domingo, 9 de agosto de 2026
O catedrático "incapaz" e o catedrático que viu o invisível, num concurso que o tribunal não teve outro remédio senão mandar anular
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Five uncomfortable truths about building a career as a young researcher and why, in the age of AI, courage matters more than ever
Portugal tem Engenharia para enriquecer mas desgraçadamente está refém de instituições que preferem empobrecê-lo
Os resultados da imagem supra mostram que Portugal apresenta um perfil de excelência científica profundamente distinto, não apenas do modelo norte-americano, mas também do padrão mundial. Importa notar que os EUA praticamente coincidem com esse padrão, 56% dos seus cientistas no top 0,5% pertencem às Ciências Médicas e da Saúde, contra 51% no conjunto mundial. Os EUA não são, portanto, a exceção; são a norma. A verdadeira exceção é Portugal. Entre os investigadores portugueses, as Ciências Naturais e Exatas representam 31% e as Engenharias 30%, enquanto a Saúde se fica pelos 22%, menos de metade do peso que assume mundialmente. Portugal aproxima-se, assim, mais do perfil científico-tecnológico da China do que do modelo biomédico norte-americano, as Ciências Naturais e Exatas e as Engenharias concentram conjuntamente 61% da elite científica portuguesa e 82% da chinesa, mas apenas 32% da norte-americana. Contudo, é sobretudo nas Engenharias que a singularidade portuguesa se torna mais evidente, não só o seu peso entre os cientistas de elite é duas vezes e meia superior à média mundial, mas casos como o da famosa Feedzai e da Sword Health, a tal empresa que que dá emprego a mais de um milhar de pessoas, com salários médios mensais de 3400 euros, mostram que a especialização portuguesa nas Engenharias pode, quando encontra capital e acesso aos mercados internacionais, dar origem a empresas tecnológicas de alcance mundial.
O paradoxo português talvez esteja precisamente aqui, o nosso país possui uma concentração excecional de talento em áreas decisivas para a indústria, a energia, os materiais, e a transição climática, mas continua incapaz de transformar essa excelência científica em atividades económicas de elevado valor acrescentado. Vide post anterior de 8 de Fevereiro de título, "Universidades Portuguesas: Premiar a inércia e a estagnação, castigar o mérito e condenar o país ao empobrecimento" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/02/universidades-portuguesas-um-modelo-que.html
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
O perigosíssimo inimigo nº1 de Portugal
A jornalista do Expresso teve o cuidado de abandonar o conforto da redação e deslocar-se a França para conhecer diretamente o trabalho e a vida deste homem. Confirmou que de facto se encontra integrado na sociedade francesa, com dois filhos menores a seu cargo, e ouviu os seus clientes, que confirmaram o valor do seu trabalho. Nada disso, porém, foi suficiente para comover a implacável máquina judiciária portuguesa. Quase quatro décadas depois, o Estado continua a exigir que regresse à prisão, para cumprir mais 2 anos de cadeia. E enquanto isso não acontece condenou-o também a permanecer afastado da sua família durante dezenas de anos. Para a perversa "justiça" Portuguesa, o tempo não redime nem nunca prescreve, a reinserção não conta e a vida honesta construída posteriormente não possui qualquer valor. Pelo menos quando o condenado é pobre e os crimes consistiram em furtos de reduzido valor.
Trata-se, porém, da mesmíssima justiça que aplica penas suspensas a mais de 90% dos condenados por crimes de corrupção. O absurdo é por isso difícil de exagerar, exige-se que um homem, que já cumpriu mais tempo de prisão do que a esmagadora maioria dos condenados por crimes de corrupção alguma vez cumprirá, regresse agora à cadeia para cumprir mais dois anos por pequenos furtos praticados há quase quatro décadas. A mesma justiça que hipocritamente considera dispensável encarcerar quem compra decisões, corrompe agentes públicos, desvirtua instituições e saqueia silenciosamente os recursos de todos entende ser absolutamente indispensável prolongar a prisão de um pequeno delinquente que já pagou uma pena superior à imposta a quase todos os corruptos. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/corrupcaomais-dois-felizardos.html
Aqui chegados faz sentido questionar, será que a prodigiosa bondade dos tribunais portugueses para com os condenados por corrupção terá alguma relação com o facto de a própria magistratura admitir que a corrupção também existe entre juízes? Tenha-se presente que num inquérito realizado a quase 500 magistrados, 26% afirmaram acreditar que, nos três anos anteriores, houvera juízes a aceitar subornos ou a envolver-se noutras formas de corrupção. Talvez seja esta uma das perguntas que o sistema prefere não enfrentar, até que ponto a indulgência quase automática perante os corruptos decorre apenas de uma conceção jurídica benevolente e até que ponto traduz uma tolerância institucional perante práticas que alguns magistrados reconhecem poder existir dentro da própria justiça?
E é também a mesma perversa "justiça" que que conseguiu deixar em liberdade um casal ("os novos Reis do Norte") condenado por mais de uma centena de crimes de corrupção, com penas de 17 e 14 anos de prisão, porque os crimes acabaram todos eles por prescrever e que critiquei neste blogue aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/05/quantos-milhoes-vale-dignidade-da.html Perante semelhante contraste, a pergunta impõe-se, como pode uma ordem jurídica permitir que pequenos furtos praticados há quase quarenta anos permaneçam efetivamente puníveis, enquanto crimes de corrupção ativa, cometidos muito mais recentemente e com consequências incomparavelmente mais graves para a sociedade, desaparecem por obra do calendário?
