Rodríguez-Navarro (2026) argues that Europe's limited production of scientific breakthroughs stems primarily from research inefficiency, measured by the conversion of highly cited papers (top 10%) into exceptionally cited papers (top 1%). This comment examines that proposition using Portugal as a boundary case. Applying the same indicators, estimator and CWTS Leiden Ranking data to the country's six largest universities (2020–2025 editions), I find no evidence of an efficiency deficit. https://zenodo.org/records/21429760
segunda-feira, 20 de julho de 2026
domingo, 19 de julho de 2026
Afinal, quem é que se enganou nas contas? O Expresso ou o Presidente do Conselho Consultivo da ERSAR?
Contudo, as contas não batem certo. Para que o tempo de substituição ultrapassasse os mil anos, a taxa anual de renovação teria de rondar apenas 0,09%, e não 0,3%. Com uma taxa de 0,3%, a renovação integral da rede ocorreria em cerca de 333 anos, um prazo já de si inaceitavelmente longo, mas três vezes inferior ao valor apresentado. Não se trata de uma mera imprecisão, é um erro aritmético grosseiro que amplifica artificialmente a gravidade do problema e compromete a credibilidade de quem o divulga.
Mais grave do que o erro aritmético é o seu impacto no debate público. Quando um jornal de referência ou o responsável de uma entidade reguladora divulga um número manifestamente incompatível com a realidade, distorce a perceção da dimensão do problema. A renovação das redes de abastecimento de água é, de facto, demasiado lenta e insuficiente, mas um diagnóstico credível exige rigor quantitativo. Sem esse rigor, a evidência cede lugar à retórica numa área onde estão em causa investimentos de centenas de milhões de euros.
Quanto às referidas perdas de água, recordo que, há sete anos, divulguei no meu primeiro blogue que Portugal desperdiçava anualmente cerca de 180 milhões de metros cúbicos. Se compararmos esse valor com os atuais 170 milhões, verifica-se uma redução de apenas 10 milhões de metros cúbicos em sete anos. A manter-se este ritmo, serão necessários mais de 30 anos para que as perdas anuais desçam abaixo dos 100 milhões de metros cúbicos.
A redução das perdas poderia ser muito mais rápida se Portugal deixasse de distribuir os investimentos de forma indiscriminada e passasse a recorrer a tecnologias de deteção inteligente de fugas, monitorização permanente, gestão otimizada da pressão e modelos digitais das redes de abastecimento. Em muitos casos, estas soluções permitem reduzir significativamente as perdas com investimentos muito inferiores aos necessários para a substituição generalizada das condutas. Renovar as redes é indispensável, mas tão importante como renovar é saber quais as condutas que devem ser substituídas primeiro, de modo a maximizar o retorno de cada euro investido. O problema é que as boas decisões raramente acontecem por acaso. Exigem competência técnica e conhecimento especializado. Mas como poderá Portugal adotar uma gestão inteligente das redes de água quando, como sucedeu em Almada, o Conselho de Administração dos SMAS reunia representantes de várias áreas profissionais, mas não incluía um único engenheiro civil?
sábado, 18 de julho de 2026
O inesperado trambolhão da U.Lisboa e a queda persistente da U.Aveiro na métrica da eficiência do impacto científico
Na sequência de um recente e interessante artigo de um catedrático jubilado da universidade Politécnica de Madrid e principalmente de um parâmetro de eficiência na investigação lá mencionado, relativamente à capacidade de um sistema de investigação produzir publicações altamente citadas, artigo esse que recordo citei no post scritum do texto publicado aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/07/the-battle-for-worlds-brightest-minds.html apresentam-se na imagem supra os valores da eficiência da investigação das seis universidades portuguesas mais competitivas, calculados a partir dos resultados das seis ultimas edições do conhecido ranking da universidade Leiden.
Os resultados mostram que a UMinho lidera com folga em 2025, acima inclusive do valor de referência dos EUA, que foi mencionado no artigo supracitado. A UNova tem a subida mais consistente da série. A UPorto recupera de uma fase com oscilações, a UCoimbra evidencia uma recuperação sustentada desde 2022, e a ULisboa depois de subir ao longo de quatro edições sofre um tombo na última. Já a UAveiro protagoniza um declínio bastante notório, era a universidade mais eficiente do país em 2020 e é a última em 2025, numa descida quase contínua de seis edições, que não pode deixar de merecer atenção institucional urgente.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
The World's Most Expensive 54 Seconds and What They Tell Us About Climate Change
What makes this study particularly fascinating is that it is really about human behaviour, not transport engineering. It exposes one of the clearest real-world examples of the classic tragedy of the commons. Each driver makes what appears to be a perfectly reasonable decision: drive a little faster to save a little time. The individual gain is so small that it is almost impossible to perceive in a single journey, yet when this behaviour is repeated millions of times every day, the cumulative consequences become staggering. Millions of litres of fuel are burned, thousands of tonnes of unnecessary carbon dioxide are released, and enormous sums of money quietly disappear—all in exchange for less than a minute.
