas do sistema, distribuição territorial, colaboração com empresas e administração pública, participação internacional e impacto socioeconómico dos apoios, estruturado em quatro dimensões: (a) capacidade científica instalada (recursos humanos, unidades de I&D e infraestruturas); (b) capacidade tecnológica, de inovação e de interface (transferência de conhecimento e empresas com I&D); (c) resultados científicos e tecnológicos e mecanismos de valorização; (d) posicionamento internacional. E o facto de tudo isso ter de ficar pronto em apenas sete dias, para ser apresentado publicamente amanhã, constitui, para mim, uma claríssima evidência da referida falta de respeito. https://www.publico.pt/2026/02/23/opiniao/opiniao/ai-diagnosticos-solidos-velocidade-luz-2165615

Se o Governo assim se contenta com análises tão expeditas, quase feitas em cima do joelho, pois pelos vistos entende que o seu tempo mediático não é compatível com o tempo necessário a uma análise robusta do ecossistema nacional de investigação e inovação, então mais valia que se se limitasse a copiar o que já fazem na Suécia e na Suíça, países onde a política científica assenta numa estabilidade contratual, que liberta os investigadores da precariedade crónica e lhes permite assumir riscos, numa avaliação rigorosa que distingue o mérito da mediocridade e a excelência da complacência, (ao contrário de Portugal onde 75% das unidades foram classificadas com Excelente ou Muito Bom !!!) e num planeamento estratégico de longo prazo, sustentado por metas claras, financiamento previsível e compromissos institucionais duradouros, (e não numa reiterada desvalorização política do conhecimento científico), que são precisamente os pilares que, entre nós, continuam a ser sistematicamente corroídos pela lógica do improviso, pela volatilidade das decisões e pela submissão da política científica ao calendário político mediáticohttps://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/universidades-portuguesas-um-modelo-que.html

Aditamento em 24 de Fevereiro - Hoje, dia da apresentação pública do relatório supracitado, alguém no Governo terá finalmente percebido o quão insustentável era admitir publicamente que esse documento era fruto de apenas 7 dias de trabalho. Para evitar o descrédito, foi hoje transmitido ao jornal Público que os membros do grupo de trabalho terão começado a preparar o relatório muito antes da data do tal Despacho que formalmente criou o referido grupo de trabalho, alegadamente desde o início de janeiro. Assim, e para afastar a ideia de amadorismo, improvisação e ligeireza, o Governo veio "esclarecer" que afinal esse trabalho foi desenvolvido muito antes da existência formal do próprio grupo de trabalho. Ou seja, para corrigir um problema de credibilidade, assume outro, potencialmente mais grave ao admitir a violação do principio da legalidade, nada menos do que um dos pilares do Estado de Direito.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Cientista feroz exige que se sentem no banco dos réus todos os responsáveis pelo facto de Alcácer do Sal ter ficado submersa

 

O conhecido cientista Miguel Bastos Araújo que recebeu o Prémio Pessoa em 2018, que integra o tal júri do prémio de 1 milhão de euros da Fundação Gulbenkian e, que no ano passado aparecia no segundo lugar de uma lista de 100 cientistas, dá hoje uma entrevista pouco doce ao jornal Público, acessível no link supra, na qual defende a criminalização de todos os políticos que andaram a aprovar construções onde não o podiam nunca ter feito. O que por coincidência eu já tinha defendido no passado dia 28 de Janeiro, quando escrevi: "há muito que este país deveria ter criminalizado qualquer licenciamento autárquico de novas edificações em zonas de risco, nomeadamente em zonas propicias a deslizamentos de terras, em zonas inundáveis, em zonas costeiras ou áreas diretamente expostas à subida do nível do mar, relativamente às quais faz sentido revisitar a frase: "os contribuintes deste país serão obrigados a pagar milhões para evitar que o mar engula "apartamentos a preços milionários, construídos quase em cima do mar." https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/01/o-governo-de-portugal-prepara-se-para.html

Seja como for devo dizer que me causou alguma perplexidade que, nessa entrevista o  referido cientista tenha dito que os engenheiros vão ficar contentes, pois há muitas obras para fazer. Tal observação, para além de manifestamente infeliz, pois não acredito que os engenheiros fiquem felizes com um aumento substancial do número de obras por conta de uma tragédia inesperada, mostra, também que ele parece desconhecer a realidade do sector em causa, pois não só não há empresas de construção em número suficiente, como também há um défice de engenheiros civis neste país que, por negligência ou incompetência, não foi acautelado em devido tempo, e que se irá agravar nos próximos anos,  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/engenharia-civil-em-portugal-azar-dos.html

PS - Recordo, a propósito, que não é de hoje a tendência do cientista Miguel Bastos Araújo para utilizar palavras pouco doces, pois há alguns anos atrás ele já tinha criticado de forma particularmente contundente a Academia Portuguesa, por conta de uma "burocracia cuidadosamente arquitetada para defender os interesses da mediocridade instalada"  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/premio-nobel-excluido-de-concurso-para.html

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Engenharia Civil em Portugal - Azar dos Távoras, negligência ou incompetência ?