Chamada a pronunciar-se sobre a possibilidade de um indulto ao supracitado Português que fugiu para França, a ministra da Justiça, a multi-milionária Rita Júdice, mandou comunicar que os crimes na origem da sua condenação "revestem elevada gravidade". A declaração revela a escala moral profundamente deformada que parece orientar o Estado português. Neste país, pequenos furtos praticados há quase quarenta anos por um homem que entretanto reconstruiu a vida, constituiu família, trabalhou honestamente e se integrou plenamente noutra sociedade continuam a exigir prisão efetiva. Já os crimes de corrupção, que corroem as instituições, desviam recursos públicos e destroem a confiança dos cidadãos, são punidos com penas suspensas. Deve concluir-se, portanto, que para o Estado português a corrupção é um crime de gravidade menor?
E que classificação reservará então a ministra para a falência do BES, que destruiu poupanças, arruinou famílias, abalou a confiança no sistema financeiro e poderá custar aos contribuintes entre seis e nove mil milhões de euros? Se furtos de reduzido valor justificam, quatro décadas depois, a mobilização implacável do Estado, como se explica que uma das maiores catástrofes financeiras da democracia portuguesa ainda não tenha levado ninguém à prisão?
A mensagem é, pois, de uma brutalidade cristalina. A justiça portuguesa pode arrastar-se durante anos, distribuir benevolência a condenados por corrupção e mergulhar numa conveniente amnésia quando gente com muito poder causa prejuízos de milhares de milhões de euros. Mas recupera subitamente a memória, a energia e a ferocidade punitiva quando encontra pela frente um pequeno delinquente sem fortuna, influência política, relações privilegiadas ou um batalhão de advogados. Não estamos perante uma justiça cega. Estamos perante uma justiça socialmente seletiva, que pesa não apenas os crimes, mas também a carteira, o estatuto e os contactos de quem os comete. Aos poderosos oferece décadas de recursos, prescrições, penas suspensas e clemência; aos pobres reserva a memória implacável do Estado, a humilhação pública e todo o peso da prisão. Chamar a isto igualdade perante a lei não é apenas um abuso de linguagem. É uma afronta à inteligência dos cidadãos e uma confissão do profundo apodrecimento moral do sistema.
PS - O artigo do Expresso recorda também o caso de George Wright, que fugiu dos EUA para Portugal. Foi condenado por ter participado no assalto a uma bomba de gasolina que resultou no espancamento e morte do empregado da mesma. Segundo a filha daquele, a violência foi tal que a cara dele ficou irreconhecível. Caso esse que foi comentado neste blogue https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/10/uma-peticao-para-convidar-os.html O referido George Wright fugiu da prisão após cumprir apenas sete anos. Dois anos depois, disfarçado de sacerdote e com uma arma escondida numa Bíblia, participou no sequestro de um avião da Delta, exigindo, com os restantes sequestradores, um milhão de dólares de resgate. Apesar deste cadastro homicídio, fuga da prisão, sequestro aéreo, ameaças armadas e extorsão, Portugal recusou entregá-lo aos Estados Unidos, alegando que tinha passado muito tempo e que ele estava integrado na sociedade Portuguesa. A integração social revela-se, assim, um um princípio jurídico de geometria variável, protegeu um condenado por homicídio e sequestro de avião, mas torna-se irrelevante perante um pobre português que foi condenado por pequenos furtos cometidos há quase quarenta anos.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
The link Between a Stanford Study and a Murder Committed by a Young Engineer
A new Stanford-led study published two days ago estimates that between 13 and 17 million American adults may already be using artificial intelligence for mental-health support. They are doing so because professional help is too expensive, insurance coverage is inadequate, waiting lists are intolerable and the healthcare system has made human support inaccessible to those without sufficient money. AI is not simply attracting patients away from therapists; it is filling the void created by a system that has placed a price on psychological suffering and decided that those who cannot pay must endure it alone. https://www.nature.com/articles/s41746-026-02842-9
The depth of this social fury became impossible to ignore after the young engineer Luigi Mangione killed a health-insurance CEO. A national poll found that 17% of American voters regarded the killing as acceptable. Among those aged 18 to 29, however, that figure surged to 41%. This is not merely evidence of declining moral restraint. It is an indictment of a healthcare system that has spent decades denying treatment, bankrupting families, humiliating the sick and converting human suffering into corporate profit. When millions of young Americans can no longer condemn without hesitation the killing of one of that system’s most powerful representatives, the responsibility does not lie only with individual rage. It also lies with an industry that has accumulated so much cruelty, resentment and despair that violence itself has begun to appear, to a disturbing share of a generation, as an intelligible response.