For decades, the debate on climate change has been dominated by technology. We have looked for salvation in cleaner fuels, larger batteries, more efficient engines, autonomous vehicles, artificial intelligence, smarter infrastructure, and a constant stream of innovation. These innovations are undoubtedly important, but studies like this powerfully remind us that technology alone cannot compensate for systematically inefficient human behaviour. Some of the largest and cheapest emissions reductions may not come from inventing new machines, but from using existing ones more intelligently.
The deeper lesson extends well beyond road transport. Climate change is often portrayed as the inevitable consequence of industrial systems or technological limitations. This paper suggests a different perspective. Many environmental problems emerge because individually rational decisions accumulate into collectively irrational outcomes. We are extraordinarily good at optimising for immediate personal convenience, yet remarkably poor at recognising the enormous costs that these tiny decisions impose when multiplied across entire societies.
The real surprise is therefore not that speeding wastes energy—we have known that for decades. The surprise is the staggering scale of the imbalance. Humanity is collectively paying millions of dollars, consuming millions of gallons of fuel, and emitting tens of thousands of tonnes of carbon dioxide every single day for a reward that, on average, amounts to just 54 seconds.Rarely has so much been sacrificed for so little.
PS - Still, a word of caution is needed. As striking as these figures are, road transport is not where the cheapest carbon reductions can be achieved. As I discussed in an earlier post, cutting emissions through vehicles remains a relatively expensive way to reduce CO₂. By contrast, improving the energy efficiency of buildings consistently delivers much larger emissions reductions at a fraction of the cost and in many cases even generates net economic savings. For anyone interested in where climate investments achieve the greatest return, the 2025 Elsevier new edition of Cost-Effective Energy-Efficient Methods for Refurbishment and Retrofitting of Buildings brings together the latest evidence on the materials, technologies, and strategies that maximize carbon reductions while minimizing costs. https://shop.elsevier.com/books/cost-effective-energy-efficient-methods-for-refurbishment-and-retrofitting-of-buildings/pacheco-torgal/978-0-443-23974-8
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Passou mais um ano e a U.Porto e a U.Nova continuam reféns da mesma incapacidade
Na sequência do post publicado há um ano, acessível no link acima, sobre os 20 (vinte) livros indexados na plataforma Scopus, mais citados de sempre, na área da Engenharia Civil, apresenta-se abaixo a lista atualizada, ordenada pelo número de citações.
O destaque continua a pertencer, à UMinho, que volta a afirmar o seu domínio inequívoco, com 12 títulos. Seguem-se o LNEC e a ULisboa, com 3 títulos cada, e a UCoimbra, com 2.
Em contrapartida, é surpreendente constatar que a UPorto e a UNova continuam totalmente ausentes desta lista, revelando uma persistente incapacidade. Este facto significa que a competição que foi mencionada aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/12/universidades-e-politecnicos-conseguem.html muito pouco deve ao contributo dos investigadores da área da Engenharia Civil da UPorto e da UNova, cuja ausência nesta lista é tão persistente quanto objetivamente difícil de justificar.
1º - Handbook of Alkali-Activated Cements, Mortars and Concretes3º - Design of Steel Structures
6º - Mechanics and strength of materials
10º - Seismic Design of Concrete Buildings to Eurocode 8
17º - Advances in Construction and Demolition Waste Recycling
18º - Eco-efficient Repair and Rehabilitation of Concrete Infrastructures
terça-feira, 14 de julho de 2026
A U.Porto conseguiu colocar um artigo no Top 0.5% dos artigos mais citados. A U.Coimbra e a U.Nova continuam a zero
Há mais de um ano atrás, no dia 1 de Maio de 2025, divulguei o desempenho dos investigadores Portugueses em termos do número de artigos no grupo Top 0.5% mais citados de uma conhecida revista científica da Elsevier na área da engenharia civil, grupo esse que era dominado pela universidade do Minho. Vide post acessível no link supra.
Quando agora, um ano depois, se procede a uma nova pesquisa na plataforma Scopus, para se conseguir saber quantos artigos é que Portugal ainda tem no grupo Top 0.5% da referida revista, constata-se que as mudanças foram mínimas, e a UMinho ainda continua a ter o domínio absoluto dessa lista, de forma inequívoca. No que respeita às mudanças, um dos artigos de um catedrático da univ. de Lisboa saiu dessa lista, tendo sido substituído por um artigo de uma professora associada, entretanto aposentada, Joana Sousa-Coutinho, da universidade do Porto. Isso significa que infelizmente os investigadores da UCoimbra e da UNova ainda não conseguiram colocar nenhum artigo no referido grupo do Top 0.5%.