Se, ainda antes dos inúmeros estragos causados pelos sucessivos comboios de tempestades, Ingrid, Kristin (a mais violenta desde que há registo), Leonardo e Marta, que arrasaram um grande número de edifícios e de infraestruturas no nosso país, o actual bastonário da Ordem dos Engenheiros já tinha alertado que o número anual de aposentados na área da engenharia civil superava o número de diplomados, uma situação que já de si era bastante grave num país atolado numa dramática crise habitacional, então a situação torna-se agora muito mais preocupante, pois os elevados danos provocados por essas tempestades levarão vários anos a reparar, durante os quais ainda mais se agravará o aludido défice de engenheiros civis. Mas será que isto é apenas o tal azar dos Távoras?
Afinal o que é que os cursos de engenharia civil deste país não fizeram, ou não foram capazes de fazer, para que o crescimento deste curso não se ficasse apenas por um valor residual de 3% ao ano, correspondente a um total de colocados inferior a seis centenas, quando antes de 2011 este curso acolhia na primeira fase de cada ano mais de 1400 alunos ?  Alguém consegue compreender, que por exemplo o curso de engenharia civil da universidade de Coimbra, onde me diplomei há várias décadas atrás, quando então aquele curso recebia mais de uma centena de alunos logo na primeira fase, não consiga agora captar nem sequer metade desse número e nem sequer consegue ultrapassar o número de alunos captados pelo Politécnico do Porto ou pelo Politécnico de Lisboa ?
E será que a formação em engenharia civil necessária para enfrentar o tal futuro de catástrofes permanentes, de que falou há poucos dias o catedrático Ottmar Edenhofer, presidente do conselho científico consultivo europeu sobre alterações climáticas, será aquela muito pouco inspirada e manifestamente insuficiente, de que falou na semana passada um antigo bastonário ao semanário Expresso, uma engenharia civil praticamente igual à do passado, mas com umas alterações mínimas, relacionadas como aumento da capacidade das coberturas resistirem a ventos de pelo menos 150 km/h, e que hoje novamente os jornalistas do Expresso repetem de forma indigente, certamente por acharem que não há neste país, na área da engenharia civil, quem possa dar melhores conselhos?

Ou será muito mais provável que os jornalistas do Expresso tenham dado provas de negligência ou até de incompetência, pois um Engenheiro Civil que se diplomou durante a longínqua década de 70 e que nunca foi sequer especialista em estruturas, como é o caso do ex-Bastonário Fernando Santo, não é definitivamente o profissional mais indicado para dar conselhos do que deverá ser a engenharia civil capaz de acautelar um futuro de catástrofes climáticas, ignorando que nas universidades de Lisboa, do Minho e do Porto, se produz investigação na área da engenharia civil, que no último ano até foi capaz de superar a produzida nas melhores universidades Alemãs e que talvez nessas universidades haja especialistas dessa área que possam dar conselhos cientificamente muito mais robustos?

PS - Aproveito esta ocasião para fazer uma caridade aos jornalistas do Expresso, recomendando a leitura de um interessante artigo publicado na revista Fundamental Research, que não certamente por acaso, faz parte das referências de um capítulo de um livro que estou a actualmente a concluir, e onde se fica a saber alguma coisa sobre a resposta à pergunta supra e do qual abaixo reproduzo um breve mas elucidativo trecho: 
"In a century shaped by climate disruption, resource scarcity, and cascading hazards, structural safety can no longer be confined to the binary question of collapse under a rare event....The profession must adopt a new design ethos: one that values performance over prescription, flexibility over excess, and resilience over redundancy...To meet this moment, engineering education, professional standards, and institutional missions must adapt. Future (civil) engineers must be trained not just in mechanics but in climate science...and sustainable design thinking. Codes and contracts must reward recovery capacity and carbon efficiency, not just compliance...."

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Quais são de facto as responsabilidades da Academia no contexto de um provável e permanente futuro cenário de catástrofe ?

 

Tendo em conta que o investigador Alemão Ottmar Edenhofer, catedrático na universidade técnica de Berlin e presidente do conselho científico consultivo europeu sobre alterações climáticas, acaba de afirmar que a Europa tem de começar a preparar-se para um cenário de catástrofe (permanente) associado a um aquecimento de 4º C, acima dos níveis pré-industriais, sublinhando que o “princípio da precaução” exige que a UE se prepare para esse cenário e também que submeta os seus planos a testes de stress face a cenários ainda mais gravosos, que responsabilidades inadiáveis recaem sobre as universidades europeias e em particular sobre as universidades do nosso país, que acabou de sofrer, de forma particularmente trágica, os efeitos de fenómenos climáticos extremos, associados a um aquecimento global que ainda só ronda os 1.5º C?

Como é que é possível que a Academia esteja em alvoroço total com a inteligência artificial, mas permaneça totalmente indiferente à catástrofe climática anunciada há vários anos?

E será que a universidade do Porto não deveria pedir desculpas públicas aos Portugueses pelo facto de vários dos seus professores catedráticos, terem andado a difundir ideias negacionistas, que desinformam a sociedade e prejudicam o superior interesse público?