PS - This abandonment is not confined to mental healthcare. As I noted in a previous post, titled "Nobel Laureate Stiglitz: Why U.S. Healthcare is Failing Its Citizens" an analysis of nine million cancer cases found that 38% of patients had gone bankrupt within four years. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/nobel-stiglitz-sick-and-desperate.html
domingo, 2 de agosto de 2026
Um comportamento irracional e a face oculta da excelência que as universidades escolhem deliberadamente não conhecer
Os dois posts em língua estrangeira mais visualizados nesse período dizem respeito a um interessante estudo sobre quase 45.000 teses de doutoramento Alemãs, cujas conclusões desmentem algumas narrativas tão simplistas quanto intelectualmente frágeis, e um outro sobre o pesado tributo humano exigido pela excelência universitária, uma importante dimensão persistentemente silenciada pelas narrativas académicas institucionais.
Uma farsa que se repete todos os anos: Portugal bate recordes de investigação sem investigadores nem laboratórios
O Público noticia hoje que Portugal atingiu um novo máximo de despesa em investigação. Segundo os dados do Inquérito ao Potencial Científico e Tecnológico Nacional (IPCTN), o nosso pobre país investiu alegadamente 5584 milhões de euros em ciência em 2025. A esmagadora maioria em despesa empresarial. Lê-se e não se acredita em tanta fartura. Sobretudo quando a maioria do tecido empresarial português não possui investigadores, nem doutorados, nem laboratórios, nem qualquer produção de conhecimento minimamente reconhecível.
Contudo e em bom rigor, o IPCTN não demonstra que as empresas portuguesas estejam a investigar mais; demonstra apenas que estão a declarar mais despesas sob a rubrica de investigação e desenvolvimento. Confundir estas duas realidades é transformar uma classificação contabilística numa narrativa de progresso científico. O delírio estatístico chega ao ponto de Portugal, dotado de um tecido empresarial incomparavelmente mais débil do que o espanhol ou o italiano, surgir agora como um país cujas empresas gastam mais em investigação do que as empresas de Espanha e de Itália. A conclusão desafia não apenas o bom senso, mas a própria estrutura económica dos três países. Portugal dispõe de menos de cinco grandes empresas no top 2000 das que mais investem em I&D; a Espanha possui cerca do seis vezes mais e Itália quase dez vezes mais. A famosa Ferrari sozinha investiu mais em despesas de investigação do que as referidas grandes empresas Portuguesas.
A fragilidade começa logo na própria definição de investigador. Para efeitos estatísticos, não é necessário possuir doutoramento, integrar uma carreira científica, publicar, trabalhar num laboratório ou sequer ter sido contratado para investigar. Basta que um trabalhador declare ter dedicado uma parte do seu tempo a uma atividade que a própria empresa apresenta como nova e criativa. Também não é necessário que a empresa possua laboratórios ou equipamentos científicos relevantes. Podem ser contabilizados consultores, serviços externos e trabalho realizado em instalações de terceiros. Deste modo, uma empresa sem laboratório, sem investigadores de carreira, sem publicações, sem patentes e sem qualquer produção científica reconhecível pode surgir nas estatísticas como executora de I&D.
Sem auditorias científicas independentes e projeto a projeto, ninguém pode saber com segurança quanto desta despesa corresponde a investigação efetiva e quanto corresponde a contabilidade criativa legitimada por uma definição estatística extraordinariamente permissiva. Esta complacência estatística torna-se ainda mais censurável quando se reconhece que existe um poderoso incentivo financeiro para ampliar essa classificação. Benefícios fiscais e mecanismos como o SIFIDE transformam a rubrica de I&D num instrumento de engenharia fiscal potencialmente mais rentável do que a própria investigação.
Um caso concreto, que me foi relatado por um colega da Universidade de Aveiro, ilustra de forma particularmente elucidativa até onde pode chegar esta perversão. Uma empresa dedicada à gestão de uma vasta rede de franchising, sem laboratórios, investigadores ou atividade científica própria reconhecível, conseguiu deduzir quase 7,7 milhões de euros em impostos sob a aparência de financiamento à investigação, bastando-lhe adquirir participações num fundo de capital de risco. Tornou-se, assim, um dos maiores beneficiários do SIFIDE sem ter de produzir conhecimento, contratar investigadores ou demonstrar qualquer resultado científico verificável. Faço notar que esses fundos que permitiam abater o montante de IRC a pagar pelas empresas já tinham sido criticados neste blogue em 2022 https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/11/o-esquema-ardiloso-que-permitiu-que.html
E ao mesmo tempo que projetos de investigação genuína submetidos à FCT são recusados por falta de financiamento, milhões de euros foram canalizados para empresas sem atividade científica própria. Isto significa que uma parte muito significativa dos milhares de milhões atribuídos através do SIFIDE teria servido incomparavelmente melhor o interesse público se tivesse sido aplicada diretamente no financiamento do sistema científico nacional. Portugal corre, assim, o risco de celebrar como alegado "triunfo científico" aquilo que poderá não passar de uma sofisticada "fraude" estatística, a transformação burocrática de despesas empresariais em investigação fictícia e, depois, em benefícios fiscais suportados por todos os contribuintes, sem laboratórios, sem investigadores e sem ciência.