PS - Ainda sobre citações vale a pena recordar o que escreveu a catedrática Lauren M McIntyre, editora-chefe da revista científica Genes, Genomes, Genetics "as citações são a forma como reconhecemos aqueles que fazem parte da comunidade científica mundial".
segunda-feira, 13 de julho de 2026
The Battle for the World's Brightest Minds
The significance of this move is difficult to overstate. This is not a mid-career researcher seeking a better salary, nor a retired academic accepting an honorary appointment. It is a newly crowned Nobel laureate, at the height of his scientific influence, choosing Beijing over Berkeley in one of the most strategically important scientific fields of the coming industrial revolution. Nor is Yaghi an isolated case. The South China Morning Post has recently documented a growing list of scientists leaving leading institutions in the United States and Britain for China during 2026 alone, including senior academics, computer vision specialists, and semiconductor experts. https://www.scmp.com/news/china/science/article/3359883/10-scientists-and-experts-who-have-left-us-and-uk-china-so-far-2026
The deeper irony is that American scientific leadership was never built solely on American-born scientific talent either. According to the New York Times, roughly 40% of the Nobel Prizes awarded this century to U.S.-based scientists in physics, chemistry, and medicine have gone to researchers born abroad. America's greatest scientific advantage was its unparalleled ability to attract the world's brightest minds. Beijing is now trying to reproduce that model while Washington appears increasingly willing to undermine it.
sábado, 11 de julho de 2026
A U.Minho mantém a liderança e a U.Porto desilude num importante indicador estratégico de competitividade internacional
Os resultados evidenciam dois fenómenos distintos. Por um lado, a U.Lisboa e a U.Coimbra mantêm a liderança nas colaborações internacionais, consolidando redes científicas já muito desenvolvidas. Por outro, a UBI e a U.Aveiro destacam-se como as instituições mais dinâmicas, registando os maiores aumentos relativos. O dado mais relevante é a forte aceleração das colaborações com a China, cujo crescimento médio supera o dos restantes países.
Combinando o nível de colaboração e a sua evolução entre os dois períodos analisados, distinguem-se três grupos de instituições. No primeiro grupo situam-se a U.Lisboa, a U.Coimbra e a U.Minho. A U.Lisboa mantém a liderança em praticamente todos os indicadores, enquanto a U.Coimbra apresenta um desempenho igualmente sólido. A U.Minho destaca-se por liderar as colaborações nacionais com investigadores chineses, um facto que merece reconhecimento em face de uma universidade daquele país ter batido um recorde mundial de mais de 10 anos da universidade de Harvard https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/06/o-recorde-mundial-de-mais-de-10-anos-da.html
O segundo grupo integra a UBI, que embora esteja em 7ºlugar nacional no total de colaborações lidera o crescimento das colaborações com a China, a Suécia e a Suíça, registando igualmente um forte aumento com os EUA. Pois apesar de partir de valores absolutos mais baixos, é a instituição que mais rapidamente expandiu a sua internacionalização. Destaque também para a U.Aveiro (6º lugar absoluto) que apresenta também crescimentos muito expressivos com os EUA, a China e a Suécia. Relativamente aos desempenhos menos favoráveis destaca-se pela negativa a U.Porto, pois foi a única instituição entre as sete "irmãs" onde diminuiu a percentagem de publicações com investigadores chineses. Acresce que relativamente ao total de colaborações com os quatro países analisados a UPorto aparece em 4º lugar nacional, atrás da U.Lisboa, U.Coimbra e U.Minho.
quinta-feira, 9 de julho de 2026
Can China Engineer Scientific Genius?
For more than three decades, Chinese scientists were taught that success meant publishing in the world's leading Western journals. A paper in Nature or Science was the passport to promotion, generous financial rewards, and international prestige. China learned from the world's foremost scientific institutions and, in many fields, has now surpassed them. Beijing is now rewriting the rules. It is reducing the weight of publications in Western journals when evaluating researchers, placing greater emphasis on high-quality domestic journals and research aligned with national priorities. At first glance, this may seem like little more than an administrative reform. In reality, it signals a profound strategic shift: China no longer accepts a scientific order that is designed, governed, and validated by the West. https://www.ft.com/content/64a811f1-b132-4211-8a8c-2252cf964039?
From Beijing's perspective, the strategy is rational. China is already the world's pre-eminent producer of global scientific publications, and, as I noted last month, Zhejiang University has now displaced Harvard from first place in the Nature Index Research Leaders rankings, the first time in more than a decade that Harvard has not led, an unquestionably symbolic shift, and the Stanford AI Index 2026 reports that China now decisively leads the world in AI publication volume and citations and accounts for roughly 70 per cent of all AI patents granted globally. It leads in numerous areas of engineering, advanced materials, and clean-energy technologies, combining massive research investment on a scale few democracies can match with an aggressive strategy to attract world-class scientists from the West.The next logical step is to build a scientific ecosystem that no longer depends on Western institutions for legitimacy, but instead defines its own standards of excellence and international influence.
Whether the West recognises it or not, the era of a single global scientific community may be drawing to a close. Science arguably humanity's most successful international enterprise is becoming another arena of strategic competition. Supply chains, semiconductor production and artificial intelligence have already fragmented. Scientific knowledge may be next. Europe, meanwhile, remains preoccupied with bureaucratic reforms, research assessment exercises and increasingly elaborate funding rules rearranging the furniture while China redesigns the architecture of global science.The irony borders on historical tragedy. For decades, Western universities welcomed China into the global scientific community, believing that openness would bind the world's scientists ever more closely together. Instead, that openness became the foundation of China's extraordinary scientific rise. Having mastered the rules of the existing system, Beijing is now increasingly confident that it can rewrite them and perhaps build a rival scientific order on its own terms, reshaping global science.