Há dezanove (19) anos atrás, o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) estabelecia, no n.º 1 do artigo 2.º, que a missão do ensino superior consistia na “qualificação de alto nível dos portugueses, na produção e difusão do conhecimento, bem como na formação cultural, artística, tecnológica e científica dos seus estudantes, num quadro de referência internacional”. Contudo, perante a necessidade de acautelar prováveis cenários de catastrofe climática, torna-se não apenas pertinente, mas urgente e inadiável, que a revisão do RJIES actualmente em curso, inequívoca e explicitamente reconheça essa nova condição civilizacional, permitindo que a sua redação possa evoluir para: 
“O ensino superior tem como objetivo a qualificação de alto nível dos portugueses, a produção e difusão do conhecimento e a formação cultural, artística, tecnológica e científica dos seus estudantes, num quadro de referência internacional, assumindo igualmente a missão estratégica de preparar indivíduos intelectual e eticamente capacitados para compreender, prevenir e gerir crises globais, incluindo catástrofes climáticas e promover a resiliência da sociedade e a sustentabilidade civilizacional.

PS - É impressionante que tenham sido necessários 7 anos, desde que um investigador diplomado por Harvard, doutorado pelo MIT e actualmente catedrático na universidade de Oxford, advertiu que no respeitante às alterações climáticas, tinha chegado a hora de entrar em pânico, para que essa urgência comece finalmente a ser interiorizada de forma institucional. Isto já para não falar, que também passaram 7 anos desde que o tal professor "apocalíptico", esteve a fazer uma apresentaçáo num evento promovido na Comissão Europeia e que eu mencionei naquele que foi o primeiro post do meu primeiro blogue. E passaram 5 anos desde que a prestigiada e bastante conservadora revista The Economist tentou explicar aos seus leitores de que tipo de catástrofes estamos a falar quando falamos de um aquecimento global de 3º C, artigo esse que eu na altura divulguei aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/ter-razao-antes-do-tempo.html

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Livros indexados no quinquénio 2021-2025: A Universidade de Coimbra sobe ao segundo lugar do ranking nacional

 

No post do passado dia 7 de Dezembro, acessível no link supra, que foi dedicado a uma análise comparativa entre o número de livros indexados na Scopus, produzidos na universidade de Oxford com aqueles produzidos por todas as universidades e politécnicos nacionais, divulguei um ranking nacional  para o período entre 2010 e 2024. 

Nessa sequência é pertinente fazer hoje uma análise mais recente para o quinquénio 2021-2025, para tentar descobrir quais foram as instituições que reforçaram a sua competitividade e também aquelas que a viram reduzir-se. A nova lista abaixo, mostra que por exemplo a universidade de Coimbra conseguiu subir do 6º lugar para o 2º lugar nacional. 

Destaque também para o Instituto Politécnico de Tomar que conseguiu a proeza de subir seis lugares, e para a Universidade da Madeira que subiu cinco lugares. Pela negativa, constata-se que a Universidade do Minho caiu três posições, do 3º lugar para o 6º lugar, enquanto que a UBI e a Universidade de Évora também caíram vários lugares, respectivamente quatro e cinco posições, ficando abaixo do IPCA. Já a UTAD, caiu do 14º lugar para o 27º, tornando-se a campeã absoluta das descidas, e a universidade pública com o pior desempenho, estando agora abaixo de um elevado número de Politécnicos.

É importante recordar que os livros adquiriram nas últimos anos uma importância acrescida, pois a Ciência tornou-se refém de um dilúvio de publicações avulsas (e irrelevantes), havendo por isso necessidade de "parar" para analisar o que é que a Ciência efectivamente já produziu, condição fundamental para evitar que haja quem ande a perder tempo (e dinheiro) a tentar inventar a roda: "…science has become stifled by a publication deluge destabilizing the balance between production and consumption....” vide artigo "The memory of science: Inflation, myopia, and the knowledge network" https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1751157717303139

Ranking de produção total de livros indexados na Scopus no quinquénio 2021-2025
1 - U.Lisboa..............184
2 - U.Coimbra...........131
3 - U.Aveiro...............125
4 - U.Nova................106
5 - U.Porto.................90 
6 - U.Minho................86 
7- ISCTE....................58 
8 - I.P.Porto.................50
9 - U.Católica..............41
10 - IPCA....................26 
11 - UALG..................21
12 - U.Lusófona..........15
13 - UBI......................14
14 - U.Madeira...........13
15 - U.Évora...............12
16 - I.P.Setúbal...........12
17 - I.P.Bragança........10 
18 - I.Pol. Coimbra.......9 
19 - I.Pol. Leiria............8 
20 - I.Pol. Tomar...........7 
21 - I.Pol. Viseu............6 
22 - I.P. V. Castelo........6
23 - I.Pol. Portalegre....6 
24 - U.Aberta................6
25 - U.Açores...............5 
26 - I.P. Guarda............5 
27 - I.P.Santarém..........4
28 - I.P.Lisboa...............4
29 - UTAD.....................4
30 - I.P. Beja.................2 
31 - I.P. C. Branco........1 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Dois académicos medrosos e a lamentável pobreza intelectual do Reitor Presidente