Declaração de interesses - Recordo que muito antes antes da conhecida ex-eurodeputada Ana Gomes ter exigido o fim do SIFIDE por ser fonte de "borlas" fiscais, e dos "vistos Gold" já eu tinha criticado de forma bastante explicita e mais do que uma vez aquele infeliz programa https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/expresso-o-nada-surpreendente-recorde.html
PS - Num próximo post mostrarei que, num importante indicador de investigação científica, Portugal se encontra já próximo da Bulgária e pior do que isso em poucos anos irá ser ultrapassado por aquele país. Nesse post revelarei também qual a medida governativa que mais contribuiu para essa preocupante degradação do desempenho científico nacional.
sábado, 1 de agosto de 2026
Artigos despublicados: A nova liderança da Univ. de Aveiro e a proposta para mudar um sistema de despublicação que penaliza mais injustamente os jovens investigadores
No post acessível através do link supra, divulguei em Março de 2025, uma imagem impressionante que ilustrava a renhida disputa entre a Universidade de Coimbra e a Universidade de Lisboa pelo pouco invejável título da universidade portuguesa com maior número de artigos despublicados. Curiosamente, uma análise efectuada hoje relativamente às publicações indexadas na Scopus, que foram despublicadas em 2025 e 2026 altera significativamente esse panorama, a Universidade de Aveiro surge agora na liderança, seguida pela Universidade de Coimbra, aparecendo a universidade de Lisboa em terceiro lugar.
A análise das causas de despublicação revela uma realidade bastante heterogénea. Cerca de 42% das despublicações estão relacionadas com inexatidões, duplicações ou insuficiente sustentação dos dados e das imagens apresentados. Outros 25% resultam da utilização de dados ou imagens anteriormente publicados, sem a devida identificação ou justificação. Os problemas de autoria representam aproximadamente 20% dos casos, incluindo situações em que foram acrescentados autores durante o processo editorial sem fundamentação adequada, bem como edições especiais nas quais os revisores mantinham ligações ao editor convidado, suscitando evidentes conflitos de interesse. As falhas metodológicas correspondem a 8% dos casos, enquanto os restantes 4% decorrem do incumprimento de requisitos relacionados com o consentimento dos participantes.
Independentemente da natureza das irregularidades e da enorme disparidade da sua gravidade, todos estes artigos e, por extensão, os respetivos autores passam agora a carregar o mesmo estigma indiferenciado da despublicação. Recordo, a este propósito, que já no post scriptum de um post publicado em 2021 defendi a necessidade de diferenciar as despublicações em função das causas que lhes deram origem. Retomei a questão em dezembro do ano passado, num post sobre um artigo publicado no Journal of Informetrics, propondo um sistema de classificação mais proporcional e mais transparente, pois o modelo atual produz consequências profundamente desiguais, penalizando de forma particularmente severa os investigadores em início de carreira, que dispõem de menor capital reputacional para absorver o dano de uma despublicação. Esta proposta foi posteriormente aprofundada num preprint disponibilizado no Zenodo, a plataforma europeia de acesso aberto desenvolvida no âmbito da iniciativa OpenAIRE. https://zenodo.org/records/18800449
Alguns meses mais tarde, submeti uma versão melhorada desse preprint à revista Accountability in Research: Ethics, Integrity and Policy. Há dois dias, a editora dessa revista contactou-me, indicando as alterações necessárias para que o artigo possa vir a ser aceite. Veja-se a esse respeito o email reproduzido abaixo.
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Enviado: 30 de julho de 2026 07:14
Para: F. Pacheco Torgal
Dear Dr F. Pacheco-Torgal:
Please contact the Editorial Office if you are unable to resubmit within this time.
Sincerely,
Dr. Lisa Rasmussen
Accountability in Research: Ethics, Integrity and Policy Editorial Office
sexta-feira, 31 de julho de 2026
The Unacknowledged Thermodynamic Price of the Modern Corporate University
A living cell preserves an extraordinarily organised interior in a universe governed by increasing entropy. It maintains membranes, genetic information and complex biochemical processes, yet it does not violate the second law of thermodynamics because it is not an isolated system. It imports concentrated energy and organised matter, transforming them into heat, waste and degraded materials. Its internal order is therefore purchased through a greater production of disorder outside its boundaries. Life survives not by defeating entropy, but by exploiting it. This idea, associated with Schrödinger’s “negative entropy” and Prigogine’s dissipative structures, contains an uncomfortable lesson, every organised system has a metabolic cost, every zone of visible order generates disorder elsewhere.
The same principle applies to individual existence. Human beings construct internal order through routines, careers, identities, relationships and carefully defended narratives about themselves. Yet that order requires constant exchanges with the outside world. A person who closes himself to criticism, affection, uncertainty and unfamiliar ideas may preserve stability, but it is the stability of a crystal rather than the dynamic order of a flame. More disturbingly, personal equilibrium is often achieved by exporting disorder into less visible places. The professional who appears controlled in public may transfer his frustration to his family; the admired leader may depend upon the exhaustion of subordinates; one person’s tranquillity may be financed by another’s anxiety. The moral question is therefore not whether our lives appear orderly, but where the fatigue, conflict and damage required to preserve that order are ultimately deposited.