Declaration of competing interests - According to my Scopus record, 18% of my indexed publications were co-authored with Chinese scientists. This proportion is considerably higher than that of my fellow Portuguese Scopus Highly Cited Researchers https://pachecotorgal.com/2024/12/08/estarao-os-investigadores-mais-citados-de-portugal-a-aproveitar-devidamente-a-notavel-ascensao-da-ciencia-chinesa/
PS - Yet there is a paradox at the heart of China's strategy. Scientific leadership is not measured solely by papers published, patents filed or billions invested. History's greatest transformative scientific breakthroughs have emerged from environments where ideas circulate freely, orthodoxies are challenged, and criticism is welcomed, even when politically inconvenient. If China succeeds in building a largely self-contained scientific ecosystem, it may also cut itself off from the international competition, scepticism and intellectual cross-fertilisation that have driven scientific revolutions for centuries. Beijing may well engineer scientific supremacy. But the kind of genius that produces Nobel Prize-winning breakthroughs unruly, contrarian and often indifferent to national priorities may prove far harder to engineer.
terça-feira, 7 de julho de 2026
Advogados exigem chumbo de medidas destinadas a acelerar os processos-crimes
A revista Visão noticiou que a Ordem dos Advogados e cerca de 190 cidadãos subscritores de uma carta aberta exigem ao Presidente da República que vete as modestas medidas legislativas destinadas a acelerar os processos-crime, incluindo a aplicação de multas por actos da defesa considerados manifestamente dilatórios. A preocupação é bastante compreensível. Para esses a lentidão da justiça não é uma patologia, é um modelo de negócio. Afinal, um processo onde se podem interpor 100 recursos é incomparavelmente mais interessante, em termos de honorários, do que um processo limitado a meia dúzia de incidentes. Recorde-se que os advogados de José Sócrates já interpuseram mais de uma centena de recursos e incidentes, com custos superiores a 350 mil euros. A pergunta, portanto, é simples, a justiça portuguesa existe para garantir defesa efectiva aos cidadãos ou para alimentar um mercado de honorários sem fim, onde cada adiamento é uma factura e cada incidente processual é uma oportunidade de facturação?
O mais curioso é que esta indignação surge precisamente no país onde, segundo o Expresso, começam já a germinar nos tribunais réplicas da alegada estratégia processual usada no caso Sócrates. No Porto, um arguido acusado de burla e falsificação de documentos já mudou de advogado dez vezes. Em Sintra, dois irmãos acusados de vários crimes terão seguido caminho semelhante, recorrendo sucessivamente à troca de advogados. Ou seja, aquilo que antes parecia uma excentricidade processual de luxo arrisca-se agora a transformar-se num manual de sobrevivência para arguidos bem aconselhados, trocar de advogado até ao infinito e esperar que a justiça morra de exaustão. Chamar a isto exercício normal do direito de defesa é uma obscenidade semântica. Parece mais uma sofisticada engenharia da impunidade, montada dentro da própria máquina judicial, em nome da defesa, com a complacência de quem transforma garantias processuais em licença para sabotar processos e garantir que a justiça morre antes da sentença.
Há poucos anos, divulguei o facto de um conhecido catedrático jubilado da Universidade de Coimbra, Vital Moreira, ter escrito que ocorre no nosso país uma vergonhosa e inadmissível “captura do Estado por um grupo profissional poderoso”, referindo-se precisamente aos advogados. A frase envelheceu demasiado bem. Hoje, perante a forte resistência a medidas mínimas contra expedientes manifestamente dilatórios, percebe-se que essa captura não é uma metáfora exagerada, mas quase um retrato clínico do regime, uma classe profissional que, em vez de aceitar limites razoáveis ao danoso abuso processual, parece empenhada em manter o país refém dos seus interesses particulares, mesmo que para isso a justiça continue a definhar em público e a impunidade continue a prosperar em privado, com arrogância corporativa e desprezo pelo país, sem pudor e sem vergonha institucional alguma.
PS — É sabido que o nosso pais tem advogados a mais, 500% a mais do que a Suécia. E quando há oferta em excesso, cresce também a tentação de transformar cada processo judicial num território de caça processual, mais recursos, mais adiamentos e, naturalmente, mais facturação. É por isso que o supracitado chumbo das medidas contra actos dilatórios revela uma irracionalidade oportunista. Acresce que importa também ter em conta as milhares de queixas contra advogados, e recordo que há poucos anos critiquei o facto de só na região de Lisboa existirem cerca de 4.000 processos disciplinares pendentes. Desde então, soube-se também de centenas de processos disciplinares que pura e simplesmente se evaporaram. E, como se isso não bastasse, surgem casos como o do indivíduo que terá exercido advocacia durante 30 anos sem o poder fazer legalmente. Perante isto, a pergunta impõe-se com brutal simplicidade, afinal quantos “advogados” continuarão ainda hoje a exercer, apesar de já há muito deverem ter sido afastados da profissão, não por falta de queixas, indícios fortes ou processos disciplinares, mas porque foram convenientemente salvos pela lentidão, pela prescrição ou pelo desaparecimento providencial dos seus próprios processos?