 


O jornal Público acaba de publicar, vide artigo acessível no link supra, a resposta do Provedor daquele jornal à minha pouco suave queixa anterior, acerca de uma lamentável notícia dedicada ao ranking da treta QS. Para a elaborar, o Provedor ouviu vários académicos, dois deles medrosos, só aceitaram pronunciar-se sob anonimato, e ouviu também o presidente do Conselho de Reitores - CRUP, o catedrático Paulo Jorge Ferreira. A intervenção deste último esteve longe de ser brilhante, bem pelo contrário, ao tentar, sem sucesso, defender o ranking QS para, de algum modo, tentar justificar a posição que já antes tinha assumido e que eu arrasei aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/03/como-se-pode-classificar-um-magnifico.html

Mas o pior foi quanto tentou explicar os fracos resultados de algumas universidades portuguesas nos rankings internacionais com o baixo financiamento por aluno. Trata-se de um argumento intelectualmente pobre, pois além de ser um desvio evidente ao cerne da questão e nada acrescentar de substantivo ao debate, ignora de forma muito convenientemente problemas estruturais como este agressivo cancro académico ou os "concursos" de contornos profundamente bizarros, como aquele que teve lugar na sua universidade e, ironicamente, o facto de até existirem "ricas" universidades portuguesas classificadas abaixo inclusive de universidades de países do terceiro mundo, como divulguei aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/08/a-rica-universidade-publica-que.html

O texto encerra com a autora do artigo, a jornalista ​e redactora principal Andreia Sanches, a tentar ​explicar a falha do jornal ​Público por não ter divulgado os resultados do Ranking Shanghai de 2025, alegando que este é publicado em agosto. Ora, a minha crítica referia-se claramente ao ranking de Shanghai por áreas científicas, divulgado em novembro, não a versão geral divulgada em agosto. Assim a justificação apresentada não só falha o alvo como ​ainda por cima revela um desconhecimento básico, deixando a impressão de que a jornalista ​conhece apenas ​uma única versão daquele ranking e ignora a edição mais detalhada ​que é publicada em Novembro e a qual na altura não deixei de divulgar aqui  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/11/quais-as-areas-cientificas-onde.html

Concluindo, se é lamentável que haja académicos pouco informados sobre rankings universitários ou se mais provavelmente recorrem a rankings da treta por não conseguirem bons resultados em rankings prestigiados, não é menos preocupante que a imprensa não consiga distinguir entre uns e outros, revelando evidentes fragilidades no escrutínio do desempenho das universidades portuguesas. Mais paradoxal ainda é o facto da mesma imprensa dedicar muito mais atenção e recursos aos rankings das escolas do ensino secundário, aberrações que nem deveriam existir, já que se limitam a cumprir duas funções tão previsíveis quanto perniciosas, por um lado servem de marketing gratuito para colégios privados, frequentados por alunos oriundos de famílias abastadas e por outro confirmam uma verdade de La Palisse, que as escolas frequentadas por alunos de contextos socioeconómicos mais desfavorecidos tendem a surgir nos últimos lugares, sem que porém isso reflita necessariamente a qualidade do trabalho educativo que nelas se desenvolve.

PS - No presente contexto vale a pena revisitar o post de 17 de Agosto de 2022 de título "Um jornalismo incompetente que trata os maus resultados de algumas universidades como se fossem boas notícias"   https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/08/rankings-de-universidades-e-o.html

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

As muitas culpas da imprensa no desprezo sistemático da ciência e da engenharia, que agravou as consequências da tragédia climática que se abateu sobre Portugal


É curioso, embora nada surpreendente, ler na imprensa internacional, como aqui ou aqui, que Portugal precisa de se adaptar à emergência climática, quase como se fossemos um país de indigentes. Não por acaso, há poucos anos editei, em conjunto com um idoso catedrático de uma reputada universidade da Suécia, um livro dedicado precisamente a esse tema, que, também sem qualquer surpresa passou despercebido no espaço mediático. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/07/o-contributo-da-investigacao-na-area-da.html 

Tal invisibilidade não resultou certamente de falta de relevância científica ou social do tema, como agora desgraçadamente se percebe, mas antes de prioridades editoriais que continuam a privilegiar irrelevâncias. Afinal, é muito mais mediático saber qual foi o mais recente automóvel adquirido pelo Ronaldo (o tal que Montenegro em má hora disse que os Portugueses deviam copiar) ou qual a nova joia ostentada pela sua companheira Georgina, do que noticiar livros sobre estratégias de adaptação climática. A espuma mediática vende, o conhecimento exige atenção, e atenção é um recurso escasso quando a superficialidade domina a agenda. Porém aqueles que andaram a vender as tais banalidades deveriam agora ir perguntar ao Ronaldo, o que se lhe oferece dizer sobre a tragédia associada ás tempestades sucessivas que desgraçaram a vida a muitos milhares dos seus compatriotas. 