Scientific research offers an especially revealing example. A published article appears as an orderly progression from question to method, evidence and conclusion. In reality, every polished result normally rests upon failed experiments, rejected manuscripts, abandoned hypotheses, unusable datasets and intellectual dead ends. These are not merely signs that research has malfunctioned; they are often the unavoidable cost of discovery. A scientific culture that publishes only successful outcomes and reconstructs every project as a clean sequence of rational decisions conceals its own metabolism. For researchers, this is a liberating insight: uncertainty and failure are frequently part of the process rather than deviations from it. Original research exists between excessive order and excessive disorder. Too much order produces repetition and safe incrementalism; too much disorder produces incoherence. Discovery requires enough structure to accumulate knowledge and enough instability for something unexpected to emerge.
Universities reproduce this logic institutionally. They import funding, student ambition, academic labour and talent, transforming them into graduates, publications, technologies and prestige. Yet the crucial question remains: where does their disorder go? Institutional stability may depend upon precarious researchers, exhausted support staff, invisible doctoral labour and the transfer of uncertainty towards those least able to resist it. The university remains orderly because insecurity has been displaced downwards. Excellence therefore cannot be judged solely through rankings, publications and strategic plans. It must also account for abandoned researchers, bureaucratic overload, suppressed dissent and talent trained at public expense and then allowed to leave. A university may appear highly efficient precisely because it has become exceptionally skilled at concealing its entropy.
P.S. This argument also returns us to my 2021 post, The Success of Organisations in the Twenty-First Century Requires a Minimum of Rebellion and Chaos. A university that eliminates dissent, intellectual friction, failed experiments and uncomfortable voices does not become more orderly; it becomes scientifically dead. What passes for institutional stability is often merely stagnation protected by bureaucracy, conformity disguised as collegiality and intellectual cowardice systematically elevated into a dominant model of governance. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/academia-portuguesa-necessita-de.html
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Porque é que em Portugal Só a Engenharia Consegue Converter Talento Individual Em Competitividade Institucional ?
https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/07/o-improvavel-investigador-que-vai.html
Sobre os investigadores mais influentes a nível mundial (Top 0.5% do ranking Elsevier Stanford), mencionados no post acessível no link supra, uma análise da sua distribuição por grandes áreas científicas, cor azul na imagem supra, mostra que ao nível individual, o perfil é relativamente equilibrado, as Ciências Naturais e Exatas representam 31%, as Engenharias 30% e as Ciências Médicas e da Saúde 22%. Porém, quando a análise se desloca dos indivíduos para os departamentos cientificamente mais competitivos, segundo os resultados do Top 100 do ranking de Shanghai, assinalados a cor vermelha, esse equilíbrio desmorona-se de forma inequívoca. As Engenharias absorvem 71% das posições, enquanto cada uma das restantes quatro grandes áreas se reduz a uns modestos 7%.
O contraste revela uma fragilidade estrutural que nenhuma contagem de investigadores de topo consegue disfarçar, Portugal possui, nas Ciências Naturais e Exatas e também na Saúde, numerosos cientistas de elevado impacto internacional, mas esse talento permanece demasiado disperso para gerar departamentos capazes de competir entre os cem melhores do mundo. Existem é certo algumas ilhas de excelência, mas não a massa crítica necessária para construir poder científico institucional. Nas Engenharias, pelo contrário, a concentração de talento individual, sobretudo nas universidades de Lisboa, Porto e Minho, permite converter mérito individual em capacidade coletiva, reputação departamental e reconhecimento internacional. Quando porém se deixa de contabilizar os cientistas mais influentes e se avalia a força das instituições, o referido equilíbrio desaparece, apenas a Engenharia consegue transformar excelência pessoal em potencial científico institucional.
PS - É justo que se diga, que embora isso não seja percetível na imagem supra, que a área das ciências naturais e exactas é a segunda mais capaz de converter talento individual em competitividade institucional, algo que porém só se consegue perceber utilizando os resultados do Top200 do ranking Shanghai, onde aparece com 21%, bastante atrás dos 51% das engenharias, mas muito à frente dos 10% das ciências sociais e humanidades, e dos 9% da medicina e das ciências agrárias e veterinárias que disputam entre si o 5º lugar.
quarta-feira, 29 de julho de 2026
Uma proposta de alteração do regulamento de avaliação dos investigadores - RAPI
Nos diversos regulamentos de avaliação do pessoal investigador - RAPI uma publicação entra na avaliação de desempenho apenas uma vez, no biénio em que é publicada. Nesse momento, é avaliada exclusivamente com base num único critério, o quartil da revista em que foi publicada. Trata-se de um juízo ex ante e por procuração, que erradamente confunde o impacto médio da revista antes sequer de o artigo ter tido qualquer vida científica própria.
A pontuação relativa ao parâmetro do impacto diferido é obtida a partir do índice h bienal (h-bi) do avaliado, definido como o maior número inteiro h tal que h publicações do avaliado, anteriores ao início do período em avaliação, receberam, cada uma, pelo menos h citações durante esse período (auto-citações excluídas). A classificação parcial resulta da comparação do h-bi com os valores de referência fixados para cada categoria e centro de investigação.
terça-feira, 28 de julho de 2026
Uma "estrela" que brilhou pouco e as duas estrelas da ciência de que ninguém fala
https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/08/a-produtividade-cientifica-de-uma.html
Há alguns anos atrás, vide post acessível no link supra, critiquei o facto de amigos do então Presidente da República, Cavaco Silva, terem reconhecido "méritos excecionais e relevantes na ciência" à jovem investigadora Zita Martins, distinção que conduziu à sua condecoração, em 2015, com a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Recordo que, nessa altura, o seu currículo científico incluía aproximadamente três dezenas de publicações indexadas na Scopus, com um impacto bibliométrico ainda bastante modesto à época.