segunda-feira, 6 de julho de 2026
The Invisible Graveyard of Scientific Risk: Rethinking the Role of PhD Supervisors
https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/02/the-moral-imperative-of-scientific.html
In a previous post from February 2024, linked above, I argued that science needs more rebellious minds and mentioned seven ways to cultivate them. One of those suggestions was to “establish mentorship programs that pair young researchers with experienced rebel scientists.” Seen in that light, a recent Research Policy paper by Shibayama, Mattsson and Broström, researchers affiliated with the University of Tokyo, Lund University and the University of Gothenburg, is especially relevant. One of its research highlights states the point directly: “Risk-taking is a critical trait for scientists.” Based on survey and bibliometric data from PhD students and supervisors in the Swedish life sciences, the study argues that scientific risk-taking is not merely an individual disposition, but may be shaped during doctoral training and transmitted across academic generations. Its central finding that students’ risk-taking is significantly associated with that of their supervisors, especially when mentoring is more frequent, and that this association may persist long after students leave their PhD affiliation deserves serious attention from science-policy scholars worldwide.
Yet caution is needed. The study captures only the risks that survived into print. In an earlier post, I made a related point about academia’s uneasy relationship with failure, science needs failed attempts and risk-taking attitudes, beyond publishable safe outcomes, in order to advance, yet institutions tend to reward only the successes that can be counted. The letter posted online yesterday, which cites that post, applies that concern directly to Shibayama, Mattsson and Broström’s study. Before we credit supervisors with breeding bold scientists, we should first confront the system that buries failed risk, ignores abandoned projects and rewards playing it safe, even when science demands otherwise to advance meaningfully.
PS - This also connects with my July 2024 post on the Nobel laureate who visited Portugal and advised young scientists to be “arrogant enough.” Without some of that "arrogance", science becomes the polite manufacture of safe, countable mediocrity. https://pachecotorgal.com/2024/07/15/nobel-prize-winner-advises-young-scientists-to-adopt-confident-arrogance/
domingo, 5 de julho de 2026
Meaning Begins Where Permanence Ends
This phrase, from Mike Flanagan’s Midnight Mass, spoken by Riley Flynn, gives poetic form to one of cosmology’s most brutal truths: we are temporary arrangements of matter, briefly gathered, inevitably scattered, and never entirely ours. In my previous post of June 3, 2025, I referred to an essay in which five respected senior scientists reflected on how modern cosmology shapes meaning, ethics, and human identity. Riley’s words enter the same territory, but with less academic distance and more raw, deeply unsettling existential force.
If we are not permanent selves, then existence cannot be about preservation. Nothing in the universe promises us permanence, purpose, or cosmic importance. Meaning, if it exists at all, is not written into the stars. It is made locally, inside this fragile, brief, trembling, conscious accident of matter, against the vast indifferent silence, where we feel, love, grieve, imagine, build, and create. That is not a failure of existence. It may be the only form meaning can take.
This also changes how we think about compassion. A skeptic may rightly object that shared material origins do not automatically create moral duties. But that misses the force of the insight. Once the self is seen as provisional, the boundary between my fate and yours becomes less absolute. Compassion stops looking like a noble decoration added to life and starts looking like a clearer, less frightened way of seeing it. Connection matters more than legacy because legacy is often only the ego asking to survive under another name.
Consciousness is matter briefly witnessing itself. No rock does this. No star does this. Yet here, for a moment, the universe opens its eyes, fears its own disappearance, and asks why it exists. Perhaps that is the closest thing we have to a point: not to solve the mystery, but to be the fragile, achingly brief, luminous place where the mystery becomes aware of itself.
There is, however, a darker counterweight to this consolation. In a post from July 2, 2022, I reflected on the uncomfortable idea that suffering may bind us to something higher than ourselves. The two thoughts sit in tension: does impermanence console us, or wound us? Perhaps it does both, and perhaps that is precisely why it matters. It exposes our vulnerability, breaks the illusion of self-sufficiency, and forces meaning to stop being something merely understood and become something tested by suffering, expressed through action, sustained by connection, and redeemed by shared human compassion. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/07/porque-e-que-uma-vida-com-significado-e.html
sábado, 4 de julho de 2026
The illusion of scientific talent identification through publication counts: a critical commentary on Haunschild and Bornmann
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1751157726000805?dgcid=author
quarta-feira, 1 de julho de 2026
U.Minho: A segunda e mais grave omissão reitoral que deve preocupar a academia
https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/06/uminho-5-duvidas-e-uma-omissao-reitoral.html
Na sequência do post anterior, acessível no link supra, onde critiquei um artigo do Reitor da Universidade do Minho sobre o problema das universidades europeias terem cada vez menos estudantes, e sobre o facto de não ser solução pôr os mesmos jovens a circular entre universidades, pois tal não resolve o problema, apenas o redistribui, importa agora sublinhar uma segunda omissão, provavelmente mais séria, a possibilidade de a IA destruir parte relevante do mercado formativo tradicional.
O problema já não é apenas saber quantos jovens existem. É saber que formação ainda estarão dispostos a comprar, que diploma continuará a ter valor e que competências justificarão anos de propinas, deslocações e alojamento. Durante décadas, a universidade vendeu uma promessa estável, estudar vários anos, obter um diploma e entrar num mercado que reconhecia esse diploma como sinal de competência profissional. Essa cadeia começou agora a ser corroída a um ritmo bastante acelerado.