Recordo que em 2019 critiquei uma lista infame na revista Visão sobre 29 ilustres Portugueses, onde abundavam vários nomes ligados ao pedestre e rasteiro mundo futebolístico, mas apenas um único cientista e absolutamente ninguém da área da engenharia. E em 2023 critiquei também uma lista não menos infame do Expresso, sobre 100 Portugueses extraordinários, onde, uma vez mais, a presença de nomes da ciência e da engenharia era meramente simbólica, um sinal claro do desprezo sistemático da imprensa do nosso desgraçado país por profissionais que são, de facto, pilares essenciais da prosperidade e da segurança nacional, especialmente no contexto da tragédia climática que nas últimas semanas se abateu sobre o nosso país e que a ciência já mostrou se irá agravar nas próximas décadas, como aliás facilmente se percebe pelas palavras cristalinas de um reputado cientista, diplomado por Harvard e doutorado pelo MIT, que agora trabalha na universidade Oxford, que afirmou de forma nada ambígua que "no que diz respeito à crise climática, sim, é tempo de entrar em pânico"Pierrehumbert,R. (2019) There is no Plan B for dealing with the climate crisis, Bulletin of the Atomic Scientists, 75:5, 215-221. 

Declaração de interesses - Declaro que tenho pouca consideração pelos profissionais do pontapé e da cabeçada, sobre os quais já escrevi, que acredito num futuro não muito distante, irão passar a ser pagos, pelo que realmente valem, em amendoins https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/07/o-futuro-chegou-mais-cedo-do-que-eu.html

PS - Há alguns dias, mencionei o supracitado catedrático Sueco, Claes-Goran Granqvist, num post pouco suave, de titulo "Universidades Portuguesas: Premiar a inércia e a estagnação, castigar o mérito e condenar o país ao empobrecimento" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/universidades-portuguesas-um-modelo-que.html

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

The Paradox of Progress: Science Advances by Failure but Rewards Only Certainty

 "if you´re not failing all the time, you´re aiming too low"

These words come from an exceptionally concise, just 9:35 minutesyet stirring lecture titled On Failure, by Portuguese-born MIT professor Nuno Loureiro, who was assassinated in December 2025 by another Portuguese scientist. Loureiro himself suggested a better title might have been In Praise of Failure, because at its core was a daring proposition: failure is not a mark of shame, but the very engine of creation.

Yet if failure truly is the lifeblood of discovery, why does the scientific establishment still punish it like a crime, rewarding caution, conformity, and incrementalism while quietly suffocating intellectual risk-taking? And how many transformative breakthroughs might have been delayed, subtly distorted, or effectively buried altogether because scientists, fearing ridicule, professional rejection, or even intellectual exile, deliberately chose safe and defensible hypotheses over high-stakes explanatory possibilities?

These thoughts echo reflections I shared two years ago in a post titled The Recipe of a Capitalist (Revered by Russian Academics) and the Lack of Courses on the Skill of Overcoming Failure,” where I highlighted a remarkable German book that dares to honor stories of failure as much as, if not more than, stories of triumph: Gegen die Diktatur der Gewinner (Against the Dictatorship of the Winners).

PS - Against this backdrop of reflection on failure and intellectual risk-taking, the empirical record speaks with unusual clarity. Back in 2020 I commented on an article in The Economist reporting that migrants in Germany were more likely than native Germans to start businesses. Two years later, an MIT-led study found that immigrants in the United States are about 80% more likely to found firms than native-born citizens. The latest edition of The Economist demonstrates that the current surge in U.S. startup creation is being driven disproportionately by ethnic minorities and immigrant entrepreneurs. Seen through this lens, the societies that flourish most fully are those courageous enough to embrace people shaped by risk and sharpened by adversity, and thus capable of turning uncertainty into possibilities.

Update after 2 days — Statistics show that the top five foreign countries engaging with this post are the USA, Singapore, Germany, Finland, and Canada. 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Universidades Portuguesas: Premiar a inércia e a estagnação, castigar o mérito e condenar o país ao empobrecimento

 

Ainda na sequência do post anterior, acessível no link supra, onde afirmei que não era verdadeira a declaração da Universidade de Lisboa, que de forma pouco rigorosa, se vangloriou de ser "a universidade mais empreendedora de Portugal", já que na verdade está apenas em 8º lugar no indicador relativo ao investimento médio captado por startup, ainda por cima com um valor apenas ligeiramente superior ao do Politécnico de Leiria, faz sentido revisitar um post mais antigo com o sugestivo título "Quanto é que Portugal perde com um sistema (comunista a todos os títulos) que premeia a inércia e incentiva a preguiça ?" 

No referido post divulguei aquilo que me foi transmitido por um quase aposentado professor catedrático de uma reputada universidade da Suécia, Claes Goran-Granqvistcujas investigações estiveram na origem da ChromoGenics, e com o qual ao longo de quase uma década e meia editei mais de uma dezena de livros (por uma feliz coincidência, um desses livros constitui a sua última publicação indexada). Segundo ele me transmitiu, naquele país um professor universitário pode dedicar um dia por semana a actividades remuneradas fora da universidade, sem ser prejudicado no seu vencimento. Em Portugal, pelo contrário, se um professor universitário fizer o mesmo, mesmo que o faça fora do horário de serviço, é castigado com um corte substancial de nada menos de 33% do seu salário mensal ilíquido. 