Quando agora se consultam os resultados da última edição do ranking de cientistas Stanford–Elsevier, no qual estranhamente a supracitada investigadora "estrela" ainda não conseguiu entrar, e se analisa o desempenho de jovens investigadores portugueses, dois nomes destacam-se claramente, Joana Prata e Natália Cruz-Martins. A imagem supra, obtida a partir do processo que descrevi aqui, compara a evolução passada e a projeção futura dos respetivos índices-h na base de dados Scopus, tornando particularmente evidente a dinâmica científica ascendente de ambas, claramente acima do desempenho da referida "estrela" da ciência.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
What 44,720 German PhD Theses Reveal About Europe’s Invisible Innovation
An open-access article published on 21 July 2026 in Scientometrics presents findings that should unsettle anyone who still judges universities’ contribution to innovation by counting patents, academic inventors, and spin-offs. Entitled From green thesis to green invention, the study follows two decades of doctoral research conducted at German universities in Physics, Electrical Engineering, and Computer Science. The authors linked 44,720 doctoral theses with their authors’ publications, patent records, and the scientific literature cited by those patents, asking a question that conventional innovation rankings largely avoid: how much university knowledge reaches technology without ever appearing in a university-owned patent?
Among PhD graduates with publications included in the analysis, around 10% of those from Physics and 20% of those from Electrical Engineering and Computer Science appear as inventors on patents. Yet the publications of 36% of the former and 51% of the latter are cited in patent documents. The indirect connection between science and invention therefore appears roughly four times more often than direct participation as an inventor. In green technologies, the contrast is even more revealing: only 0.8% to 5.8% of PhD graduates appear as inventors on a green patent, while 4.5% to 17.6% have publications cited by green patents. https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-026-05736-5
These findings also cast doubt on the standard interpretation of the so-called European paradox, according to which Europe produces excellent science but fails to convert it into innovation and economic value. The study does not prove that the paradox is a statistical fiction, particularly because it is limited to Germany and to two broad scientific fields. It does, however, suggest that part of Europe’s supposed innovation failure may be manufactured by the indicators used to diagnose it. If universities contribute chiefly by producing knowledge that others quietly convert into inventions, then evaluating them through patents and spin-offs is not merely incomplete; it is intellectually fraudulent. It erases the very process by which science becomes technology and then congratulates the indicators for finding so little.
PS - One bibliographic omission in the aforementioned paper deserves explicit mention. Its reference list contains no citation of a closely related study based on 4,460 Swedish innovations, which I discussed in an earlier post. That study found that most innovations were never patented, while patents captured barely 15% of the overall innovation signal, leaving the remaining 85% statistically invisible to conventional indicators. It is the same post that opens by recalling European Commission officials’ warning that Europe suffers from an “unhealthy obsession with patents.” https://pachecotorgal.com/2025/08/31/the-invisible-85-how-patents-create-a-false-economy-of-innovation-value/
domingo, 26 de julho de 2026
O improvável investigador que pode salvar a honra de uma certa universidade acelerada
https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/07/uminho-lidera-destacada-no-indicador-da.html
Na sequência do post acessível através do link supra, no qual apresentei o desempenho das sete universidades portuguesas mais competitivas no rácio Top 0,5%/Top 2%, importa salientar que a análise longitudinal dos sucessivos ficheiros do ranking de cientistas Elsevier–Stanford, relativos ao impacto científico acumulado ao longo da carreira, permite ir além da simples descrição da posição atualmente ocupada por cada investigador.
Com efeito, a comparação das várias edições torna possível identificar não apenas os cientistas que revelam uma trajetória mais acentuada de progressão na hierarquia mundial, mas também aqueles cuja dinâmica recente de crescimento bibliométrico permite antecipar, com razoável grau de plausibilidade, uma futura entrada no particularmente restrito subgrupo do Top 0,5% dos investigadores mais influentes a nível mundial. No que respeita à Universidade da Beira Interior, instituição que anteriormente caracterizei como parecendo uma universidade acelerada a esteroides, prevejo que muito provavelmente, na edição de 2027, aquela universidade passe a estar representada no Top 0,5% por um investigador de nacionalidade Iraniana, actualmente titular de um Scopus index=62 https://www.scopus.com/authid/detail.uri?authorId=54790731500
Para a edição de 2026 e também para as edições subsequentes do referido ranking, a evolução observada nos ficheiros disponíveis permite igualmente antecipar outras prováveis novas entradas no Top 0,5%, as quais se encontram sistematizadas na tabela-resumo apresentada abaixo:
sábado, 25 de julho de 2026
Univ do Minho lidera destacada no indicador da densidade da excelência científica
https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/09/acaba-de-ser-revelado-o-conhecido.html
Daqui a algumas semanas será revelada a última edição do bastante conhecido e prestigiado ranking de cientistas Elsevier-Stanford, isso não impede porém que até lá se continue a analisar de forma mais aprofundada o ficheiro da última edição, acessível no post supra.