Muitas tarefas cognitivas que sustentavam a promessa económica de tantos cursos estão a ser automatizadas. As empresas percebem que nem sempre precisam de diplomados com formações longas quando conseguem formar utilizadores operacionais em ciclos mais curtos. E o próprio estudante pergunta se vale a pena pagar caro por uma formação lenta, quando parte do conhecimento instrumental se obtém de forma rápida, personalizada e barata. Isto não significa que as universidades deixem de ser necessárias. Significa algo pior para quem vive da inércia, deixarão de ser automaticamente necessárias, vide a declaração do catedrático jubilado Robert Reich, "A four-year college degree isn’t necessary for many of tomorrow’s good jobs" https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/05/pessimas-noticias-para-recem-diplomados.html
E é aqui que a tal linguagem das alianças, da mobilidade e dos consórcios se revela bastante pequena. Uma universidade pode assinar dezenas de memorandos mas se continuar a vender a mesma formação abstrata, burocrática e desligada das mutações reais do trabalho, estará apenas a decorar uma estrutura em perda de relevância.
E é também aqui que regressa o importante dilema do Presidente do Técnico sobre Como conseguir transformar docentes naquilo que eles não querem ou não conseguem ser" Se os professores deixaram de ser os únicos mediadores entre o saber e os estudantes, então o professor deixa de poder limitar-se a expor informação. Passa a ter de orientar pensamento crítico, treinar julgamento autónomo rigoroso e a inspirar exigência intelectual.
Porém durante décadas as universidades contrataram e promoveram docentes sobretudo com base na antiguidade e também como confessou um conhecido catedrático, hoje Reitor de uma universidade no Norte do país, no facto dos candidatos terem feito favores aos colegas mais velhos. Não os escolheram certamente por serem mentores inspiracionais ou apóstolos da pedagogia. E agora descobrem, demasiado tarde, que não se fabricam professores transformadores e inspiradores com os critérios endogâmicos, clientelares, corporativos e conformistas que durante décadas premiaram "...a obediência, quando não a mediocridade", catedrático Jorge Calado dixit.
PS - Inesperada e até algo ironicamente é precisamente o curso de engenharia civil cuja procura académica sofreu uma hecatombe há uma década atrás que se assume como uma das áreas menos vulneráveis à substituição pela IA porque está diretamente ligada à proteção da vida (vide a recente tragédia Venezuelana), à segurança coletiva e ao funcionamento diário da sociedade. Edifícios, pontes, estradas, barragens, redes de água, saneamento e energia não são abstrações digitais, são sistemas físicos onde os erros podem matar. Projetar, construir e reabilitar infraestruturas exige presença em obra, conhecimento de solos, de materiais, de clima, de normas nacionais e em muitos casos de regulamentos locais. Acresce que as obras de engenharia civil são concebidas para durar décadas, o que implica garantias legais, exigências de desempenho ao longo do tempo e responsabilidade técnica continuada por parte dos engenheiros civis. A inteligência artificial pode apoiar cálculos e modelos, mas não substitui os engenheiros civis que interpretam incertezas e tomam decisões perante riscos estruturais, sísmicos, hidráulicos ou ambientais e que assumem responsabilidades legais permanentes. E num planeta cada vez mais quente, a importância da engenharia civil irá tornar-se incontornável. Um parque habitacional envelhecido e projectado para outro clima terá de resistir ao calor extremo, muito pior do que aquele que agora atinge a Europa, a secas, a cheias, a incêndios e à degradação acelerada. A habitação deixará assim de significar apenas construção ou eficiência energética para se tornar o lugar onde a engenharia civil actua como o garante da dignidade humana perante a emergência climática.
terça-feira, 30 de junho de 2026
Europe’s Furnace Homes: The Price of Political Cowardice, Paid by the Vulnerable
https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/06/europe-cannot-air-condition-its-way-out.html
Still following my previous post, “On Europe’s catastrophic heatwave collapse” (linked above), Reuters has now revealed the architectural dimension of the disaster: Europe is not merely being hit by extreme heat. It is being hit by extreme heat inside buildings designed to resist a different century.Not badly built. Worse: efficiently built for the wrong enemy. Built to preserve warmth. Built to defeat winter. Built for a Europe that has disappeared from the climate system but remains alive in building codes, renovation policies and official complacency.https://www.reuters.com/business/environment/hot-stuck-paris-london-homes-not-built-heat-2026-06-26/
This is the real scandal. Europe spent decades improving buildings for one half of the climate problem while neglecting the other, insulating, sealing and regulating in the name of energy efficiency, with winter as the dominant model. Now those same buildings trap heat with the efficiency of a well-designed mistake. This is not merely discomfort. It is architectural obsolescence on a continental scale. Parisian attic flats beneath zinc roofs become furnaces. London homes overheat. Schools close. Hospitals struggle. The elderly are told to stay indoors, as if indoors were still a place of protection. A dwelling can satisfy every formal standard and still fail at the most basic civilisational function: protecting human beings from hostile weather.