Este regime força, na prática, os professores universitários a evitarem colaborações remuneradas com a indústria ou a criação das suas próprias empresas, impedindo-os de beneficiar da valorização económica das suas investigações. Mas mais grave ainda, priva o nosso país do valor económico associado à transformação desse conhecimento em atividade empresarial, emprego qualificado e crescimento económico nacional competitivo e sustentável, que é absolutamente indispensável para se conseguir reter o talento que diariamente abandona Portugal de forma continuada, progressiva, sistemática e irreversível.

Estamos perante uma prática profundamente anacrónica, frontalmente oposta às melhores práticas internacionais, cujo efeito concreto é premiar a inércia e a estagnação, penalizar e perseguir o esforço e sufocar o mérito. O contraste com a rica universidade suíça ETH Zurich, onde há alguns anos atrás os professores-auxiliares auferiam entre 10.000 e 15.000 euros/mês e agora ganham entre 13.000 e 19.000 euros/mês enquanto os catedráticos podem ganhar quase 30.000 euros/mês, que não por acaso é a segunda universidade melhor classificada na Europa no ranking de geração das startups mais valiosas (cf. relatório Deep Tech 2025) não podia ser mais elucidativo, pois aquela instituição concede licenças sabáticas de um ano aos seus docentes e investigadores para que possam criar startups. 

Resumindo e concluindo, enquanto que nas universidades portuguesas a criação de valor é, na maior parte das vezes, tratada como uma grave infração, passível até de uma elevada penalização salarial, já nas universidades suíças é reconhecida como uma componente essencial da missão académica, sendo, por esse motivo, não só valorizada mas amplamente incentivada enquanto pilar  estratégico de prosperidade económica e social. https://entrepreneurship.ethz.ch/startup-stories/explore-startup-portraits-and-success-stories/uebersicht-eth-spin-offs.html

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Serendipity Revisited: What 533 Nobel Prizes Reveal About Breakthrough Science


A recent paper published in Scientometrics explores whether scientific breakthroughs—including those often labeled as “serendipitous”—can be explained in causal and statistical terms. The study tests a fundamental hypothesis: whether there is an underlying logical structure to how discoveries emerge, rather than breakthroughs arising purely by chance.

The analysis covers science’s most influential and canonized discoveries, encompassing all 533 Nobel Prize–winning discoveries from the prize’s inception in 1901 through 2022. Given that not all major discoveries receive a Nobel Prize, the study also examines landmark discoveries documented in leading science textbooks, including “top 100” lists of the greatest scientists and their contributions across disciplines and historical periods. The central conclusion is that scientific discovery is far less random than commonly assumed. What are often described as “serendipitous” breakthroughs are, in most cases, enabled by the development and application of new tools and methods, rather than by chance alone. These tools create the conditions in which unexpected findings become possible, repeatable, and increasingly likely.  https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-025-05503-y

But if future breakthroughs depend more on tools than on luck, does that mean the future of science is being shaped less by curiosity and more by whoever controls the money, the machines, and the infrastructure, often quietly and without public accountability, deciding what we get to discover and what stays out of sight? And as new tools set the limits of what can be known, will the things we never discover be written off as bad luck or seen for what they are, the result of choices about what gets built, shared, or kept out of reach, with lasting uneven consequences, for who wins, who loses, and whose realities never get noticed?

PS - I find it unfortunate that A. Krauss, the author of the aforementioned study did not cite a closely related study published in Nature Communications, discussed in my previous post, “The Hidden Equations Behind Scientific Progress: The Art of Engineering Serendipity.” That work reinforces the central message that even the most surprising scientific breakthroughs are not acts of pure chance, but emerge from deeper regularities that can be understood, anticipated, and shaped through causal and statistical insight. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/02/the-hidden-equations-behind-scientific.html

Update after 1 day — Statistics show that the top three foreign countries engaging with this post are Germany, the USA, and Finland. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O jornal Público volta hoje a dar destaque a um ranking universitário da pura treta


Infelizmente, o jornal Público volta hoje a dar destaque a um ranking universitário da pura treta. O mais irónico é que isso seja feito pelo mesmo jornal que, há poucos meses atrás, e de forma negligente, nada noticiou sobre as instituições de ensino superior portuguesas que conseguiram o milagre de ultrapassar as melhores universidades da Alemanha em cinco áreas científicas no prestigiado ranking Shanghai por áreas de 2025Um resultado extraordinário, que deveria ter suscitado orgulho coletivo e ajudado a promover uma reflexão urgente sobre o enorme esforço desenvolvido, e a estratégia bem-sucedida dessas áreas científicas e a possibilidade de replicar esse modelo noutras áreas científicas, com vista a elevar a competitividade da ciência portuguesa. Em vez disso, aquele jornal opta agora por dar visibilidade a um ranking de qualidade profundamente duvidosa, com elevado potencial para confundir e desinformar os leitores, em particular aqueles muitos que não possuem conhecimentos mínimos sobre rankings universitários, pelo que mais não me resta assim do que reproduzir abaixo o mesmo comentário contundente que já havia feito num post anterior:

"Mais uma vez o jornal Público não se coibe de promover hoje um ranking da treta, o  QS World University Rankings.  Ou talvez no jornal Público não saibam que o ranking Shanghai, o único ranking a nível mundial que contabiliza os prestigiados prémios Nobel, é o único ranking mencionado num documento da Comissão Europeia sobre excelência científica

Ou talvez no jornal Público não saibam aquilo que conhecidos académicos, como o conhecido professor catedrático David Blanchflower, ou o professor catedrático da universidade de Oxford Simon Marginson, escreveram, em termos nada elogiosos sobre o ranking QS, reproduzidos na parte final deste post.
 
E quem não se lembra daquele outro ranking da treta, também noticiado pelo mesmo jornal Público, que dizia que a Católica era a melhor universidade Portuguesa ranking esse que o então Presidente da A3ES, o catedrático Alberto Amaral, reduziu a pó em dois artigos no Expresso, lembrando que os critérios relativos a citações desse famigerado ranking até colocavam universidades do Irão, do Egito e da Jordânia à frente da própria Universidade de Cambridge. 
 
Porém ainda antes mesmo dos referidos dois artigos do catedrático Alberto Amaral terem sido publicados no Expresso eu enviei na altura um email a alguns milhares de Colegas com o sugestivo título "UCatólica é a melhor universidade Portuguesa____Fake news, incompetência ou ambas?"https://www.docdroid.net/S7WaBal/fake-news-incompetencia-ou-ambas-docx
 
O mais irónico é que o mesmo jornal Público que costuma dar destaque a rankings da treta disse zero sobre o ranking Shanghai por áreas científicas divulgado recentemente https://www.jn.pt/local/noticias/braga/braga/uminho-entre-as-melhores-universidades-do-mundo-em-18-areas-cientificas-12446554.html  o que suscita legitimas dúvidas sobre quais são realmente os critérios jornalisticos do jornal Público. Se os do rigor jornalistico como apregoam aos quatro ventos ou os da desinformação encapotada. Uma coisa é certa como assinante do jornal Público considero uma vergonha pagar para ser "informado" sobre rankings que valem pouco mais do que lixo. 
 
PS - É importante recordar que o famigerado QS World University Rankings é produzido pela firma Quacquarelli Symonds, que foi fundada por um Italiano espertalhaço de nome Nunzio Quacquarelli, quando andou a fazer o seu MBA, firma essa que 
ganha milhões a vender (aos incautos) estrelas e outros serviços de aconselhamento, sobre como subir nos rankings. Vide email de 2018, https://www.docdroid.net/uniDTYH/vice-reitor-docx onde comentei o facto da Universidade de Coimbra ter sido um dos pagantes desse caro serviço, apesar de muito ironicamente isso não ter impedido logo a seguir que essa universidade caisse no ranking Shanghai. Email esse que na altura até foi divulgado pelo Carlos Fiolhais no seu blog.

Selecção de comentários de várias académicos sobre o ranking (da pura treta) QS: 

-David Blanchflower in an article for the New Statesman entitled "The QS Rankings are a load of old baloney"
"This ranking is complete rubbish and nobody should place any credence in it.The results are based on an entirely flawed methodology that underweights the quality of research and overweights fluff"
 
-Simon Marginson, professor of higher education at University of Oxford:
"I will not discuss the QS ranking because the methodology is not sufficiently robust"
 
-Fred L. Bookstein, Horst Seidler, Martin Fieder and Georg Winckler in the journal Scientometrics:
"There are far too many anomalies in the change scores of the various indices"
 
-Isidro F. Aguillo, Judit Bar-Ilan, Mark Levene, José Luis Ortega in the journal Scientometrics:
"The QS is based on a not large and not representative enough survey that means the results are biased towards certain countries"
 
-H. Jons and M. Hoyler in the Geoforum; Journal of Physical, Human, and Regional Geosciences
"The QS ranking was also criticized for the low response rates of the review surveys and for a general lack of methodological transparency"
 
-V. Safon in the journal Scientometrics:
"the majority of the received questionnaires come from English-speaking countries, clearly favoring their universities"

-Mu-Hsuan Huang in the journal Research Evaluation:
"the statistic data adopted by QS Rankings should be further questioned."
 
Andrejs Rauhvargers in Global University Rankings and their Impact- Report II:
"QS admits that a university may occasionally be nominated as excellent and ranked in a subject in which it “neither operates programmes nor research”

domingo, 1 de fevereiro de 2026

The anatomy of a highly cited ChatGPT paper and how it gained more than 3,000 Scopus citations in less than three years


A search in Scopus for publications with “ChatGPT” in the title, abstract, or key-words returns 28,562 documents published since 2022. Within this rapidly expanding body of literature, the second most cited publication is not an empirical study but an opinion paper published in 2023 by more than 70 authors from over 20 countries, titled “So what if ChatGPT wrote it? Multidisciplinary perspectives on opportunities, challenges and implications of generative conversational AI for research, practice and policy.” https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0268401223000233 

That this paper has achieved such prominence within a corpus of more than 28,000 studies is not merely surprising; it is revealing of the field’s early intellectual dynamics. Although informed by a review of 364 publications and a broad international authorship, it introduces no new empirical evidence, testable propositions, or methodological advances, offering instead a wide-ranging interpretive synthesis produced at a moment when ChatGPT’s capabilities, uses, and institutional consequences were still rapidly evolving. 