Uma análise do rácio (Top 0.5%/Top2%), um indicador da profundidade da excelência científica institucional, mostra que a UMinho lidera destacada entre as sete universidades mais competitivas de Portugal (as únicas listadas no conhecido ranking Shanghai). A UBI apresenta um rácio nulo, porque não tem nenhum investigador no restrito subgrupo Top 0.5%. Por acaso já teve um, mas foi "roubado" pela universidade do Porto onde é professor catedrático, de seu nome João Catalão, titular de um Scopus h-index=100 https://www.scopus.com/authid/detail.uri?authorId=57204848031
Este caso evidencia que os indicadores institucionais de excelência não refletem apenas a capacidade de formar investigadores de elevado impacto, mas também a competência estratégica para os reter de forma duradoura e para captar talento científico externo. Quando uma universidade não consegue conservar os investigadores cuja trajetória ajudou a construir, não perde apenas capital humano altamente qualificado: transfere para outra instituição impacto científico, reputação académica, capacidade de captar financiamento e o retorno de investimentos acumulados durante anos. Formar excelência para depois a entregar a concorrentes mais eficazes não é apenas uma fragilidade institucional; é uma forma particularmente dispendiosa e estrategicamente ruinosa de subsidiar o sucesso alheio.
sexta-feira, 24 de julho de 2026
Europe Has the Best Higher Education Architecture and No Idea How to Sell It
Two things happened in the same week of July 2026, and the contrast exposes Europe’s strategic paralysis. On 14 July, Tokyo Governor Yuriko Koike flew to New York to negotiate a New York University campus in Musashimurayama, joining NYU’s existing network in Abu Dhabi and Shanghai. A day later in Brussels, two master’s programmes received the first Joint European Degree Labels, five years after the idea was launched. Tokyo brought a governor, land and capital. Brussels brought a label and a ceremony. That same week, ShanghaiRanking counted at least twenty-one new independent branch campuses across nine host countries. Its map leaves little room for excuses: the United Kingdom, Australia, the United States, South Korea, China and others are exporting universities; India, Saudi Arabia, Kazakhstan and Uzbekistan are importing them. The European Union appears almost by clerical error a handful of initiatives from Italy and France, from a bloc of twenty-seven states and roughly four thousand institutions.This is not necessarily European decline. It is something more embarrassing: Europe may possess the better model, but still lacks the nerve, speed and strategic intelligence to export it.
The instinctive response, that Europe must catch up and build campuses too, is wrong. The Anglo branch-campus model is not primarily an influence strategy; it is a revenue model born of domestic defunding. Australia earned AUD 53.6 billion from international education in 2024/25, and British universities use overseas fees to cross-subsidise research and domestic teaching because public funding no longer covers them. Continental European systems fund teaching mainly through taxation and charge low or no fees, and therefore lack the commercial engine required to operate offshore. Transplanting the model without its economics produces prestige projects with no business case, and even the genuine article is fragile: roughly one in five international branch campuses established worldwide has closed. There is also a simpler objection. In any bidding war for a marquee university, the Gulf pays more and always will. Competing on capital against sovereign wealth funds is a reliable strategy for finishing second at considerable expense.
Strip away the inferiority complex and Europe holds four assets that no host country can purchase. The first is recognition architecture. The Bologna framework and the European Higher Education Area connect forty-nine countries through comparable degrees, credits and quality assurance. It is bureaucratic plumbing, but it may be Europe’s most powerful higher-education invention. Standards are strategic infrastructure: whoever writes them controls the market long after the buildings have become obsolete. The second is scientific infrastructure that money alone cannot reproduce: CERN, EMBL, ESO, ESA, EuroHPC and ITER. Riyadh can buy a campus in three years. It cannot buy another CERN in thirty. The third is Europe’s proven ability to attract talent. Choose Europe for Science, launched in May 2025 with €500 million and expanded to almost €900 million for 2025–27, now complements more than one hundred national and regional schemes. Applications from researchers outside Europe nearly quadrupled for ERC Advanced Grants, increased by more than half for Starting Grants, rose 130% in the 2026 Consolidator call and grew 65% in one year for Marie Skłodowska-Curie fellowships. No branch campus has ever shifted talent at that speed or for so little capital.The fourth is credible academic freedom. As universities elsewhere become increasingly vulnerable to political interference, academic freedom is not a regulatory inconvenience. It is Europe’s strongest product and one it still seems almost embarrassed to sell.
Europe does not need to invent an alternative; it needs to notice the one it has ignored for thirty years. Germany has helped build co-owned universities from Cairo and Amman to Istanbul, Almaty and Ho Chi Minh City: host-country institutions using German curricula, standards and academic partnerships without the expensive theatre of planting a foreign flag on foreign soil. Because the hosts own them, they demand less European capital, provoke fewer colonial suspicions and are far harder to uproot when politics shifts. The lesson is almost embarrassingly obvious. Europe’s most credible global model is not the academic franchise, the prestige outpost or the vanity campus. It is the institution that belongs locally but operates inside a European system. The real strategic choice, then, is not whether Europe should export universities, but whether it wants to sell temporary access or build a durable order.