Reuters reports that only around a quarter of European households have air conditioning, compared with roughly 90% in the United States and Japan. At first, this may sound like ecological virtue. In reality, it exposes Europe’s immense adaptation gap: neither the cooling equipment of richer societies nor the passive resilience that would make such equipment largely unnecessary, but a housing stock stranded between old climate assumptions and new thermal realities. This is why the usual language has become unbearable. Strategy. Resilience. Renovation wave. Climate neutrality. Just transition. The vocabulary is immaculate. The buildings are not. Europe’s problem is not the absence of documents; it is the absence of consequences. Policymakers knew heatwaves would intensify. They knew dense cities, ageing populations, poor housing and insufficient cooling would collide. Yet overheating was still treated as a secondary inconvenience rather than a public-health emergency.
And Europe cannot simply import the American answer of mass air conditioning. It may cool those who can afford it, but it also raises peak electricity demand and can worsen the urban heat-island effect. The answer is not more machines attached to bad buildings and failed policy and political cowardice. It is external shading before decorative façades, cool roofs before slogans, passive cooling before dependence on peak electricity, and deep renovation measured not by winter savings alone, but by summer survivability. Because survivability is the word Europe still avoids. A building is not sustainable if it becomes dangerous during a heatwave. A city is not resilient because it has a plan. It is resilient only if its poorest, oldest and sickest residents can survive the next thermal shock without luck, charity or wet towels.
The tragedy is not that Europe lacked knowledge. It had the knowledge, the money, the universities, the engineers, the climate models, the directives, the committees and the warning signs and still managed to build, renovate and regulate its way into a furnace.
Declaration of competing interests - I am currently preparing a new edition of Eco-efficient Materials for Reducing Cooling Needs in Buildings and Construction, originally published by Elsevier in 2020. What could once be framed as a specialised technical field, cool pavements, façades, roofs, smart glazing and passive cooling technologies has now become a matter of public urgency: whether European buildings can still protect human beings in the climate they actually inhabit, rather than in the climate for which they were designed.
sábado, 27 de junho de 2026
Uma ferramenta de autoavaliação científica que muitos investigadores ainda não usam
Agora que vários concursos para lugares de professor catedrático começaram a exigir valores mínimos de h-index na plataforma Scopus, como há tempos dei conta aqui https://pachecotorgal.com/2023/08/05/mais-um-concurso-para-um-lugar-de-professor-catedratico-que-exige-um-h-index-minimo-igual-ou-superior-a-15-2/ aproveito agora para divulgar uma forma simples de estimar a previsão de crescimento do h-index Scopus.
Depois de aceder ao perfil do investigador na plataforma Scopus:
1.º Clique em “Search results format”.
2.º Clique em “Citation overview”.
3.º Não selecione a opção predefinida “All documents on this page”; escolha a segunda opção.
4.º Clique no ícone “Export” para gerar um ficheiro em formato CSV.
5.º Faça o upload do referido ficheiro para um modelo de IA e solicite uma análise da evolução anual das citações dos seus artigos, identificando quais os trabalhos que continuam a ganhar impacto, quais os que parecem ter estabilizado e de que forma essa dinâmica poderá influenciar a previsão futura de crescimento do h-index Scopus.
Esta estimativa não deve ser vista apenas como um exercício prospetivo, mas também como uma ferramenta útil de autoavaliação científica. Ao analisar a evolução das citações dos seus artigos, cada investigador pode perceber se a sua produção científica se encontra numa trajetória sustentada de crescimento em termos de impacto, ou se, pelo contrário, começou a revelar sinais de estagnação. Essa informação pode ajudar a ajustar estratégias de publicação, colaboração e até a selecionar temas de investigação mais competitivos.
Recordo que, há cinco anos, divulguei no meu primeiro blogue um estudo realizado por investigadores Alemães, com base numa amostra de mais de mil professores daquele país, que revelou que quase 40% não sabiam como se calculava o h-index ou julgavam sabê-lo, mas falharam um teste básico sobre o seu cálculo. Segundo os autores desse artigo, este resultado revelava um paradoxo significativo, pois uma métrica capaz de influenciar carreiras académicas, reputações científicas e processos de avaliação continuava a ser mal compreendida por uma parte considerável da comunidade académica alemã. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/04/university-of-dusseldorfdo-researchers.html
PS - Para o meu caso concreto, a previsão estimou um h-index Scopus de 68 em 2030 num cenário otimista e de 65 num cenário conservador. Por uma questão de prudência, decidi registar no meu perfil ORCID uma estimativa inferior: 63. https://orcid.org/0000-0001-7767-6787
sexta-feira, 26 de junho de 2026
On Europe’s catastrophic collapse, managed with excellence all the way to disaster
https://19-paheco-torgal-19.blogspot.com/2026/06/europes-cooling-emergency-preventing.html
On 6 June, in the post linked above, I wrote that Europe was beginning to draw a cruel new shadow line across its cities: between those who can buy their way into cooled interiors and those forced to endure the street, the workplace, the bus stop, the school, the hospital corridor and the overheated flat. Less than three weeks later, that warning already looks almost too mild.