Despite these limitations, the paper has been elevated to cross-disciplinary authority, with citations spanning nearly all major fields—from social sciences and computer science to business, engineering, medicine, mathematics, and the humanities—allowing a provisional narrative to circulate across communities with markedly different standards of evidence and, in many cases, to substitute for empirical grounding that was not yet available.

The paper enumerates an extensive set of risks and opportunities—spanning education, labour, cybersecurity, bias, and governance—without prioritising their importance, assessing relative likelihood or severity, or translating concerns into concrete policy frameworks. Readers are thus left with a catalogue of what might matter rather than guidance on what matters most. Moreover, many of the issues framed as disruptive simply repackage long-standing debates associated with earlier digital technologies—such as automation-driven job displacement, plagiarism, and misinformation—yet the paper fails to clearly separate what is genuinely new about large language models from familiar cycles of technological alarmism.

PS - In late January 2026, OpenAI’s CEO publicly acknowledged that a recent iteration of ChatGPT had sacrificed writing quality in favor of technical performance. This admission highlights a broader tension: much of the literature that quickly became authoritative was produced while the technology itself remained unstable, with regressions recognized by its developers. The speed with which normative interpretations solidified stands in contrast to the absence of empirically grounded criteria for evaluating capabilities that were still in flux.

O professor catedrático de prestígio mundial e a instituição de ensino superior que vai passar mais um ano a ocupar o último lugar

 


Uma pesquisa efectuada ontem na conhecida plataforma Scopus de literatura científica indexada a nível mundial, revela que mais uma vez e tal como eu tinha previsto há um ano atrás, vide post acessível no link supra, há uma instituição de ensino superior público, que uma vez mais revela o seu inconseguimento, permanecendo a zero no panorama nacional. 

1 - U.Porto................486 publicações que receberam mais de 300 citações
2 - U.Lisboa..............449
3 - U.Coimbra...........207
5 - U.Minho...............178
4 - U.Nova.................160
6 - U.Aveiro...............146
7 - UBI........................62
8 - UALG....................46
11 - IPol. Porto...........36
12 - IPol.Bragança.....29
9 - UTAD....................28
10 - U.Évora..............24
14 - ISCTE.................24
18 - IPol.Viseu............18
20 - IPol.Guarda.........17
15 - UAçores..............17
16 - UMadeira............16
13 - UAberta..............16
17 - IPol.Leiria...........11
21 - IPol.Viana C........11
19 - IPol.Lisboa...........8
22 - IPol.Coimbra........7
25 - IPol.Setubal.........4
23 - IPol.Beja..............3
24 - IPCA....................3
26 - IPol.Santarém......2
27 - IPol.Tomar............1  
28 - IPol.Portalegre.....1   
29 - IPol.C.Branco.......0      

O Instituto Politécnico de Castelo Branco tem 2 publicações com mais de 300 citações na base Scopus, infelizmente quando se removem as auto-citações, cujo valor científico é nulo, ambas deixam de cumprir aquela condição. Compare-se o desempenho daquela instituição com o elevado desempenho do Politécnico da Guarda. Isto já para nem falar do facto da primeira ter actualmente zero investigadores altamente citados (SHCS) no ranking Stanford-Elsevier e o Instituto Politécnico da Guarda ter 5 (cinco). https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/10/os-professores-do-ensino-superior.html

Tendo porém em conta que um dos dois referidos artigos só foi publicado em 2019, e que nesse espaço de tempo já conta com quase 300 citações, é muito provável que ele venha a ultrapassar aquela marca nos próximos anos, até porque conta com a co-autoria de um professor catedrático de prestígio mundial, titular de um Scopus h-index=93encontrando-se classificado no extremamente seletivo subgrupo Top 0,15% no ranking Stanford–ElsevierAliás, entendo como relevante recordar que não certamente por acaso, o referido artigo já tinha sido mencionado por mim neste blogue, no dia 1 de Maio de 2025  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/05/o-que-se-me-oferece-dizer-sobre-o.html

PS - Há vários anos atrás, divulguei no meu primeiro blogue, um estudo que mostrou que publicar em conjunto com investigadores de topo constitui uma vantagem científica competitiva duradoura e há dois anos voltei a insistir nesse importante tema, divulgando um novo estudo científico que analisou 245.000 colaborações em 22 áreas científicasResulta daqui, que se actualmente ainda há instituições de ensino superior em Portugal que possuem um número residual de artigos, que tenham recebido centenas de citações, é porque nessas instituições há muitos investigadores que ainda não aprenderam essa lição https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/08/o-melhor-conselho-que-se-pode-dar-um.html