The choice is not between ambition and modesty, but between selling a commodity and building an order. The Anglo-Australian model sells access to a country: profitable, transactional and brittle, hostage to visa crackdowns, currency shocks and the whims of a single recruitment market. Europe can offer something far harder to copy: membership in a system of recognised degrees, portable qualifications, shared scientific infrastructure, academic freedom and co-owned institutions rooted in their host societies. It is slower, less photogenic and largely useless for ribbon-cutting politics. But once embedded, it creates something a foreign campus rarely can: not temporary presence, but durable institutional belonging.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Corporate Bias in Arup and Saint-Gobain’s Adapting Buildings to Climate Change (2026)
Having recently begun preparing the second edition of the Elsevier book Adapting the Built Environment for Climate Change: Design Principles for Climate Emergencies, I approached Arup and Saint-Gobain's new 92 page report expecting a genuinely comprehensive assessment of how the built environment should respond to a changing climate. https://www.arup.com/globalassets/downloads/insights/a/adapting-buildings-to-climate-change/adapting-buildings-to-climate-change.pdf
Instead, I found a document that is most interesting as a review of current engineering practice but distinctly unconvincing as a serious vision for climate adaptation. Its central problem is baked into the framing rather than hidden in the details: co-authored by one of the world’s largest building materials manufacturers, it reduces adaptation to something you largely buy, specify and install on the building envelope at considerable financial cost.
Its five solution families map almost perfectly onto the co-author’s business units, insulation, glazing, renders and ETICS, coatings, and protective systems, while measures that adaptation science usually places first are relegated to the margins. Building orientation, massing and passive ventilation receive about three pages, against thirty-five for the product taxonomy. Urban morphology appears only in passing, while behavioural adaptation, adaptive comfort, occupant practices and the wider thermal tolerance of heat-acclimatised populations are ignored. Many of the most effective measures demand better design, not another layer of products. A report that reverses that hierarchy begins to look less like independent analysis than a corporate catalogue conveniently dressed in climate credentials.
Even within its own product-centred logic, the report remains strikingly conventional. Bio-based and circular materials appear only in passing, mostly as generic aspirations such as recycled or bio-based content, repairability and design for disassembly. There is no substantive examination of timber, cork, hemp, cellulose, straw, bamboo or mycelium, and almost nothing on reused components, material passports, urban mining or closed-loop construction. A report that presents product innovation as a principal route to adaptation thus largely overlooks the material pathways most capable of simultaneously connecting resilience with lower embodied carbon, resource efficiency and end-of-life recovery in practice.
The rigour is applied selectively: quantitative where it supports the product case, qualitative where it might complicate it. On the carbon side, the claim that material-intensive solutions, thicker insulation, reinforced envelopes, triple glazing and more durable assemblies, repay their higher embodied carbon through longer service life is repeated three times without even basic service-life assumptions, replacement-cycle data or life-cycle evidence of any kind or sensitivity analysis. Nor is there any credible basis for prioritising between options: no €/m² costs, avoided-damage estimates, payback periods or cost-effectiveness rankings.
Buildings, meanwhile, are treated as engineering systems rather than socio-technical ones, and the constraints that dominate adaptation decisions are largely absent. The report rightly says that retrofitting the existing stock is the challenge of the century, yet says almost nothing about why retrofits fail in practice: fragmented condominium ownership alongside skilled-labour shortages, tenant disruption, financing obstacles and political resistance. The social dimension is equally thin. Energy poverty and the affordability of cooling are absent, while the finance chapter speaks to investors rather than households. The three study regions also exclude tropical Africa, Latin America and Southeast Asia, where much of the building stock of 2050 has yet to be constructed, as well as regions facing qualitatively different threats such as permafrost failure or existential coastal exposure, systematically ignored.
Finally, maladaptation, the greatest practical danger in any product-led adaptation agenda, is addressed at the wrong scale. The report deserves credit for specific warnings about moisture trapped behind airtight insulation, triple glazing underperforming in hot climates and reflective surfaces creating glare or winter heating penalties. But these remain scattered cautions about product misuse, not a systemic framework.Air-conditioning growth is treated as a demand forecast rather than a feedback loop in which cooling increases emissions and urban heat, driving still more cooling. Flood protection shifting risk downstream or onto unprotected neighbours is ignored. So are the carbon and vulnerability lock-ins created by long-lived envelope decisions: an ETICS façade installed in 2026 can fix a wall’s embodied carbon and restrict adaptation options for decades. That silence is not incidental; it reveals the report’s governing logic. It is rigorous where quantification legitimises products, evasive where uncertainty, carbon lock-in or social failure might weaken the sales case. Climate-resilient housing should be judged by whole-life carbon, field performance, end-of-life recovery, affordability and social reach, against the best available alternatives, not against the conveniently undemanding benchmark of doing nothing. By those standards, the portfolio presented here does not reimagine adaptation in any substantively meaningful sense. It dresses the incumbent product model in climate language, turns incremental upgrades into strategic ambition and mistakes a corporate catalogue for a roadmap to resilience.