What Europe is now experiencing is not simply another heatwave. It is the exposure of a profound political failure. Governments have spent years producing adaptation strategies, resilience plans, climate-neutral slogans and urban-transition documents, while millions still live, work and study in buildings dangerously unprepared for extreme heat. This is not an accident. It is the predictable result of treating overheating as a secondary problem until it becomes a public-health emergency.
The new heatwave sweeping across Europe has broken records, closed schools, disrupted transport, strained hospitals and pushed vulnerable people into danger. But the most damning sign is now even clearer: extreme heat is shutting down power plants. Nuclear reactors that rely on river water for cooling have had to reduce output because rivers are becoming too warm. Electricity demand rises precisely when the power system becomes more fragile. https://www.technologyreview.com/2026/06/24/1139676/europe-heat-power-plants/
Nor is this only an energy problem. Across England, hospitals have declared critical incidents as radiotherapy machines, MRI scanners, IT systems and entire cooling units failed under extreme heat. Treatments were delayed, diagnostics stalled, and the machinery on which modern medicine depends was defeated by conditions that policymakers knew were coming. This is not an unfortunate technical malfunction. It is the consequence of running essential public infrastructure with too little resilience, too little investment and too much political complacency. https://www.theguardian.com/society/2026/jun/25/hospitals-nhs-england-critical-incidents-machines-it-fail-extreme-heat
Europe is discovering, in real time, that it cannot simply air-condition its way out of climate failure. The hotter it gets, the more cooling people need; the more cooling people need, the more pressure falls on energy and hospital systems already destabilised by heat. This is the vicious circle now becoming visible: extreme heat increases the demand for protection while weakening the very systems meant to provide it. Europe’s climate failure is no longer only environmental or social. It is becoming systemic and increasingly politically explosive.
PS - I had already warned in March 2022 about new physiological evidence published in the Journal of Applied Physiology that weakened one of the last comforting assumptions about human survival under extreme heat: the humid-heat limit may be closer to 31 ºC wet-bulb, not 35 ºC, even for healthy young people. For the elderly, the sick and the poor, the margin is smaller still. No wonder Professor Raymond Pierrehumbert had already written in 2019: “With regard to the climate crisis, yes, it’s time to panic.” https://pachecotorgal.com/2022/03/27/a-climatic-hell-in-the-making-and-a-study-that-reduces-the-chances-of-survival-of-a-healthy-human-being/
quinta-feira, 25 de junho de 2026
U.Minho: 5 dúvidas e uma omissão reitoral
https://www.publico.pt/2026/06/24/opiniao/opiniao/campus-europeu-reinvencao-universidades-2179190
Sobre o
artigo artigo acessível no link supra, do Engenheiro Pedro Arezes, Reitor da Universidade do Minho, faz sentido perguntar:
Se o grave problema na academia europeia é haver menos jovens na Europa, como é que pôr os mesmos jovens a circular entre universidades europeias resolve a grave escassez demográfica que o artigo diagnostica?
Será que o artigo propõe realmente uma solução para o sistema universitário europeu ou na verdade propõe apenas uma vantagem competitiva para as universidades do Norte da Europa ?
Não é
plausível que a mobilidade europeia, em vez de reforçar a coesão territorial,
possa pelo contrário acelerar a concentração de estudantes nas universidades europeias mais
competitivas como
foi referido aqui para
o caso concreto dos investigadores?
Afinal, quando leões convidam ovelhas para uma “aliança estratégica”, convém tratar a palavra “estratégica” com prudência, quase sempre a estratégia pertence aos leões e ás ovelhas fica reservado um mero papel sacrificial.
Se a própria crise resulta da falta de jovens europeus, que sentido faz colocar no centro da solução a circulação interna dos mesmos jovens, e não a atração dos estudantes talentosos que a Europa ainda não consegue captar?
Ou será
que a Europa já deitou a toalha ao chão e já assumiu que é absolutamente
incapaz de competir com os EUA na atracção de talento a nível mundial e já nem
sequer consegue impedir o seu próprio talento de fugir para os EUA como
foi referido aqui ?
E isto precisamente num momento em que o errático, destrutivo e racista mandato de Trump ofereceu à Europa a melhor oportunidade de uma geração para disputar aos EUA os estudantes mais talentosos do planeta. Uma oportunidade que nem sequer exige uma Europa genial, basta uma Europa menos resignada, menos burocrática e com um mínimo de ambição estratégica.
Recordo que ontem mesmo se ficou a saber que as bolsas milionárias ERC Advanced Grants mais do que
duplicaram a atração de cientistas de topo de fora da Europa: nove vêm dos EUA,
dois do Canadá e dois da Austrália. https://www.timeshighereducation.com/news/sharp-rise-erc-advanced-grant-applications-outside-europe
A lição é
por isso fácil de perceber, quando a Europa põe dinheiro a sério, prestígio
científico e condições reais em cima da mesa, o talento vem. Quando porém
oferece apenas discursos sobre mobilidade interna, limita-se a pôr a escassez a
circular. O problema, portanto, não é apenas fazer circular os mesmos jovens
europeus entre as muitas universidades europeias. É atrair os jovens talentosos que ainda
cá não estão. E essa diferença entre redistribuir a escassez europeia, sem criar um único estudante e conseguir captar talento a nível mundial é a omissão mais evidente do
artigo do Reitor da UMinho.